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CINEMA

Hollywood na era da produção globalizada

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Os Estados Unidos edificaram a mais poderosa das indústrias cinematográficas porque Hollywood sempre soube se adaptar aos modelos de produção dominantes. Hoje, ao adotar as receitas da globalização, a fábrica dos sonhos embarca na uniformização e nivela sua produção por baixo

Harvey B. Feigenbaum - (01/09/2005)

Se o cinema se desenvolve na Europa, primeiramente, como uma curiosidade e, depois, um pouco como uma arte, nos EUA orienta-se desde o início rumo ao consumo de massa

É por volta de 1914 que os estúdios de produção cinematográfica são construídos em Hollywood, na periferia de Los Angeles, Califórnia. Os pioneiros do cinema deixam a costa ocidental a fim de encontrar um clima mais propício às filmagens, assim como também paisagens mais variadas e, principalmente, para escapar do domínio do Truste de Thomas Edison que praticamente exerce o monopólio sobre a região de Nova York. A maioria dos estúdios é fundada por investidores judeus, inspirados nas receitas do pequeno comércio e visando desenvolver um setor voltado, acima de tudo, para uma clientela pobre e imigrante. Se o cinema se desenvolve na Europa, primeiramente, como uma curiosidade e, em seguida, um pouco como uma arte, nos Estados Unidos orienta-se desde o início rumo ao consumo de massa. Em um país que acolhe uma sucessão de ondas migratórias cujos habitantes são pouco instruídos e falam uma infinidade de línguas, o cinema mudo vai se tornar, nas cidades, rapidamente, a forma mais popular de entretenimento.

Os espectadores dos primeiros tempos estão dispostos a ver tudo e qualquer coisa, ficando praticamente impossível atender à demanda; os filmes se vendem por metro, como os rolos de tecido. Mas a partir de 1905, a imagem em movimento não é mais suficiente para atrair o público e o cinema deverá inventar a sua própria linguagem que lhe permitirá contar verdadeiras histórias. Esta evolução transforma o sistema de produção. Ao contrário dos carros, sobre os quais Henry Ford podia dizer: “Escolha qualquer cor, desde que seja preta”, o cenário de cada filme é único. A unidade é menos um produto normatizado que um protótipo.

A genialidade dos primeiros magnatas de Hollywood consiste em dominar, por todos os meios, esta fonte de incerteza. No início, a grande padronização não se baseia nos gêneros (faroeste, filmes fantásticos, policiais, e melodramas virão mais tarde), mas na “personalidade”. Com a popularidade dos atores constituindo uma variável previsível, a indústria inventa o “star system” como melhor meio de garantir o sucesso de um filme. Pois se nada indicava que o público ia se interessar por uma história de assalto ou uma viagem à lua, a experiência provava que os espectadores apreciam filmes nos quais trabalham seus atores favoritos. Os estúdios vão sendo construídos engajando estrelas por períodos de vários anos e, pouco a pouco, assalariando todo o pessoal necessário à criação de um filme.

O fim do monopólio dos grandes estúdios

É da combinação entre star system e integração vertical que nascerão os grandes estúdios hollywoodianos (Metro Goldwin Mayer, Warner Bros, 20th Century Fox, etc.)

Numa época em que os grandes monopólios como a Ford ou a companhia petroleira Standard Oil dominam a economia, a integração vertical está na moda. Alguns empresários, como Adolf Zukor e Marcus Loew (fundadores da Paramount), haviam começado sua carreira como proprietários de salas de cinema, antes de se tornarem produtores. Aqueles que seguiram seu exemplo, vão absorver simultaneamente as redes de distribuição e exploração. É desta combinação entre star system e integração vertical que nascerão os grandes estúdios hollywoodianos (Metro Goldwin Mayer, Warner bros, 20th Century Fox, Paramount, United artists, RKO, etc.)

Mas este sistema sofrerá uma mudança radical em 1948 com o processo contra a Paramount, que obrigará os estúdios a se desfazerem de suas salas. A venda das redes de exploração muda a dinâmica da produção, e com o advento da televisão, no início dos anos 50, os estúdios sofrem um duro golpe em seu monopólio.

No início, a televisão repete o modelo já definido pelo rádio. A maioria das emissões são diretas e os programas são concebidos pelas empresas que os patrocinam (o ator Ronald Reagan fará o comercial para a General Electric). Mesma inspiração no plano financeiro: os telespectadores não pagam para receber programas que são pagos pela publicidade. Não sendo gratuitos, os cinemas têm de enfrentar uma concorrência aparentemente irresistível.

Hollywood redefine então o longa-metragem como um produto de alta qualidade. Desenvolvem-se formatos largos, mais espetaculares, como o cinemascópio, o cinerama ou panavision; as filmagens são realizadas mais no estrangeiro, utilizando a cor com mais freqüência. Trata-se de combater uma tecnologia (a televisão) com outra (a cor e a lente anamórfica que possibilita a obtenção de formatos largos). Mais tarde, os estúdios compreenderão que a televisão pode também constituir um mercado formidável para outras categorias de longa-metragens, criando então divisões destinadas a produzir exclusivamente para a tela pequena.

Unicidade irredutível

Atualmente, apenas um filme entre dez representa um sucesso comercial. O risco tornou-se o fator que define a indústria cinematográfica

No início dos anos 70, a fim de impedir a integração vertical do setor, a Federal Communications Commission (FCC) proíbe os canais de televisão de produzirem seus próprios programas. Abolida em 1991, esta regulamentação favorecerá amplamente a criação de novas sociedades de produção. Mas também o papel dos estúdios evolui. Com vistas a reduzir os riscos ligados à explosão dos custos de produção, desenvolvem parcerias com produtores independentes. Os estúdios tornam-se, deste modo, bancos especializados que investem em projetos concebidos por terceiros, servindo de intermediário ou simplesmente de infra-estrutura logística. Da produção em série, passa-se ao “programa” (package), cada filme tornando-se uma montagem particular que implica muitas sociedades diferentes e artistas cuidadosamente escolhidos (o programa reúne freqüentemente um roteirista, um diretor e atores). O modo de produção hollywoodiano torna-se assim uma versão robusta da organização em “distrito industrial” 11, a tal ponto que, para encarar os custos, dois estúdios unem seus esforços a fim de financiar um filme.

Durante a época áurea dos estúdios, desde o fim dos anos 1920 até o início dos anos 1950, o modo de produção hollywoodiano assemelhava-se ao sistema fordista. Os grandes princípios de produção em massa, economias de escala, tarefas padronizadas e repetitivas, peças intercambiáveis e mão-de-obra pouco qualificada, estavam perfeitamente representados na linha de montagem das fábricas Ford.. Uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, em 1948, obriga os estúdios a venderem suas redes de salas de exibição, e põe fim àquele sistema de integração vertical. Conforme alguns economistas22, os estúdios passaram de uma organização “fordista” de produção a uma forma de tipo “distrito industrial”.

A analogia com o funcionamento em “distrito industrial” tem, no entanto, seus limites. É difícil estabelecer equivalências entre as transformações do modelo hollywoodiano e a dinâmica de outros setores econômicos. Assim como a indústria cinematográfica nunca foi exatamente comparável à indústria automobilística, os estúdios dos anos dourados não eram inteiramente organizados segundo princípios fordistas. A padronização (gênero, intriga, estrelas) de longa-metragens deparava-se com a unicidade irredutível de cada filme. E além disso, no cinema, o risco de prejuízo de um determinado produto sempre foi superior ao de outros nichos industriais.

A globalização da produção

Até então percebidas como um simples bônus, as vendas internacionais passam a determinar o equilíbrio financeiro de Hollywood

No final dos anos 1980, a indústria começa a se internacionalizar. Hollywood distancia-se, então, da organização em “distrito industrial” para adotar o modelo de dispersão geográfica que se tornou dominante no momento da globalização liberal. O declínio dos estúdios não faz senão evidenciar esta tendência. Com a banalização da televisão que, por sua vez, monopolizar o lazer, a ida ao cinema torna-se um acontecimento excepcional e, portanto, mais raro. Em suma, os meios investidos na filmagem e na promoção atingem níveis tão elevados que um estúdio pode se ver arruinado pelo insucesso de um único filme. Atualmente, apenas um filme entre dez representa um sucesso comercial. O risco tornou-se o fator que define a indústria cinematográfica.

No fim da década de 1990, a “especialização flexível” parece ter chegado ao fim. O custo de cada longa-metragem aumenta com tamanha rapidez que a audiência no território norte-americano não é suficiente para garantir a rentabilidade do todo. Até então percebidas como um simples bônus, as vendas internacionais passam a determinar o equilíbrio financeiro. Hollywood decide assim passar da “especialização flexível” à produção globalizada.

É certo que a indústria cinematográfica sempre comportou uma forte dimensão internacional. Por mais primitivos que eles pudessem ter sido, os filmes dos primeiros tempos eram sempre exportados para diversos países ao mesmo tempo. Antes de 1914, os Estados Unidos importavam, principalmente da França, mais filmes do que produziam. Porém, interrompendo a produção cinematográfica no Velho Continente, as duas guerras mundiais permitiram a Hollywood impor seu domínio no mercado europeu. Os novos entraves relativos à necessidade de se diferenciar da televisão, particularmente, a explosão dos custos, obrigaram a indústria cinematográfica americana a globalizar seu sistema de produção. Que resposta poderia ser melhor a esta inflação de custos senão o deslocamento? Tendo as mudanças tecnológicas reduzido o preço dos transportes e das telecomunicações, Hollywood entra no trem da globalização e cria a “runaway production” (“produção expatriada”).

Concorrência desigual

E os estúdios investem apenas em projetos facilmente comercializáveis a nível internacional, o que vem a favorecer os filmes de ação, espetaculares e histórias de amores estereotipadas

O Canadá será o principal beneficiário, apresentando várias vantagens em relação aos grandes estúdios: proximidade geográfica, semelhança entre as cidades norte-americanas, relações existentes entre os sindicatos de ambos os países e, especialmente, o baixo valor do dólar canadense e as reduções de impostos oferecidas por Ottawa. O fenômeno não se limita à América do Norte. Para filmar Titanic, a Fox constrói um estúdio gigantesco no México onde as leis são bastante favoráveis aos investidores. Na Austrália, para atrair a indústria cinematográfica americana, é o Estado que subvenciona a construção de estúdios de filmagens e pós-produção. Consideradas as condições que lhes são impostas, as produções australianas reclamam de uma concorrência desigual. Elas não dispõem de meios para alugar suas instalações habituais e seus técnicos não encontram mais trabalho, visto que Hollywood dispõe de seu próprio pessoal in loco. Na Europa também, a história bem conhecida dos deslocamentos rumo aos velhos países do bloco comunista começa a atingir também a produção cinematográfica. A República Tcheca, que dispõe de infra-estruturas e de um savoir-faire reconhecidos, seduz as produções hollywoodianas. Na Romênia, o custo irrisório da mão-de-obra permite atrair projetos de alta qualidade, entre os quais, Cold Mountain (Anthony Minghella, 2003), filme de época sobre a Guerra da Secessão.

Se Hollywood sempre teve uma dimensão internacional, esta toma a forma de uma nova divisão de trabalho. Os artistas reconhecidos (atores, roteiristas, diretores, chefes operadores) continuam, certamente, a afluir para a Califórnia, como sempre o fizeram. Em contrapartida, os artistas e técnicos evoluindo nas produções mais modestas têm cada vez mais dificuldades em encontrar um trabalho.

Nivelamento por baixo

Hollywood representa apenas a ponta do iceberg, o excesso mais aparente de uma tendência à uniformização que pesa sobre a produção audiovisual mundial

Por um lado, se o desenvolvimento de uma indústria não poluente e com forte valor acrescido constitui uma chance para os países que a partir de então recebem produções hollywoodianas, por outro lado, esta evolução custará caro aos Estados Unidos em termos de empregos.

Esta nova dependência diante do mercado internacional parece também influenciar o conteúdo dos filmes. O orçamento das grandes produções ultrapassa os 50 milhões de euros, sem contar os gastos com a promoção do filme que vem a dobrar este valor. Como o mercado interno só permite raramente que um filme atinja estes custos, a metade das receitas passa a ser arrecadada no estrangeiro. E os estúdios investem apenas em projetos facilmente comercializáveis a nível internacional, o que vem a favorecer os filmes de ação, espetaculares e histórias de amores estereotipadas. Os cenários mais complexos ou que exibem ambições literárias mais acentuadas, encontram dificuldades para serem filmados. A crítica, segundo a qual, Hollywood funciona seguindo o princípio do menor denominador comum, está mais justificada do que nunca. E sendo atualmente a grande maioria dos filmes concebida para a exportação, este fenômeno de nivelamento por baixo atinge totalmente o mercado interno e prejudica a produção independente. Entretanto, acusar Hollywood de emburrecer seu público, não leva a nada. É a globalização liberal que é responsável, como prova a mediocridade idêntica dos programas produzidos pela TFI (Bouygues), Mediaset (Berlusconi) ou BskyB (Murdoch).

Hollywood representa apenas a ponta do iceberg, o excesso mais aparente de uma tendência à uniformização que pesa sobre a produção audiovisual mundial. Mas, se ao longo de sua rica história o cinema americano conheceu sucessivamente o fordismo, a “especialização flexível” e a produção globalizada, isto jamais o impediu de produzir fascinantes obras de arte.

(Trad.: Simone Pereira Gonçalves)

1 - Sobre o conceito de “distrito industrial” (industrial cluster), ler Michael Piore e Charles Sabel, The Second Industrial Divide (Les Chemins de la prospérité, Hachette, Paris, 1989). Os autores apoiaram-se em trabalhos italianos, analisando o desenvolvimento da indústria de calçados na Emília Romana. Os “distritos industriais” são compostos de pequenas e médias empresas, localizadas em uma mesma zona geográfica. Estas empresas exploram um laboratório comum de mã-de-obra qualificada fornecendo entre elas para reagir às flutuações da demanda. Este tipo de “especialização flexível” possibilita a produção em pequenas quantidades de mercadorias por um custo unitário tão baixo quanto ao da produção em massa. O exemplo mais célebre de “especialização flexível” – termo freqüentemente empregado a respeito de “distritos industriais” – é a Silicon Valley, na Califórnia.
2 - Cf. Michael Storper e Susan Christopherson, Flexible spezialization and regional industrial agglomerations: The Case of the U.S Motion Picture Industry, Annals (AAG), Los Angeles, 1987.




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