Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Morte na Economia do Algoritmo

» Vianninha e Nelson Rodrigues vão ao cinema

» O enigma dos “Coletes Amarelos”

» O enigma dos “Coletes Amarelos”

» Nas dívidas, o declínio do Ocidente

» Nas dívidas, o declínio do Ocidente

» Viagem insólita à União Soviética (2)

» Assim o Facebook estrangulou o jornalismo

» Inteligência Artificial para quem?

» Inteligência Artificial para quem?

Rede Social


Edição francesa


» Une Amérique « plus gentille et plus tendre » sur les écrans de télévision

» Dans les bas-fonds de la campagne électorale de George H. W. Bush

» Du théâtre par gros temps

» Du soja pour le bétail

» En Amazonie, le bétail mange la forêt

» Le monde du travail, interdit de télévision

» Régime soviétique et mentalité russe expliquent le succès des « spoutniks »

» Comment l'entreprise usurpe les valeurs du service public

» Misère des journalistes précaires

» À Paris, les lieux du pouvoir


Edição em inglês


» Sabine Cessou on Kenya's grand digital ambitions

» Who is listening to Chad?

» December: the longer view

» After Argentina: the G20's climate hypocrisy

» Trump's trade czar, the latest architect of imperial disaster

» ‘Listen only to me': inside Al-Sisi's Egypt

» Abizaid of Arabia

» Cameroon's colonial history

» The music of migration

» Cybercrime's expensive bill


Edição portuguesa


» Edição de Dezembro de 2018

» A justiça social e os seus responsáveis

» Para Julian Assange

» Jantar de Apoio

» Economia Social e Solidária: outro modo de criar futuro sustentável

» Edição de Novembro de 2018

» «Eleitoralismo» e democracia sem povo

» Acalmia na Ásia

» Assinatura de 6 meses: só 18 €

» Edição de Outubro de 2018


EDITORIAL

Qual Espanha?

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

Rumor de botas na caserna: eis o novo resultado da campanha ultra-conservadora contra as reformas de Zapatero. Apesar disso, a Catalunha conquistará mais autonomia

Ignacio Ramonet - (01/02/2006)

A Espanha pensava ter acabado com a tradição do pronunciamiento, que caracterizou sua vida política ao longo de todo o século XIX e parte do século XX

O debate sobre o novo estatuto de autonomia da Catalunha [1] atingiu nas últimas semanas, na Espanha, um grau de intensidade preocupante. Especialmente depois da declaração, no último dia 6 de janeiro, em Sevilha, do general José Mena Aguado: "É nosso dever", afirmou ele, "alertar sobre as graves conseqüências que poderiam provocar a aprovação do Estatuto da Catalunha, nos termos de sua redação atual, no seio das Forças Armadas enquanto instituição, assim como junto a todo os seus integrantes". O general acrescentou ainda que, segundo ele, o artigo 8 da Constituição confiava às Forças Armadas a missão de velar pela unidade da Espanha e de se opor a seu desmembramento [2].

Esta intervenção de um oficial de alta patente no debate político já tenso trouxe incômodas lembranças aos democratas. Porque ela se produz num ambiente perturbador: acabam de ser comemorados, no dia 20 de novembro de 2005, os 30 anos da morte do general Franco. Dentro de algumas semanas, será o 25º aniversário da tentativa de golpe de Estado do coronel Tejero, no dia 23 de fevereiro de 1981; e dentro de alguns meses, o 70º aniversário do levante de 18 de julho de 1936 contra a República, que mergulhou o país numa guerra civil. A Espanha pensava ter acabado com a tradição do pronunciamiento, que caracterizou sua vida política ao longo de todo o século XIX e parte do século XX - até 1978, data da adoção da Constituição atual.

É evidente, no entanto, que os tempos mudaram, a democracia se enraizou e é agora impensável que um punhado de oficiais cheguem sequer a ameaçá-la. A declaração do general Mena mostra simplesmente que um resíduo de tradição intervencionista subsiste entre um pequeno número de oficiais. Mas esta tradição foi fortemente reavivada nestes últimos meses pela campanha de hostilidade sistemática conduzida pelo Partido Popular (direita) contra o governo socialista de José Luís Rodríguez Zapatero. Este último tomou um certo número de iniciativas que levantaram a fúria da Espanha mais conservadora.

O novo Estatuto não anuncia separação em relação à Espanha. Inscreve-se na tradição federalista, reivindica o caráter de nação para a Catalunha e foi aprovado por 90% dos deputados catalães em setembro de 2005

O que incomoda a direita

Primeiro, foi a decisão - adotada logo após sua eleição em março de 2004 e depois dos atentados de Madri - de retirar as tropas do Iraque, para onde as havia enviado imprudentemente (contrariando a opinião de 80% dos espanhóis) o ex-presidente José María Aznar. Outras medidas foram ainda mais polêmicas, em particular a de restituir à Catalunha os arquivos pilhados pelos exércitos de Franco em 1938 e armazenados em Salamanca. Durante semanas, as mídias controladas pela direita bombardearam a opinião pública com informações alarmistas sobre o "perigo" que esta restituição representava para a unidade da Espanha... O Partido Popular não hesitou em convocar imensas manifestações para protestar contra este "despojamento".

Veio em seguida a legalização do casamento homossexual. Aceita pela maioria dos espanhóis, esta medida levantou, nos meios mais retrógrados, uma indignação anacrônica. A Igreja católica chegou a ameaçar de excomunhão os prefeitos que permitirem tais uniões. Houve, enfim, a questão do novo estatuto da Catalunha. Como o País Basco e a Galícia, este território possui sua própria língua e uma cultura singular. Ele já constituía, desde 1932, uma "região autônoma no interior do Estado espanhol". E reencontrou sua autonomia em 1979, quando 17 "comunidades autônomas" foram criadas na Espanha. Em virtude de um Estatuto reconhecido pela Constituição, o governo catalão - a Generalitat - pôde criar uma polícia autônoma e recebeu competências em matéria de educação, saúde, assistência social, política cultural e linguística e manutenção do território.

Nação autônoma na Espanha

Quase 30 anos se passaram. Desde novembro de 2003, a Catalunha - pela primeira vez desde o fim do franquismo - é governada por uma coalizão de esquerda (socialistas, nacionalistas de esquerda, verdes) que prometeu adotar um novo Estatuto. Este último não anuncia nenhuma "separação" em relação à Espanha. Inscreve-se numa tradição "federalizante", reivindica o caráter de "nação" para a Catalunha e foi aprovado por 90% dos deputados catalães em setembro de 2005. Está em discussão no Parlamento de Madri.

A direita e a Igreja orientaram todas as suas mídias, ainda muito influentes, a desencadear uma campanha para esquentar os espíritos e assustar os corações. O primeiro resultado está aí: barulho de botas nas casernas. Mas, depois de algumas modificações para que fique em conformidade com a Constituição da Espanha - no dia 21 de janeiro, o primeiro ministro e o líder do Partido Nacionalista Catalão (CIU) concluíram um acordo - o novo estatuto da Catalunha deverá ser adotado.

(Trad.: Fabio de Castro)



[1] Ler o suplemento "Catalunha", Le Monde Diplomatique (edição francesa), janeiro de 2006; em especial o artigo de Antoni Segura i Mas, "Entre autonomia e nação".

[2] Cf. o texto integral (em espanhol) no site: http://www.elmundo.es/elmundo/2006/...


Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Espanha
» Autoritarismo Neoliberal
» Resistências Institucionais ao Neoliberalismo

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos