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Esta enorme nação africana continua difícil de decifrada para os olhos ocidentais, sobretudo depois dos atentados do 11 de setembro. Quando não é a violência, boatos e inverdades são a parte que cabe aos jornalistas que freqüentam esse país.

Jean-Christophe Servant - (01/06/2003)

A imprensa ocidental caiu na armadilha “norte muçulmano contra sul cristão”, esquecendo que o sudoeste ioruba era, na realidade, uma zona multi-religiosa

“Vocês, jornalistas ocidentais, só pensam em vender papel. O que escreveram sobre a nossa charia é totalmente distorcido. Vocês julgam sem entender o contexto, e mesmo, às vezes, sem visitar o local”. Desertora do People’s Democratic Party (PDP), passando para o PSP, Leila Buhari, política conhecida em Kano, está, como a totalidade da sociedade muçulmana local, particularmente indignada com a imprensa internacional. “Trama de mentiras”, para alguns, e até “manipulação cristã” para os mais radicais, o tratamento ocidental dado à promulgação da lei islâmica nos 12 Estados do norte da Nigéria não fez senão confirmar a desconfiança do mundo haussá em relação a esses “enviados especiais que vêm ganhar dinheiro por conta de nossa desgraça”.

Há razões objetivas para essa irritação. País de difícil convivência, recém-saído de 15 anos de ditadura em que os jornalistas ocidentais eram persona non grata, a Nigéria é uma terra abençoada para o mais-ou-menos, o espetacular e até o blefe. Sobretudo para uma imprensa francesa cuja análise, construída sob o prisma dos “pequenos países” da África de língua francesa, cai por terra em contato com essa nação de mais de 129 milhões de habitantes. Do Le Point ao L’Express, são inúmeros os títulos que, com a promulgação da charia, caíram na armadilha “norte muçulmano contra sul cristão”, esquecendo que o sudoeste ioruba era, na realidade, uma zona multi-religiosa. Da mesma forma, no momento mais intenso do caso Safiya Husseini, vale lembrar aquela enviada especial do canal de televisão France 2 que, sob o pretexto de um “furo” que mostra imagens de amputação, esqueceu de esclarecer que eram extraídas de uma fita de vídeo sobre a charia facilmente encontrável nos mercados do norte da Nigéria.

Desconfiança do tratamento bipolar

Acompanha-se o noticiário nigeriano por meios de comunicação publicados no sul, cujas opiniões refletem essencialmente o ponto de vista cristão

Em resumo, terras de fantasmas, sobretudo a partir de 11 de setembro 2001, a Nigéria continua difícil de explicar, desde que ali não se tenha vivido durante muito tempo. E mesmo assim... Quando não é a violência, boatos e inverdades são a parte que cabe aos jornalistas que freqüentam esse país. Por trás da cólera dos muçulmanos nigerianos, surge, em todo caso, um outro mal-estar também revelador. “De fato, nosso verdadeiro problema é não ter um real contra-poder nortista”, reconhecem os jornalistas de Triumph, o jornal diário governamental do Estado de Kano, cuja tiragem não passa de 2 mil exemplares. “Com exceção do Daily Trust e do New Nigerian”, prossegue a equipe dirigente, “não temos imprensa escrita nacional. É verdade que temos também o analfabetismo, que os diários custam caro, e que o norte é sobretudo apreciador das notícias em ondas curtas difundidas pelos serviços em haussá da BBC ou da Voz da América. Mas a conseqüência é que, para acompanhar o noticiário nigeriano, você lê meios de comunicação que são publicados, em sua maioria, no sul, principalmente em Lagos, e cujas opiniões e tratamento refletem essencialmente o ponto de vista cristão. E você pode imaginar, tendo em vista o passado1, que eles não são necessariamente favoráveis a nós e até, às vezes, tendem a transformar a realidade”.

Um exemplo famoso em Kano: em 13 de outubro de 2001, entre os locais pilhados e saqueados pelos revoltosos, está a rua onde ficam os escritórios dos correspondentes dos grandes jornais nacionais. Estes acusaram os fundamentalistas muçulmanos. Mas foram os ibos, procedentes de Sabon Gari, que atearam fogo. Os jornalistas estavam errados em trabalhar em escritórios alugados de muçulmanos haussá... Como resume Yusuf Ozi Usman, que foi correspondente em Kano do diário ioruba The Comet, “é difícil ser objetivo em relação ao norte, quando você trabalha para a imprensa do sul. Os proprietários têm, na verdade, seus próprios objetivos políticos. E, como aqui, tudo é política”. Pode-se louvar, em todo caso, o notável trabalho do New York Times e da BBC, provavelmente os mais capazes de divulgar informações relativamente objetivas sobre esse país que desconfia do tratamento bipolarizado.

(Trad.: Regina Salgado Campos)

1 - A região norte foi o berço dos ditadores que amordaçaram o país de 1981 a 1997.




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