Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Uma aventura temerária

» Colômbia, paz ameaçada

» Hora de virar a mesa dos banqueiros

» #Ocupapolítica , entre esquerdistas e pragmáticos

» Crônica da Rússia, à beira da revolução

» Chuva no sertão. cobiça sobre as águas

» As raízes filosóficas da destruição do mundo

» As raízes filosóficas da destruição do mundo

» Os limites de dois “filmes do Oscar”

» As novas lutas pelo Direito à Intimidade

Rede Social


Edição francesa


» Hommes en quête d'identité

» L'odyssée de John Perry Barlow

» Les indépendants du cinéma direct

» Les femmes dans les luttes sociales

» La classe ouvrière devant les premiers immigrants

» En Chine, progrès dans l'industrie, difficultés dans l'agriculture

» Une trentaine de conflits armés que l'ONU n'a généralement pas réussi à éviter

» « Parité, je n'écris pas ton nom... »

» En Iran, les ravages de la drogue

» Sade et l'esprit du néolibéralisme


Edição em inglês


» Maxime Robin on the new drugs ‘100 times stronger than heroin'

» The light at the end of the corner

» Chinese New Year, but where's the money?

» Donald Trump offers a helping hand to China and Russia

» How we got Donald Trump

» How we got Donald Trump

» Iran's far-reaching Shia networks

» Iran's far-reaching Shia networks

» Japan's bluefin tuna

» Japan's bluefin tuna


Edição portuguesa


» Edição de Fevereiro de 2018

» «Idiotas úteis» do Pentágono

» O papel da Concertação Social

» Edição de Janeiro de 2018

» Recuperar os CTT

» O alvo iraniano

» O eixo Washington-Riade-Telavive

» Edição de Dezembro de 2017

» O Orçamento, o presente e o futuro

» Guerras de religião


ORIENTE MÉDIO

Ariel Sharon tem medo

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

A iniciativa de Genebra acabou demonstrando para os israelenses o que Sharon tentou esconder deles durante três anos: de que do lado palestino há parceiros dispostos a negociar e que há uma alternativa ao derramamento de sangue

Amram Mitzna - (01/12/2003)

Se o primeiro-ministro israelense optar por levar adiante a iniciativa de Genebra, entrará para a História como o homem que fundou o Estado judaico e democrático de Israel com base num acordo. Isto representaria um avanço ainda mais importante do que a criação do país em 1948, pois naquela época tratou-se de uma ação unilateral, reconhecida somente por alguns países no mundo.

n em

Se o primeiro-ministro israelense optar por levar adiante a iniciativa de Genebra, entrará para a História como o homem que fundou o Estado judaico e democrático

A iniciativa de Genebra prova que nós temos um parceiro concreto e que existe uma alternativa ao derramamento de sangue. E os ataques lançados pelo primeiro-ministro Ariel Sharon e seus ministros contra o Partido Trabalhista, a oposição e as pessoas que redigiram este documento deixam perceber, acima de tudo, um sentimento: o medo. No entanto, até o momento, fracassaram todas as tentativas do governo e da direita no sentido de intimidar os partidários da iniciativa de Genebra.

Inicialmente, Sharon tentou nos apresentar como políticos a soldo do inimigo. Deputados da extrema-direita nos chamaram traidores. Alguns até chegaram a tentar persuadir o procurador-geral – em vão – a nos processar.

Censuras e ameaças

No dia 13 de novembro, pressionada pelo gabinete do primeiro-ministro, a rádio estatal suspendeu a difusão de uma mensagem publicitária que comunicava aos israelenses que, a partir de meados de novembro, o texto do documento de Genebra seria enviado pelo correio para cada domicílio. Diante desta censura política, fomos obrigados a nos dirigir à Corte Suprema, que emitirá um parecer nos próximos dias.

Contudo, nem a censura nem as ameaças nos farão desistir. Persistiremos, com obstinação, principalmente por constatarmos que cresce o apoio à iniciativa de Genebra entre os palestinos; e o mesmo apoio, crescente, se faz sentir entre os israelenses, que a consideram uma alternativa válida à política catastrófica do governo Sharon – uma alternativa capaz de tirar israelenses e palestinos de um impasse terrivelmente oneroso para ambos os povos em todos os aspectos da vida cotidiana.

Este ano, no início de novembro, a participação maciça nos diversos atos organizados por ocasião do oitavo aniversário do assassinato de Itzhak Rabin reforçou a prova de que uma parcela considerável da opinião pública israelense, decepcionada com a política de Sharon, busca uma saída possível: é exatamente o que oferece a iniciativa de Genebra.

Três anos de logro

Os ataques lançados por Sharon e seus ministros contra a oposição e as pessoas que redigiram este documento deixam perceber, acima de tudo, um sentimento: o medo

Na realidade, a direita e a extrema-direita formam um bloco de rejeição que apela para a provocação, para a intimidação e para a luta porque receiam a paz. E o fato de se preocuparem é porque, atualmente, um número cada vez maior de israelenses toma consciência de que vem sendo ludibriado há três anos.

Por três anos o primeiro-ministro conseguiu fazer crer que não existia um parceiro disposto a dialogar. Que da força jorraria a vitória que arruinaria os palestinos. Que os recursos do exército de defesa de Israel poderiam levar ao triunfo. Ariel Sharon pediu ao nosso povo para ser forte e lhe prometeu que o terrorismo iria terminar. Mas a situação foi de mal a pior.

Com o objetivo de, supostamente, erradicar o terrorismo, os assassinatos de dirigentes palestinos – que se tornaram a única política do governo – ameaçam dissolver o que sobrou do país. O terrorismo cresce, a economia despenca, a sociedade se desintegra e a realidade demográfica põe em risco a própria existência de Israel enquanto Estado judaico. Mas nem isso tudo levou a governo a considerar outra alternativa.

Batalha sem vítimas

Uma parcela considerável da opinião pública israelense, decepcionada com a política de Sharon, busca uma saída possível: é o que oferece a iniciativa de Genebra

Após longos meses de trabalho árduo, conseguimos chegar à iniciativa de Genebra. É evidente que nenhum de nós pensava que seria possível concretizar este acordo de um dia para o outro. Discutimos todos os detalhes, todas as minúcias, como se tratássemos de um acordo formal.

Foi uma batalha, mas sem vítimas. Lutamos, porém sem uniforme. Travamos uma batalha por Jerusalém, pelo Monte do Templo e por Gush Etzion1. Lutamos pelas fronteiras definitivas de Israel e pela própria essência do Estado judaico. E obtivemos resultados eloqüentes.

Pela primeira vez na história, os palestinos declararam oficialmente reconhecer o Estado de Israel como o Estado do povo judeu em caráter definitivo. Renunciaram ao direito de voltar a Israel, garantindo, desta maneira, que nosso país conserve uma maioria de população judaica estável e sólida. O Muro das Lamentações, o bairro judeu de Jerusalém e a torre de David ficarão em nosso domínio. Jerusalém deixará de ser estrangulada por sua periferia e todos os vilarejos judeus que a cercam – Givat Zéev, Givon (a velha e a nova), Maale Adoumim, Gush Etzion, Neve Yaacov, Pisgat Zéev, Hagiva Atsarfatit, Ramot, Gilo e Armon Anatsiv – passarão a fazer parte da cidade, ampliada em caráter definitivo. Nenhum morador desses vilarejos terá que deixar sua casa.

A falta de coragem de Sharon

É fácil criticar os resultados obtidos. E se a provocação também o é, ela só pode ser a expressão do pânico. Mas existem interlocutores e basta que o governo assim o deseje para que a realidade comece a mudar a partir do dia seguinte.

n em

A iniciativa de Genebra é um modelo – e não um documento oficial entre governos. É uma proposta visando a um acordo definitivo, aceita por ambas as partes

O problema é que Ariel Sharon não tem vontade de conseguir um acordo. Não tem aquela coragem que permite aos estadistas olharem para o futuro. Toma suas decisões a partir de argumentos políticos e se deixa submeter ao bem-querer dos extremistas. A única “coragem” que têm o primeiro-ministro e seu governo é a capacidade de mentir e afirmar que não há alternativas. De onde tiram eles a coragem de enviar soldados para a morte numa guerra desprovida de qualquer senso de realidade?

O rei está nu

A iniciativa de Genebra lembra a história do garotinho que gritava que o rei estava nu. O governo nos arrasta para nossa própria perdição. Prova disso são suas reações violentas: entra em pânico, e com razões para isso. Pois um estadista que, em plena consciência de seus atos, arrasta seu povo para a guerra, correndo o risco de um derramamento de sangue absolutamente gratuito, é um estadista ilegítimo. E isso, todo mundo compreende atualmente.

Ao invés de se explicar sobre os motivos que impediram a redação de um acordo deste tipo, ele se entrega à provocação, área em que é insuperável, como demonstrou, há oito anos, na Praça de Sion. Agora, como primeiro-ministro, torna a repetir, mas as palavras são as mesmas.

Sem questões em aberto

O governo israelense poderia adotar esta iniciativa, tal como existe hoje, a partir de amanhã de manhã. E também a pode examinar e revisar, no âmbito de negociações

A iniciativa de Genebra é um modelo – e não um documento oficial entre governos. É uma proposta visando a um acordo definitivo, aceita por ambas as partes. Destaca-se sob dois aspectos: de um lado, prevê o fim do conflito; e de outro, não deixa questões em aberto. Todos os pormenores, até o último, foram discutidos e decididos sem que possam ser revistos pelas partes envolvidas.

Outra vantagem reside no fato de que a parte palestina seria representada por uma direção autêntica e ampla, gozando do apoio dos dirigentes da Autoridade Palestina e de militantes que queiram participar.

O governo israelense poderia adotar esta iniciativa, tal como existe hoje, a partir de amanhã de manhã. E também a pode examinar e revisar, no âmbito de negociações.

Marco histórico

Espero ardentemente que, ao tomarem conhecimento deste acordo e de todos os detalhes que ele contém, os cidadãos israelenses não se deixem mais ludibriar pelas provocações de um governo tresloucado nem pelos que, dizendo-se de esquerda, apóiam sua política.

A iniciativa de Genebra é um marco da História, pois permite aos governos – se assim o desejarem – compreender com precisão quais as concessões consentidas por ambas as partes e que permitem pôr fim ao conflito.

Se o governo não efetivar este acordo e não propuser qualquer outra solução, continuaremos a viver com uma espada sobre nossas cabeças.

A decisão está em nossas mãos.

(Trad.: Jô Amado)

1 - Blocos de colônias “históricas” ao sul de Jerusalém.




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Israel
» Palestina
» Ocupação da Palestina

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos