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PALESTINA

Meus encontros com Yasser Arafat

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Diplomata e jornalista recorda percursos do grande líder que conseguiu a proeza de resistir durante meio século a inimigos temíveis, tanto na cena internacional – Israel, EUA e a maioria dos regimes árabes – quanto no interior de seu próprio movimento

Eric Rouleau - (01/12/2004)

Dotado de um sólido psiquismo, Yasser Arafat muito raramente expressou – nas situações mais dramáticas – o mínimo desespero ou desânimo. Parecia movido por um otimismo sem esmorecimento, por uma vontade inabalável de prosseguir seu combate, por uma capacidade surpreendente de se recuperar depois de cada queda. Por ter acompanhado seu itinerário há mais de 35 anos, período em que o encontrei dezenas de vezes na qualidade de jornalista ou de diplomata encarregado de missão junto à Organização de Libertação da Palestina (OLP), fiquei surpreso ao achá-lo, por ocasião de nossas últimas entrevistas, no ano passado, com uma disposição de ânimo que muito se assemelhava a um estado depressivo.

Pálido, com a fisionomia tensa, confinado num edifício em ruínas, morando num cômodo sem janelas, sabendo que corria o risco de ser exilado ou assassinado a qualquer momento, não excluía, pela primeira vez, a possibilidade de “os vestígios da Autoridade Palestina serem aniquilados”. Não compreendia como puderam denegri-lo, na medida em que tinha trabalhado tanto para concluir “a paz dos valentes” com Israel. A emoção embargava-lhe a voz todas as vezes que se referia a seu “parceiro Itzhak Rabin”.

Laicidade e Islã

Pálido, com a fisionomia tensa, confinado num edifício em ruínas, morando num cômodo sem janelas, Arafat sabia que corria o risco de ser exilado ou assassinado

Resignado, apressava-se em nomear um primeiro-ministro sob a tríplice injunção de Israel, dos Estados Unidos e – o que era para ele o cúmulo – a União Européia. Fingia não compreender que quisessem lhe impor um primeiro-ministro, se ele era apenas “o chefe de uma entidade não estatal”. Diante da questão de saber se era obrigado a se submeter, Arafat abaixou a cabeça, deixando a palavra a um colaborador sentado a seu lado que disse: “É Bush que quer assim...”

No almoço que se seguiu à entrevista, para o qual ele convidara vários ministros, uma discussão animada iniciou-se sobre a questão da laicidade do futuro Estado palestino. Nabil Shaath, ministro das Relações Exteriores da Autoridade, encarregado de redigir um projeto de Constituição, esclareceu que, por razões políticas evidentes, sentiu-se obrigado a integrar a fórmula de que “o Islã é a religião do Estado”. Provocou um movimento de protesto em torno da mesa. Saeb Ereikat e Yasser Abd Rabbo, membros do governo, foram os mais veementes. Maie Sarraf, conselheira para questões européias, gritou, olhando para Arafat: “Na qualidade de cristã, não aceitarei jamais viver em tal Estado!”. Curiosamente, o raís1 permaneceu silencioso ao longo de toda a controvérsia, com o olhar fixo no prato. Instado a se pronunciar, declarou prudentemente: “Não tive tempo de dar uma olhada no projeto de Constituição...”

A queda dos frutos podres

Resignado, apressava-se em nomear um primeiro-ministro sob a tríplice injunção de Israel, dos Estados Unidos e – o que era para ele o cúmulo – a União Européia

Por ocasião de nosso primeiro encontro, em janeiro de 1969, ainda antes que fosse eleito para a chefia da OLP, Yasser Arafat expressava-se com firmeza sobre o mesmo assunto. Sentado à mesa do embaixador da Argélia no Cairo, Lakhdar Brahimi2, o líder do Fatah explicava com entusiasmo como iria construir um “Estado unificado e democrático para a totalidade da Palestina” no qual “judeus, cristãos e muçulmanos seriam cidadãos iguais”. Não pronunciou a palavra laicidade, cujo conceito é desconhecido pelo Islã, mas a descrição que fez do futuro Estado não tinha nada a invejar de uma democracia de tipo ocidental. Dizia-se perfeitamente confiante na adesão da maioria dos israelenses a essa fórmula que lhes garantiria a paz e a segurança; elogiou, a esse respeito, os judeus sefarditas, majoritários em Israel, cuja cultura e mentalidade faziam deles os “irmãos gêmeos” dos árabes. Conhecia-os bem por ter convivido com eles no Egito, em sua juventude, e durante sua estada clandestina nos territórios ocupados depois da guerra dos Seis Dias...

Seguindo-o de perto, Salah Khalaf, conhecido por Abu Iyad e que se tornou o número dois da OLP, recorreu a uma parábola para indicar que a realização desse projeto era prematura: os palestinos, dizia ele, iam sacudir a macieira do Oriente Médio, fazendo com que caíssem todos os frutos podres, que ele comparou aos Estados árabes; somente em seguida, acrescentava ele com um sorriso malicioso, é que os palestinos poderiam colher a única maçã boa que sobraria na árvore, ou seja, Israel. Fez-se um silêncio prolongado em torno da mesa em que estavam vários embaixadores árabes. Nenhum deles respondeu à injúria; também nenhum deixou o local. A derrota árabe de junho de 1967 estava ainda muito próxima e o futuro, acreditava-se na época, pertencia aos “revolucionários palestinos”.

O impasse na Jordânia

Em 69, Arafat dizia que iria construir um Estado unificado e democrático para a totalidade da Palestina no qual judeus, cristãos e muçulmanos seriam cidadãos iguais

Os acontecimentos a partir do ano seguinte iriam dissipar os fantasmas dos dirigentes palestinos dos quais se conhecia o rancor persistente em relação aos regimes árabes que teriam traído sua causa desde as origens do conflito com o movimento sionista. O impasse com a Jordânia do rei Hussein em 1969-1970 terminou com o massacre dos feddayin (“setembro negro”), antes de sua expulsão definitiva do reino. Em Amã, as opiniões que Yasser Arafat nos apresentava, de uma rara brutalidade em relação ao círculo próximo ao monarca, poderiam fazer crer que o raís, bem como seus aliados da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), de Georges Habache, e da Frente Democrática para a Libertação da Palestina (FDLP), de Nayef Hawatmeh, procuravam derrubar a monarquia hachemita.

Algumas horas antes da ofensiva do exército jordaniano, Abu Iyad me comunicou num tom desesperado que temia o pior: “É certo”, dizia-me ele, “que sairemos vencidos desta prova...” Estava perfeitamente consciente do poderio do exército do rei Hussein, do apoio de que este se beneficiava por parte de Israel, dos Estados Unidos e do Reino Unido, enquanto a OLP não tomara nenhuma disposição quanto à segurança. Parecia criticar Yasser Arafat, que partilhava sua análise da correlação de forças, pelo fato de não ter sabido agir segundo suas convicções íntimas, sobretudo ao ceder ao rei Hussein as concessões que este último exigia3.

A guerra no Líbano

O raís, que se orgulhava de ser o comandante-em-chefe das forças da resistência unidas, tinha grande dificuldade em reconhecer uma derrota

Pouco depois do conflito armado, Yasser Arafat, que vivia na semi-clandestinidade em Amã, fez uma espécie de “autocrítica” sistemática. Admitiu, durante uma entrevista, que os feddayin tinham feito provocações, entregando-se, segundo seus termos, ao “exibicionismo revolucionário”, a “comportamentos inaceitáveis” em relação aos membros do exército jordaniano, sem esquecer os “seqüestros de aviões”, que condenava energicamente. No entanto, se olharmos mais de perto, sua crítica visava essencialmente às organizações rivais da sua, a FPLP e a FDLP, que na verdade pertenciam à mesma OLP da qual ele era o presidente e, portanto, teoricamente, o responsável supremo.

O raís, que se orgulhava de ser o comandante-em-chefe das forças da resistência unidas, tinha grande dificuldade em reconhecer uma derrota. Segundo ele, vencera o exército jordaniano em 1970 e o exército israelense por ocasião da invasão do Líbano em 1982. A respeito deste último confronto, dizia-me, não sem uma aparente convicção: “O senhor não acha que resistir heroicamente durante três meses a um dos exércitos mais poderosos do mundo é em si uma vitória retumbante?” A retirada dos feddayin do país do Cedro com armas e bagagens em 1982 não tinha outra motivação, segundo ele, a não ser a de pôr fim à matança da população civil pelo exército hebreu.

Sabra e Chatila

O que o perturbou e até o desestabilizou, foi o massacre, em 1982, de centenas de refugiados palestinos nos campos de Sabra e Chatila após sua partida de Beirute

O que o perturbou e até o desestabilizou, foi o massacre, em setembro de 1982, de centenas de refugiados palestinos nos campos de Sabra e Chatila que se seguiu a sua partida de Beirute. Ao conceder-me, pouco depois, uma entrevista em Damasco, onde tinha se refugiado provisoriamente, evocou a tragédia com os olhos cheios de lágrimas. Fora traído, lamentava-se ele, pelos Estados Unidos e pela França, que retiraram suas tropas prematuramente, embora se tivessem comprometido a proteger os palestinos do Líbano. Acusou nominalmente o general Ariel Sharon, então ministro da Defesa, de ter usado suas forças especiais e seus comandos na matança. Enfurecido, exclamou: “Begin e Sharon não são judeus; os crimes que eles cometeram não estão de acordo nem com a moral nem com a tradição judaica; os verdadeiros judeus são aqueles que se recusam a se associar ao empreendimento de aniquilação do povo palestino...” E concluiu: “A todos os pacifistas e democratas israelenses ou judeus, envio a estima e o reconhecimento do povo palestino que nunca esquecerá sua solidariedade na provação”. Arafat fazia alusão às centenas de milhares de israelenses que manifestaram sua solidariedade para com as vítimas de Sabra e Chatila, enquanto a “rua árabe” permaneceu paralisada. Também se sentia reconhecido a Pierre Mendès France, Nahum Goldmann e muitas outras personalidades judaicas da diáspora que expressaram sua desaprovação à ofensiva israelense contra o movimento palestino. Foi provavelmente nessa época que ele decidiu receber, em sua sede na Tunísia, representantes da sociedade civil israelense e batalhar pelo reconhecimento recíproco do Estado de Israel e da OLP, projeto que concretizou cerca de dez anos mais tarde, em Oslo.

Em Túnis, dirigiu-se mais de uma vez ao embaixador da França, que era eu, ou diretamente ou por intermédio de Abu Iyad, o número dois da OLP, para facilitar os contatos com personalidades judaicas ou israelenses, assim como com o governo de Jerusalém. Em 1985, no dia seguinte ao bombardeio pela aviação israelense do quartel-general da OLP – ao qual escapou por pouco – Yasser Arafat convidou-me para visitar seu minúsculo quarto de dormir atingido por um míssil do exército de Israel. Retirou de sua biblioteca a autobiografia do general Ezer Weizmann, uma “pomba” entre os “falcões” do partido nacionalista de Begin e futuro presidente do Estado de Israel, e me disse com um amplo sorriso: “É um homem que eu respeito e que gostaria muito de encontrar...”

Sabra e Chatila

O que o perturbou e até o desestabilizou, foi o massacre, em 1982, de centenas de refugiados palestinos nos campos de Sabra e Chatila após sua partida de Beirute

O que o perturbou e até o desestabilizou, foi o massacre, em setembro de 1982, de centenas de refugiados palestinos nos campos de Sabra e Chatila que se seguiu a sua partida de Beirute. Ao conceder-me, pouco depois, uma entrevista em Damasco, onde tinha se refugiado provisoriamente, evocou a tragédia com os olhos cheios de lágrimas. Fora traído, lamentava-se ele, pelos Estados Unidos e pela França, que retiraram suas tropas prematuramente, embora se tivessem comprometido a proteger os palestinos do Líbano. Acusou nominalmente o general Ariel Sharon, então ministro da Defesa, de ter usado suas forças especiais e seus comandos na matança. Enfurecido, exclamou: “Begin e Sharon não são judeus; os crimes que eles cometeram não estão de acordo nem com a moral nem com a tradição judaica; os verdadeiros judeus são aqueles que se recusam a se associar ao empreendimento de aniquilação do povo palestino...” E concluiu: “A todos os pacifistas e democratas israelenses ou judeus, envio a estima e o reconhecimento do povo palestino que nunca esquecerá sua solidariedade na provação”. Arafat fazia alusão às centenas de milhares de israelenses que manifestaram sua solidariedade para com as vítimas de Sabra e Chatila, enquanto a “rua árabe” permaneceu paralisada. Também se sentia reconhecido a Pierre Mendès France, Nahum Goldmann e muitas outras personalidades judaicas da diáspora que expressaram sua desaprovação à ofensiva israelense contra o movimento palestino. Foi provavelmente nessa época que ele decidiu receber, em sua sede na Tunísia, representantes da sociedade civil israelense e batalhar pelo reconhecimento recíproco do Estado de Israel e da OLP, projeto que concretizou cerca de dez anos mais tarde, em Oslo.

Em Túnis, dirigiu-se mais de uma vez ao embaixador da França, que era eu, ou diretamente ou por intermédio de Abu Iyad, o número dois da OLP, para facilitar os contatos com personalidades judaicas ou israelenses, assim como com o governo de Jerusalém. Em 1985, no dia seguinte ao bombardeio pela aviação israelense do quartel-general da OLP – ao qual escapou por pouco – Yasser Arafat convidou-me para visitar seu minúsculo quarto de dormir atingido por um míssil do exército de Israel. Retirou de sua biblioteca a autobiografia do general Ezer Weizmann, uma “pomba” entre os “falcões” do partido nacionalista de Begin e futuro presidente do Estado de Israel, e me disse com um amplo sorriso: “É um homem que eu respeito e que gostaria muito de encontrar...”

Críticas, mas culto inabalável

“A todos os pacifistas e democratas israelenses ou judeus, envio a estima e o reconhecimento do povo palestino que nunca esquecerá sua solidariedade”

François Mitterrand conseguiu estabelecer relações de confiança com Yasser Arafat bem antes da memorável visita deste último a Paris, em 1989. Pediu-lhe, por exemplo, no início de 1986 e por meu intermédio, que facilitasse a libertação dos reféns franceses detidos no Líbano por grupos islamitas ligados ao Irã. O governo francês acreditava que esses grupos estavam infiltrados por agentes da OLP. Satisfeito em poder prestar serviço, Arafat convocou, na minha presença, dois de seus colaboradores mais chegados para lhes pedir que fossem sem demora: um para Beirute, o outro para Teerã, para onde também eu deveria ir. Deu-lhes uma instrução prioritária: zelar para que os reféns permanecessem vivos e com saúde, enquanto se aguardava que as negociações visando à sua libertação – que eu deveria conduzir em Teerã – fossem concluídas.

Yasser Arafat cometeu cálculos equivocados e erros de opinião; seus defeitos, suas fraquezas, seus comportamentos ambíguos ou contraditórios são também inegáveis. Mas os palestinos, que não se omitiam de criticar severamente aquele que consideravam como um pai, perdoam-lhe tudo, votando-lhe um culto inabalável: durante meio século, ele conseguiu a proeza de resistir a inimigos temíveis, tanto na cena internacional – Israel, Estados Unidos e a maioria dos regimes árabes – quanto no interior de seu próprio movimento – os maximalistas que, também eles, nunca cessaram de erguer obstáculos no caminho que levava ao “compromisso histórico” que ele tanto desejava. Sonhava em tornar-se o Mandela palestino, o primeiro presidente da Palestina soberana, mesmo que fosse reduzida a sua mais simples expressão. A morte abateu-o no limiar de sua “Terra Prometida”.

(Trad.: Regina Salgado Campos)

1 - N.T.: Palavra árabe que significa “líder”.
2 - Que deveria tornar-se ministro das Relações Exteriores antes de efetuar missões no Afeganistão e no Iraque como representante especial do secretário geral das Nações Unidas.
3 - Tratava-se de limitar estritamente as atividades da resistência palestina na Jordânia.




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