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GEOPOLÍTICA

Novas rotas para o petróleo

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O nordeste da Ásia concentra grandes riquezas em gás e petróleo e grandes querelas geopolíticas que envolvem China, Rússia e Japão. Por isso, grandes projetos de transporte dessas riquezas são determinantes

Rafael Kandiyoti - (01/05/2005)

Segundo consumidor mundial, a China deve encontrar com urgência fontes de provisão e vias de transporte alternativas

A economia russa baseia-se em suas exportações de petróleo bruto e de gás natural. Ora, o extraordinário dinamismo dos gigantes industriais da Ásia Oriental lhe dá a oportunidade ideal para valorizar esse potencial. Todavia, o contraste entre esse dinamismo e as vastas extensões virgens no leste da Sibéria central passa o sentimento de que a região é vulnerável. A China, muito próxima, dispõe de uma mão-de-obra superabundante e de importantes recursos. Para os russos, a situação é ao mesmo tempo de força e de fraqueza. Qual pode ser, então, sua estratégia em relação ao nordeste da Ásia?

Ao longo da última década, a China alcançou o Japão e a Coréia em relação à quantidade de petróleo bruto importado, do qual cerca da metade vem do Oriente Médio; no caso do Japão e da Coréia, a cifra se aproxima dos 80% - 85%. Esse petróleo transita em grande parte pelos canais de Ormuz e de Malaca, geralmente consideradas “zonas potenciais de conflito”. O aumento de problemas no Oriente Médio e a vulnerabilidade dos navios-petroleiros constituem, então, verdadeiras ameaças. Segundo consumidor mundial, a China deve encontrar com urgência fontes de provisão e vias de transporte alternativas, aliás, da mesma maneira que o Japão e a Coréia do Sul.

Recursos abundantes

No que diz respeito ao gás natural, muitas grandes cidades da região estão prestes a utilizá-lo, pois querem reduzir a poluição do ar. As importações de gás natural liquefeito (GNL) do Japão, da Coréia do Sul e de Taiwan já representam quase 80% do comércio mundial desse produto. O custo do GNL constituiu um freio para a China, que busca meios mais econômicos para aumentar suas provisões. Ora, a Sibéria vizinha e a ilha de Sakhaline possuem imensas reservas de hidrocarbonetos.

O subsolo da bacia de Irkoutsk, no planalto oriental da Sibéria central, guarda petróleo e gás em quantidades muito grandes – sem que se saiba ainda sua amplitude. As prospecções futuras deverão permitir um aumento considerável do volume das reservas mundiais. Enquanto isso, a grande refinaria próxima à capital, Angarsk, não longe de Irkoutsk, importa atualmente seu petróleo bruto da Sibéria... ocidental.

Muitas grandes cidades do nordeste da Ásia estão prestes a utilizar o gás natural, pois querem reduzir a poluição do ar

Os especialistas esperam também muitas reservas de hidrocarboneto da bacia de Yakoutsk, no nordeste, onde as explorações ainda não acabaram. A extração e o transporte do petróleo e do gás implicam a travessia de um território onde o gelo é permanente. Tecnicamente é possível, mas custa muito caro. O oleoduto que atravessa o Alasca em um terreno semelhante demandou um investimento considerável de 8 bilhões de dólares em 1975. Se lhe acrescentarmos as reservas estimadas da bacia de Krasnoyarsk, os recursos no leste da Sibéria central serão espantosos. Mas ainda se ignora o tempo e as somas de dinheiro necessários para que as explorações se concretizem em forma de produção.

O caminho pelo oleoduto

Em compensação, na ilha de Sakhaline, as coisas caminham rapidamente. Embora a maior parte das reservas terrestres já estejam esgotadas, vários projetos de exploração marinha do petróleo e do gás estão em curso, principalmente a nordeste da ilha1. Entre elas, Sakhaline-I: seus promotores planejam construir oleodutos que atravessarão a ilha de uma margem à outra para chegar em De-Kastri, porto petroleiro em terra siberiana, onde o petróleo bruto será leiloado para compradores provenientes do mundo inteiro2. Alguns planos para a utilização do gás de Sakhaline-I prevêem a venda por gasoduto para as duas Coréias e para o Japão. Mas, dado o isolamento político da Coréia do Norte, a realização desse plano, que passa pelas duas metades da península coreana, não parece concebível em um futuro próximo.

O projeto Sakhaline-II foi colocado sob a égide de um consórcio multinacional dirigido pela Shell (55%) e que compreende várias empresas japonesas. Uma primeira fase, iniciada em 1999, permitiu produzir uma média de 70 mil barris por dia e render mais de um bilhão de dólares por ano. A fase seguinte, em preparação, exige um investimento de mais de 10 bilhões de dólares – o que faz desse projeto o mais importante investimento estrangeiro atualmente em curso na Federação russa. O gás e o petróleo deverão ser enviados por oleodutos até a extremidade sul de Sakhaline, onde dois portos estão em construção em Prigorodnoye, um para o petróleo e outro para o GNL.

Onde existe sistema de oleodutos, é raro se utilizar a rodovia ou a ferrovia, pois esse tipo de transporte tem custo muito alto

Onde existe um sistema de oleodutos, é raro se utilizar a rodovia ou a ferrovia, pois, para um percurso de 4 mil km, o transporte por ferrovia envolve um custo de 1,50 a 2 dólares a mais por barril de petróleo, de acordo com cálculos realizados em 19933. Na falta de oleodutos, a Rússia confirmou recentemente sua vontade de aumentar o volume de petróleo do oeste siberiano exportado para a China por ferrovia, que deverá atingir 15 milhões de tonéis em 2006, mas o custo cresce.

Duelo de gigantes

Os analistas ocidentais tendem a pensar que os russos não querem realmente vender a energia por um bom preço aos chineses. Certamente, os dois gigantes recentemente resolveram suas querelas de fronteiras, mas a China emerge ao mesmo tempo rapidamente como rival política e como concorrente industrial e econômica. Com sua voracidade energética, em 2003 ela já tinha importado do Casaquistão cerca de 1 milhão de tonéis de petróleo por ferrovia. Mas, além dessa forma de transporte ter capacidade limitada, seu custo suplementar inevitavelmente repercute em cadeia nas indústrias energética e química.

Muito preocupados com essa questão, os chineses assinaram um contrato com o grupo Youkos para a construção de um oleoduto de 2.400 entre Angarsk e Daqing, que deveria ser alimentado pelos campos da Sibéria ocidental. Mas em 2004, quando os trabalhos seriam iniciados, o governo russo combateu o grupo petroleiro para destruir um centro de poder nascente e, ao mesmo tempo, para retomar o controle de um recurso privatizado durante os anos de pilhagem que caracterizaram o reino de Boris Yeltsin. Essa atitude situa-se no sentido da estratégia de Vladimir Putin, que consiste em fazer coincidir os objetivos dos grandes conglomerados privados com os do Estado russo.

Outro fator importante comprometeu o projeto Angarsk-Daqing: os japoneses propuseram com insistência um oleoduto mais caro, mas capaz de transportar 1 milhão de barris por dia em uma distância maior (3.800 km), contornando o território chinês para chegar a Nakhodka, perto de Vladivostok. Eles ofereceram também empréstimos de um montante de 5 bilhões de dólares (sendo o custo do oleoduto estimado entre 8 e 10 bilhões de dólares). As instalações portuárias de Nakhodka permitiriam aos navios-petroleiros de todas as nações participarem dos leilões organizados por ocasião da venda do petróleo siberiano, procedimento muito lucrativo em época de penúria.

Novo destino para o petróleo russo

A China emerge ao mesmo tempo rapidamente como rival política e como concorrente industrial e econômica da Rússia

Atualmente, a Rússia depende 80% do mercado europeu para suas vendas do ouro negro. Os acontecimentos recentes na Ucrânia e na Bielorússia, que distanciam essas duas Repúblicas da Rússia, da mesma maneira que a expansão da OTAN rumo ao leste força os dirigentes russos a diversificarem suas vendas. Conseqüentemente, seu interesse em um projeto que consiste em ligar os campos petrolíferos da Sibéria ocidental aos portos do Mar Barents. Não só essa rota subpolar é mais curta que os dois projetos de oleodutos no leste siberiano, como a distância entre Mourmansk e os terminais petroleiros de Houston, nos Estados Unidos, é quase 50% menor do que a que separa esse porto texano do Golfo Pérsico. Portanto, esse projeto está em harmonia com o diálogo russo-americano sobre a energia. Aliás, a idéia tinha sido lançada em 2000-2001 por um consórcio privado presidido por Mikhail Khodorkovsky, patrão de Youkos, hoje preso.

A “decisão a priori” de construir o oleoduto transversal Taishet-Skovorodino-Perevoznaya até o Pacífico foi anunciada por Moscou no final de dezembro de 2004. Todavia, os japoneses ainda não se beneficiaram de sua vitória. E como as negociações russo-japonesas tiveram lento progresso, as autoridades moscovitas a partir de então dão a entender que poderiam construir um desvio a partir da linha principal a fim de servir Daqing. Skovorodino fica apenas a 50 km da fronteira chinesa – uma distância suficientemente curta para obrigar os negociadores japoneses a ficarem atentos.

Resta determinar de onde virá o petróleo. Pois, se a capacidade potencial do leste da Sibéria central pode se revelar imensa, os recursos atualmente disponíveis não parecem imediatamente suficientes para aprovisionar ao mesmo tempo o oleoduto de Nakhodka e o desvio para Daqing. Só a parte principal, de Taishet a Nakhodka, exigirá a extração anual de 30 milhões de tonéis do solo da Sibéria ocidental, quantidade que supostamente será tirada das exportações para a Europa.

Gás japonês

Os russos admitem que seu nível atual de produção não seria suficiente para transmitir 80 milhões de tonéis para o Japão e o desvio de Daqing4. Para isso, seria preciso desenvolver novos recursos no leste da Sibéria central. No momento, estima-se o déficit previsto entre 20 e 50 milhões de tonéis de petróleo para alimentar ao mesmo tempo o Japão e a China. É evidente que muito vai depender da sincronização entre o desenvolvimento dos campos petrolíferos e a construção do oleoduto.

O nordeste da Ásia consome proporcionalmente menos gás natural que a América do Norte ou a Europa, por problemas de aprovisionamento

As discussões em torno do oleoduto de Nakhodka complicam-se pelo fato de jamais haver tratado de paz entre a Rússia e o Japão. A Rússia conservou as quatro ilhas mais meridionais do arquipélago de Kouriles, que as tropas soviéticas conquistaram no fim da II Guerra Mundial. Em seguida, em suas negociações com os soviéticos, depois com os russos, os japoneses se mostraram mais ou menos flexíveis de acordo com o período, mas jamais esqueceram a “questão dos territórios do Norte” 5 . A compra do gás de Sakhaline pela cidade de Tóquio é um exemplo dessa flexibilidade, e foi seguida por vários outros acordos de compra de GNL feitos pelo Japão.

Cabe notar que o nordeste da Ásia consome proporcionalmente menos gás natural que a América do Norte ou a Europa, fundamentalmente por problemas de aprovisionamento. Honshû, principal ilha do Japão, não dispõe de uma rede completa de gasodutos, devido a regras de segurança muito estritas e ao preço elevado dos terrenos: o custo do “direito de passagem” torna proibitiva a construção de um novo gasoduto. Assim, as importações japonesas de GNL alimentam sobretudo as centrais elétricas. Em maio de 2003, a cidade de Tóquio concluiu um acordo no âmbito de Sakhaline-II concernente a cerca de 1,1 milhão de tonéis por ano. Várias outras empresas com base no Japão e nos Estados Unidos também assinaram contratos para a compra do GNL produzido por Sakhaline-II6.

Alternativa não-poluente

Ao contrário do Japão, a Coréia do Sul possui uma rede de gasodutos muito desenvolvida destinada ao uso doméstico. Tecnicamente, o gás proveniente de Sakhaline-II por mar e desembarcado em De-Kastri poderia muito bem ser transportado ao longo da costa e através da Coréia do Norte até o sul. Mas as dificuldades atuais que a opõem a seu vizinho obrigam a Coréia do Sul a pensar na construção de um gasoduto submarino desde a China. Estima-se que essa solução, que consiste em fazer o gás siberiano ser transportado por oleoduto através da China custaria 25% menos que as importações atuais de GNL.

Todas as grandes cidades chinesas têm necessidade urgente de gás natural de modo a reduzir a poluição. Como a Índia, a China gostaria de importar gás natural desde que os preços sejam razoáveis. Também como a Índia, ela não investiu em instalações caras para armazenar o GNL. No entanto, na Índia, vários grandes grupos multinacionais iniciaram a construção de usinas de regaseificação.

Se os preços permitissem, o distrito de Xangai e a zona urbana Tianjin-Pequim teriam sido candidatos naturais a um aprovisionamento de GNL. Mas o governo chinês impôs um preço relativamente baixo para o gás natural que transita por um gasoduto interno do oeste até Xangai, o que parece ter incitado várias multinacionais a interromper seus investimentos nos gasodutos e a congelar projetos de regaseificação na província de Zhejiang.

Impedimentos geopolíticos

Tudo que lembra um acordo entre russos e mongóis só pode ser visto por Pequim com um olhar de suspeita

A China pretende também ativamente a construção de um gasoduto para transportar uns 30 bilhões de metros cúbicos por ano, dos campos de gás de Kovykta (oblast de Irkoutskaya) para o nordeste da China. Outra rota mais longa, de 1.500 km, poderia passar pelo território da República da Mongólia. Um percurso tecnicamente confiável e claramente mais barato. Mas, em 1998, negociações entre russos, mongóis, chineses, coreanos e japoneses fracassaram. Os russos tinham oferecido vender uma parte de seu gás para a Mongólia, que tentava desesperadamente um meio de despoluir o ar de Oulan-Bator. Mas tudo que lembra um acordo entre russos e mongóis só pode ser visto por Pequim com um olhar de suspeita, pois repugna admitir benefícios a um país que tende a considerar a mais setentrional de suas províncias.

A visita de Putin a China, em outubro de 2004, não levou a nenhum acordo sobre as questões de oleodutos. Negociações posteriores entre a China e o Casaquistão objetivaram aumentar as provisões chinesas de petróleo bruto e de gás. Embora inacabada, a contrução de um oleoduto continua, e a seção Atyrau-Kenkiyak já funciona. A que vai ligar Kenkiyak a Atsu está em via de concepção e um contrato de 700 milhões de dólares foi assinado para os 1.240 km que separam Atasu de Alashankou.

A partir dali, o petróleo será conduzido por trem até três refinarias da região de XinJiang. Dez milhões de tonéis de petróleo bruto passarão anualmente por esse oleoduto e, com o tempo, sua capacidade será dobrada. Essas importações são consideradas politicamente importantes para o desenvolvimento econômico da província de Xinjiang, situada no extremo ocidente da China e potencialmente rebelde. Além disso, chineses e casaquistaneses também estão planejando a possível construção de um gasoduto entre o Casaquistão ocidental e a província chinesa de Xinjiang. Naturalmente, as duas partes estão preocupadas com o custo considerável do empreendimento, mas parece que o projeto está sendo pensado no âmbito de uma estratégia reservada a um prazo mais longo.

(Trad.: Wanda Caldeira Brant)

1 - Strategic Geography, vol. XXI, 2003/2004.
2 - As reservas exploráveis são estimadas em 2,3 bilhões de barris de petróleo e em 485 bilhões de metros cúbicos de gás.
3 - J. L. Kennedy, Oil & Gas Pipeline Fundamentals, 2ª edição, Pennwell, Tulsa, Oklahoma, 1993, p. 2.
4 - Prime.Tass.com; October 15, 2004; 11:43 hora de Moscou.
5 - Ver, de A. Miyamoto, em Natural Gas in Asia (I. Wybrew-Bond & J. Stern, Eds) Oxford University Press, 2002, p. 106-187.
6 - Ver en.rian.ru/rian/index.cfm?prd_id=159&msg_id=5083762&startrow=1&find=Sakhalin




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