Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Bolívia: não despreze a resistência

» O adereço de Guedes e o sentido do governo

» O Chile Rebelde quer ir além

» É possível pensar o Brasil após o neoliberalismo?

» América Latina: Povo sem pernas, mas que caminha

» Cinema: Entre a cruz e o maracatu rural

» Atingida por barragem e acossada pelos poderosos

» Como o Google favorece a manipulação política

» Por um novo Pacto das Catacumbas

» Chantagem do governo aos desempregados

Rede Social


Edição francesa


» La Chine au miroir de l'Occident

» « Choc des civilisations », à l'origine d'un concept

» Les Allemands de l'Est saisis par l'Ostalgie

» A Berlin, le face-à-face des intellectuels de l'Est et de l'Ouest

» Réveil politique à l'Est

» Les Allemands de l'Est, sinistrés de l'unification

» Le difficile chemin de la démocratie espagnole

» Il y a cent cinquante ans, la révolte des cipayes

» Hôpital entreprise contre hôpital public

» Dernières nouvelles de l'Utopie


Edição em inglês


» The fall of liberal triumphalism

» Sarah Seo on Americans, their cars and the law

» November: the longer view

» Ibrahim Warde on the rise and fall of Abraaj

» Fighting ISIS: why soft power still matters

» Life as a company troll

» The imperial magazine

» Setting Socrates against Confucius

» Price of freedom on the road

» Global business of bytes


Edição portuguesa


» Golpe de Estado contra Evo Morales

» Será que a esquerda boliviana produziu os seus coveiros?

» A era dos golpes de Estado discretos

» Pequeno manual de desestabilização na Bolívia

» No Brasil, os segredos de um golpe de Estado judiciário

» Edição de Novembro de 2019

» Sempre uma coisa defronte da outra

» OTAN: até quando?

» Alojamento local-global: especulação imobiliária e desalojamento

» Rumo a uma governança participativa da vida nocturna de Lisboa


URSS

O peso das palavras

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

Com a "reforma" de Gorbatchev, a torrente de palavras não se deteve mais, desfazendo velhos referenciais

Jean-Marie Chauvier - (01/06/2005)

A História nos ensina que, já no tempo dos czares, “glasnost” tinha o sentido de conceder ao bom povo o direito (limitado) de se expressar

Na URSS, não havia nada mais sério que chegar às “palavras”. Os discursos ainda não formavam “mercado”, não haviam passado pelo liquidificador do relativismo pós-moderno, mas, como nas sociedades tradicionais, constituíam uma ordem simbólica onde as convenções, os rituais nada tinham de fortuito. O Politburo, a mais alta instância do país, não chegava ao ponto de debater gravemente o lançamento de um filme, de uma coletânea de poesia, de um romance que fossem suscetíveis de educar o povo ou de desviá-lo da verdade exata? Os “nomenklaturistas”, que ocupavam altos cargos, não estavam à espreita das músicas de um Vladimir Vyssotski ou das rádios ocidentais?

Depois disso, é um equívoco pensar que as “palavras importantes” ditas por Mikhail Gorbatchev desde 1984-1985 eram apenas palavras. Até então, o discurso oficial admitia que o sistema podia passar por “aperfeiçoamentos”. Mas o termo “reforma” continuava sendo um tabu. Quando surgiu a “perestroika”, a polivalência da palavra permite traduções diversas: simples “reestruturação” ou profunda “refacção”? Gorbatchev acrescenta: “De toda a vida econômica, social, cultural”. E a “glasnost”? A etimologia lembra “glas” (a voz) e o verbo “glatit” (tornar público). Então se poderia dizer “publicidade” ou “transparência”.

Terremoto discursivo

Em fevereiro-março de 1986, Gorbatchev ousa, finalmente, anunciar uma “reforma radical”. Decidiu-se e assumiu as conseqüências de sua decisão

Mas a História nos ensina que, já no tempo dos czares, “glasnost” tinha o sentido de conceder ao bom povo o direito (limitado) de se expressar. É o que se passa em 1985. Talvez se diga “a permissão de falar”? Porém, progressivamente, a expressão das queixas e das idéias não espera mais permissão. Pode-se, então, traduzir por “tomada da palavra”. E, mais tarde, por “liberdade de expressão”.

No XXVII Congresso do PCUS, em fevereiro-março de 1986, Gorbatchev ousa, finalmente, anunciar uma “reforma radical”. Decidiu-se e assumiu as conseqüências de sua decisão. É o absoluto crime do lesa-ortodoxia. Estimulado, o reformador chegaria a dizer: “revolução”. Então é o chefe do país que anuncia a “revolução”? Parece um sonho. Um jornalista ocidental não poderia senão dar pouca atenção a isso. Mas, para os funcionários soviéticos, era um terremoto. E a população, que aprendeu a decodificar o discurso, começa a compreender: realmente está acontecendo alguma coisa nas altas esferas. A torrente de palavras não se deterá mais, nem sua cascata de afastamentos semânticos, desfazendo os velhos referenciais. Assim, a “esquerda” democrata ieltisiniana se reencarnaria mais tarde na “União das forças de direita”.

(Trad.: Iraci D. Poleti)




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Rússia
» Balanços do “Socialismo Real”
» Ex-URSS

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos