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Fraqueza, declínio e... guerra?

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Condenado pelos próprios militares, o possível ataque contra o Irã é uma aventura alimentada pela necessidade de resgatar o prestígio de Bush e pela inexistência de uma oposição real

Anatol Lieven - (01/06/2006)

Pelos próximos dois anos e meio, os Estados Unidos serão presididos por um governo aleijado, com muito pouca capacidade de aplicar políticas positivas internas ou externas (ainda que quisesse), mas com um forte incentivo para iniciar uma guerra com o Irã como forma de reunir o apoio nacionalista maciço e atrapalhar a oposição democrata.

Pior ainda: essa oposição também é, em muitos aspectos, uma força aleijada, incapaz de gerar políticas internacionais genuinamente alternativas e seriamente limitada até para formular novas abordagens internas. Esta falha simultânea de ambos os lados do espectro político – que reflete, por sua vez, a profunda fraqueza institucional, social e cultural na política dos Estados Unidos – deixou o país, internamente e no exterior, numa crise profunda, porém suspensa.

Internacionalmente, a crise está adiada pelo fato de que embora a capacidade norte-americana para a ação positiva esteja muito limitada, sua habilidade para causar dano a qualquer dos inimigos declarados continua muito grande. Toda uma ala de países está, de um modo ou outro pendendo contra os Estados Unidos, mas poucos querem confrontar Washington diretamente. Contudo, Irã, Venezuela e agora Bolívia demonstram que até esses estão crescendo significativamente em número. Internamente, a crise do sistema foi suspensa, acima de tudo, pela contínua explosão do consumo (alimentada pelos produtos de exportação baratos chineses e pelo desejo da China de comprar a dívida norte-americana). Isto amorteceu o descontentamento, mas de modo extremamente frágil e dependente da estabilidade internacional. Além do mais, a falha deste fato em compensar o acentuado declínio no salário real da classe trabalhadora já está levando a um aumento disseminado, embora não focalizado politicamente, do descontentamento de massa, exemplificado pela pressão por leis muito mais duras contra a imigração ilegal [1].

Um governo desmontado

De acordo com todas as pesquisas de opinião, as taxas de aprovação de Bush despencaram depois das últimas eleições e agora estacionaram em 33% - mais baixo do que as de Lyndon Johnson depois da ofensiva do Tet [2]. A Guerra do Iraque não está levando, evidentemente, a lugar algum. As declarações otimistas do governo foram repetidas tantas vezes, e com tanta freqüência seguidas por novos desastres, que se tornaram objeto de sátira geral até entre muitos norte-americanos patriotas — muito parecido com declarações similares durante a Guerra do Vietnã.

Embora o governo tenha sobrevivido ao furacão Katrina com poucas demissões no alto escalão, nunca conseguiu livrar-se da reputação de incompetência e diletantismo resultante. O ultimo aumento dos preços do petróleo enfureceu boa parte da população e deixou o governo muito vulnerável aos ataques do Partido Democrata, segundo os quais está no bolso de seus cupinchas das companhias de petróleo.

Lideranças republicanas estão-se distanciando de Bush. Faz tempo que há sérios protestos entre parlamentares – tanto de republicanos quanto de democratas – sobre a hostilidade do Presidente com o Congresso e o fato de se arrogar poderes extra-constitucionais, praticamente monárquicos. O programa de “reforma” da seguridade social de Bush foi abandonado.

A revolta do Congresso contra a aprovação, pelo governo, da compra de portos norte-americanos pela Dubai Ports mostra os limites de sua autoridade até sobre seu próprio partido. O indiciamento do chefe de gabinete do vice-presidente Dick Cheney, Lewis Scooter Libby, ameaça levar a outros indiciamentos. O conselheiro político-chefe de Bush, Karl Rove, encabeça a lista. Um golpe igualmente duro foi desferido pela aposentadoria forçada do aliado-chave de Bush no Congresso, o ex-líder da maioria na Casa, Tom DeLay, indiciado por corrupção.

Sem consenso contra o Irã

Talvez o pior de tudo seja o fato de o descontentamento com o governo ter vindo à tona, com ataques públicos feitos a Donald Rumsfeld por uma ala de generais reformados , pelo modo de conduzir a Guerra do Iraque. Os críticos claramente espelham as opiniões de muitos de seus camaradas da ativa. Estes ataques foram motivados em parte pelo forte desejo de muitos militares da ativa de bloquear um possível ataque ao Irã, que eles vêem com conseqüências terríveis para os Estados Unidos e para os militares norte-americanos.

O conteúdo da visão dos generais não surpreende. As declarações deles foram precedidas há tempos por ataques similares de oficiais reformados de alta patente, da comunidade das informações e do contra-terrorismo, como Richard Clarke e Rand Beers. Por muitos anos, a fúria do governo inspirou um fluxo de vazamentos altamente perigosos da CIA e do FBI, bem como de militares, especialmente em relação ao mau uso da informação antes da Guerra do Iraque e à aprovação da tortura. Os últimos vazamentos e protestos são motivados em parte pelo forte desejo de muitos militares de evitar um novo conflito com o Irã, para o qual a administração parece inclinar-se. Pelo menos é o que parece, pela informação de bastidor que está sendo transmitida a jornalistas investigativos como Seymour Hersh, do New Yorker.

Os militares fizeram suas “sessões de análise de conjuntura”. Sabem muito bem que o resultado mais provável de um ataque aos centros nucleares do Irã será uma espiral de conflitos cada vez mais intensos e represálias que levarão possivelmente a um conflito geral. Eles temem não apenas danos diretos ao poder dos Estados Unidos, mas também a apavorante perspectiva de que uma nova grande guerra forçaria os Estados Unidos a adotarem de novo o recrutamento obrigatório. Como no Vietnã, um exército assim, de conscritos, seria ressentido e teria moral baixo.

De modo igualmente importante, protestos de massa nos Estados Unidos contra aventuras internacionais poderiam muito bem levar o império americano no Oriente Médio a um fim prematuro.

Quando até o Exército se opõe

Na CIA, a desmoralização e a oposição ao governo provocaram a saída forçada do seu diretor, Porter Goss. Seus dois anos de gestão presenciaram a demissão de vários oficiais e analistas, especialmente no serviço clandestino. Goss foi designado para melhorar a eficiência da administração, mas também para impor um controle político estrito. O governo enxergou isso como necessário, em vista da onda de renúncias e vazamentos provocados pelo mau uso da Agência para fabricar apoio para a guerra do Iraque.

Entretanto, Bush e seus seguidores subestimaram a capacidade de instituições como o exército e as agências de informação de enfraquecerem governos não pela revolta aberta, mas por uma intensa corrente de renúncias danosas e vazamentos – táticas que as tentativas desajeitadas de Goss para impor “disciplina” só encorajaram. Essas são armas que tais instituições usaram repetidamente contra governos liberais e esquerdizantes em vários países no passado, e é uma ironia divertida vê-las usadas contra um governo americano que repetidamente gabou-se de seu compromisso com a segurança. Precisamente porque o governo encorajou a adulação pública das forças armadas, protestos, mesmo vindo de generais reformados são especialmente perigosos, e difíceis de sufocar por meio de difamação pública e intimidação.

Também é em princípio perigoso para a democracia que os militares e as forças da informação façam esse tipo de papel político. Que tenham emergido como a oposição mais efetiva à administração Bush não é, contudo um testemunho de sua ambição, mas da falha do Congresso até agora em exercer suas funções constitucionais de supervisão e controle; e igualmente importante, o fracasso do Partido Democrata em agir como uma oposição real na área de segurança e política externas.

A amplitude do declínio da administração Bush explica parcialmente a falta de vigor dos democratas em explorar este declínio – ou pelo menos, isto está sendo usado como desculpa para essa falta de vigor da liderança democrata. Eles argumentam que o governo está fazendo um excelente trabalho em autodesacreditar-se diante do eleitorado, e nessas circunstâncias faz mais sentido para os democratas enfatizar sua sobriedade e patriotismo, em vez de se empenhar em ataques partidários que só poderiam desacreditá-los aos olhos do eleitorado. O porta-voz do partido acrescenta, reservadamente, que se os democratas ganharem pelo menos uma das casas do Congresso nas eleições intermediárias de novembro deste ano, as coisas vão mudar muito de figura.

Os democratas vão ficar então em posição de apontar publicamente a responsabilidade do governo Bush pelos desastres dos últimos cinco anos. Instalando comissões de inquérito com poder para convocar testemunhas oficiais e ordenar-lhes que deponham sob juramento, podem forçar toda uma série de indiciamentos e renúncias no alto escalão e manter as falhas do governo vívidas diante dos olhos do público até as próximas eleições presidenciais em 2008.

Podem não conseguir contestar o próprio Bush, mas vão fazer tudo que estiver perto disso. Devido à estrutura das eleições tanto para o Senado quanto para a Câmara, há, contudo grandes obstáculos para que os democratas ganhem muito mais cadeiras, e – talvez igualmente importante – para as chances eleitorais de democratas radicais, com políticas genuinamente alternativas. O conservadorismo e conformismo que este fato provoca, no partido, é muito evidente em abordagens da política externa. Mesmo se os democratas tornarem a vida de Bush um inferno nos dois anos entre o próximo mês de novembro e as eleições presidenciais de 2008, isso pode não fazer muita diferença no comportamento dos EUA no mundo.

A dificuldade de uma alternativa

Há com certeza, entre as lideranças democratas, um desejo de mais pragmatismo e contenção do que o que tem mostrado o governo Bush. Mas os democratas não são mais capazes do que os republicanos de repensar fundamentalmente as atuais abordagens norte-americanas do mundo exterior. A liderança do Partido Democrata, afinal, é tão parte do sistema moderno de segurança dos EUA (criado sob os governos de Roosevelt e Truman) quanto os republicanos.

A versão da hegemonia global do governo Clinton era mais benevolente do que a dos republicanos, e certamente mais comprometida com a liderança norte-americana em alianças do que os diktats unilaterais. Mas o tamanho de suas ambições era igual. E, talvez mais importante, ambos os partidos compartilham um nacionalismo estadunidense “excepcionalista” que trata a bondade do poder norte-americano e a legitimidade da missão dos Estados Unidos no mundo como dogmas inquestionáveis.

A semelhança entre os partidos é infelizmente maior onde mais importa: o Oriente Médio. As razões são as mesmas para os dois partidos. Como Clinton demonstrou, ambos estão comprometidos com a hegemonia dos Estados Unidos na região e com a alta probabilidade de repetidas guerras que isso envolve. Os dois opõem-se a qualquer qualificação dessa hegemonia, e a se comprometer com estados que tenham sido definidos pelos EUAcomo “delinqüentes”.

O governo Bush foi condenado, com razão, por rejeitar duas propostas iranianas de amplas conversações em 2001 e 2003 [3]. Mas foi o governo Clinton que falhou em aproveitar a eleiçãoo do reformista Mohammed Khatami para presidente em 1997 para reabrir conversações diretas. O governo Clinton também falhou em forçar um acordo de paz entre Israel e a Síria. Hoje, discursos dos líderes democratas, como Hilary Clinton e Evan Bayh, em relação ao Irã não diferem em nenhum aspecto significativo dos discursos do governo Bush [4]. Os dois partidos são fortemente influenciados pelo lobby israelense e ambos mostraram sua falta de vontade de tomar uma ação resoluta para terminar o conflito entre Israel e Palestina. Longe de encorajar o governo Bush a agir com mais empenho pela paz, lideranças democratas, inclusive Hilary Clinton e Nancy Pelosi tentaram ultrapassar Bush mostrando-se mais incondicionalmente pró-israelenses.

O governo Clinton passou sete anos desgastando os ganhos do processo de Oslo, e só se engajou seriamente no fim do segundo mandato de Clinton, quando já era tarde para conseguir algum resultado. Agora o governo Bush parece caminhar para aceitar um “regulamento” unilateral de Israel, que será completamente inaceitável para os palestinos, para o mundo muçulmano em geral e para a maioria dos europeus.

À espera de um líder salvador?

Fora de Washington, ainda há uma intensa força isolacionista no público norte-americano, mais evidente nos membros conservadores da classe trabalhadora. A não ser quando enfurecidos por ataques como o de 11 de setembro, eles tendem a ser bem mais centrados nas necessidades dos Estados Unidos e muito mais céticos em relação à habilidade ou necessidade de seu país mudar o mundo – ainda que por um sentimento de que “o mundo não merece isso”. Esses sentimentos foram expressos recentemente por Merle Haggard, o cantor country cuja canção Okie from Muskogie resume a reação da classe média patriótica e religiosa contra as várias revoluções dos anos 1960. Sua última canção, “America First” (A América Primeiro) pede:

“Por que não libertar Estes Estados Unidos, Somos nós que precisamos... Vamos sair do Iraque Voltar ao nosso caminho E a América reconstruir...” [5]

Os democratas tentam explorar esses sentimentos e estão cada vez mais chamando à retirada do Iraque. Mas esses apelos são enfraquecidos pelo fato de que nenhuma liderança democrata apareceu com uma estratégia diferente para o Oriente Médio como um todo, capaz de evitar uma que mergulhasse o Iraque em uma guerra civil total. Em outros lugares do mundo, os democratas estão pressionando por políticas ainda mais ambiciosas do que as do governo Bush, especialmente quando levam a rechaçar a influência russa na antiga União Soviética.

Se o governo Bush decidir atacar o Irã, pode fazer isso na certeza de que tanto norte-americanos comuns, que escutam Merle Haggard, quanto lideranças democratas vão esquivar-se ou ficar silenciosos – e em geral parecer incoerentes, oportunistas e patéticos. Por isso, ainda que um ataque desses seja monstruosamente temerário para os interesses norte-americanos, em termos de política interna pode parecer uma barganha interessante para os republicanos.

Como mostra a oposição a um ataque ao Irã (entre os militares fardados, a comunidade da defesa e o Departamento de Estado), o sistema norte-americano possui muitos elementos sensatos, informados, contidos e patriotas. Atualmente, contudo, falta-lhes – como no caso dos isolacionistas da classe trabalhadora patriótica, tipo Merle Haggard – um veículo político. Nenhum dos partidos, na composição atual, pode gerá-lo. O campo “realista” nos Estados Unidos possui muitas figuras distintas, mas são, na maioria, ou professores universitários, ou homens de Estado aposentados, como Brent Scowcroft, Gary Hart e Zbigniew Brzezinski. Nenhum dos dois partidos tem uma facção politicamente forte impulsionando esta tendência. E sem dúvida, nos dois partidos, o termo “realista” é muitas vezes usado praticamente como insulto.

Criar uma força genuinamente nova na política norte-mericana pode exigir a destruição do sistema atual de dois partidos, que existe desde a Guerra Civil. Isto traria uma crise nacional verdadeiramente profunda – o que irá acontecer sem dúvida, cedo ou tarde, se as políticas atuais continuarem. A crise dos anos 1860 produziu Lincoln, e a dos 1930 produziu Franklin Delano Roosevelt. É melhor rezarmos para que o sistema norte-americano possa, no futuro, produzir de novo líderes assim. Dado o estado presente da cultura política nos Estados Unidos, contudo, o risco é que a crise gere apenas mais tensões extremas de chauvinismo irracional

Tradução (do inglês): Betty Almeida betty_blues_@hotmail.com



[1] Cf Edward Luce, “Out on a Limb: Why Blue-Collar Americans See Their Future As Precarious”, The Financial Times, maio de 3 2006.

[2] Cf The Gallup Poll, “Bush Losing About One Point Per Month Since January 2005”, na internet em poll.gallup.com.

[3] Cf Flynt Leverett (ex-diretor de Assuntos do Oriente Médio no Conselho Nacional de Segurança), “The Gulf Between Us”, New York Times , 24 de Janeiro de 2006.

[4] Cf Hilary Clinton, “Challenges for US Foreign Policy in the Middle East”, notas na Princeton University, 19 de Janeiro de 2006, na internet em http://www.senate.gov/ clinton; Evan Bayh, “A New Approach to the National Security Debate”, 2 de fevereiro de 2006, na internet em http://www.csis.org.

[5] No endereço http://www.merlehaggard.com.


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