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Uma polícia francesa multiracial?

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Um número crescente de jovens de origem imigrante – magrebinos, africanos ou antilhanos – tenta fazer carreira na polícia francesa. Mas a questão da discriminação racial ainda representa um tabu particularmente forte

Maurice T. Maschino - (01/10/2003)

n t

“A polícia está aberta a todos. Não é racista. É uma grande família”, declara um funcionário do Ministério do Interior sem muita convicção

“Na polícia francesa, só há franceses. A origem não interessa a ninguém. E a administração não tem nada a ver com isso”, declara um alto funcionário do Ministério do Interior. Provavelmente. Mas, se só há cerca de dez superiores (majores, oficiais, delegados) de origem magrebina ou africana – “acidentes estatísticos”, diz em off um de seus colegas –, não será o indício de uma certa discriminação, sorrateira, talvez inconsciente, mas real? “A polícia está aberta a todos”, responde nosso interlocutor. “Ela não é racista, cada um encontra aí o seu lugar, em função de sua capacidade. É uma grande família.”

Como que para nos convencer de que essa família sabe reconhecer os méritos de seus membros, sejam eles quais forem, pega uma ficha: “Mohamed L., marroquino, guarda civil, não hesitou em abordar um batedor de carteiras, quando estava de folga. Joseph C., togolês, conseguiu dominar um cidadão exaltado que ameaçava seus colegas com uma faca particularmente perigosa... Acredite, a solidariedade policial não é uma palavra vã. No pior dos casos, podem existir tensões, mas são casos isolados.”

Negação? Má fé? Não dá para ter certeza. Como explica um dirigente a Sophie Body-Gendrot e Catherine Wihtol de Wenden, autoras de um notável estudo sobre Polícia e discriminações raciais1, “o sistema francês está de tal forma impregnado pela ideologia igualitária e universalista que é incapaz de ver o problema das discriminações. A questão envolve um tabu particularmente forte.”

“O árabe é um dos nossos”

O mesmo ocorre fora do Ministério, com determinadas patentes: “Meu pai era harki2 ”, conta Abdelkader H. “Quando meus pais chegaram na França, não tinham nada.” Seus filhos progrediram: um é policial, outro, capitão de polícia e Abdelkader H. é delegado no Norte. “Não há problema algum de integração”, diz ele. “É até mais fácil entrar para a polícia do que numa empresa. Aqui há menos racismo do que em outros lugares. A solidariedade prevalece.”

n t

Impregnado pela ideologia igualitária e universalista, o sistema francês é incapaz de ver o problema da discriminação racial, que se tornou um tabu

Com um cargo na periferia parisiense, Rachid B. também é um policial feliz. De origem marroquina, não lamenta ter se tornado guarda civil: “Eu estava em busca de uma situação que me valorizasse. Queria me fazer respeitar. Consegui. Estou orgulhoso de usar o uniforme. É imponente.” Mesmo para seus colegas? “No começo, eles me testaram. Os mais antigos eram um pouco reticentes. É normal, cabia a mim me integrar. Passei pelos testes, e me aceitaram. É verdade que não sou fisicamente muito marcante”. O suficiente, contudo, para, em trajes civis, ser mais freqüentemente parado para controle do que qualquer outro. O que o alegra: “De cabeça raspada, jeans desbotados, tênis sujos, não escapo. E fico muito orgulhoso de mostrar minha carteira de policial”. Mesmo que, por ocasião de uma verificação de identidade, um dos guardas diga a seus colegas: “Deixem passar, o árabe é um dos nossos”. “Não é por mal”, comenta Rachid, com um sorriso um pouco constrangido. “É a maneira deles falarem.”

Racismo verbal

A maioria é menos otimista e se queixa, por exemplo, da parcialidade dos examinadores da prova oral dos concursos: “Com o pretexto de que eu já exercera trabalhos pouco significativos”, conta Francine, originária do Mali, “a capitã, que me examinava da cabeça aos pés, queria provar de qualquer jeito que eu era instável: “Para que recrutá-la, se a senhora não vai continuar por muito tempo?” Um tenente pergunta a Mimoun como irá se comportar se seu grupo tiver de abordar delinqüentes magrebinos, e a Krim, se ele vai ousar dizer que é policial aos colegas do conjunto habitacional onde mora. “Eles fazem de tudo para nos demover”, conta Maurice, CRS de origem martiniquense. “Eu tinha a intenção de fazer um concurso para oficial. Não deu certo. ‘Enquanto eu estiver aqui, você não será aprovado’, disse-me o chefe de serviço. Se não fosse ele, eu seria comandante. Sou apenas chefe de brigada. Depois de 26 anos de serviço.”

Serão reações isoladas? De acordo com uma investigação feita em Lille e Marselha, “os mecanismos de seleção são reveladores. Formas de racismo verbal são especificamente notórias, quando os candidatos são magrebinos. ‘Se seu irmão fosse preso, o que o senhor faria?’ ‘O senhor voltaria para casa de uniforme?’ O candidato que hesita é eliminado3 ”.

Aprovado, o policial novato nem sempre é bem aceito. “Eu me chamava Mohamed”, diz Benjamin D., major numa Companhia Republicana de Segurança (CRS) do sul. “Adotei um nome francês”. E nada mudou: “Se vocês soubessem o que passei na escola! Tinha excelentes resultados, e todas as possibilidades de ascender na hierarquia. O comando não queria. Para que eu não agüentasse mais, perseguia-me. Eu era sistematicamente convocado pelo diretor. Aconteceu-me de comparecer diante de uma mesa de oficiais reunidos que tinham bebido e perderam a compostura. ‘Mas então o que está fazendo um árabe na polícia francesa?’, gritou um dele. Quase pedi demissão.”

“Você não é como os outros

“Eu quis fazer um concurso para oficial”, conta Maurice. “Não deu certo. ‘Enquanto eu estiver aqui, você não será aprovado’”, disse-me o chefe de serviço

Foi na década de 70, mas, apesar do maior número de policiais de origem estrangeira, a vigilância dos sindicatos e a promulgação, em 1986, de um Código de Deontologia, a situação mudou muito pouco. “Os preconceitos têm vida longa”, diz Josyane, de origem martiniquense. “Os árabes estão mais expostos, são suspeitos de serem hipócritas – não gostam deles. Quanto aos antilhanos..., para muitos colegas, só somos capazes de dançar e cantar.”

A maioria desses policiais não se sente integrada. “Quando nos preparamos para fazer uma batida com jovens delinqüentes num conjunto habitacional”, conta Kader, de origem argelina, “meus colegas se descontrolam. Todos nós temos medo, é claro – corremos o risco de receber garrafas, pedras, de sermos agredidos por uns vinte desocupados -, mas esse medo os torna maldosos: ‘Malditos árabes!’ ‘Que voltem para a sua terra!’ ou ‘Estamos de saco cheio desses árabes!’ Eles esquecem que eu sou um deles. Às vezes, quando caem em si, pedem desculpas – à moda deles: ‘Você não é a mesma coisa.’ Ou: ‘Você não é como os outros’.”

“Num certo sentido, é verdade”, diz Kader. “Eu não correspondo ao protótipo do árabe”. Pele clara, cabelo liso, falando sem sotaque, ele tem o tipo do europeu. “Quando cheguei à delegacia, olharam-me com espanto. De cara amarrada, esperavam um magrebino. Um moreno de cabelo ondulado”. E eles descobrem alguém que se parece com eles. Com uma licenciatura de inglês. Aprovado brilhantemente no concurso da escola de polícia. E não hesita, quando sofrem para redigir um relatório, em lhes “soprar” uma expressão ou corrigir um erro de ortografia. “Eu fiz demais e não agi certo. Um árabe que lhes dá lições de francês não podia ser admissível. Eu tinha tanto medo de não ser aceito, que redobrei minha boa vontade. No fim das contas, isso só serviu para me diferenciar.”

As três fases da discriminação

Os mecanismos de seleção são reveladores e formas de racismo verbal são bastante notórias, especialmente quando os candidatos são magrebinos

Há três anos no cargo numa delegacia da periferia sul, Kader está permanentemente “na defensiva”. Toda vez que é prevista uma diligência num conjunto habitacional considerado “delicado”, ele está de serviço. Por outro lado, quando o chefe do posto está ausente, não o encarregam de substitui-lo: “Eu era o que tinha mais experiência. Mas a hierarquia nomeou um colega jovem que acabava de sair da escola – um bretão”. Quais são seus projetos? Inscrever-se para o concurso de delegado: “Quanto mais se sobe na hierarquia, mais se é respeitado. Na base, somos tolerados. Nada mais do que isso”.

Acontece que a hostilidade não se esconde. Malika, 30 anos, guarda civil há 10 anos, sofreu essa hostilidade desde a escola: “Quando se fazia esporte, acontecia da minha correntinha com a mão de Fatma sair para fora do blusão. Toda vez, o monitor exigia que eu a tirasse. Mas não dizia nada àquelas que usavam uma cruz.” Seus chefes, mais tarde, não a tratariam melhor.

“Na escola de polícia, como no local de trabalho”, diz Sabine, de origem senegalesa, “sempre se passa por três fases. Primeiramente, ficamos incomodados com a surpresa que provocamos. Chamo isto a ‘fase da cara feia’. Comigo não há problema: imediatamente, eu apresento a cor. Depois, construímos uma carapaça para nós mesmos, blindamo-nos. Mas a blindagem nunca é perfeita. Em seguida, depende: sofremos ou reagimos.”

Preconceitos de ambos os lados

“Os árabes estão mais expostos, são suspeitos de serem hipócritas”, diz Josyane. “Nós, antilhanos, para muitos colegas só sabemos dançar e cantar”

“Os colegas não se queixam muito”, diz um dirigente sindical. “Os chefes não gostam disso. Só pensam em suas carreiras e não gostam de ter ‘problemas’”. Quando se denuncia um comportamento racista, fica-se mal visto. Na brigada, torna-se um caso de Estado. O grupo forma um bloco e fica-se ainda mais isolado. E, além disso, com fama de paranóico. “No começo, eu reagia quando me tratavam de negro branco (nasci na ilha da Reunião). Agora, não ligo. É preciso assumir. Ou bancar o mais esperto, e fazer rir.”

Se houvesse mais policiais – e mais graduados – de origem magrebina, africana ou antilhana, talvez eles fossem mais considerados pela hierarquia e mais bem aceitos por seus colegas. Não seriam mais a exceção: a médio prazo, a mestiçagem cultural se revela positiva. Estamos longe disso, e a única tentativa de integração que foi feita, por enquanto, não teve bons resultados.

Criados em 1998 no âmbito dos empregos para jovens, os adjuntos de segurança (ADS) deveriam permitir, segundo Jean-Pierre Chevènement, na época ministro do Interior, abrir mais amplamente a polícia para jovens oriundos da imigração. Recrutados por meio de dossiês, poderiam, no final de seus contratos, inscrever-se no concurso para guarda civil. Apesar de uma grande campanha de propaganda, os resultados foram pouco encorajadores. “A polícia não estava apta para receber jovens que não tinham o perfil dos candidatos habituais, freqüentemente filhos de policiais e formados”, explica Karim Zeribi, na época assessor direto do ministro do Interior. “Os sindicatos eram reticentes e o pessoal de base, ainda mais, pois imediatamente se considerou desprestigiado: sem formação, mas usando uniforme, esses adjuntos não iriam realizar o mesmo trabalho? Os próprios jovens, sobretudo os dos conjuntos habitacionais, não se sentiram atraídos: a experiência que tinham com a polícia os afastava dela. De um lado e de outro, os preconceitos atrapalhavam.”

Um projeto para atrair jovens

“Os colegas não se queixam muito”, diz um dirigente sindical. “Quando se denuncia um comportamento racista, fica-se mal visto”

Alguns, no entanto, tentaram fazer a experiência. Foi decepcionante: formados em algumas semanas e designados para as tarefas menos estimulantes – vigia de um ministério ou monumento histórico, motoristas, mecânicos, lavadores de carro, arquivistas... – tiveram a impressão, como disse um deles, de serem quebra-galhos. “Aqueles que já tinham experiência adquirida puderam dar conta das tarefas”, declara Jean-Pierre Raynaud, secretário-geral do Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia (SNOP). “Os que nada tinham, foram embora sem nada.”

Considera-se que de 50 a 60% dos 15 mil ADS existentes em 1o de janeiro de 2003 se tornarão guardas civis. Mas ainda aqui, a estimativa dos jovens de origem magrebina ou africana é das mais aproximativas: um relatório da Inspeção Geral da Polícia Nacional (IGPN) calculava-os em 5%, há três anos. “Devem ser uns 15%”, responde um alto funcionário do Ministério do Interior. “Admitamos 10%, no máximo”, conclui um sindicalista.

O SNOP apresentou inutilmente a Nicolas Sarkozy um projeto que poderia atrair muitos jovens: “Propusemos ao ministro a criação de uma Escola Normal dos ofícios da segurança, em ligação com a Educação Nacional. Poderiam ser admitidos nela aqueles que não estão à vontade no sistema escolar tradicional e que são atraídos pelas tarefas da polícia. Munidos de um contrato real, receberiam uma bolsa de estudos e se comprometeriam a servir na polícia. Entregue ao ministro há alguns meses, esse projeto ainda não mereceu sua atenção.”

Estatísticas, diligências, detenções

Se houvesse mais policiais graduados de origem magrebina, africana ou antilhana, talvez fossem mais considerados pela hierarquia e aceitos pelos colegas

A integração não está mais na ordem do dia. Se entendermos isso como “a assimilação dos valores da República”, diz um alto funcionário do Ministério do Interior, tudo está por fazer. Tanto em relação aos jovens de origem estrangeira, como em relação aos policiais. Quanto aos jovens – porque muito freqüentemente não interiorizaram as normas de uma conduta cidadã, e da polícia –, eles só conhecem, ou retêm, controles de identidade por “delito de aparência”, atos de violência muitas vezes injustificados ou prisões preventivas no limite da legalidade.

Quanto aos policiais, por não receberem qualquer formação que lhes permita compreender melhor seus colegas de origem estrangeira e os cidadãos em geral. No melhor dos casos, os voluntários podem se iniciar no islã e na cultura árabe, mas nada os sensibiliza para o encontro concreto do outro, para seu reconhecimento como ser singular e para a aceitação de suas diferenças. Não são preparados contra as discriminações raciais. Nunca lhes falam disso, nunca os previnem contra isso. Por indiferença. Por medo de uma reação de rejeição. Como observam Sophie Body-Gendrot e Catherine Wihtol de Wenden na pesquisa já citada, “os responsáveis pela formação esperam que os funcionários sejam suficientemente cidadãos para não terem reações discriminatórias”.

Isso hoje menos do que nunca, quando se trata, antes de tudo, de fazer estatísticas, multiplicar controles, diligências e detenções. “Forçam-nos a obter resultados”, diz Kader, “a aumentar as estatísticas. A brigada anti-criminalidade (BAC) da minha comuna realizava umas quarenta diligências por semana. Atualmente: umas cem. Quem são os primeiros envolvidos? Os magrebinos e os negros, é claro!”

(Trad. Regina Salgado Campos)

n t

1 - Police et discriminations raciales, Les Editions de l’Atelier, Paris, 2003, 190 p.
2 - N.T.: Harki, termo de origem árabe, designa o militar muçulmano que serve numa milícia supletiva junto ao exército francês.
3 - Ibid.




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