Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Para entender o fascismo dos impotentes

» Previdência, o retrato de um país desigual — e cruel

» Quando os cientistas enfrentam o sistema

» Moro tenta escapulir em latim

» Dinheiro: o novo sonho de controle do Facebook

» Mulheres na política: uma nova onda a caminho

» Sertanejo, brasilidade e Nelson Pereira Santos

» A crise do Brexit e o capitalismo impotente

» Pilger: é hora de salvar o jornalismo

» Missão: extinguir o BNDES

Rede Social


Edição francesa


» Pauvre et femme : la double peine

» M. Sarkozy déjà couronné par les oligarques des médias ?

» La Cisjordanie, nouveau « Far Est » du capitalisme israélien

» Protester avec l'électrochoc de la musique

» Canicule, médias et énergies renouvelables

» Autopsie d'une canicule

» Quand la gauche renonçait au nom de l'Europe

» Un « New Deal » pour l'école

» La Chine bouscule l'ordre mondial

» L'affirmation homosexuelle


Edição em inglês


» US against Iran: war by other means

» How US climate deniers are working with far-right racists to hijack Brexit for Big Oil

» Confessions of a map-maker

» The Spaniards who liberated Paris

» Fighting for communication control

» June: the longer view

» Niger, a migration crossroads

» Niger, a migration crossroads

» Whatever happened to Bob Woodward?

» Europe in space


Edição portuguesa


» Edição de Junho de 2019

» As pertenças colectivas e as suas conquistas

» A arte da provocação

» 20 Anos | 20% desconto

» EUROPA: As CaUsas das Esquerdas

» Edição de Maio de 2019

» Os professores no muro europeu

» Chernobil mediático

» Edição de Abril de 2019

» A nossa informação, as vossas escolhas


CONSTITUIÇÃO EUROPÉIA

Que neutralidade é essa?

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

O discurso da neutralidade ideológica, assumido pelos defensores do “sim”, não resiste ao exame dos cânones liberais considerados como “liberdades fundamentais”

Bernard Cassen - (01/05/2005)

n em

O Tratado Constitucional Europeu (TCE) é ideologicamente “neutro”, afirmam os defensores do “sim”, sejam de esquerda ou de direita. Os primeiros normalmente citam passagens das partes I e II do tratado, em que abundam algumas palavras-chave da esquerda: dignidade humana, liberdade, democracia, estado de direito, tolerância, justiça, solidariedade, igualdade entre homens e mulheres, desenvolvimento durável, combate contra a exclusão social, nível elevado de emprego etc. Esses grandes princípios, certamente bem-vindos, no entanto não têm o menor caráter obrigatório. Na melhor das hipóteses, poderão ter um valor interpretativo para o Tribunal de Justiça da União Européia se ela for surpreendida por um conflito. E mais, nessas duas partes, são lembradas com insistência as normas superiores, que são a “concorrência livre e desimpedida” e as quatro liberdades “fundamentais” da circulação de bens, de serviços, de capitais e de pessoas. São dispositivos que têm efeito contra os outros princípios, objetivos e valores das mesmas partes.

Os princípios de dignidade humana, liberdade, democracia ou igualdade não têm caráter obrigatório no tratado

Os adeptos do “sim” liberal baseiam-se no concreto, penoso, passível de julgamento pela justiça, essencialmente na terceira parte do TCE. Nela, mais encantamentos: políticas precisas, já em vigor – figuram, segundo alguns, no Tratado de Roma de 1957 – e que não sofrem exceções. A lista é longa: liberalização dos serviços “além do que é necessário”, suspensão de subsídios públicos, restrições aos movimentos de capitais e de déficits orçamentários, livre-comércio sem restrições, autonomia do Banco Central, recusa a toda harmonização social ou fiscal etc. E, de maneira obcecada, lembrança do primado da concorrência e das quatro famosas liberdades “fundamentais”.

Soberania limitada

Tudo se passa como se o “sim de esquerda” se contentasse com o oculto e com as promessas das partes I e II do TCE, enquanto o “sim de direita” reserva e santifica constitucionalmente a presa da parte III... Na verdade, inédita hierarquia das normas, como a de um texto que coloca a concorrência, a economia e as finanças no posto de comando, enquanto a Constituição francesa, em seu primeiro artigo, dispõe que a República é “indivisível, laica, democrática e social”.

De tal maneira que se pode perguntar, em caso de ratificação do TCE, de que margem de manobra disporia um governo recentemente levado ao poder, por exemplo, em 2007 na França, que quisesse pôr em prática políticas de ruptura, mesmo que parcial, com cânones liberais a partir de então “constitucionalizados” em escala européia. O sufrágio universal não estaria na situação de “soberania limitada” em que se encontravam muitas “democracias populares” em relação à União Soviética, antes de ela se afundar?

(Trad.: Wanda Caldeira Brant)




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» França
» Plebiscitos e Referendos
» União Européia

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos