Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Internet: liberdade é controle

» O capitalismo como imensa coleção de perguntas

» Assim os laboratórios torturam animais

» Bolsonaro, o anacronismo genial-idiota

» 10 mandamentos para as elites impenitentes

» As explosões que abalaram a Arábia Saudita

» O que são os “Laboratórios do Comum”

» Trump e Bolsonaro: em busca dos porquês

» Legalidade não faz jus a Brizola

» Como a Estônia concretizou o passe livre

Rede Social


Edição francesa


» Depuis 2010, la majorité de la population est urbaine

» Match démographique : Urugay-Paraguay

» Match démographique : Uruguay-Paraguay

» Chaos postsoviétique

» Richesse et population, un monde à double face

» Machines hostiles

» Refaire le monde à coups de bistouri

» Libye, l'appel du devoir

» La gauche française bute sur l'Europe

» Fédéralisme à l'allemande et évolutions politiques


Edição em inglês


» An end to Mediterranean standoffs?

» The logs of war

» Benjamin Netanyahu, best friend of the far right

» September: the longer view

» Afghan peace talks: Trump tweets, Taliban fights

» An inexhaustible myth in times of extreme adversity

» What happened to social solidarity?

» Sudan: conflict, violence and repression

» Russia's appointed billionaires

» Another end is possible


Edição portuguesa


» Edição de Setembro de 2019

» Portugal não pode parar?

» Quem elegeu Ursula von der Leyen?

» Edição de Agosto de 2019

» Plural e vinculado à esquerda

» Os talibãs de São Francisco

» Edição de Julho de 2019

» Inconsistências (ou o sono da razão?)

» Comércio livre ou ecologia!

» Edição de Junho de 2019


SEGURIDADE SOCIAL

A negociata Sanofi-Aventis

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

A compra da Aventis pela Sanofi-Synthélabo foi recebida como boa notícia para a economia francesa. Mas a operação envolveu pagamento aos acionistas da Aventis e prejuízo aos assalariados do novo grupo

Philippe Pignarre - (01/07/2004)

O nascimento do novo grupo ajudaria a reativar uma política francesa de pesquisa, tão necessária

O anúncio da compra da Aventis pela Sanofi-Synthélabo foi quase unanimemente recebido como uma boa notícia: um grande grupo francês nascia na farmácia, tornando-se o terceiro laboratório mundial em faturamento. Isso ajudaria a reativar uma política francesa de pesquisa, que necessita bem disso. A operação ilustraria um política industrial colbertista1: “tipicamente francesa”. Os acordos não foram firmados na própria sala do ministro da economia e das finanças, Nicolas Sarkozy?

Poucos comentaristas, no entanto, examinaram de perto a maneira como a operação foi concebida do ponto de vista técnico. Contrariamente às múltiplas operações precedentes (entre a Sanofi e a Synthélabo ou entre a Rhône-Poulenc e a Hoechst, por exemplo), não se trata de uma fusão, mas uma oferta pública de compra (OPA). Em uma fusão cada um traz suas ações, a parte mais forte fica com a direção dos negócios, já que seus acionistas são majoritários no novo conselho administrativo. Ao contrário, depois da OPA que acabou de acontecer, foi o “menorzinho”, a Sanofi, que obteve a direção da nova sociedade Sanofi-Aventis. Qual foi o milagre?

Com dinheiro alheio

A Sanofi-Synthélabo não dispõe desse dinheiro para pagar acionistas: precisa pedir aos bancos

A Sanofi-Synthélabo ofereceu aos acionistas da Aventis ficar com seis ações da Aventis em troca de cinco ações da Sanofi-Synthélabo e de uma quantia – paga em dinheiro – de 115,08 euros. Ou seja, como há mais de 800 milhões de ações Aventis em circulação, perto de 16 bilhões de euros – uma vez e meia o famoso déficit da previdência social! Numa primeira proposta, a quantia a ser distribuída aos acionistas, já considerada enorme, elevava-se a 8 bilhões. Foi antes da intervenção de Sarkozy. Mas a Sanofi-Synthélabo não dispõe desse dinheiro: precisa pedir emprestado aos bancos (um consórcio dirigido pelo Banco Nacional de Paris) e pagar em cinco anos.

Dezesseis bilhões de euros representam a soma necessária para inventar vinte novos remédios (usando os números oficiais da indústria farmacêutica), ou oitenta, segundo os números, bem mais críveis, fornecidos por vários analistas do setor. Ora, esta massa de dinheiro não servirá para uma tal ambição, será pura e simplesmente distribuída aos acionistas da Aventis. Quem pode acreditar então que esta operação é uma nova manifestação do gênio econômico francês ?

Quem perde

Do ponto de vista dos assalariados e dos pesquisadores, só uma fusão sem distribuição de dinheiro seria aceitável

Todo o peso da operação é posto na nova empresa, submetida a estas condições. Perderão, em primeiro lugar, os assalariados do novo grupo. O mais simples, para recuperar logo estes 16 bilhões, é produzir o mesmo faturamento, gastando menos. O fechamento de locais de produção e unidades de pesquisa é portanto previsível, acompanhado da supressão de empregos. Projetos de pesquisa serão abandonados.

A seguridade social corre o risco de ser a segunda a perder: é verossímil acreditar que garantias foram dadas aos dirigentes da Sanofi-Synthélabo sobre os preços dos futuros medicamentos do novo grupo. Se entre 1990 e 2001 o gasto com medicamentos aumentou de 63% na França (contra 17% na Alemanha e 28% na Itália), os próximos anos podem ser piores, aproximando-nos do modelo americano – que se constata, no entanto, estar à beira da explosão.

Do ponto de vista dos assalariados e dos pesquisadores, só uma fusão sem distribuição de dinheiro seria aceitável. Seria também o modo mais fácil e menos arriscado para a coletividade.

(Trad.: Betty Almeida)

1 - Alusão a Colbert – estadista francês no reinado de Luís XIV, autor de medidas protecionistas para a indústra e o comércio (N.T.).




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» França
» Indústria Farmacêutica
» Transnacionais
» Capitalismo Financeirizado

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos