Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Por que o Brasil precisa de um Estado gastador

» A empregada de Guedes e a cozinheira de Lênin

» Esquerda e governo: ideias e lições históricas (2)

» Evo: Como reconstruir o Socialismo Comunitário

» Educação Pública: E se Bolsonaro destruir o Fundeb?

» Cinema: quando o vazio é combustível à vida

» Boaventura: o desenvelhecimento do mundo

» Coronavírus: por que a ameaça persiste

» Quem tem medo de Bernie Sanders

» A nova face das corporações modernas (2)

Rede Social


Edição francesa


» L'enfance, une espèce en danger ?

» Progrès technologique et régression sociale

» La recolonisation du plus pauvre pays de l'hémisphère occidental

» Taïwan, ou l'indépendance dans le brouillard

» Sur les causes de la pauvreté des nations et des hommes dans le monde contemporain

» La criminalité en « col blanc », ou la continuation des affaires…

» Les manœuvres à l'intérieur du parti de M. McGovern diminuent les chances d'un candidat démocrate

» Un réseau élargi et solidaire

» Images strictement contrôlées

» La leçon de Cro-Magnon


Edição em inglês


» US ideologues in the ascendant?

» US ideologues in the ascendant?

» Rojava, a fragmented territory

» Australia's angriest summer

» February: the longer view

» African national parks managed by African Parks

» Genetic medicine makes the world less fair

» From apartheid to philanthropy

» Who is the land for?

» Belarus, the industrious state


Edição portuguesa


» Edição de Fevereiro de 2020

» O que Donald Trump permite…

» As marcas do frio

» Edição de Janeiro de 2020

» Embaraços externos

» De Santiago a Paris, os povos na rua

» Que prioridades para uma governação mais à esquerda?

» Edição de Dezembro de 2019

» Uma fractura social exposta

» «Uma chacina»


CINEMA

Percursos íntimos e políticos

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

Atento e simples, o documentário ’Serás comunista, meu filho!’, do francês Jean-Christophe Victor, convida as pessoas a refletirem sobre a transmissão de valores entre gerações e o combate que as pode unir

Philippe Lafosse - (01/03/2003)

Às certezas dos pais, fiéis ao Partido Comunista, respondem as dúvidas dos filhos e seus atuais engajamentos, que podem até ser encarados como traição

O que é ser comunista hoje? Depois começar por acreditar, durante os primeiros minutos do documentário de Jean-Christophe Victor, que o filme estaria amarrado, como um todo, pela resposta a essa pergunta, logo se percebe que Serás comunista, meu filho!1 tem outra pretensão: entrecruzar três gerações movidas por um mesmo ideal - lutar por um futuro melhor - sem evitar a abordagem dos conflitos íntimos, quando estes explicam um encaminhamento particular, uma aproximação ou um distanciamento. Às certezas dos pais, marxistas inveterados e fiéis ao Partido Comunista desde a juventude, respondem as dúvidas dos filhos e seus atuais engajamentos - é o caso de Jean-Christophe Victor, ativista do Attac - que podem até ser encarados como traição: a filha, Nathalie, não votou recentemente em Daniel Cohn-Bendit?

Victor propõe um retrato sensível e modesto de seus pais – especialmente de seu pai – sem negligenciar sua mãe que, ainda que presente em menos cenas, ocupa, entretanto, um lugar essencial, a do elo tolerante. Algumas imagens rodadas em Super 8 durante as férias de verão da época - inevitavelmente em países ligados à União Soviética... - permite a todos confrontar-se com um tempo passado, com as esperanças, as desilusões, as cegueiras.

Resistência e dignidade

A força do filme reside no modo como o cineasta consegue contar uma história que, para além de sua especificidade, interessa e toca os espectadores

E a força desse filme reside, sem dúvida, no modo como o cineasta, consciente do elo entre política e intimidade, se aplica com pudor e sinceridade conseguindo, assim, contar uma história que, para além de sua especificidade, interessa e toca todo mundo. A tenacidade com que Jean-Chistophe Victor se opõe à palavra e ao julgamento de seu pai para vencer a tristeza da incompreensão tão disseminada entre pais e filhos é um exemplo explícito disso. Atento e simples, este documentário de cinqüenta e dois minutos – duração imbecil imposta pelas emissoras de televisão a qualquer que seja o assunto - convida as pessoas a refletirem sobre a transmissão de valores entre gerações e o combate que as pode unir. Os filhos e filhas de comunistas não são todos comunistas, mas para alguns permanece, a cada geração, o dever de resistência e uma vontade de lutar pela dignidade de todos, vontade que só é igualável ao orgulho recíproco que os mais velhos sentem pelos jovens e que, às vezes, acabam confessando. É claramente esse o caso da família Victor.

(Trad.: Teresa Van Acker)

1 - O filme foi projetado em 10 e 12 de março no Festival Cinema do real, Centro Georges Pompidou em Paris, e será transmitido pela France 3 Méditarranée e algumas semanas depois na France 3 Nationale.




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Cinema
» Arte e Utopia
» Balanços do “Socialismo Real”

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos