Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Sindicatos e democracia radical, união possível?

» Guantánamo do Brasil

» Previdência: que significa a tese central do governo

» Uma trajetória em movimento e polêmica

» Rosa Luxemburgo, mais atual que nunca?

» A (mal-disfarçada) ideologia de gênero de Damares

» Índios: de mãos entrelaçadas

» A era da manipulação escancarada

» A crise do PT vista por dentro

» O que Adam Smith teria a dizer sobre o salário mínimo

Rede Social


Edição francesa


» Quand les chercheurs n'osent plus chercher

» Photographie, art et société

» La saga des Gandhi

» Non, le vote FN n'est pas l'heritier du PCF

» Bonapartisme ou Constituante

» Derrière l'affaire Battisti

» Echec et mat pour la gauche mexicaine

» Mise en données du monde, le déluge numérique

» L'évaluation, arme de destruction

» Les deux faces de l'État


Edição em inglês


» A planet in crisis

» Vannevar Bush, prophet of high tech

» January: the longer view

» Akram Belkaid on North Africa's leadership crisis

» Erdogan's war on workers

» Argentina swings into financial crisis

» The road beyond Wigan Pier

» Kazakhstan invests in theatre

» Once we searched Google. Now it searches us

» China's rewards and punishments


Edição portuguesa


» Edição de Janeiro de 2019

» Os irmãos escolhem-se

» Quando tudo vem ao de cima

» Edição de Dezembro de 2018

» A justiça social e os seus responsáveis

» Para Julian Assange

» Jantar de Apoio

» Economia Social e Solidária: outro modo de criar futuro sustentável

» Edição de Novembro de 2018

» «Eleitoralismo» e democracia sem povo


INTERNET

A versão SPIP

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

A pequena parcela de independência tecnológica conquistada pelos países e grupos sociais que vêm desenvolvendo e adotando os ’softwares’ “livres”, como o SPIP, correrá riscos com o pedido de reconhecimento de patentes de informática

Philippe Rivière - (01/10/2003)

n t

O êxito deste software gratuito, desenvolvido sem fins lucrativos, incomoda interesses e desperta apetites

Existe um ponto em comum entre sites da Internet tão distintos quanto o da Act Up-Paris e o da “missão isolamento” de Christine Boutin, ou o site do governo de informações sobre aposentadorias, ou o do Fórum Social Europeu, ou ainda o do Monde diplomatique. Todos eles funcionam graças ao SPIP, um software de edição desenvolvido por Arnaud Martin, Antoine Pitrou e o autor destas linhas, com o apoio de dezenas de colaboradores que trocam suas “receitas” e seus códigos pela rede.

O programa não se destina a profissionais da informática, mas a qualquer pessoa que deseje se expressar na Internet. É bastante maleável, como demonstra a diversidade de “sites SPIP” listados1 . Tem, principalmente, a particularidade de ter nascido de um projeto mais político do que técnico e continua impregnado de valores que seus criadores julgam defender. Por exemplo, em vez de propor hierarquias complexas entre as pessoas que visitam um site (curiosos, redatores, editores, revisores, artistas gráficos etc.), o SPIP insiste na responsabilidade de cada uma delas. A ajuda e a documentação – muitas vezes omitidas neste tipo de projeto – são feitas para acompanhar os iniciantes, facilitando o modo de se expressarem on line sem dependerem de um “profissional”.

O êxito deste software gratuito, desenvolvido sem fins lucrativos, incomoda interesses e desperta apetites. Mas o programa é protegido por um contrato (uma autorização para uso público) que o coloca a salvo de eventuais tentativas de apropriação ou privatização. Submetendo-o a tal contrato, os criadores do SPIP dão a qualquer usuário a liberdade de ler o código e modificá-lo, assim como o direito de o distribuir, mediante uma única condição: a de que o programa distribuído ofereça a seus usuários as mesmas liberdades.

n t

Ao invés de proteger os bens públicos mundiais, a Lei se transformaria, neste caso, numa espada de Dâmocles, ao reforçar a influência dos oligopólios

Paira um risco sobre seu futuro, assim como sobre todos os softwares “livres”: o reconhecimento, pela Comissão Européia, em Bruxelas, de patentes informáticas, os colocaria, na prática, sob a ameaça de empresas de informática “proprietárias”. Isto porque as empresas que já detêm milhares de patentes informáticas nos Estados Unidos e no Japão poderiam forçar o reconhecimento e a adoção delas na Europa, enquanto os “pequenos produtores” de softwares não têm os recursos financeiros nem o desejo de dispor de patentes para proibir outros de utilizarem suas inovações.

Ao invés de proteger os bens públicos mundiais, a Lei se transformaria, neste caso, numa espada de Dâmocles. Ao reforçar a influência dos oligopólios – para os quais o contrato de autorização de uso público é tão contagioso como um vírus – ela despedaçaria essa pequena parcela de independência tecnológica conquistada pelos países e grupos sociais que vêm tentando se libertar de sua dominação.

A próxima versão do SPIP será multilingüe (o programa já é traduzido para idiomas como o árabe, o crioulo falado na Ilha de Reunião, o inglês, o dinamarquês, o esperanto etc.). Em termos de Internet, a “diversidade cultural” – a “menina dos olhos” dos simpósios sobre a “sociedade da informação” – só poderá vir a existir se todos ousarem participar.

(Trad.: Jô Amado)

n t

1 - A lista, assim como a documentação e os arquivos para fazer o download, estão disponíveis no site: www.spip.net




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Comunicações
» Rumos da Internet
» Patentes e Controle das Inovações

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos