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MÉXICO

O “cemitério sem cruz” da fronteira sul

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Ao reforçar dispositivos de controle de imigração na fronteira com a Guatemala, governo mexicano atende a preocupação norte-americana, mas aumenta a corrupção, sem desencorajar candidatos sujeitos a extorsões, estupros, mutilações e risco de vida para chegar aos EUA e fugir da pobreza

Hervé Revelli - (01/07/2003)

Para escapar dos controles freqüentes do exército e da polícia, volta e meia os clandestinos têm de saltar do trem em movimento e os acidentes, muitas vezes mortais, são inúmeros

Ciudad Hidalgo, no estado de Chiapas. A cidade foi construída na margem mexicana do rio Suchiate, fronteira natural com a vizinha Guatemala. De Ciudad Hidalgo partem os trens de carga que, diariamente, centenas de migrantes da América Central pegam e, atravessando o México, tentam entrar clandestinamente nos Estados Unidos. Sentado à sombra de um vagão, um grupo de jovens de Honduras aguarda a partida do próximo comboio. Na noite anterior, atravessaram o rio em uma das balsas que fazem a travessia entre as duas margens. “Vamos pal’ norte” (“Vamos pro norte”), explica Dixie, 25 anos. “Em Honduras, eu era soldador, passava minhas tardes esperando na rua, com dezenas de outros artesãos, esperando que alguém quisesse me contratar por algumas horas ou alguns dias, e não ganhava o suficiente para minha família viver decentemente”. Nesse país, 70% da população ativa trabalha no setor da economia informal. E Dixie continua: “Tenho um irmão que mora em Houston [Texas]; se eu for para lá, ele me arruma um ‘bico’.”

A locomotiva apita, sinal de uma próxima partida. Sozinhos ou em pequenos grupos, homens, mulheres e crianças saem dos cerrados, dos abrigos provisórios ou dos hotéis miseráveis onde passam a noite, juntam-se em volta do trem, começam a subir nos vagões. Em sua maioria, são de Honduras, mas há gente também da Guatemala1, de El Salvador, uns poucos da Nicarágua e da América do Sul. Reina uma evidente tensão entre os migrantes. Alguns juntam pedras e pedaços de pau para se defenderem de bandos de criminosos que atacam os clandestinos. Para escapar dos controles freqüentes do exército e da polícia, volta e meia os migrantes têm de saltar do trem em movimento e os acidentes, muitas vezes mortais, são inúmeros. “Mas é melhor morrer aqui, tentando sair, do que de fome e de vergonha”, ouve-se com freqüência.

Reagan e o crescimento da imigração

Anualmente, 400 mil emigrantes, principalmente mexicanos e centro-americanos, passam de forma ilegal pela fronteira dos Estados Unidos

Na década de 80, as guerras que devastaram a América Central, inflamadas pela política militarista do presidente Ronald Reagan, obrigaram centenas de milhares de pessoas a se refugiarem no México e nos Estados Unidos. Em 1979, 50 mil salvadorenhos residiam nos Estados Unidos; dez anos depois eram mais de um milhão (de uma população total de 5 milhões de habitantes) e constituíam pólos de atração para as famílias e amigos que tinham ficado no país.

Uma vez que a paz não cumpre suas promessas, não só em El Salvador como nos outros países da região, na virada do século, 78% dos habitantes da América Central vivem abaixo do limiar de pobreza; os ajustes estruturais impostos pelo FMI puseram na rua dezenas de milhares de funcionários; os produtores nacionais foram sacrificados no altar do livre câmbio; as guerras acabaram, mas a criminalidade explode e, além disso, as catástrofes naturais – furacão Mitch, em 1998, terremoto em El Salvador, em 2001 – deixaram populações no limite da sobrevivência.

Anualmente, 400 mil emigrantes, principalmente mexicanos e centro-americanos, passam de forma ilegal pela fronteira dos Estados Unidos. Os homens não são mais os únicos a partir. De acordo com um documento do Fórum Migrações2, um número cada vez maior de mulheres tenta a aventura; os mineradores constituem cerca de 20% do contingente. A migração provisória tende a se tornar permanente. Já que a degradação das condições de vida não é o único fator que contribui para essa evolução, ao dificultar as idas-e-voltas entre os Estados Unidos e o país de origem, o endurecimento das políticas migratórias incentiva os migrantes a se fixarem definitivamente no país em que se refugiam.

O Plano Sul: colaboração com os EUA

Estacionados na área da delegação regional do Instituto Nacional de Migração (INM), em Tapachula (Chiapas), uns quinze ônibus aguardam para repatriar 565 clandestinos detidos em território mexicano. Um jovem salvadorenho, para quem essa expulsão é apenas um dos contratempos previsíveis da viagem, desafia os agentes do INM: “Até breve”. São cenas que se repetem diariamente: 120 315 centro-americanos, que entraram de forma irregular no México, foram deportados em 20023. Entre 1998 e 2001, esse número era de cerca de 600 mil.

Em troca de melhores condições para os mexicanos que trabalham nos EUA, governo Fox se dispôs a aumentar os meios para deter os estrangeiros da América Central que passam pelo país

Desde fevereiro de 2001, logo após tomar posse, o presidente Vicente Fox recebeu George W. Bush e discutiu com ele a questão, crucial para os mexicanos, dos acordos de migração entre os dois países. Em uma entrevista coletiva em abril, durante um encontro entre representantes do governo mexicano e o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, Santiago Creel, porta-voz do governo mexicano, declarou: “Em troca de melhores condições para os mexicanos que trabalham nos Estados Unidos, nosso governo está disposto a aumentar os meios para deter os estrangeiros que passam pelo país com destino aos Estados Unidos.” Poucas semanas depois, anunciou a aplicação do Plano Sul: “Esse plano, que não foi divulgado, representa um esforço inédito para interromper o fluxo de imigrantes, de drogas e de armas provenientes da América Central e que passam pelo país4.”

Modelo de fronteira norte-americana

Multiplicação dos postos de controle migratório e uma presença militar e policial maior na região compreendida entre o istmo de Tehuantepec e a fronteira sul do México. “Com o Plano Sul, o governo mexicano reproduz o modelo de controle da fronteira norte para os Estados Unidos”, considera Juan Manuel Sandoval, do Instituto Nacional de Antropologia e de História do México.

O reforço de dispositivos de controle de imigração é, na realidade, uma preocupação constante da Casa Branca5. O papel de zona de proteção atribuído ao México tornou-se ainda mais determinante porque, desde 1994, aquele país assinou, com o Canadá e os Estados Unidos, o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta). Segundo Juan Manuel Sandoval, “a fronteira entre os dois países tornou-se uma fronteira interna do novo território norte-americano, sob hegemonia dos Estados Unidos. Ao colaborar com as autoridades norte-americanas para localizar, prender e deportar imigrantes centro-americanos clandestinos, estabelecendo medidas de controle made in USA na região limítrofe entre México e América Central, o México tornou-se um país-fronteira que une e separa a América do Norte do resto do continente, com o qual a zona de articulação será o corredor Puebla-Panamá”.

Fundamento do projeto de integração econômica

A regionalização das políticas migratórias é o “o fundamento de um projeto de integração econômica continental em que os capitais poderão circular livremente, mas não a força de trabalho

Para Juan Manuel Sandoval, a regionalização das políticas migratórias é entendida, desde então, como “o fundamento de um projeto de integração econômica continental em que os capitais poderão circular livremente, mas não a força de trabalho”. Ao colocar em ação o Plano Sul, a partir de 1º de julho de 2001, as autoridades mexicanas evitam, no entanto, ceder às pressões de Washington e usam como pretexto a luta contra o tráfico de drogas, de armas e de seres humanos. “Não estamos lá para incriminar os migrantes”, insiste Roberto Espinoza, delegado regional do INM em Tapachula. “Estamos lá para proteger, para fazer com que compreendam os riscos que correm ao quererem atravessar clandestinamente nosso país”. Mas Fabienne Venet, a presidente da entidade Sin Frontera, objeta: “O envolvimento do exército e da polícia nas tarefas que dizem respeito à imigração contribui para incriminá-la, favorece a corrupção e a impunidade e gera em nossa sociedade sentimentos xenófobos. As redes de tráfico de seres humanos se fortalecem. As rotas utilizadas pelos migrantes são desviadas para as zonas mais difíceis, como as florestas do Petén guatemalteco. Mulheres e crianças, normalmente mais vulneráveis, vêem sua situação ainda mais fragilizada.”

Extorsões, estupros, mortes, migrantes mutilados pelas rodas dos trens, asfixiados nas carrocerias de caminhões e abandonados em plena floresta por traficantes sem escrúpulos... Em 2002, o consulado da Guatemala, em Tapachula, registrou 76 mortes de clandestinos guatemaltecos. Mas as cifras são raras e cheias de lacunas. “A maioria das vítimas permanece anônima”, diz o padre Flor María, diretor da Casa do Emigrante, que enfatiza: “No léxico dos migrantes, o estado de Chiapas é ‘a besta’ – que devora os que se aventuram em seu território – ou o ‘cemitério sem cruz’.”

O próspero negócio da emigração

Em 2002, o consulado da Guatemala, em Tapachula, registrou 76 mortes de clandestinos guatemaltecos. Mas as cifras são raras e cheias de lacunas

Para tentar responder às acusações que atribuem a policiais e militares múltiplos casos de corrupção e de violação dos direitos humanos dos migrantes, o governo mexicano instituiu, desde 1996, os Grupos Beta Sul, uma unidade de elite que supostamente protegeria e daria assistência aos migrantes. Atualmente, os Grupos Beta ainda desfrutam de uma imagem positiva entre a população centro-americana em trânsito; mas Emilio Rojas Cervantes, ex-agente dos Grupos Beta Sul, lamenta que o grupo que se derivou dessa unidade tenha sido contaminado pela corrupção6. Uma corrupção à qual é difícil resistir, como mostra o assassinato, em 1999, de José Angel Martínez Rodríguez, o chefe, considerado incorruptível, do Grupo Beta do estado de Tabasco, por um de seus subordinados. “Grandes interesses estão em jogo”, comenta um funcionário local sob a proteção do anonimato. E prossegue: “A emigração é um negócio próspero, mas há também a prostituição, o contrabando, o tráfico de armas e de drogas... Preste atenção na cidade: circula muito dinheiro.”

A prosperidade de Tapachula e sua região, na verdade, contrasta com o resto do estado de Chiapas, um dos mais pobres do México. Uma prosperidade que se deve, fundamentalmente, à sua situação de cidade fronteiriça e de lugar de baldeação da emigração. Nos inúmeros hotéis da cidade, jamais se pede documento de identidade aos clientes, e todas as agências de viagens, que se aproximam sempre da recepção, propõem itinerários diretos para Tijuana ou Nuevo Laredo (fronteira com os Estados Unidos). Em toda parte, cabines telefônicas permitem ligações “gratuitas” – na verdade, a cobrar – para os Estados Unidos.

O comércio em torno dos clandestinos

Os programas de deportação são uma bela oportunidade para as empresas de transporte particulares, a maioria delas, de caciques locais. Os migrantes guatemaltecos constituem a principal mão-de-obra barata (operários agrícolas, empregadas domésticas, pescadores), e pessoas particulares ou pequenos comerciantes criaram o hábito de recrutar, com toda informalidade, clandestinos (pedreiros, soldadores, pintores, mecânicos) que passam pela Casa do Emigrante. Entre informalidade e desigualdade, os limites são tênues. Entre as duas margens do rio Suchiate, centenas de traficantes se dedicam ao contrabando de pequenas quantidades de droga, no nariz dos funcionários da alfândega.

Ao multiplicar os obstáculos para atravessar o país, o Plano Sul contribuiu para aumentar os subornos, dando maior lucro às organizações criminosas

Na estação de Ciudad Hidalgo, telefone celular na cintura, um “coiote” cuida de um grupo de migrantes, que ele recebe e acompanha até o trem por algumas centenas de pesos. Em troca de mais, ele pode conseguir um lugar na locomotiva “molhando a mão” dos condutores – o trem partirá quando tiverem recebido uma quantidade de dinheiro suficiente. Esse traficante, que se beneficia da proteção de um empregado municipal, admite se dedicar a um outro negócio, mais lucrativo: ele recruta centro-americanas para homens de negócios e para políticos mexicanos. Uma noite, uma semana ou alguns meses... Uma vez terminado seu “serviço”, as garotas podem ganhar sua passagem de ida para os Estados Unidos.

Êxodo e acordos de livre comércio

Em sua visita a Tapachula, no início de 2002, Gabriela Rodríguez Pizarro, delegada especial das Nações Unidas, denunciou a “corrupção gerada pela atividade de organizações criminosas internacionais, que se dedicam principalmente ao tráfico e ao comércio de seres humanos”. Ela se preocupa com o “envolvimento de alguns funcionários nessas práticas e com a impunidade de que eles desfrutam” 7. Acontece que, ao multiplicar os obstáculos para atravessar o país, o Plano Sul contribuiu para aumentar os subornos, para maior lucro das organizações criminosas, que dispõem de uma logística sofisticada e grandes meios de corrupção... sem, com isso, desencorajar os candidatos à emigração.

“Não se vai acabar com o problema da imigração clandestina por meio da militarização das fronteiras”, afirma David Vásquez Méndez, do Centro de Defesa dos Direitos Humanos Fray Matías Córdova. E continua: “Os fluxos migratórios são conseqüência das alternativas econômicas impostas a nossos países pelos organismos financeiros internacionais; como as mesmas causas devem produzir os mesmos efeitos, é provável que, com a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), o êxodo dos centro-americanos aumente muito.”

(Trad.: Wanda Caldeira Brant)

1 - Os guatemaltecos constituem a mais importante comunidade de migrantes que passam pelo México, mas sua facilidade para se juntar à população local permite-lhes utilizar os transportes rodoviários em vez do trem.
2 - Mexico entre sus dos fronteras, Fórum Migrações 2000-2001. O Fórum Migrações reúne várias dezenas de ONGs e universitários envolvidos na defesa dos direitos dos migrantes.
3 - Institut national de l’émigration, “Statistiques migratoires 2002”, México.
4 - Washington Post, 18 de junho de 2001.
5 - Ler, de Janette Habel, “Entre le Mexique et les Etats-Unis, plus qu’une frontière”, Le Monde diplomatique, dezembro de 1999.
6 - Ler, de Emilio Rojas Cervantes , “Los grupos Beta de protección al migrante”, tese apresentada ao Instituto Nacional de Antropologia (2002).
7 - Relatório apresentado ao Conselho Econômico e Social das Nações Unidas.




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