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MEMÓRIA

O corpo de Che

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Pela primeira vez, 38 anos depois, o relato da chegada do corpo do revolucionário recém assassinado pelo exército boliviano, sob orientações de oficiais norte-americanos e de agentes da CIA, antes de sua apresentação para a mídia internacional

Richard Gott - (01/08/2005)

Decidi ir à Bolívia para conferir se esse país era realmente propício a uma nova guerra do Vietnam. Raras eram as notícias sobre a guerrilha na Bolívia divulgadas internacionalmente

Em 1967, há praticamente 40 anos, eu morava em Santiago do Chile, onde trabalhava na Universidade e ao mesmo tempo escrevia para o jornal londrino The Guardian. Em janeiro daquele ano, soube por amigos da esquerda chilena que Che Guevara estava na Bolívia; em março, deu-se a primeira manifestação da guerrilha. Desde abril, uma brigada de jornalistas desembarcara no acampamento de Ñancahuazú, próximo à cidade petroleira de Camiri. Pouco tempo depois, um pequeno grupo – do qual fazia parte Regis Debray – saiu do acampamento, foi preso e levado para Camiri. No mesmo período, em Havana, foram publicados os últimos escritos de Che, sob a forma de coletânea, intitulada Crear dos, tres... muchos Vietnam, um apelo à luta dirigido à esquerda internacional.

Decidi ir à Bolívia para conferir se esse país era realmente propício a uma nova guerra do Vietnam. Raras eram as notícias sobre a guerrilha na Bolívia divulgadas internacionalmente. Então, em agosto, peguei o trem transandino que saía do porto chileno de Antofagasta para La Paz, sede do governo boliviano1,

Na época, o país se encontrava sob a ditadura militar do general René Barrientos, oficial da Força Aérea, que tinha subido ao poder dois anos antes. Com o surgimento das guerrilhas, a Bolívia foi submetida à lei marcial. A saída das cidades era controlada por barreiras militares.

Tomei todas as precauções necessárias: cheguei de trem para evitar os aeroportos que estavam sob alta vigilância, e tirei a barba, pois todo barbudo era logo suspeito. Minha idéia era viajar pelo país como um turista qualquer, sem me registrar como correspondente estrangeiro, mas isso foi difícil; era impossível sair das cidades sem autorização por escrito do comandante-em-chefe, general Alfredo Ovando que, em seguida, se tornou presidente.

Em busca da fase pré-revolucionária

Resignei-me a me registrar em La Paz, em companhia de outros jornalistas estrangeiros, entre eles um amigo de Londres que trabalhava no Times. Um dia, ele me disse que acontecia algo curioso com um jornalista da Dinamarca. O dinamarquês passava diariamente duas horas no telex enviando para a Dinamarca todas as informações que juntava da imprensa boliviana. “O interesse dinamarquês pelas questões bolivianas é tão grande assim?”, perguntava intrigado meu amigo. Também fiquei surpreso até o momento em que descobri, por acaso, que o dinamarquês era um célebre correspondente de esquerda, que enviava notícias para a agência Prensa Latina de Havana, via Dinamarca!

As minas de Oruro, Siglo Veinte y Potosí tinham as entradas guardadas por soldados armados. Obviamente, os dirigentes sindicais estavam presos e os mineiros tinham muito medo de falar

Viajei então durante várias semanas pelo país para averiguar a situação, e observar se a Bolívia estava realmente vivendo em plena fase pré-revolucionária; visitei as minas de Oruro, Siglo Veinte y Potosí – todas sob controle militar – que tinham as entradas guardadas por soldados armados com fuzis. Obviamente, os dirigentes sindicais estavam todos presos e os mineiros tinham muito medo de falar.

Tentei averiguar também qual era a situação agrária. A Bolívia tinha passado por uma revolução 15 anos antes, em 1953; uma reforma agrária se estendera a todo o país, mas os camponeses não estavam contentes. Viajei com uma equipe de especialistas em agricultura das Nações Unidas, percorrendo o Altiplano, descendo até Tarija, onde descobrimos que muitos camponeses faziam queixas, argumentando que diversos proprietários de terras tinham retomado posse das terras.

O cerco a Che

Voltei a La Paz para ter uma conversa com o embaixador dos Estados Unidos, um tal de Douglas Henderson. Ele tinha lido, na revista Tricontinental, a famosa carta de Che que falava da necessidade de criar outros Vietnam e me disse que os Estados Unidos ajudava o exército boliviano, enviando-lhes instrutores, mas que na realidade, ao contrário do Vietnam, não havia a menor possibilidade de enviarem tropas norte-americanas para a Bolívia.

No final de agosto, cheguei a Camiri e encontrei Regis Debray, preso em um cômodo do círculo militar. Conversei também com os oficiais da 4ª Divisão do Exército; eles me disseram que a guerrilha de Che já havia se deslocado para o norte, para o oeste da estrada que leva a Santa Cruz – capital do leste da Bolívia. Para saber o que se passava realmente, deveria ir a Vallegrande, principal base das forças antiguerrilheiras da 8ª Divisão.

Em setembro, fui para Vallegrande e pedi para falar com o responsável pelo acampamento, coronel Joaquín Zenteno Anaya – assassinado anos depois na Europa. Ele me disse que o grupo de Che estava em uma zona bem restrita e que seria muito difícil o comandante guerrilheiro e seus homens escaparem. Contou-me como os militares haviam cercado as forças de Che, deixando-lhes uma única possibilidade de fugirem. O exército tinha enviado ao local soldados disfarçados de camponeses, que dariam o alarme logo que os fugitivos passassem por aquele lugar. As declarações dos habitantes de um lugarejo visitado pelos guerrilheiros uns dias antes, assim como de dois guerrilheiros capturados que entrevistei, não deixaram a menor dúvida sobre a identidade do chefe desse grupo cercado; tratava-se exatamente de Che Guevara. “Daqui a poucas semanas, haverá novidade”, garantiu-me o coronel Zenteno.

As “forças especiais” dos EUA

A Bolívia tinha passado por uma revolução 15 anos antes, em 1953; uma reforma agrária se estendera a todo o país, mas diversos proprietários tinham retomado posse das terras

Peguei a estrada de Santa Cruz e fui ao acampamento militar La Esperanza, onde se encontravam as “Forças especiais” dos Estados Unidos. Cerca de vinte especialistas norte-americanos escondiam-se em uma fábrica de açúcar abandonada, munidos de todos os meios de rádio existentes para se comunicarem com Vallegrande e com a zona de guerrilha, inclusive com o Comando Sul2 dos norte-americanos no Panamá – na zona do Canal, na época, propriedade do Pentágono. Fui recebido pelo major Roberto “Pappy” Shelton, que me contou que 600 Rangers – tropas especiais do exécito boliviano treinadas por instrutores norte-americanos – acabavam de concluir sua formação e partiam para a região de Vallegrande.

Uma noite de domingo, 9 de outubro de 1967, passeava com um amigo na praça principal de Santa Cruz, quando um homem nos acenou para nos juntarmos à sua mesa, na varanda de um café. Era um dos militares norte-americanos que tínhamos encontrado no acampamento de La Esperanza. “Tenho notícias para vocês”, ele nos disse. “De Che?” perguntamos, preocupados havia várias semanas com sua possível prisão. “Che foi capturado”, nos respondeu nosso informante. “Foi gravemente ferido. É possível que não passe desta noite. Os demais guerrilheiros lutam ardorosamente para recuperá-lo; e o comandante da companhia solicitou por rádio um helicóptero para tirá-lo dali. O comandante estava tão agitado, que era difícil compreendê-lo. Conseguimos ouvir apenas: ‘Temos um, temos um!’”

Nosso informante nos sugeriu alugar um helicóptero para irmos imediatamente para a zona da guerrilha. Ele não sabia se Che ainda estava vivo, mas pensava que havia muito pouca chance de que ele sobrevivesse ainda por muito tempo. Não tínhamos dinheiro para alugar um helicóptero, supondo que houvesse um disponível. Eram oito e meia da noite e estava escuro; de qualquer maneira, voar naquela hora era impossível. Alugamos, então, um jipe e saímos às quatro horas da manhã, na madrugada de 9 de outubro, para Vallegrande.

Agente da CIA

No final de uma viagem de cinco horas e meia, lá chegamos. Os militares não nos deixaram ir mais longe até La Higuera. Fomos direto para o campo de aviação, uma pista relativamente primitiva. Diríamos que metade do povoado estava reunido naquele lugar à espera, sem esquecer os estudantes de uniformes brancos e os fotógrafos amadores. Os habitantes de Vallegrande estavam habituados às idas e vindas dos militares.

Com a ajuda de uma teleobjetiva, fotografamos um homem de uniforme verde-oliva, sem insígnias militares, identificado como agente da CIA

Nessa multidão, as mais excitadas eram as crianças. Apontavam com o dedo o horizonte brincando e saltando. Poucos minutos depois, surgiu um pequeno ponto no céu e tomou rapidamente a forma de um helicóptero que carregava, no trem de pouso, os corpos de dois soldados mortos. Eles foram desamarrados e postos sem muito cuidado em um caminhão para serem transportados para o povoado.

Enquanto a multidão se dispersava, continuamos a fotografar as caixas de napalm fornecidas pelo exército brasileiro espalhadas em torno da pista de aterrissagem. Com a ajuda de uma teleobjetiva, fotografamos um homem de uniforme verde-oliva, sem insígnias militares, identificado como agente da CIA. Essa audácia de jornalistas estrangeiros – fomos os primeiros a chegar em Vallegrande, 24 horas antes de todos os outros – foi mal recebida, e o agente da CIA, apoiado por alguns oficiais bolivianos, tentou nos expulsar do povoado. Mas tínhamos credenciais suficientes para comprovar que efetivamente éramos jornalistas. De modo que, após violentas discussões, permitiram-nos ficar.

O anúncio da morte

O único e solitário helicóptero voou em seguida para a zona de combate, a uns trinta quilômetros em direção ao sudeste, levando a bordo o coronel Zenteno. Pouco depois da uma hora da tarde, voltou triunfante, chegando simplesmente a dissimular um grande sorriso de satisfação. Anunciou que Che havia morrido. Tinha visto seu cadáver e não tinha a menor dúvida. Não tínhamos o menor motivo para não acreditar nele e corremos para o pequeno escritório do telégrafo para enviar, pelas mãos de um empregado inquieto e incrédulo, nossas mensagens para o mundo inteiro. Nenhum de nós estava realmente certo de que elas chegariam a seu destino, mas não tínhamos escolha. Elas jamais chegaram.

Quatro horas depois, exatamente às 17 horas, o helicóptero voltou trazendo, desta vez, um único corpo amarrado no trem de pouso externo. Em vez de pousar onde estávamos, como havia feito antes, o helicóptero aterrissou no meio da pista, longe do olhar curioso dos jornalistas. Proibiram-nos atravessar o cordão dos soldados. Mas muito rapidamente, ao longe, o cadáver foi posto em um furgão Chevrolet, que começou a correr pela pista para logo se distanciar.

Pulamos para dentro de nosso jipe, que não estava longe; e nosso chofer começou a seguir o furgão como um louco. Mais ou menos um quilômetro depois, no povoado, o Chevrolet fez subitamente uma curva, e o vimos entrar nos terrenos do hospital. Soldados tentaram fechar os portões para nos impedir de passar, mas estávamos tão perto do furgão que conseguimos entrar.

O corpo

Parecia vivo. Seus olhos estavam abertos e brilhantes; quando tiraram seu braço do casaco, o fizeram sem dificuldade alguma. Acho que tinha morrido poucas horas antes

O Chevrolet subiu por uma escarpa abrupta e, em seguida, dando marcha à ré, seguiu em direção a um pequeno abrigo com teto de bambu, que tinha um lado totalmente aberto às intempéries. Saltamos do jipe e chegamos à porta lateral do furgão antes que fosse aberta. Quando finalmente o foi com violência, o agente da CIA surgiu vociferando de maneira insólita: “All right, let’s get the hell out of here”. (“Tudo bem, vamos sair daqui rapidamente”). Pobre homem, ele não sabia que um jornalista inglês estava atrás da porta.

Dentro do furgão, sobre uma maca, jazia o corpo de Che. Desde o primeiro momento, tive certeza de que era ele. Tive a oportunidade de encontrá-lo quatro anos antes em Havana; e não era alguém fácil de ser esquecido. Sem dúvida, era Ernesto Che Guevara. Quando tiraram o corpo para colocá-lo em uma mesa improvisada dentro do abrigo, que outrora deve ter servido para lavar a roupa, tive certeza de que o revolucionário Guevara estava morto.

A forma da barba, os traços do rosto, sua longa e abundante cabeleira eram inconfundíveis. Ele usava um uniforme militar verde-oliva e um casaco com zíper, meias soquetes verde claro e mocassins que pareciam de fabricação artesanal. Como estava inteiramente vestido, era difícil determinar onde tinha sido ferido. Tinha dois orifícios visíveis na base do pescoço; mais tarde, quando limparam seu corpo, percebi um ferimento no ventre. Certamente, tinha ferimentos nas pernas e perto do coração, mas não consegui vê-los.

”Missão cumprida”

Os dois médicos do hospital perscrutavam os ferimentos do pescoço; no início, tive a impressão de que procuravam um projétil, mas simplesmente preparavam o corpo para receber o tubo pelo qual iam injetar formol para conservar o cadáver. Um dos médicos começou a lavar as mãos ensangüentadas do guerrilheiro morto. Fora esses detalhes, nada do corpo suscitava a menor repugnância. Parecia vivo. Seus olhos estavam abertos e brilhantes; quando tiraram seu braço do casaco, o fizeram sem dificuldade alguma. Acho que tinha morrido poucas horas antes. Naquele momento não imaginei que pudessem tê-lo matado após sua captura. Todos nós pensamos que tinha morrido por causa de seus ferimentos e por não ter tido assistência médica durante as primeiras horas daquela manhã de segunda-feira.

As pessoas que estavam em volta do corpo revelavam-se bem mais repugnantes que o cadáver: uma freira não podia esconder seu sorriso e chegou a rir ostensivamente

As pessoas que estavam em volta do corpo revelavam-se bem mais repugnantes que o cadáver: uma freira não podia esconder seu sorriso e chegou a rir ostensivamente; os oficiais chegaram, munidos de caras máquinas fotográficas para imortalizar a cena; e, naturalmente, o agente da CIA também estava lá, monopolizando a responsabilidade de todas as operações e ficava furioso cada vez que alguém ousava virar sua máquina fotográfica para ele. “De onde você vem?”, perguntamos a ele em inglês, acrescentando em tom de brincadeira: “De Cuba?” “De Porto Rico?”. Mas não estava para brincadeiras e respondeu secamente: “From nowhere” (de lugar nenhum).

Nós lhe perguntamos novamente mais tarde, mas desta vez ele nos respondeu em espanhol: “¿Qué dice?” com ar de desentendido. Era um homem baixo e robusto, de mais ou menos 35 anos, com olhos fundos e pequenos. É difícil dizer se era norte-americano ou exilado cubano, pois falava inglês tão bem quanto espanhol, sem nenhum sotaque. Ele se chamava Gustavo Villoldo (usava o codinome Eduardo González) e morava em Miami. Eu o mencionei em meu artigo para o The Guardian de Londres, um ano antes de a imprensa norte-americana se referir a ele.

Depois de uma hora e meia nos retiramos para voltar a Santa Cruz, escrever e enviar as notícias. Já era noite e chegamos na madrugada da terça dia 10 de outubro. Nenhum escritório era suficientemente equipado. Peguei então o avião para La Paz, de onde enviei minha versão sobre a morte de Che. Ela foi publicada na primeira página do The Guardian, dia 11 de outubro. No avião, encontrei com o major “Pappy” Shelton, que me disse com satisfação: “Missão cumprida!”

(Trad.: Wanda Caldeira Brant)

1 - A capital constitucional da Bolívia é a cidade de Sucre, fundada em 1538 por Pedro Anzúrez de Campo Redondo.




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