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A superioridade tecnológica militar dos EUA é indiscutível e absoluta, desde que haja um campo de batalha, mas não quando o conflito de se torna uma guerrilha urbana, como no Iraque, e os atentados terroristas de multiplicam

Pierre Conesa - (01/01/2004)

As forças norte-americanas perdem de um a dois soldados por dia no Iraque, depois do fim “oficial” da guerra. Paradoxo das novas situações que se conhecem no Afeganistão há dois anos: o pós-guerra tornou-se mais perigoso que a própria guerra. No entanto, tudo começou como um grande filme em torno do estado-maior norte-americano instalado no Catar e de suas salas de comando cobertas de painéis eletrônicos.

As diferentes escolas de pensamento militar norte-americanas, baseadas numa superioridade tecnológica absoluta, deram origem a conceitos político-militares muito difundidos pela mídia, como os “ataques inteligentes”ou o “morte zero”... Os próprios meios intelectuais, dilacerados pelo drama iugoslavo, pelo trauma do 11 de setembro de 2001 ou pelo objetivo de derrubada da ditadura iraquiana, reformularam sua relação com a violência internacional. A guerra foi, então, novamente legitimada com a ajuda de noções diplomático-militares recentes, como o direito de ingerência humanitária, as operações militar-humanitárias na Somália ou em Ruanda…

O terrorismo na era da globalização

As diferentes escolas de pensamento militar norte-americanas deram origem a conceitos político-militares como “ataques inteligentes”ou “morte zero”

Principalmente porque os últimos conflitos duraram pouco (cinco semanas de bombardeios e cem horas para libertar o Kuait em 1991, seis semanas para conquistar o Iraque em 2003), evitando o risco de cansaço da opinião pública. Como o caso da Bósnia serviu sobretudo como exemplo do que não se deveria fazer com tropas de infantaria insuficientemente armadas em posição de interposição, o desencadeamento dos conflitos seguintes se justificou, às vezes, pela rapidez do resultado esperado.

Esta escola doutrinária norte-americana, chamada de escola da “revolução nos assuntos militares1 ” (RMA), constituiu um fundamento essencial da nova postura internacional norte-americana. É, atualmente, a forma mais elaborada da guerra convencional que todos os exércitos ocidentais copiam. E as armas empregadas constituem verdadeiros desafios industriais e tecnológicos. Diante dela, a que poderia ser chamada de a escola dos “niveladores de potência” (do terrorismo e da proliferação de armas de destruição em massa algumas vezes associados) nasceu das crises recentes e não se pode senão ficar surpreso com o total paralelismo entre os conceitos e as práticas.

Dessa forma, em cada operação, reafirma-se a idéia de “ataque inteligente”, ligada à capacidade de atingir o objetivo, e apenas ele, graças a armas extremamente precisas - usando-se, em paralelo, a noção de “danos colaterais”, como que para justificar que o conceito não seja tão eficiente quanto seu nome permitiria pensar2 . Na outra escola de pensamento, o pressuposto de precisão cirúrgica se opõe ao ataque em massa cego, indiferente à natureza dos objetivos escolhidos (navios petroleiros, imóveis, grandes hotéis internacionais, boates, metrô, bases militares…), bem como à condição das vítimas (turistas australianos, engenheiros franceses, vítimas muçulmanas, populações indígenas…). Os ataques contra o World Trade Center marcaram a primeira ação terrorista da globalização porque tiveram como alvo prédios de escritórios e porque perto de cem nacionalidades foram atingidas de uma só vez.

O perfil do combatente-suicida

O caso da Bósnia serviu como exemplo do que não se deveria fazer com tropas de infantaria insuficientemente armadas em posição de interposição

Do mesmo modo, o “morte zero” (do lado dos militares ocidentais) se origina do sentimento de superioridade tecnológica unilateral e contribuiu muito para difundir a idéia de que a guerra era uma ação internacional “tolerável”, na qual se podiam engajar soldados sem riscos após o fracasso sangrento de Mogadiscio. Do outro lado, surgiu o atentado suicida3 , negação a priori da idéia do “morte zero”, pois é concebido a partir do sacrifício do combatente.

O processo de seleção e preparação do camicase é perfeitamente planejado: a escolha incide sobre uma pessoa sem o perfil habitual do combatente (uma mocinha ou uma mulher jovem, diplomada - e principalmente bem integrada - e, sem passado político...); a preparação psicológica é lenta e eficaz, sempre longe da família (caso da Al-Qaida, do Hamas ou do Movimento dos Tigres Tâmules - LTTE). O sacrifício torna-se, então, uma honra e uma renda para a família como é para os camicases palestinos, chechenos ou tâmules.

O método foi inventado no Irã e no Oriente Médio, mas foi aperfeiçoado no Sri Lanka pelo LTTE. Os três atentados de 13 de maio de 2003, na Arábia Saudita, fizeram trinta mortos, entre os quais nove camicases, enquanto o conflito no Iraque não fizera senão 178 vítimas (incluindo-se os ataques fratricidas) do lado aliado.

A “zona urbana não pacificada”

Os ataques contra o World Trade Center marcaram a primeira ação terrorista da globalização porque tiveram como alvo prédios de escritórios

A projeção de forças ou de poder dos exércitos norte-americanos, graças a uma capacidade de alcance inimaginável, permitiu ganhar a guerra no Iraque ou no Afeganistão com aviões decolando, às vezes, dos Estados Unidos. Do outro lado, os atentados do dia 11 de setembro de 2001 ou o seqüestro no teatro de Moscou mostraram que o ataque do santuário nacional continuava sendo o ponto fraco dos grandes sistemas de segurança4 por excesso de confiança e falta de articulação entre segurança interna e externa.

A transparência do campo de batalha, permitida pelos meios tecnológicos modernos (aviões teleguiados, meios de observação via satélite…), é uma incontestável superioridade dos exércitos ocidentais, desde que haja pelo menos um campo de batalha ou uma frente identificável. Se a guerra se torna uma guerrilha urbana no Iraque, ou escaramuças como no Afeganistão, o controle do campo de batalha se revela menos eficiente em “zona urbana não pacificada”. A série de atentados atribuídos à Al-Qaida atingiu alvos muito dispersos, como o Paquistão, o Quênia, a Tunísia, o Iêmen, Bali, o Kuait, a Arábia Saudita e o Marrocos... Os métodos utilizados (ataque a petroleiros, atentados contra grandes hotéis turísticos) e a indiferença quanto aos alvos humanos atingidos (franceses, australianos, norte-americanos, israelenses, quenianos, marroquinos…) estão aí, infelizmente, para mostrar que o campo de batalha não é mais o lugar geográfico de encontro de duas forças armadas e que a frente se ampliou em escala planetária.

Os prejuízos financeiros do 11 de setembro

Do ponto de vista da guerrilha, o atentado suicida é a negação a priori da idéia do “morte zero”, pois é concebido a partir do sacrifício do combatente

O desvio de meios civis para fins terroristas responde à supremacia militar ocidental. Nenhum dos indicadores que, normalmente, alertam os serviços de segurança antiterroristas, como o transporte de armas ou de explosivos, o deslocamento de indivíduos fichados, pôde funcionar antes do ataque contra o World Trade Center. Mesmo nas áreas mais sensíveis da pesquisa militar, os C4I, que trabalham sobre os meios de comando e de controle das telecomunicações e das redes de informação, as redes terroristas souberam utilizar a seu favor o desenvolvimento da Internet para garantir a segurança de suas próprias comunicações, passando suas chamadas telefônicas por centrais inglesas ou iemenitas5 .

Os enormes investimentos em pesquisa militar dão origem a materiais de armamento extremamente caros. Nenhum regime político perturbador pode pretender competir em campo com os exércitos convencionais ocidentais, visto que, sem sequer falar dos preços, ele deveria obter equipamentos militares junto a fornecedores que se tornaram, quase todos, aliados dos norte-americanos. Atualmente, portanto, a única rivalidade militar possível se dá nos “niveladores de potência” que são a proliferação de armas de destruição em massa (ADM) ou o terrorismo, os quais, a baixos custos, apagam o desequilíbrio militar. Basta lembrar que a seita Aum, responsável pelo atentado a gás sarin no metrô de Tóquio, no dia 20 de março de 1995, não tinha ajuda externa, havia chegado a equipar-se com armas químicas e realizava pesquisas bacteriológicas. O custo de preparação dos atentados do 11 de setembro foi avaliado em 100 mil dólares para prejuízos diretos da ordem de 40 bilhões de dólares e, para indiretos, calculados entre 100 bilhões e 200 bilhões de dólares.

As “zonas cinzentas” do terrorismo

Os atentados de 11 de setembro e o seqüestro no teatro de Moscou mostraram que o ataque do santuário nacional é o ponto fraco dos sistemas de segurança

Enfim, sociologicamente, ao militar profissional, fardado, pago regularmente por um Estado sobre o qual se baseia a segurança externa das grandes democracias, opõe-se atualmente, na melhor das hipóteses, o miliciano que obedece a um chefe de guerra local e, na pior, o militante crente organizado em redes, comunicando-se por Internet, a partir de metrópoles do mundo desenvolvido ou do Terceiro Mundo6 . Os famosos “afegãos”, ex-combatentes da guerra anti-soviética no Afeganistão, são estimados em várias dezenas de milhares de pessoas e desempenharam um papel importante, por exemplo, na Argélia ou na Arábia Saudita. Mas o terrorismo islamita não é o único viveiro: o primeiro atentado de massa aos Estados Unidos foi uma proeza de militantes de extrema-direita, e o primeiro ataque terrorista da história foi organizado por uma seita.

As redes terroristas islamitas ganharam status de santuários nas “zonas cinzentas” que se espalham pelo planeta. A lista é extensa: Afeganistão, Somália, zona tribal do Paquistão e, talvez, o Iraque amanhã ou nas metrópoles das grandes capitais7 . De modo mais geral, os exércitos profissionais ocidentais serão cada vez mais freqüentemente confrontados com grupos armados não estatais, terroristas primeiro, mas também milícias ou neomercenários, como na Costa do Marfim, grupos não controlados ou exércitos de “senhores da guerra” como no Afeganistão, na Somália, ou no Congo8.

Regras de segurança internacional

O custo de preparação dos atentados do 11 de setembro foi avaliado em 100 mil dólares para prejuízos indiretos de até 200 bilhões de dólares

Disso decorrem algumas grandes regras que estruturam a segurança internacional.

- 1. A guerra como substituto da política. Constata-se uma verdadeira aceleração do processo guerreiro na reflexão dos neoconservadores norte-americanos através da noção de “guerra preventiva9 ” ou da hipótese de uso de armas nucleares de baixa potência. Em menos de vinte meses, a hubris guerreira de Washington acaba de desencadear dois conflitos internacionais, de indicar três alvos como “eixos do mal” e mais algumas metástases, como a Síria, e de enumerar 204 movimentos terroristas ou organizações-escudo (não norte-americanas), segundo a lista do Departamento de Estado, de 23 de outubro de 2002. Descarta-se desta lista a presença mais antiga de tropas na Colômbia. A guerra contra o Iraque revela, cada dia um pouco mais, ser um conflito convencional contra um Estado hipoteticamente proliferante e não contra um grupo terrorista. E desaparece a fronteira nítida entre guerra e paz, visto que as guerras convencionais ganhas podem suscitar novas ameaças terroristas.

- 2. Pós-guerra difícil. O resultado mais tangível das guerras recentes (Afeganistão, Kosovo…) é, na melhor das hipóteses, a mudança de regime - não o restabelecimento da paz. O pós-guerra tornou-se mais complicado do que a guerra em termos de solução política, de custo da reconstrução, de restabelecimento da paz civil, de integração regional. A remanescência de senhores da guerra na Somália ou no Afeganistão é uma prova disso. A destruição do Estado vigente, com freqüência já em crise, evidencia as fragmentações das sociedades locais que a ditadura mascarava, como o peso dos xiitas no Iraque ou dos pashtus no Afeganistão. Os aliados são mais úteis para essa fase delicada do que para a própria guerra. Segundo a frase que se tornou célebre por um jornalista norte-americano: US fight, Un feed, EU funds (“Os norte-americanos combatem, as Nações Unidas alimentam e a União Européia paga”). No caso do Iraque, George W. Bush pediu à ONU que assumisse as fases dois e três, alterando quatro vezes a redação da resolução 1511, finalmente aprovada no dia 16 de outubro.

- 3. Divisão do custo exorbitante da segurança. A dimensão econômica da segurança explodiu depois do 11 de setembro de 2001 e os responsáveis pelas decisões devem, agora, levar em conta o novo parâmetro terrorista em metrópole. O custo dessa prevenção é difícil de ser expresso em números, mas foi avaliado por Michael O’Hanlon, da Universidade de Princeton (num relatório intitulado Protecting America homeland) em 0,5 do Produto Interno Bruto (PIB), em um sétimo do orçamento da Defesa no plano federal e no mesmo valor para o das autoridades locais. Bart Hobijn, do Federal Reserve Bank [Banco Central norte-americano] avalia em 0,8% a queda de produtividade ligada às proteções antiterroristas. Uma das questões essenciais é, pois, como vai ser repartido o fardo?

O controle das finanças mundiais

Existe uma verdadeira aceleração do processo guerreiro na reflexão dos neoconservadores norte-americanos através da noção de “guerra preventiva”

É desse modo que se compreendem todas as disposições que foram tomadas desde o dia 26 de outubro de 2001, com a aprovação do USA Patriot Act10 que organiza a defesa norte-americana contra as novas ameaças sob o ângulo quase exclusivo da luta antiterrorista. Na realidade, um de seus aspectos essenciais consiste em munir o sistema financeiro norte-americano de um dispositivo de segurança, obrigando os bancos norte-americanos a identificarem seus correspondentes e as operações que transitam por eles.

Por trás da aparência técnica e anódina dessa medida, os Estados Unidos se outorgaram um enorme poder de controle das finanças mundiais. Como uma grande parte das transações financeiras mundiais são formalizadas em dólares ou operadas por bancos norte-americanos e a nova regulamentação impõe suas modalidades não só aos estabelecimentos norte-americanos, mas também a seus correspondentes, esse simples mecanismo de identificação e de vigilância dá às autoridades norte-americanas os meios de controlarem o essencial das transações financeiras mundiais. Uma instituição financeira européia correspondente de um banco norte-americano deve fornecer todos os meios de identificação não só no que lhe diz respeito, mas ainda quanto ao que se aplica também à operação de que trata até então com os outros bancos. O fornecimento das informações ao banco norte-americano serve também às autoridades de controle dos Estados Unidos. Estes são os únicos que dispõem dos meios de ligação permitindo a exploração dos dados coletados por outros. As informações recolhidas não são partilhadas, pois se destinam apenas à proteção de interesses norte-americanos.

Fronteiras geográficas e fronteiras de segurança

O pós-guerra tornou-se mais complicado do que a guerra em termos de solução política, de custo da reconstrução, de restabelecimento da paz civil...

Na área da segurança física do território, a estratégia é a mesma. Para se precaver contra ataques terroristas clássicos ou de tipo nuclear, balístico ou químico (NBC) sobre os tráficos feitos em contêineres, os norte-americanos elaboraram, unilateralmente, uma lista de vinte portos mundiais credenciados, com a condição de que estes apliquem as normas de controle que eles definiram e que são controladas localmente pelas alfândegas norte-americanas. A França, que não tinha nenhum local incluído na lista inicial de seleção, lutou por Le Havre (que realiza cerca de 85% das exportações francesas em contêineres para os Estados Unidos) aceitando essas regras. Se as autoridades francesas tivessem recusado tais condições, provavelmente Le Havre teria sofrido uma crise econômica grave. Um dispositivo de igual natureza vai ser aplicado para o controle dos 24 milhões de visitantes que chegam aos Estados Unidos e que devem dispor de passaporte não passível de falsificação ou se prestar a um fichamento (fotografia e impressão digital).

O pensamento estratégico norte-americano utiliza cada vez mais a noção de smart borders (fronteiras inteligentes), que distingue a fronteira geográfica da fronteira de segurança. Todos os setores estratégicos para os interesses norte-americanos são ou vão ser protegidos por mecanismos idênticos de terceirização das normas norte-americanas. A novidade, que caracteriza a segunda globalização e a distingue da primeira, consiste em estender os mecanismos de intervenção direta no sistema econômico e financeiro, que tinha sido cuidadosamente preservado disso em razão da vontade norte-americana.

O paradoxo da estratégia norte-americana

A dimensão do custo financeiro da segurança explodiu depois do 11 de setembro de 2001, atingindo patamares exorbitantes (0,5% do PIB norte-americano)

- 4. Da guerra local à crise global. Atualmente, um conflito local pode provocar uma crise financeira maior e a estratégia pressupõe uma visão global. A principal preocupação de Washington durante a crise iraquiana era evitar a eclosão simultânea de uma outra crise regional ou setorial num dos três reguladores da economia mundial que são, atualmente, o mercado financeiro, o mercado da informação e o mercado das matérias-primas estratégicas (dentre as quais, o petróleo).

Ocupada com a guerra no Iraque, a Casa Branca pôs de lado sua ofensiva contra Hugo Chávez, na Venezuela, ou contra a família saudita reinante e confiou a crise norte-coreana à ONU, cuja legitimidade, no entanto, ela contesta. Durante o conflito, o risco de pânico dos mercados financeiros era real, devido ao custo total já exorbitante da crise: 500 bilhões de dólares de capitais árabes se haviam evadido dos Estados Unidos depois do 11 de setembro, o déficit público previsto chegava a pelo menos 350 bilhões de dólares e a incerteza sobre a rapidez do sucesso da estratégia militar escolhida condicionava o preço da guerra, avaliado (na época) em 200 bilhões de dólares...

Uma das críticas de Washington contra a França e a Turquia é, certamente, a de terem contribuído para fazer crescer o custo da guerra. Em contrapartida, a coalizão aliada contava igualmente com a Grã-Bretanha e o Japão, cobrindo, assim, 80% dos mercados financeiros mundiais. Até então, as crises se mantinham setoriais ou regionais (choque do petróleo, crise financeira, crise militar…); atualmente, são muitas as chances de que se tornem globais. Se os europeus têm uma visão regional dos interesses em jogo, os norte-americanos têm uma estratégia global11 .

É necessário acostumar-se com a idéia de que um mundo de unipolaridade militar e diplomática é, estruturalmente, um mundo do terrorismo e proliferação, os quais, por sua natureza, subvertem as regras estratégicas. A multiplicação dos atentados terroristas em Israel, apesar da intransigência e da violência do governo de Ariel Sharon, demonstra isso em menor escala todos os dias. Tal é o paradoxo da estratégia norte-americana: a vitória militar é certa, mas torna a paz impossível.

(Trad.: Iraci D. Poleti)

1 - Ler, deLaurente Muraviec, La guerre au XXIème siècle, ed. Odile Jacob, Paris, 2001. Ler, também, o ótimo resumo de Barthélémy Courmont e Darko Ribnikar, Les guerres asymétriques, ed. Presse Universitaire de France, Paris, 2002.
2 - Se a guerra norte-americana no Iraque mostrou os incontestáveis progressos realizados na matéria, o método israelense está longe de ser tão respeitoso dos “danos colaterais”. A segunda Intifada tem, atualmente, o saldo de quase 2.000 mortos que são de três a quatro vezes mais numerosos do lado palestino do que do israelense, indicando, através disso, que a repressão antiterrorista faz mais vítimas que os próprios atentados.
3 - Ler, de Barbara Victor, Shahidas, ed. Flammarion, 2002; de L. Bucaille, Génération Intifada, ed. Hachette, 2002; e de L. Haim, Bombes humaines, ed. Lamartinière, 2003.
4 - Ler, de Barthélémy Courmont, Terrorisme et contre terrorisme, l’incompréhension fatale, ed. Cherche Midi, Paris, 2003.
5 - Ler, de Rohan Gunaratna, Al Qaïda au cœur du premier réseau terroriste mondial, ed. Autrement, Paris 2002.
6 - Ler, de Olivier Roy, L’islam mondialisé, Paris, 2003.
7 - Ler, de Dominique Thomas, Londonistan,la voie du Djihad, ed. Michalon, Paris, 2003.
8 - Ler, de Pierre Conesa (org.), “La sécurité internationale sans les Etats”, Revue internationale et stratégique, Presse Universitaire de France, 2003.
9 - Ler, de Paul Marie de la Gorce, “L’inquiétant concept de guerre préventive”, Le Monde diplomatique, novembro de 2003.
10 - “USA Patriot” é o acrônimo de “Uniting and Strengthening America by Providing Appropriate Tools Required to Intercept and Obstruct Terrorism”.
11 - Entrevista do autor com Patrick Lagadec e Guilhou, autores de La fin du risque Zero, Eyrolles société, Eyrolles, 2002.




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