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A contestação da ordem midiática

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Como reflexo da visível manipulação da informação sobre a guerra no Iraque e de uma decisão governamental que favorece a desregulamentação do setor, cresce a mobilização e o questionamento da sociedade norte-americana sobre concentração da mídia

Eric Klinenberg - (01/04/2004)

Quando a FCC se apressou em tornar pública sua decisão favorável à desregulamentação das mídias, dois milhões de americanos escreveram para a comissão, 99% deles contra

Algumas empresas de comunicação representam uma ameaça à paz mundial? Desde 11 de setembro de 2001, a deformação dos fatos pelos jornalistas norte-americanos contribuiu muito para o apoio popular à guerra. Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de Maryland, em outubro do ano passado, 60% dos norte-americanos – e 80% dos que assistem à Fox News – acreditam pelo menos em uma dessas três mentiras: 1) foram descobertas armas de destruição em massa no Iraque; 2) existem provas de uma aliança entre o Iraque e a Al Qaida; 3) a opinião pública mundial apóia a intervenção militar norte-americana no Iraque. Quanto mais os telespectadores entrevistados assistiam à Fox News, mais eram suscetíveis a acreditar nessas afirmações1. Segundo Jeff Cohen, que dirige um observatório dos meios de comunicação norte-americanos – o Fairness and Accuracy in Reporting (FAIR) – essa pesquisa demonstra que “quando a mentira é suficientemente grande, e suficientemente martelada, acaba ganhando aparência de verdade”. Essa manipulação tem como conseqüência legitimar a política de George W. Bush junto aos norte-americanos que, caso contrário, poderiam votar contra ele.

O jornalista de esquerda, John Nichols, chega até a avaliar que “se nossas mídias se prendessem à verdade, George Bush não seria presidente e não estaríamos em guerra contra o Iraque”. Não tem muito tempo, esse tipo de discurso não levava a nada. Mas, em 2003, vimos aumentar a contestação da ordem midiática. Hoje, John Nichols dirige um movimento pela reforma das mídias, denominado Free Press, em plena expansão, que questiona o funcionamento do jornalismo norte-americano. Bernie Sanders, que representa o Vermont na Câmara dos Deputados, salienta que, pela primeira vez na história norte-americana, a questão da apropriação das mídias por empresas privadas entrou no debate político”. Também membro do Congresso, Maurice Hinchey acrescenta que a reforma das mídias “representa o problema mais grave com o qual se defronta atualmente o povo norte-americano. Temos de nos reapropriar do debate, a democracia depende disso”. Mas como mudar as coisas em um país onde dez enormes empresas dominam o mercado de notícias2? O que pode esperar um movimento decidido a transformar os meios de comunicação?

O pacto com o setor privado

As medidas planejadas por Michel Powell tiveram como conseqüência inesperada colocar as mídias no centro do debate político e obrigar os candidatos à eleição a tomarem uma posição

Em 2003, dois acontecimentos favoreceram a tomada de consciência e a mobilização de milhões de norte-americanos: a falta de espírito crítico dos jornalistas sobre o assunto da guerra no Iraque e a decisão da Comissão Federal de Comunicações (FCC), que acelerou a desregulamentação das mídias. Em novembro de 2003, uma conferência sobre as mídias, organizada em Madison, pela Free Press, atraiu mais de duas mil pessoas, entre elas Jesse Jackson, candidato democrata à eleição presidencial em 1984 e em 1988, Bernie Sanders e John Sweeney, dirigente da AFL-CIO, e o historiador popular Studs Terkel. Exatamente como os ecologistas lutam pelo meio-ambiente há trinta anos, esses militantes estão politizando a questão das mídias. Sua campanha já tem efeitos concretos, mesmo que não possa contar com a televisão para divulgá-la.

A FCC regulamenta o setor das comunicações. De maneira geral, suas decisões redigidas em termos técnicos não chamam a atenção do cidadão comum. Mas, recentemente, sob o estímulo de Michael Powell (filho do secretário de Estado Colin Powell), a FCC tomou uma decisão, que permitiu aos mastodontes midiáticos aumentarem ainda mais suas ações no mercado. Quando não viajam para Las Vegas, Hong Kong ou Rio, com todos as despesas pagas pelos lobbies da comunicação (2.500 viagens desse gênero em oito anos...), os membros da FCC encontram-se com os dirigentes das empresas que deveriam regulamentar. Para Charles Lewis, dirigente do Center for Public Integrity (CPI), é claro que “a FCC fez um pacto com o setor privado.”

Oposição à desregulamentação

Apesar de favoráveis ao princípio da desregulamentação, deputados republicanos levaram em conta a reação popular e reviram sua posição inicial

Quando a FCC se apressou em tornar pública sua decisão, dois milhões de americanos – um número sem precedentes – escreveram para a comissão: 99% das cartas exprimiam uma oposição à desregulamentação prevista. Considerando a opinião da população, dois dos cinco diretores da FCC, Michael Copps e Jonathan Adelstein, votaram contra essas propostas. Os outros três, Michael Powell, Kevin Martin (ex-responsável responsável pela campanha de George W. Bush) e sra. Kathleen Abernathy (ex-diretora no ramo das telecomunicações) preferiram, no entanto, ignorar todas as inquietações. Em 2 de junho de 2003, a FCC apresentou então sua decisão, autorizando os jornais a possuírem estações de televisão na mesma cidade e permitindo às difusoras adquirirem outras cadeias locais e nacionais. Para Adelstein, trata-se do “maior e mais grave ataque à proteção dos consumidores na história da teledifusão norte-americana.”

Os progressistas não são mais os únicos que se inquietam. Apesar de favoráveis ao princípio da desregulamentação, deputados republicanos levaram em conta a reação popular e reviram sua posição inicial. Em 1997, Trent Lott, senador conservador do Mississippi, apoiou a nomeação de Powell para a FCC. No entanto, em 6 de junho último, ele declarou que “quando a concentração tornou-se extremamente grande, as empresas não mais foram submetidas às leis da concorrência. Nada mais as estimula a desenvolverem novos produtos, a reduzirem suas tarifas ou a expressarem pontos de vista diferentes. Desde então, em alguns lugares, anunciantes e consumidores estão sob o domínio de um único gigante das mídias. Essa situação só pode ser agravada pela recente decisão da FCC. Impérios da comunicação já se encontram em situação de monopólio em determinadas regiões. Facilitar a concentração nas mídias talvez interesse a conglomerados instalados em Washington ou em Nova York, mas não é de interesse dos consumidores como vocês e eu.”

Vontade popular vilipendiada

Em setembro de 2003, a Câmara dos Deputados e o Senado, embora controlados pelos Republicanos, invalidaram a decisão da FCC, mas Casa Branca interveio para fazer um “acordo”

Em setembro de 2003, a Câmara dos Deputados e o Senado, embora controlados pelos Republicanos, invalidaram a decisão da FCC. A Casa Branca interveio, então, para que o Congresso aceitasse um “acordo”, que conseguiu legalizar as aquisições realizadas pela News Corporation de Rupert Murdoch (proprietário da Fox News) e por Viacom (que possui a CBS e a UPN). O “acordo” votado pelo Congresso permitirá também que uma empresa possua mídias diferentes, como as maiores cadeias de televisão e os maiores jornais de um dado local3.

A vontade popular foi vilipendiada em nome de acordos feitos nos bastidores. Mas a luta contra a FCC está apenas começando, e necessariamente o Congresso vai reexaminar esse problema da regulamentação. As medidas planejadas por Powell, de fato, tiveram como conseqüência inesperada colocar as mídias no centro do debate político e obrigar os candidatos às próximas eleições de novembro de 2004 (presidência e Congresso) a tomarem uma posição. Jeff Cohen, que estuda as mídias há 15 anos, avalia que “é a primeira vez que a FCC deve enfrentar uma oposição tão unida, coerente e eficaz”.

Aumento do poder da publicidade

Em algumas cidades, uma única empresa possui todas as estações locais e os habitantes têm dificuldade de achar alguma coisa interessante para ouvir

Como considerou o senador Lott, os norte-americanos se interessam pela televisão, pela rádio e pela imprensa escrita. E estão preocupados com a diminuição da qualidade e da diversidade que constatam. Bernie Sanders observa, por exemplo, que as reuniões políticas que tratam desse tema atraem mais gente do que as que se referem a qualquer outro assunto.

Com toda razão. No momento em que ligam a televisão ou o rádio, os americanos submetem-se às conseqüências da concentração. A lei das telecomunicações de 1996 desregulou tanto o mercado da difusão radiofônica, que o número de proprietários de estações diminuiu 34% em sete anos. Atualmente, a rede Clear Channel possui sozinha mais de 1.200 estações. Em algumas cidades, uma única empresa possui todas as estações locais e os habitantes têm dificuldade de achar alguma coisa interessante para ouvir. As televisões não são protegidas. Segundo Adelstein, “cerca de 14% dos programas transmitidos pelas televisões locais são de infomerciale [mensagem publicitária maquiada de boletim informativo]. Esse aumento de poder da publicidade não é um bom presságio”. O melhor exemplo dessa ameaça foi a cobertura da guerra do Iraque. Antes da invasão do país, as mídias não prestaram a menor atenção na maioria dos americanos, que preferiam esperar o fim das inspeções e não queriam desencadear as hostilidades sem o apoio da opinião pública internacional e da ONU. Ainda hoje, essas mesmas mídias se recusam a reconhecer a extensão das devastações provocadas pela invasão; muito raramente fazem pesquisas sobre as perdas civis no Iraque ou no Afeganistão. Como Colin Powell admite, “Nós não nos interessamos pelo número de inimigos mortos.”

Mídia cúmplice do exército

O mais grave é que os grandes órgãos da imprensa cooperam com o Pentágono para mitigar a guerra e divulgam um mínimo de imagens de soldados norte-americanos mortos e de “caixões de transporte” que repatriam seus corpos para os Estados Unidos. O mesmo acontece em relação aos feridos em estado grave, de quem se ouve falar pouco. Amy Goodman, que apresenta o programa de rádio Democracy Now, transmitido pela rede Pacifica, afirma que “se os americanos vissem durante uma semana o que se vê no resto do mundo – e não falo somente da Al Jazeera, falo também da diferença entre a CNN e a CNN Internacional4 – eles se negariam a apoiar a guerra. Mas a maioria de nossas reportagens se assemelha à das publicidades dos documentos militares. As mídias soam o toque de combate. E suas mentiras destroem vidas humanas”. Para John Stauber, co-autor de Weapons of Mass Deception e redator no site Prawatch.com, “sem a cumplicidade das mídias, a população não teria aceitado a guerra.”

Para John Stauber, co-autor de Weapons of Mass Deception e redator no site Prawatch.com, “sem a cumplicidade das mídias, a população não teria aceitado a guerra.”

Desde o início das operações militares, uma grande quantidade de telespectadores em busca de informações mais equilibradas sintonizou a BBC. Na conferência de Madison, a representante Tami Baldwin se queixa de ter de “enquanto membro do Congresso americano, que consultar a imprensa estrangeira para obter uma informação precisa e consolidada – e não apenas a propósito do Iraque.” Segundo Jesse Jackson, a maneira como a população de cada país reage à guerra depende muito da imprensa nacional: “Subestimamos a importância do poder das mídias. Por que as manifestações contra a guerra reuniram mais gente na Europa? Porque os europeus são mais bem informados do que nós. Aqui, a Fox News e a Clear Channel organizam até manifestações de apoio à guerra. Nossas mídias são cúmplices do Exército. Não temos mais acesso à verdade.”

Disposição de lutar

Os movimentos decididos a transformar as informações, no momento, focalizam-se no Iraque e na FCC, mas seu objetivo não é somente o de anular as leis votadas em 2003. John Nichols adverte: “Rediscutir as decisões da FCC não é suficiente, isso nos deixaria sempre diante de uma guerra ilegal coberta por mídias partidárias”. Para Robert McChesney, universitário e diretor da Free Press, é urgente questionar as “mídias monopolísticas”, reorganizar esse setor para conduzir à constituição de uma esfera pública mais democrática. Quebrar os monopólios constitui, portanto, uma etapa indispensável. Em seguida, será necessário obter subvenções governamentais mais importantes para a televisão pública e para as mídias associadas.

A amplitude dos protestos dirigidos o ano passado à FCC levam ao otimismo. A Free Press, as organizações nacionais como Fair, Media Acess, Media Channel e as centenas de grupos locais que atualmente se constituem sabem que nada lhes será dado. Mas os dirigentes do movimento foram galvanizados pelos acontecimentos do ano passado. Eles estão dispostos a lutar.

(Trad.: Wanda Caldeira Brant)

1 - Cf. Harold Meyerson, “Fact-Free News ”, The Washington Post National Weekly Edition, 20 de outubro de 2003. Na época, 48% dos norte-americanos achavam que os Estados Unidos tinham estabelecido a existência de uma relação estreita entre o Iraque e a Al Qaeda ; 22% que os Estados Unidos tinham encontrado armas de destruição em massa no Iraque; 25% que a maioria dos países do mundo tinha apoiado a operação militar desencadeada pelo presidente Bush.
2 - Ler “A concentração das mídias nos EUA ”, Le Monde diplomatique, abril de 2003.
3 - Ex-presidente da General Electric, Jack Welch avaliou que essa concentração não trazia problema algum, e a prova disso é que a NBC (que pertence à General Electric) lhe “dava, às vezes, o sentimento de estar nas mãos de comunistas, mas eu não podia fazer nada”... (Business Week, 8 de março de 2004) 4 A CNN Internacional transmite programas de informações menos centrados em notícias sobre crimes e delitos americanos e em fofocas sobre celebridades, além de menos chauvinistas do que a CNN.




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