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GUERRA ARBITRÁRIA

A Liga das Nações está morta, viva a ONU...

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A Liga das Nações nasceu em 1919 com os EUA desejando administrar o mundo – como nesse início de terceiro milênio. Esvaziada no fim da Segunda Guerra, é sucedida pela ONU, que logo manifestaria a mesma impotência em relação a questões de desarmamento

Marc Ferro - (01/04/2003)

Albert Einstein havia sugerido que se inscrevesse na fachada do Palácio das Nações: "Apóio os fortes e reduzo os frágeis ao silêncio sem derramamento de sangue... "

"A Liga das Nações está morta, viva a ONU". É com estas palavras que o britânico Lord Cecil, um de seus mais fervorosos animadores comentou sua dissolução, em abril de 1946. Mas o presidente de sua assembléia, o norueguês Karlo Hambro, tinha declarado: "Não ignoramos que muitas vezes nos faltou coragem moral, que muitas vezes hesitamos quando era preciso agir, que nós às vezes agimos quando teria sido mais sensato hesitar". Em compensação, para o brilhante Joseph Paul- Boncour, representante da França, a Liga das Nações não tinha falido: foram os governos quem não souberam colocar-se acima de seus interesses particulares.

E lembrar de seus "sucessos" iniciais - prevenção dos conflitos nos Bálcãs, ajuda à reconstrução da economia austríaca, fundamentos de uma verdadeira política de desarmamento... - seria "esquecer" a impotência da Liga das Nações por ocasião da agressão japonesa à China (1933), durante a invasão da Etiópia por Mussolini (1935), sem esquecer o início do governo da Alemanha nazista (1933) e o fracasso em matéria de desarmamento... "Apóio os fortes e reduzo os frágeis ao silêncio sem derramamento de sangue... " esta é a consigna que Albert Einstein tinha proposto inscrever na fachada do Palácio das Nações. Em 1939, com a declaração de guerra, a Liga decidiu interromper suas sessões até a paz...

Contudo, "com a ajuda do anti-bolchevismo, foi lembrado em 1939 que existia uma Liga das Nações" (Paul-Boncour). A organização gostaria, com efeito, de se reunir para excluir a URSS por causa da agressão contra a Finlândia (novembro de 1939). Ameaçada pela Alemanha nazista, a Comissão Preparatória promete que somente este conflito seria abordado e conseqüentemente nem a invasão da Tchecolosváquia, nem a da Albânia, nem o ataque contra a Polônia seriam abordadas. Depois disso a Liga se restringe a atividades "técnicas": proteção de refugiados, estudos sobre a futura reconstrução etc. Quando a França de Vichy deixa por sua vez a Liga das Nações (que não ousou substituir a França livre, não reconhecida pelas "grandes potências"), nem Alemanha, Itália, Japão, e nem Estados Unidos (cujo Senado renunciou desde 1919 a participar dela), nem URSS tinham assento mais nesta "concha vazia".

Justiça organizadora, ou paz reparadora?

Depois de 1939, a Liga das Nações se esvaziou e se restringiu a atividades "técnicas" como a proteção de refugiados e os estudos sobre a futura reconstrução

Woodrow Wilson, jurista e presidente dos Estados Unidos, tinha, a princípio, uma grande ambição. Depois da vitória conseguida pela Grã Bretanha e a França, com o apoio americano, ele quis instituir, com a Liga das Nações, uma justiça organizadora – enquanto a França, outra vencedora, queria estabelecer uma paz reparadora. Inserindo este projeto no próprio tratado de paz, ele pretendia substituir a rivalidade mortal dos Estados-nações por uma comunidade de nações.

Esta Liga seria, por outro lado a revanche das pequenas nações, finalmente livres – Tchecolosváquia, Hungria, Estados bálticos, Hedjaz, Síria etc. – contra os grandes impérios.

Mas Wilson acrescentava que o mundo teria necessidade de um governo único: os Estados Unidos assumiria esse papel. Neste início do terceiro milênio, voltamos a assistir como a uma espécie de repetição quando os dirigentes norte-americanos asseguram, como bons liberais: "Como nós somos os mais ricos e os mais fortes, cabe a nós governar". É o mesmo messianismo, exceto pelo fato de que, na época da criação da Liga das Nações, a França de Clemenceau queria primeiro que fosse reparado o dano que ela tinha sofrido, enquanto Wilson se opunha a isso, em nome do futuro da paz: atualmente são os Estados Unidos quem não querem depender da ONU para agir e a França se opõe a este unilateralismo...

Nova entidade, velhos problemas

Quando a Liga das Nações se dissolve em 1946, são os vencedores da Segunda Guerra, com os EUA na liderança, que propõem o novo projeto: a Organização das Nações Unidas

Quando a Liga das Nações se dissolve em 1946, são os vencedores da Segunda Guerra Mundial, com os Estados Unidos na liderança, que propõem, como em 1918, o novo projeto: a Organização das Nações Unidas (ONU). A assembléia de Genebra, tendo conservado muitas de suas atividades, chega até a colocar a possibilidade de perpetuar a existência da Liga paralelamente à da ONU, cujo futuro seria tratado em São Francisco. Com a URSS excluída, os Estados Unidos ausentes, a Alemanha, a Itália e o Japão no campo dos vencidos, abandonou-se esta idéia. Entretanto, a continuidade aparece entre as duas assembléias : De Gaulle nomeou Paul-Boncour como delegado da França em São Francisco e a nascente ONU entrega a um outro norueguês, Trygvie Lie, a Secretaria Geral.

Promete-se, é claro que as Nações Unidas serão mais eficazes que a Liga das Nações, mas tropeça-se sobre os mesmos problemas e não somente o da escolha dos membros do Conselho de Segurança . Da mesma forma que em 1918, a idéia de uma força armada própria à organização não é levada em consideração. A mesma impotência não tarda a se manifestar sobre os problemas do desarmamento, da prevenção, do controle dos orçamentos militares. E se os cinco "Grandes" comprometem-se a fazer respeitar suas decisões, somente os Estados Unidos dispunham de arma nuclear. A URSS iria logo tê-las também. E nem Washington, nem Moscou querem ser controlados quando começa a guerra fria.




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