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Com a entrada de dez novos países do Leste europeu na União Européia, os Estados Unidos comemoram o crescimento de sua influência na região. Mas a complicada situação no Iraque, as mudanças políticas na Espanha e a crise da Polônia podem arrefecer suas esperanças

Thomas Schreiber - (01/05/2004)

Para o Pentágono, a ampliação da União Européia deveria permitir que Washington reunisse uma maioria de países

Embora os Estados Unidos não ocupem uma posição predominante na União Européia, cuja ampliação se concretizou no dia 1º de maio de 2004, eles esperam tirar proveito da entrada dos dez novos membros que vêm cortejando há muito tempo.

Os falcões do Pentágono – e, em especial, Richard Perle, que durante muito tempo foi um assessor bastante próximo de Donald Rumsfeld e renunciou ao cargo em 18 de fevereiro de 2004 “para não atrapalhar o presidente Bush em sua campanha eleitoral” (sic) – avaliam que os Estados Unidos devem defender seu modelo de uma maneira agressiva contra a “velha Europa”. Em sua opinião, a ampliação da União Européia deveria permitir que Washington reunisse uma maioria de países, de forma a impedir que a UE ampliada se torne um contrapeso em relação aos Estados Unidos. Zbigniew Brezinski, outro “guru” da política externa norte-americana, resume o paradoxo da seguinte forma: “No momento em que a potência norte-americana se encontra em seu zênite, sua situação política no mundo se encontra em seu nadir.”

Eis porque, no momento em que a maioria dos ex-países comunistas da Europa Central e Oriental passa a integrar a União Européia, os Estados Unidos irão se esforçar por reforçar sua posição no continente, particularmente na região oriental. Principalmente porque, contrariando determinadas análises, aquela região continua tendo considerável importância estratégica, apesar do fim dos regimes totalitários. Na verdade, assiste-se ao início de um novo capítulo da estratégia permanente que Washington vem desenvolvendo.

A propaganda e a realidade

Os norte-americanos se acomodaram à dominação dos países do Leste europeu pelos soviéticos

Esta estratégia vem sendo adotada, ininterruptamente, desde o final da II Guerra Mundial, seja o inquilino da Casa Branca um democrata ou um republicano, ainda que as sucessivas equipes mudem a orientação neste ou naquele sentido.

A partir de 1947, basta uma leitura atenta dos relatórios anuais da estratégia de segurança nacional para compreender os objetivos da política externa dos Estados Unidos para com o mundo comunista e avaliar o abismo que separa a propaganda da realidade. Na verdade, embora denunciassem a interpretação unilateral por Moscou dos acordos de Yalta, os norte-americanos foram gradativamente se acomodando à dominação dos países do Leste europeu pelos soviéticos.

Basta avaliar a evolução do vocabulário utilizado nos sucessivos relatórios. Em 1947, ainda se fala de “política de contenção” (containment) do comunismo que, no início da década de 50, teria “recuado” (rollback), devido ao financiamento mais ou menos oculto de organizações de imigrantes anticomunistas criadas nos Estados Unidos, mas também ao lançamento da Radio Free Europe, peça-chave da guerra psicológica. Apesar disso, como provam os livros de memórias dos dirigentes norte-americanos, nem em 1956 (intervenção soviética na Hungria), nem em 1968 (esmagamento da “primavera de Praga”), nem em 1981 (estado de sítio na Polônia), os Estados Unidos tiveram a intenção de ir além de protestos formais. Desde 1956, o vocabulário diplomático norte-americano utiliza a expressão “compromisso pacífico” (peaceful engagement) e cita a “construção de pontes” (bridgebuilding) entre o Leste e o Oeste.

Distensão acelerada

Durante a Presidência de Richard Nixon, Washington acelerou sua política de “distensão” em relação ao Leste europeu

Na década de 60, Washington chegou até a desencorajar a atividade de algumas organizações anticomunistas, consideradas “demasiado agressivas”. Não se tratava mais de “libertar países oprimidos”; o novo termo em voga seria a “diferenciação” entre países comunistas. Até chegar a um ponto em que os Estados Unidos observavam com interesse a política de “distensão, aliança e cooperação” do presidente Charles de Gaulle e, com interesse ainda maior, a Ostpolitik lançada pelo chanceler alemão Willy Brandt.

Durante a Presidência de Richard Nixon (1969-1974) e o “reinado” de Henry Kissinger, Washington acelerou sua política de “distensão” em relação ao Leste europeu. Na década de 70, viriam os acordos Salt, sobre a limitação de armamento estratégico, assim como uma melhoria sensível nas relações bilaterais entre os Estados Unidos e vários países do Pacto de Varsóvia. E Washington se preocupava muito mais com o estado de suas relações com Moscou do que com a evolução interna de seus futuros parceiros – em particular, no que se refere ao respeito pelos direitos humanos.

Assim como a França do general De Gaulle, os Estados Unidos de Richard Nixon se interessaram, antes de tudo, pela Romênia de Nicolae Ceausescu, país em que percebiam os esforços por uma independência em matéria de política externa. Concretamente, Bucareste havia tomado alguma distância de Moscou: reconhecimento da República Federal Alemã (RFA), neutralidade no conflito sino-soviético, manutenção de relações diplomáticas com Israel após a Guerra dos Seis Dias (1967), recusa em participar da invasão da Tchecoslováquia em 1968... Muito embora aquele fosse um dos regimes mais repressivos do mundo comunista, isso não impediu a Romênia, graças ao apoio norte-americano, de se tornar o primeiro membro do Pacto de Varsóvia a ser admitido, em 1972, no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial, beneficiando-se, a partir de 1975, do status do sistema preferencial.

Apoio explícito aos dissidentes

Carter incentivou a atividade de grupos opositores ao comunismo e financiou ONGs vigilantes dos direitos humanos

Na Polônia e na Hungria, foi o oposto. Seus governos davam inúmeros indícios de liberalização, mas suas políticas externas continuavam alinhadas com a da URSS. Muitos estudantes e pesquisadores tiveram acesso a bolsas nos Estados Unidos, no contexto dos programas das fundações Ford e Fullbright, por meio de um passaporte especial que, durante muito tempo, foi inacessível à maioria dos cidadãos do Leste europeu – inclusive romenos.

Em agosto de 1975, uma “reunião de cúpula” reuniu, em Helsinque, todos os países do continente europeu (com exceção da Albânia), o Canadá e os Estados Unidos. Porém, Gerald Ford, que havia sucedido a Nixon – que renunciara devido ao escândalo de Watergate –, era evidentemente pouco familiarizado com assuntos internacionais. Se, por um lado, os europeus martelavam nos problemas de ordem humanitária, os norte-americanos pareciam resignar-se com o statu quo. Na campanha eleitoral de 1976, Gerald Ford chegou a qualificar a Romênia e a Polônia como países “soberanos e independentes”...

O presidente James Carter não daria continuidade a essa iniciativa. Zbigniew Brezinski, seu principal assessor e de origem polonesa, recomendou-lhe uma política “mais dinâmica”. Sem defender a desestabilização dos regimes comunistas, sugeriu que fosse incentivada a atividade de todos os grupos opositores. Esse apoio aos intelectuais dissidentes concretizou-se na multiplicação de convites para visitas aos Estados Unidos e numa reavaliação da atividade de entidades como a Helsinki Watch e a Anistia Internacional. A partir de então, o respeito pelos direitos humanos passaria a ficar sob o controle vigilante de organizações não-governamentais (ONG) amplamente financiadas pelo governo norte-americano.

Decomposição acelerada

Com a chegada de Reagan à Presidência, acelerou-se a guerra psicológica e a decadência do bloco comunista

O governo também mantinha o suporte da Radio Free Europe, encarregada de refletir a “nova” política externa norte-americana: contribuir para a transformação pacífica dos regimes existentes, ao invés de trabalhar por sua destruição. Na época, ninguém, nos Estados Unidos, acreditava num colapso do Leste europeu: os mais otimistas sonhavam com uma espécie de “finlandização” ao contrário – uma autonomia crescente e progressiva dos países membros do Pacto de Varsóvia do mundo comunista.

Com a chegada de Ronald Reagan à Presidência, acelerou-se a guerra psicológica. Em 1983, o vice-presidente George Bush (pai) visitou a Iugoslávia, a Romênia e a Hungria. E em dezembro Washington anunciou a criação da Fundação Nacional pela Democracia (National Endowment for Democracy): financiada pelos partidos Republicano e Democrata – mas também pelo Departamento de Estado e pela CIA –, ela daria apoio a partidos, sindicatos, jornais, editoras e grupos que lutassem em defesa de “idéias democráticas”. Entre os beneficiários contam-se o Solidariedade, na Polônia, e os editores de samizdats húngaros.

Nenhum dos regimes que foram vítimas dessas “ingerências” as proibiu: já tinham entrado numa fase de decomposição que se aceleraria em 1989. Os norte-americanos acompanhavam de perto os acontecimentos. Em julho, George Bush pai, já eleito presidente, viajou para a Polônia e Hungria. “Os soviéticos”, explicaria posteriormente, “receavam que esta viagem tivesse por objetivo incentivar a sedição, ainda que de maneira involuntária. Muito pelo contrário, eu partilhava de algumas de suas preocupações.” Na opinião de Brent Scowcroft, assessor de segurança nacional, Washington “desempenhou o papel de uma parteira, num momento de evolução pacífica mas tenso, que conduziu a Europa Oriental da autocracia ao pluralismo”.

Lobbies em ação

O presidente Bush (pai) promoveu um programa de ajuda considerável em benefício da Hungria e Polônia

Os “Grandes” se reuniriam em Paris, para sua cúpula anual, no bicentenário da Revolução Francesa. O presidente Bush trouxe a Europa Oriental para o centro dos debates, pronunciando-se a favor de um programa de ajuda considerável em benefício dos dois países que acabava de visitar. Mas evitou ofender Moscou, onde Mikhail Gorbatchev vinha sofrendo pressões dos adeptos de uma linha dura, hostil à liberalização adotada pela Polônia e a Hungria.

É evidente que os norte-americanos de origem polonesa ou húngara – alguns dos quais ocupavam postos-chave no governo e no mundo dos negócios – influenciaram a ação de Bush. Esses lobbies polonês e húngaro contribuíram, por exemplo, para que, no dia 20 de setembro, uma comissão do Senado aprovasse uma proposta de ajuda de 1,2 bilhões de dólares, com carência de três anos, a Varsóvia e Budapeste. Embora ainda fossem comunistas, esses dois países tornaram-se parceiros privilegiados de Washington!

O lobby báltico, por sua vez, ficou indócil com a prudência de Washington. Impaciente, não queria esperar pela liberalização progressiva dos regimes comunistas e exigia o restabelecimento imediato da independência da Lituânia, da Letônia e da Estônia. É bom frisar que os Estados Unidos nunca haviam reconhecido a anexação daqueles países pela União Soviética, em 1939, e mantinham com eles relações diplomáticas “virtuais”. Seus representantes chegariam a fazer pressão junto aos 34 países signatários dos acordos de Helsinque no sentido de serem admitidos como Estados independentes na reunião de cúpula convocada para Paris, em novembro de 1990, para pôr fim à guerra fria. A intransigência de Paris e o desconforto de Washington justificavam a oposição a essa pretensão: o desaparecimento da União Soviética ainda não estava programado. E as atenções voltaram-se para o Golfo Pérsico, onde se preparava a libertação do Kuwait, invadido pelo Iraque em agosto de 1990...

Os Bálcãs entram no jogo

No conflito dos Bálcãs, os EUA superaram os negociadores europeus, e firmaram sua presença na Europa central e oriental

Seria preciso esperar até junho de 1991 para que – com a proclamação da independência pela Eslovênia e pela Croácia e com a Iugoslávia mergulhando na guerra civil – Washington se interessasse pelos Bálcãs. Os Estados Unidos acompanhariam, sem desprazer, o fracasso das tentativas de mediação franco-britânicas. Preparavam sua entrada em cena, militar e política, cuja tarefa o presidente William Clinton confiou a Richard Holbrooke.

Paralelamente, o governo adotou uma nova política, destinada a “incentivar a democracia”, em relação à Europa central e oriental pós-comunista. Washington buscou principalmente o apoio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), à qual os países da região queriam aderir – e não tanto os das instituições européias. Foi também essa a razão do fracasso do projeto francês de uma Confederação Européia, apresentado em Praga em junho de 1991: embora os poloneses, os húngaros ou os tchecos estivessem falando de Europa, estavam principalmente sonhando com os Estados Unidos...

Ao suspender de forma unilateral o boicote à entrega de armas à Bósnia Herzegovina, em julho de 1995, o Senado sinalizou o envolvimento norte-americano no conflito. Em agosto, foi a vez da ofensiva croata, preparada e armada por “civis” norte-americanos, seguindo-se o bombardeio das posições sérvias próximas a Sarajevo pela aviação da Otan. Finalmente, em novembro, a base militar norte-americana de Dayton, no Estado de Ohio, sediou a conferência de paz. Os Estados Unidos superaram os negociadores europeus, assinalando dessa maneira sua presença concreta na Europa central e oriental e pondo fim aos combates nos Bálcãs.

Novos mercados interessantes

Os EUA beneficiaram países com mercados interessantes para a indústria de armamento norte-americana

A diplomacia européia assistiu, impotente, a essa “invasão” orquestrada por Zbigniew Brezinski e Richard Holbrooke e, posteriormente, pela secretária de Estado, Madeleine Albright. Especialistas da “outra Europa”, eles trabalhariam incansavelmente em favor de reforçar a liderança norte-americana no Leste.

Na realidade, Washington já tinha elaborado, de forma unilateral, a lista dos principais beneficiários da ampliação da Aliança Atlântica: Polônia, Hungria e República Tcheca. E impuseram seus candidatos, em julho de 1997, na cúpula de Madri. Essa escolha se explica pela existência dos pesados lobbies polonês e húngaro e pela origem tcheca da sra. Albright. Mas esse trio também é composto por países com mercados interessantes para a indústria de armamento norte-americana, principalmente numa hora em que se tratava de substituir equipamentos soviéticos obsoletos.

Embora a vontade hegemônica dos Estados Unidos se exprimisse pelo controle absoluto que exerciam sobre a Otan – como se viu por ocasião das guerras da Bósnia e do Kosovo –, ela também se manifestou no processo de sua implantação econômica nos diversos países da Europa central e oriental. Nos três países bálticos, sua presença aparece de maneira ainda mais ostensiva: a partir de 1991, vários milhares de cidadãos norte-americanos com origem naqueles três países “voltam para casa”. Os mais qualificados ocupariam rapidamente importantes cargos no governo, nas forças armadas ou na economia – e integrariam o grupo dos “atlantistas incondicionais”.

Crescente influência americana

No Leste europeu, todos cultivam a ilusão de virem a se tornar um aliado integral dos Estados Unidos em 2001

Com o 11 de setembro de 2001, as ambições dos Estados Unidos de George W. Bush concretizam-se de maneira espetacular. No dia 20 de setembro de 2002, a “nova estratégia de segurança nacional” já garantia: “Embora os Estados Unidos estejam prontos a envidar todos seus esforços para obter o apoio da comunidade internacional, não hesitaremos em agir por nós mesmos, se necessário, para exercer nosso direito à autodefesa e agindo a título preventivo contra os terroristas.” Embora esse texto tenha por objetivo específico a defesa nacional contra o terrorismo, também se aplica, sem dúvida, à defesa do conjunto dos interesses estratégicos, políticos e econômicos da “hiperpotência”.

O bilateralismo tomou o lugar do multilateralismo nas relações com os aliados. A aceitação de um determinado país na Aliança Atlântica tornou-se um meio de estreitar ainda mais essas relações. Isso se tornaria claro em novembro de 2002, por exemplo, por ocasião da reunião de cúpula, em Praga, para ratificar a segunda ampliação da organização. Romenos e búlgaros comemoraram a entrada na Otan, enquanto esperavam por sua admissão na União Européia. Os três países bálticos já haviam assinado, em 2001, importantes acordos de cooperação militar com os Estados Unidos. No Leste europeu, todos cultivam a ilusão de virem a se tornar um aliado integral dos Estados Unidos – não só por escrito, mas na própria realidade. Daí, o apoio de todos eles a Washington por ocasião da crise iraquiana, mesmo antes de estourar a guerra.

No dia 30 de janeiro de 2003, justamente no período em que as relações entre França e Estados Unidos estavam tensas, oito países europeus – entre os quais, os que se beneficiaram da primeira ampliação da Otan (Polônia, República Tcheca e Hungria) – divulgaram uma “carta aberta” em apoio aos Estados Unidos. Em 5 de fevereiro, dez países da Europa central e oriental (Letônia, Lituânia, Estônia, Eslováquia, Eslovênia, Bulgária, Romênia, Albânia, Croácia e Macedônia) fizeram o mesmo: todos eles são candidatos à entrada na Otan. Nenhum dos signatários ignora que a “Convocação dos Dez” foi imaginada por um habilidoso lobbista norte-americano, Bruce Jackson, assessor do Pentágono. Resumindo, treze futuros membros da União Européia manifestaram sua preferência pelos Estados Unidos, refletindo dessa maneira a influência adquirida por Washington na Europa central e oriental durante a última década.

Contradições no bloco oriental

Não seria o caso de imaginar o Leste europeu como um bloco homogêneo totalmente pró-americano

Não seria, no entanto, o caso de imaginar o Leste europeu como um bloco homogêneo incondicionalmente pró-americano. Interrogado sobre sua assinatura, o primeiro-ministro húngaro, Peter Medgyessy, respondeu o seguinte: “Se não tivesse assinado essa famosa carta aberta, teria sido criticado por recusar a solidariedade transatlântica.” “Em outras palavras, a carta seria uma arapuca?”, perguntou o jornalista. Resposta: “Exatamente.”

No dia 17 de fevereiro de 2003, em Bruxelas, em plena reunião de cúpula extraordinária do Conselho Europeu, Jacques Chirac criticou os países “que perderam uma boa ocasião de ficarem calados”, o que provocou uma tempestade de protestos do lado oriental. Mesmo na opinião de seus amigos, o chefe de Estado francês deveria ter se expressado de maneira diferente, para não ferir sensibilidades legítimas. Publicamente notória, a opinião do presidente era dirigida, antes de tudo, à Polônia, que acabava de modernizar sua aviação, preferindo o F-16 norte-americano a um aparelho europeu. Mas o presidente francês também queria chamar a atenção para a contradição total entre esse engajamento pró-americano e o projeto da Convenção Européia, cujo artigo I-15 estipula que “os Estados membros apóiam de forma ativa e sem restrições as políticas externa e de segurança comuns da União Européia, num espírito de lealdade e solidariedade mútuas e se abstêm de qualquer ação contrária aos interesses da União ou suscetível de prejudicar sua eficácia”...

Algumas semanas depois, estourava a guerra no Iraque. Desde o início, as opiniões no Leste europeu se mostraram reservadas, quando não hostis, a qualquer envolvimento militar. E os governos a quem os Estados Unidos “solicitaram” apoio decidiram – após discussões internas – enviar apenas contingentes limitados, compostos, em sua maioria, por não-combatentes. Com exceção da Polônia, que surgiu como potência regional e aliada privilegiada dos Estados Unidos nessa parte do continente europeu. Vários milhares de soldados poloneses foram enviados para o Iraque e seu país obteve o comando de uma das zonas de ocupação. Uma bela desforra, para uma nação tantas vezes humilhada, através de sua história milenar, pelos vizinhos do Leste e do Oeste. Desta vez, os poloneses não são os invadidos, mas os invasores...

Novas armas, americanas

Chovem dólares nos países decididos a modernizar seus exércitos, desde que o equipamento seja comprado dos EUA

Num primeiro momento, os países do Leste europeu que se envolveram na aventura só podiam comemorar o impacto de sua presença no Iraque. Todos esperavam ganhar com a reconstrução do país, assim como lucrar com a transferência das bases norte-americanas da Alemanha para seus países. A cessão de bases militares à força aérea norte-americana, na primavera de 2003, representou dezenas de milhões de dólares para a Romênia e a Bulgária. Fala-se na possibilidade de se estabelecer um grande número de soldados norte-americanos e suas famílias em locais próximos a algumas cidades polonesas, romenas e búlgaras, o que significaria uma promessa de segurança e prosperidade...

Os sonhadores deveriam perder as ilusões. Se Washington pensa em deslocar para o Leste europeu suas bases da Alemanha, certamente diminuirá o número de militares, graças à modernização tecnológica. De um total de cerca de 120 mil soldados que hoje estão sediados na Europa, quase um terço deverá ser repatriado. Essa reestruturação, que se fará ao longo de vários anos, tem por objetivo permitir uma mobilização mais rápida, em caso de crise, das tropas vindas de outro lado do Atlântico. Dessa maneira, os Estados Unidos pretendem ficar mais próximo às zonas de crise do Oriente Médio e da Ásia Central, assim como do Cáucaso – a começar pela Geórgia, a nova parceira privilegiada.

Aliás, Colin Powell confirmou essa vontade de Washington de estabelecer instalações temporárias. Uma reação compartilhada do lado russo: Sergei Ivanov, ministro da Defesa, “poderia, em última instância, compreender a instalação de bases militares na Bulgária ou na Romênia, na rota de eventuais terroristas, mas na Polônia e nos países bálticos isso seria incompreensível”. Uma coisa é certa: a transferência para a Europa Central de pessoa civil e militar norte-americano, em comemoração às vantagens das relações estreitas com Washington. Na realidade, chovem milhões de dólares nos países “aliados” decididos a modernizar seus exércitos, na condição de que o equipamento necessário seja comprado aos Estados Unidos. Sem esquecer os incentivos dados pelo governo Bush às empresas norte-americanas que participem da construção das rodovias “estratégicas” que cortam a região dos Bálcãs.

Ilusões perdidas

Quanto mais se complica o pós-guerra no Iraque, mais os políticos do Leste europeu refletem sobre o papel da Europa

Mas a tarefa desses “missionários” não é fácil. Um ano após o início da guerra no Iraque, o desencanto vai tomando conta até dos mais fervorosos adeptos da política norte-americana. E com razão: os contingentes do Leste europeu começam a ser vítimas dos ataques da resistência iraquiana; a mentira sobre as armas de destruição em massa ganha o noticiário de todos os meios de comunicação; e o fracasso da pacificação fere a credibilidade dos norte-americanos não só junto à opinião pública, mas também dentro do próprio aparelho de Estado. É claro que os neoconservadores comemoraram a adesão inesperada dos sérvios, dispostos a enviarem de 700 a 800 soldados... mas isso foi antes dos atentados de Madri. Por ocasião de sua última visita a Belgrado, a subsecretária de Estado, Cathleen Stevens, mencionara o “interesse” dos Estados Unidos numa reforma do exército sérvio.

Quanto mais se complica o pós-guerra no Iraque, mais os políticos do Leste europeu começam a refletir sobre o papel que a Europa deveria desempenhar. Pouco a pouco, os novos membros da União Européia – assim como os candidatos a uma futura adesão – começam a avaliar a importância da “Velha Europa” para seu próprio futuro. Caso os Estados Unidos permaneçam seus aliados e amigos, a União Européia passaria a ser um concorrente.

(Trad.: Jô Amado)




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