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UM ’NOVO MILAGRE’

China, o “dragão asiático”

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O recente coro de vozes norte-americanas contra a China confirma que este país torna-se, cada dia mais, o epicentro de um possível bloco regional asiático

Philip S.Golub - (01/10/2003)

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Os Estados Unidos se levantam contra a “ameaça chinesa” e pressionam pela desvalorização do yuan

Em meados de julho de 2003, levantou-se um coro de vozes norte-americanas contra a China, acusando-a de ser responsável pelo déficit comercial crônico dos Estados Unidos, pelo aumento do desemprego e pela desindustrialização dos setores têxtil e eletrônico. “Estão matando a indústria manufatureira [norte-americana]”, fulminou o senador Charles Schumer no dia 16 de julho. “A desvalorização artificial do yuan chinês provoca uma inundação de produtos estrangeiros mais baratos, com os quais nossas sociedades não podem competir”, declarou, por seu lado, a senadora Elisabeth Dole. “Os chineses não respeitam seus acordos comerciais... É preciso que o Tesouro estude a questão e adote as medidas apropriadas para garantir que os chineses não continuem desvalorizando sua moeda em prejuízo de nossa produção interna”, acrescentou o senador Lindsey Graham1.

Depondo, na véspera, perante o Congresso, Alan Greenspan, presidente do Banco Central (Federal Reserve, FED), reforçou esses argumentos afirmando que as moedas da China e de outras economias do Sudeste Asiático eram subvalorizadas e que esses países não podiam continuar acumulando indefinidamente reservas tão importantes de divisas estrangeiras2.

Dado o sinal de partida, os senadores solicitaram oficialmente ao Departamento do Tesouro norte-americano que este pressionasse a China para que suprimisse o controle cambial e deixasse flutuar sua moeda – o yuan –, cuja cotação é de 8,3 para um dólar. Esse furor nacionalista decresceu ligeiramente no mês de agosto, mas o secretário do Tesouro, John Snow, voltou à ofensiva em setembro, por ocasião de uma viagem pela Ásia, exortando a China a “deixar o mercado fixar o valor de sua moeda”. Eis aí uma curiosa atitude, vinda de um governo que necessita terrivelmente da ajuda de Pequim para resolver a questão da Coréia do Norte e da segurança regional asiática.

Novo epicentro na Ásia

No entanto, convém estar preparado para que a ofensiva prossiga nos próximos meses e anos, visto que os Estados Unidos irão enfrentar déficits comerciais crescentes e a China – um dos raros centros de crescimento da economia mundial – se tornará o epicentro da integração econômica regional da Ásia Oriental. Na realidade, esta ofensiva contra a Ásia não decorre apenas da volta de uma diplomacia comercial agressiva por parte dos Estados Unidos, refletindo a versatilidade da política interna norte-americana. Traduz também uma antiga preocupação, subjacente à idéia do abalo sísmico que se anuncia com a distribuição do poder econômico mundial em proveito da Ásia Oriental – e, mais precisamente, da China.

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Os EUA irão enfrentar déficits comerciais crescentes e a China se tornará epicentro da integração econômica asiática

A ambigüidade dos Estados Unidos em relação ao dinamismo econômico dos “tigres” e dos “dragões” já era perceptível na década de 80, quando a onda de comentários a propósito do “milagre asiático” se fez acompanhar de advertências alarmistas contra o mercantilismo e a ameaça da concorrência asiática. Pela primeira vez, desde 1918, os Estados Unidos tornaram-se, nessa época, um país devedor, enfrentando déficits no orçamento e na balança comercial. Assim como se faz hoje com a China, o Japão e os países recém-industrializados da Ásia Oriental foram acusados de esvaziar a tessitura industrial do Ocidente e submetidos a duras pressões, exortando-os a revalorizar suas moedas e a abrir suas economias e seus sistemas financeiros ao comércio e aos investidores norte-americanos.

Em 1985, o governo de Ronald Reagan engendrou uma revalorização do iene em 50%, por meio dos chamados Acordos do Plaza. Impostos a aliados estruturalmente dependentes dos Estados Unidos e sem qualquer margem de manobra, estes acordos, supostamente, iriam estimular, de forma automática, as exportações norte-americanas e diminuir a competitividade industrial do Japão. As conseqüências dessa política, no entanto, foram inesperadas: a valorização do iene tornou o Japão, de um dia para o outro, o maior credor do mundo. E acelerou a integração econômica regional na Ásia, levando as empresas japonesas a deslocarem para o Sudeste Asiático suas atividades de exportação de baixo valor agregado. Essa reestruturação da capacidade manufatureira japonesa criou, rapidamente, uma divisão de trabalho regional na Ásia Oriental tendo o Japão como centro.

Da década de 50 à década de 70, a economia política regional organizou-se em torno do comércio transpacífico, caracterizando-se pela dependência estrutural dos países do Nordeste Asiático em relação ao mercado norte-americano (single market dependance). Retomando a expressão de Meredith Woo-Cumings3 , a Ásia Oriental era um “lago norte-americano” e os Estados Unidos abriram caminho para a reindustrialização do Japão através das exportações. Um país cujo desenvolvimento se baseava num sistema estatal era tolerado, e até incentivado, no contexto de um acordo segundo o qual o Japão, a Coréia do Sul e Taiwan se tornavam uma barreira de segurança e de prosperidade em torno da União Soviética e da China.

O Estado em ação

Foi então que esses países trocaram sua soberania política por um acesso sem restrições ao mercado norte-americano. Até meados da década de 80, os Estados Unidos absorviam, por exemplo, mais de um terço das exportações do Japão, 40% da Coréia e 44% de Taiwan. Esta dependência estrutural conferiu a Washington um domínio político muito forte sobre seus aliados. Entretanto, após os Acordos do Plaza, o Japão diversificou seu comércio e seus fluxos de investimentos, voltando-se, principalmente, para os restantes países da Ásia Oriental. No início da década de 90, a quota de exportações japonesas para os Estados Unidos já caíra para 27%. Durante esse mesmo período, a quota do comércio interasiático cresceu 12 pontos percentuais, passando de 32% para 44%, aumento que refletia a crescente importância das filiais das multinacionais japonesas na divisão regional do trabalho4. Em 1994, o comércio inter-regional representava 48,5% da totalidade do comércio asiático, superando a marca de 50% em 1995.

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Na década de 80, a dependência estrutural dos países asiáticos garantiu aos EUA domínio político sobre seus aliados

Os Estados Unidos não desejavam, nem previam, tal resultado. É verdade que durante a Guerra Fria, o Japão – e, mais tarde, os países recém-industrializados – haviam sido “convidados pelos ocidentais a se comportarem, mas não a ponto de os ameaçar5 ” e, definitivamente, não a ponto de se tornarem candidatos à hegemonia econômica mundial. No universo do pós-guerra fria, o Estado desenvolvimentista asiático não somente perdia sua pertinência estratégica, mas se transformava numa ameaça do ponto de vista dos norte-americanos e dos europeus. Washington tornou-se obcecada pelo espectro de um bloco regional dinâmico.

Em 1989, Lawrence Summers, que se tornaria subsecretário do Tesouro no governo de William Clinton, formulou o problema da seguinte maneira: “Vem sendo formado um bloco econômico asiático com o Japão no comando. Isto coloca a possibilidade de que a maioria dos norte-americanos, que atualmente pensa que o Japão representa uma ameaça maior para os Estados Unidos do que a União Soviética, tenha razão6 .” Percebeu-se, portanto, um suspiro de alívio quando, em 1990, o Japão mergulhou num longo período de estagnação econômica após o estouro da bolha financeira e imobiliária em Tóquio. Retomando os termos condescendentes de um escritor norte-americano, a crise demonstrava que “o modelo japonês não era um tipo de capitalismo diferente... mas o vestígio de um estágio anterior do capitalismo7”.

Alívio diante do desastre

É evidente que a crise não provava nada disso; mas, afastando o espectro de um bloco asiático autônomo, essa idéia oferecia alívio a quem temia o declínio no mundo ocidental. Alguns anos depois, analisavam a grave crise regional que envolveu os países asiáticos em 1997-1998 como uma nova prova da singularidade e da superioridade ocidentais (ou, inversamente, como infantilismo econômico oriental). Como ressaltou Chalmers Johnson, “diversos mandarins e economistas manifestaram abertamente sua satisfação” em ver a região cambalear à beira do desastre social e econômico8 . Charles Krauthammer, um burocrata neoconservador que deve sua reputação ao entusiasmo com que defende a guerra e o império, escreveu nessa época: “Nosso sucesso é o do modelo capitalista norte-americano, mais próximo da visão de livre-câmbio de Adam Smith do que qualquer outro. Muito mais próximo, com certeza, do que o capitalismo paternalista de conivência da Ásia, que tanto seduziu os críticos do sistema norte-americano por ocasião da bolha asiática que hoje já estourou9.”

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A crise asiática no final dos anos 90 ofereceu alívio a quem temia o declínio no mundo ocidental

Alguns acadêmicos tinham a mesma opinião: “A crise”, disse um deles, “destruiu a credibilidade do modelo de crescimento econômico japonês ou da Ásia Oriental10 .” O próprio Greenspan desceu à arena para concluir que a crise asiática fora provocada pelo Estado desenvolvimentista, ou seja, por uma industrialização conduzida pelo Estado e pela alocação de verbas dirigida pelo governo, e não pelo mercado. A crise, disse, significava que o mundo se afastava inexoravelmente do modelo estatal, em proveito da “forma ocidental de capitalismo, do livre mercado11 ”. Em suma, o “milagre” asiático tornava-se, subitamente, numa “miragem”.

Nas entrelinhas do debate, deveria ser lido que os “atrasados” do capitalismo moderno haviam sido colocados em seu lugar. De ambos os lados do Pacífico, a crise foi interpretada como um choque entre o Oriente e o Ocidente e como um momento decisivo para equilibrar o poder econômico mundial. A gestão da crise de 1997-1998 pelos norte-americanos corrobora a idéia de que a liberalização agressiva dos mercados financeiros promovida por Washington e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) – durante e após a crise – serviu de instrumento de poder, inserindo-se num esforço mais amplo cujo objetivo era “desmantelar as políticas de desenvolvimentismo estatal no mundo inteiro12 ”.

Se, no caso do México, em 1994, o Tesouro norte-americano agiu com um socorro rápido e decisivo, em 1997, os Estados Unidos e seus parceiros transatlânticos se abstiveram de tomar qualquer tipo de providência durante vários meses, enquanto a crise se alastrava por todos os países da Ásia Oriental. Só se desenvolveu um enorme plano de socorro pelo FMI quando compreenderam as proporções do fenômeno: o efeito-contágio fugia a qualquer tipo de controle e a crise ameaçava os mercados mundiais. Ainda mais revelador foi o fato de o Tesouro norte-americano opor seu veto à proposta japonesa, no final de 1997, de criar um Fundo Monetário Asiático (FMA), que teria fornecido aos países que enfrentavam fugas maciças de capitais uma parte considerável da liquidez que lhes era necessária.

Fracasso americano

Os EUA viram na crise a chance de assumir o controle de setores estratégicos protegidos das economias locais

Essa proposta foi “rápida e brutalmente... esmagada pelo secretário do Tesouro [norte-americano] da época, Lawrence Summers”, o que alimentou a impressão, na Ásia Oriental, de que “os Estados Unidos estavam dispostos a apagar economicamente do mapa vários países asiáticos. Houve quem chegasse a pensar que os norte-americanos tinham pressa em se aproveitar do estado crítico por que passava a Ásia13 ”. Para Washington, o problema principal seria que o FMA poderia ter sido o núcleo de um sistema monetário regional que teria feito concorrência ao FMI, um dos instrumentos globais da hegemonia ocidental. Este último foi, portanto, acionado com seu habitual pacote de políticas de ajuste estrutural draconianas, destinadas a salvar os credores, abrir setores protegidos da economia e comprimir a demanda interna.

Não paira qualquer dúvida sobre o fato de que a crise foi considerada uma oportunidade de assumir o controle de setores estratégicos protegidos das economias locais. Como salientou Daniel Lian, do grupo financeiro Morgan Stanley, numa análise crítica da política norte-americana, se, por um lado, o Ocidente tem interesse em manter “a dependência [da Ásia Oriental] em relação à demanda externa e à capacidade de produção controlada ou financiada por interesses estrangeiros”, por outro lado, também quer “poder comprar as economias internas da região14 ”.

Assim como anteriormente se tratara de revalorizar o iene, esta política, cujos resultados foram diametralmente opostos aos pretendidos, culminou num fracasso total.

Em primeiro lugar, provocou um choque com a volta de um nacionalismo muito forte em todos os países envolvidos. Por este motivo, as indústrias internas não foram dilapidadas. Muito pelo contrário: com algumas pequenas exceções, como a da Indonésia, a maioria dos países afetados pela crise conseguiu manter sob controle seus setores estratégicos, com o Estado assumindo a dívida das empresas privadas e bloqueando a privatização do setor público (leia, nesta edição, “A Tailândia evitou o pior”).

A China no comando

Ao enfraquecerem o esforço japonês de uma construção regional, os Estados Unidos consolidaram a posição estratégica da China

Em segundo lugar, aquela política estimulou a cooperação monetária regional. No ano 2000, os países asiáticos lançaram a Iniciativa de Chiang Mai (ICM), com o objetivo de organizar a coordenação monetária regional, criando uma espécie de FMA informal. Em 2003, alguns países asiáticos criaram a Asia Bond, um instrumento monetário comum destinado a mobilizar, para fins produtivos, as enormes reservas de divisas estrangeiras acumuladas pela região15 .

Em terceiro lugar – por uma ironia cruel –, ao enfraquecerem o esforço japonês de uma construção regional, os Estados Unidos consolidaram, sem o desejar, a posição estratégica da China. A integração econômica regional, que até então era conduzida por Tóquio, encontra-se hoje sob a égide de Pequim.

Poupada das conseqüências diretas da crise graças ao controle cambial, a China se tornou, a partir do final da década de 90, o epicentro das tendências integradoras regionais. Este fenômeno reflete a perda de crescimento registrada pelo Japão e o dinamismo da economia chinesa – o crescimento do PIB, de 7,8% em 2002, chegaria de 8 a 9% em 2003, apesar da epidemia de SARS, tornando o país o principal captador de investimentos diretos internacionais em 2002 (52,7 bilhões de dólares). Revela também a intenção geopolítica da China de conquistar uma posição central na Ásia Oriental nas próximas décadas.

Em 2001, as autoridades chinesas lançaram a idéia de criar, até o ano 2010, zonas de livre-câmbio regional com o Sudeste e o Nordeste Asiáticos. Num momento em que o comércio mundial está em baixa, as transações e os investimentos entre a China e o restante da Ásia passam por uma considerável progressão. As exportações da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Ansea) para a China cresceram 55% no primeiro semestre de 2003, representando 20 bilhões de dólares de um total de 70 bilhões. Na realidade, o intercâmbio comercial da região para com a China aumentou num ritmo muito mais constante do que o das exportações asiáticas para os Estados Unidos. No Japão, as importações chinesas já superam as importações norte-americanas e as exportações japonesas para a China crescem constantemente. Verifica-se a mesma tendência no que diz respeito ao comércio bilateral com a Coréia do Sul, a Tailândia, a Malásia e Cingapura16.

Estratégia regional

Estes fenômenos significam que assistimos aos primeiros passos da construção de uma economia política regional chinesa. Para Pequim, esta perspectiva oferece inúmeras vantagens: reduzirá a dependência do país em relação ao mercado norte-americano e, conseqüentemente, sua vulnerabilidade às pressões e aos choques externos. As redes de interdependência criadas com o resto da Ásia agirão como uma espécie de tampão entre a China e os Estados Unidos.

Para o restante da região, as conseqüências deste desenvolvimento são mais ambíguas. O Japão – que é, de longe, o país mais avançado – disputa o controle da região com Pequim, ainda que suas multinacionais invistam cada vez mais na China. Esta competição talvez seja proveitosa para os países do Sudeste Asiático, os quais não têm vontade alguma de trocar uma dependência estratégica (norte-americana) por outra (chinesa). Além do mais, considerado o perfil de produção dos países em desenvolvimento da região – bem como sua especialização específica em setores de baixo valor agregado (eletrônica, têxteis etc.) –, a China representa para eles um importante desafio em termos de concorrência.

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Assistimos hoje aos primeiros passos da construção de uma economia política regional chinesa

O regionalismo japonês produziu mais uma industrialização superficial do que uma modernização profunda no Sudeste Asiático. Devido às importantes divisões existentes, que separam os países desenvolvidos (Japão, Coréia do Sul, Taiwan e Cingapura) dos menos desenvolvidos (Malásia, Tailândia, Indonésia, Vietnã etc.), e às rivalidades regionais, ainda demorará muito tempo para que seja criado um sistema regional asiático coerente. É inegável, entretanto, que a tendência de longo prazo é nesse sentido. Por vários motivos, este fenômeno estrutural pode ser comparado ao que levou os Estados Unidos a se tornarem uma potência econômica hegemônica, processo que a depressão da década de 30 interrompeu, mas não deteve. Como sugere o escândalo em torno da moeda chinesa, o Ocidente ainda terá que passar por uma autêntica revolução coperniciana para aceitar este fato com naturalidade.

(Trad.: Jô Amado)

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1 - “Senators urge Treasury to take action to get China to float its currency”, http://schumer.senate.gov.
2 - “Fed’s calls for yuan float grow louder”, in International Herald Tribune, Paris, 17 de julho de 2003.
3 - Ler, de Meredith Woo-Cumings, “East Asia’s American Problem” in Past as Prelude, ed. Westview Press, Boulder, Colorado, 1993.
4 - Ler, der Claude Pottier, Les multinationales et la mise en concurrence des salariés, ed. l’Harmattan, Paris, 2003.
5 - Ler, de Giovanni Arrighi, The Long Twentieth Century, ed. Verso, Londres, 1994, p. 353.
6 - Citado por Richard Katz, The System that Soured: The Rise and Fall of the Japanese Economic Miracle, ed. M. E. Sharpe, 1998, p. 9. Os europeus expressaram opiniões semelhantes. Em 1991, a primeira-ministra francesa Edith Cresson pronunciou uma frase tão infeliz, que causou enorme repercussão: o Japão, declarou, é um “sistema hermeticamente fechado” que “quer conquistar” a Europa e o mundo.
7 - Ibid, p. 7.
8 - Ler, de Chalmers Johnson, Blowback, the Costs and Consequenses of American Empire, ed. Metropolitan Books, Nova York, 2000, p. 6.
9 - Citado por Chalmers Johnson, ibid. p. 6.
10 - Ler, de Donald K. Emmerson, “Americanizing Asia”, in Foreign Affairs, Nova York, maio-junho de 1998. Ler também, de Philip S. Golub, “Remise en question du modèle occidental”, Le Monde diplomatique, abril de 1999.
11 - “The ascendance of market capitalism”, discurso pronunciado por Alan Greenspan perante a Convenção Anual da Sociedade Norte-Americana de Editores de Jornais, Washington, D.C., 2 de abril de 1998.
12 - “America and the World: The Twin Towers as Metaphor”, palestra de Immanuel Wallerstein no Memorial Charles R. Lawrence II, Brooklyn College, Nova York, 5 de dezembro de 2001.
13 - Ler, de Bernard K.Gordon, “A High Risk Trade Policy”, in Foreign Affairs, Londres, juilho-agosto de 2003, p. 110.
14 - Ler, de Daniel Lian, “Mr. Thaksin’s role in the East-West Dichotomy”, Morgan Stanley Economic Trends Reports, Nova York, 25 de julho de 2003.
15 - O Japão e a China detêm, em conjunto, 900 bilhões de dólares de reservas em divisas estrangeiras (respectivamente, 560 et 340 bilhões de dólares), fundamentalmente sob a forma de obrigações do Tesouro norte-americano. Acrescentando-se as reservas de outros países da Ásia Oriental, obtém-se um valor superior a um trilhão de dólares. Em outras palavras, a Ásia Oriental financia a dívida e o consumo norte-americanos.
16 - Ler, de Bernard K. Gordon, op. Cit, p. 111.




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