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Qual canção de protesto?

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A lista dos artistas que compõem contra a guerra e o poder aumenta todos os dias. Mas em em meio a esta explosão saudável, ressurge um debate: mensagens anticapitalistas não requerem, também, uma nova forma musical?

Jacques Denis - (01/06/2006)

“Discriminação entre brancos e negros, contra ela há muito pra protestar, vocês podem me compreender. E toda essa merda que me servem nos jornais e na TV. E toda essa babaquice de massa que parece aumentar a cada dia. Hoje em dia, um verdadeiro otário diz que quer te prender porque não vai com tua cara por causa da tua cor de pele. Pouco importa se é preto ou branco, porque o que ele quer é sangue.” Ao contrário do que pode parecer, esse texto bombástico não foi assinado por um rapper de Clichy-sous-bois, em 2006. “More Trouble Everyday” é uma obra de Frank Zappa de 1966, feita após as rebeliões do gueto de Watts, em Los Angeles. No ano seguinte, em Nova York, ele cantou Bob Dylan no desembarque dos fuzileiros navais de volta do Vietnam. Estes gritavam: “Encha a pança e enrabe o exército [1]!”, um refrão que poderia ser entoado pelos futuros veteranos do Iraque. Manifestações como o “Talking Vietnam”, assinado por Phil Ochs em 1964, têm ressonância com o que se passa, hoje, ao longo dos oleodutos. “Para que esses macacos vermelhos não tenham mais onde se esconder / trancamos todo mundo em campos de refugiados / bem trancados a chave, pensam que foram libertados!”. As gerações passam, mas as mesmas causas continuam a produzir os mesmos efeitos. Prova disso é a mobilização que se organizou contra as “cruzadas” do governo Bush. “To Washington”, de John Mellecamp, “We Want Peace”, de Lenny Kravitz, “In A World Gone Mad”, dos Beastie Boys, “Pledge Of Resistance”, de Saul Williams, “Patterns Of War”, de Dr Israel. A cada dia, aumenta a lista dos artistas que lutam contra o Wargasm, doce neologismo criado pelo underground norte-americano. “O clima não está nada saudável. Parece a Alemanha dos anos 30... Eu nunca fui um ativista, mas neste caso, tenho vontade de me envolver”. Foi como reagiu Rickie Lee Jones ao Patriot Act. Porém, se as palavras de resistência ganham força, assim como os canais para difundi-las, a censura age mais poderosamente sobre as mídias de referência. “Todos nós temos em mente a imagem da menina vietnamita sob o dilúvio de napalm. Será que vimos uma imagem parecida quando houve os bombardeios no Afeganistão? O norte-americano comum não tem mais acesso a esse tipo de informação que apenas é difundida em redes restritas”, nota Tom Morello. Este músico fundou o “Axis Of Justice”, uma organização política que procura mostrar a outra faceta dessa história. Através de uma nota interna, a MTV teria eliminado videoclipes incômodos, como “Boom!” de System Of A Down, realizado por Michael Moore, ou o “Bombs Over Bagdad”, do Outkast. O caso mais emblemático foi o apelo ao boicote que seguiu uma simples frase dos Dixie Chicks em 2003: “I’m sorry for President”. Assim, do alto de seus tanques, o grupo de texanos “puro country” foi submetido a uma exclusão brutal.

Engajamento, figura de estilo?

Mike Ladd, rapper norte-americano que vive na França, publicou nove discos nos últimos dez anos. Particularmente, em 2004, junto com o indiano Vijay Iyer, “In what language?” trouxe uma reflexão sobre os lugares ditos “neutros”, isto é, os aeroportos, após o infortúnio passado pelo cineasta iraniano Jafar Panahi, colocado num centro de retenção, antes de ser proibido de entrar em Nova York. Ladd relativiza a comparação com os anos 60, os sixties: “Havia um movimento popular real, uma convergência objetiva entre diferentes movimentos: os direitos cívicos, o Vietnam, a descolonização... Burgueses e pobres, negros e brancos, estudantes e operários reivindicavam juntos! Hoje, há mais miséria e mais diversão, mas menos lugares para se organizar e lutar”.

Ainda mais pelo fato da contestação ser, mais do que nunca, rapidamente recuperada para as “boas” causas: da “comercialização” da revolta (possível até pela efígie do Che), à da miséria, com lemas sintetizados e ambíguos... Viu-se, até mesmo no Iraque, um tanque estampado com a imagem de Bob Marley. A anedota tem valor de símbolo, ela conta uma época. Há muito tempo, as almas caridosas fazem frutificar esse terreno do comércio. Encabeçando tal movimento, destaca-se Bob Geldorf, gentil organizador de todos os grupos “politicamente corretos”. Contra a dívida imposta à África, ele montou, no verão de 2005, os concertos planetários, mas esqueceu de convidar os principais envolvidos... os artistas africanos [2]! Não muito distante está o U2. O engajamento de alguns – de muitos? – é uma maneira de ocupar o terreno, de vender a bons preços e com poucos custos. Hoje, pode-se até comprar ringtones (toques de celular) de protest songs. O mercado está lucrativo, planificado. Parece inacreditável: trinta segundos de We shall overcome, o hino composto pelo ícone folk Peter Seeger com palavras inspiradas pelos grevistas, vindos de um celular qualquer! Por que motivo tirar do túmulo o anarco-sindicalista Joe Hill, influência de toda a geração de Dylan [3]... Antes em posição de destaque, na contestação, o hip-hop entrou na fila. O consumidor é solicitado por produtos elegantemente comercializados, nos quais o engajamento tornou-se antes uma figura de estilo que uma profissão de fé. Os verdadeiros contestadores permanecem desconhecidos. “Nós somos muito minoritários. E inaudíveis no rádio. Quem é que conhece os textos engajados de Casey? Os “Grandes Gueules” de Sète? Os “Evadés”, de Bourges? O “Collectif 911” de Lille?”, revolta-se Hamé, do grupo La Rumeur, banido da Skyrock, difusora francesa do rap formatado. Quem ouvirá o CD de Roce? Uma língua muito bem afiada por sinal: “A França tem problemas de memória, ela conhece Malcom X, Mas não Frantz Fanon, nem FLN, conhece os blacks, mas não os negros Difunde as story cow-boys e indígenas Mas sobre a tragédia cow-boys e argelinos, não se busca saber nada [4]”.

Além do protesto... a música, o sentimento!

Tudo isso numa música que diz, por entrelinhas, que tudo é ainda possível. Hamé confirma: “A música deve ter nela mesma um lado bem fundamentado e a ação. O estilo é o afloramento das idéias. Fundamento e forma são indissociáveis, do contrário eu escreveria livros, panfletos. Porque a maneira de ser o mais profundamente político é ser portador de uma mensagem de emancipação e de transmiti-la, pelo viés dos códigos que encarnam essa emancipação... O aburguesamento das formas culturais não é inevitável, mesmo que eu tenha consciência de que todos nós carregamos um código de barras no rabo”. Quarenta anos depois que os Estados Unidos da luta contra o Vietnam e dos direitos cívicos consagraram as protest songs, para que servem elas hoje? “O protest singer vai além de descrever uma situação, algo que indica certa impotência frente ao mundo monstruoso. Ele apodera-se dessa memória para se tornar membro ativo do que está acontecendo. Ele não relata mais: ele se expõe”, considera o produtor Jean Rochard que, na virada dos anos 1980, criou o selo Nato [5]. Desde os anos 1930, Woody Guthrie havia escrito no seu violão: “Esta máquina mata os fascistas”. Nos anos 1970, Fela Kuti, opositor do poder do Estado nigeriano e adepto de uma solução pan-africana, declarava: “A música é a arma do futuro”. Ninguém duvida da luta contra o poder através da canção. Ela pode apelar à desmobilização militar – a exemplo do “Déserteur” de Boris Vian, ou, pelo inverso, como o “Back On The Bus” assinado por Carver Neblett e glorificado por Harry Belafonte. “Se você não me encontra na traseira do ônibus, se você não me encontra nos campos de algodão, se você não me encontra em nenhuma parte, vem então ao posto de votação, lá estarei eu, votando”. Cinqüenta anos mais tarde, a compilação “Rock Against Bush” retoma o mesmo senso cívico. Como cabeça, Fat Mike, velho ativista do movimento punk, criou um site com o tópico explícito: punkvoter.com [6]!

Se o termo protest song voltou à posição de destaque, isso lembra, inclusive na sua semântica, a dominação ideológica dos Estados Unidos. Na memória coletiva, o fenômeno fica ancorado na América dos sixties. E quando ressurge, sempre se inscreve nesse país. Além dos males que se denunciam e das palavras que se pronunciam, coloca-se a questão quanto a esse simples fato. Aliás, Dylan, figura derradeira do movimento, com os “Masters Of War”, foi o primeiro a duvidar dos efeitos decorrentes de um protesto em direção única. “Nós queríamos que ele fosse missionário de nossas causas, mas ele pretendia ser roqueiro” – revela precisamente os autores de Protest Song, a canção contestatória na América dos anos 60 . “Por um singular paradoxo, uma geração inteira adotou esse música como universo sonoro de suas próprias revoltas e, em decorrência disso, contribuiu docilmente à expansão cultural do império que mais domina na atualidade”.

A busca de novos relatos musicais

Entretanto, em 2006, as contra-redes organizaram-se numa todo o planeta. Há uma mobilização ativa dos artistas, cada de acordo com suas origens. “Não se pode ter a mesma mensagem do escravo que fugia em busca da liberdade!” – afirma Klod Kiavué, artista da Guadalupe que perpetua a tradição do tambor gwo ka. “Esse tipo de música sempre existiu e resistiu. Antes de Césaire, a África não tinha voz. O gwo ka procura contar uma história diferente da dos relatos oficiais”. Não muito distante, em São Paulo, Tom Zé realizou uma ópera sobre a segregação sexual... e social. Subiu ao palco em macacão de trabalhador, “porque eu venho de um país que é explorado pelos países ditos cultos desse mundo”. Desde os anos 1960, esse brasileiro se inscreve, pela sua maneira singular, no grande concerto do mundo. “Há duas maneiras de fazer uma canção engajada: a primeira é suscitar interrogações; a segunda é berrar palavras de ordem... Este tipo de música despreza o ser humano. A que é resposta, que mata o pensamento. Tal pasteurização da música acaba por ser um sedativo que mantém a humanidade no devaneio. Eu procuro, ao contrário, despertar um pouco a consciência...”.

Para isso, não são necessárias palavras. Os artistas do jazz já haviam dito o mesmo. Nos anos 1950, o contrabaixista Charles Mingus tocou no x da questão com “Fable Of Faubus” que critica, incisivamente, o governador de Arkansas — que havia enviado a guarda nacional contra colegiais negros — e a Ku Klux Klan. Houve também “Alabama”, o estado sulista muitas vezes suplicado, cujo fim John Coltrane anunciou. Sem uma única palavra. Mas seus herdeiros o compreenderam bem. O “Underground Resistance”, um grupo de Detroit, milita a favor da “causa negra” com beats eletrônicos. No Canadá, DeadBeat assinou uma batida techno chamada de “Abu Ghraïb”. “Uma música de protesto do novo milênio. Não são mais necessárias palavras!”, segundo o editorialista Garrett Kamps [7]. Na Inglaterra, o dueto “Coldcut” não fica atrás. Seu trabalho também segue a veia eletrônica. Encabeçando o selo Ninjatune, esses ativistas procuram “adotar novas estratégias para contornar as barreiras erigidas pela indústria”. Na França, o saxofonista Julien Lourau publicou o álbum em dois tempos, “Fire” e “Forget”. O duplo título faz referência ao lema dos artilheiros ingleses antes de atirar: “Primeiro a agente atira e, logo em seguida, vai beber o chá. Há um pouco de ironia ao juntar essas duas palavras. Esse duplo sentido remete a nossa época: a propaganda para justificar a guerra no Iraque, no Afeganistão, e depois o esquecimento. Passa-se rapidamente para a outra coisa”. Tudo isso indica que é possível protestar (e de forma eficaz) com o eletrochoque da música.

Nos objetos, embriões da resistência

Há mais de dez anos, o britânico Matthew Herbert elabora objetos sonoros que contêm intrinsecamente os embriões da resistência. Ele denuncia a comercialização da obra, através de um “desvirtuamento” dos objetos de consumo de massa (garrafas de Coca-Cola trituradas, gritos de pintinhos levados à caixa de som...). “O problema é que vivemos num mundo que não escolhemos. Há 25 anos, estou cercado por McDonald e não posso fazer nada para impedir isso! É necessário ser responsável, não se enganar na luta. Por isso, publiquei um manifesto. Dizer que podemos ainda fazer o que queremos com o McDonald. Estatisticamente, a possibilidade é infinita. O mais importante não é o resultado em si, mas o procedimento de criação. Brincar com um Big Cheese parece mais pertinente do que dizer: ’Isso é nojento’”. Herbert aponta a mensagem para além da simples canção de texto. “Não estou mais interessado no barulho de um livro sobre a mesa, quero escutar o de Noam Chomsky!”. Numa espécie de notas para “Goodbye Swingtime”, ele fornece uma bibliografia de mais de cem referências: Greg Pallast, Milan Rai, etc... Homenagens colaterais, nesse momento de resposta unilateral. “Há uma mensagem política. Primo: a guerra é o pior de todas as coisas; deuzio: leia esses livros que me inspiraram; tertio: tire proveito deles na sua própria vida”.

Em fevereiro de 2003, Matthew Herbert publicou um texto na Internet [8]. Nele pode-se ler: “No despertar de uma guerra, saber onde colocar a música é uma tarefa difícil. A música contemporânea, como muitas culturas ocidentais, está numa encruzilhada. Ela é constituída por uma descrição, por uma crítica ou por uma contribuição às questões políticas urgentes? Ela fornece uma alternativa prescrevendo diferentes regras e combinando seus próprios valores?”. Esse rebelde da música eletrônica choca-se com as superestruturas que não têm fundamento. Não é de se espantar que lhe pareçam “absurdas as tomadas de posição de Madonna, que salientam mais do que uma postura... quando se sabe que, ao mesmo tempo, a cantora assegura a publicidade da Motorola e da Gap!”. Violentamente independente, Herbert, como outros, encontra-se mais na mensagem induzida pelos hackers da Web. “Através de conteúdos aleatórios e poéticos, sob forma de e-mails e de vírus, eles infestam o mundo controlado pelas corporações... Assim é que se encontra a subversão atual!”.

“Todas as pregações me cansam”

A menos que não seja do lado de Uzeste, uma cidade do sudoeste da França, para onde Bernard Lubat retornou após muitos anos sob as luzes, em Paris. Ei-lo trinta anos depois: lá plantou as fundações da sua utopia, “em andamento”... “Sejam católicas ou protestantes, as missas me cansam. Deturpa-se a mensagem, e assim o objeto. Para protestar, é preciso transmitir a mensagem como um “sonar”. Sobre o palco, lá por onde a arte ainda passa”. Na sua opinião, o espetáculo vivo permanece como o terreno de tal aposta. Como o festival Africolor, que organizou em dezembro de 2005 o “Le Chant de la terre”, um encontro entre o brasileiro Silvério Pessoa e Danyel Waro, dois músicos inseridos no movimento diário da luta, arbitrada pela “Conféderation paysanne” [9]. “Cantar é plantar! Cantar é curar! Protestar é, antes de tudo, arrebentar os tímpanos, é não tocar de forma agradável. Hoje, o fardo da indústria pesa sobre nossas consciências, e sobre todo o resto também. Para que se consiga vender, necessita-se de uma estética que esteja de acordo com o comércio. Ou seja, contra isso é que berram!”, retoma Lubat. Ele defende uma solução totalmente pessoal. “Em Uzeste, eu me ponho em estado de improdutividade. Estar em “decrescimento” é uma maneira de estar vivo”. Com seu nome, ele gravou apenas três discos em vinte anos... Não estaria ali a última protest song? Colocar-se fora de campo, fora do alcance. Jean Rochard, por sua vez, escolheu uma posição divergente, na esperança da queda final de seu opositor. O sistema pode certamente engolir tudo, mas não pode digerir tudo. Há coisas que o fazem vomitar, que colocam em evidência sua loucura destrutiva e que nos permitem vê-lo no devorar de si próprio. O mais fodido dos capitalistas será sempre tentado a investir na corda que acabará por lhe enforcar”. Cada um segue a sua própria tática mas, escutando a todos, percebe-se que há o que esperar dos próximos tempos — que realmente balançarão, ou seja, serão de outra forma. Para isso, será preciso mais uma vez consultar o clarividente Frank Zappa. Este norte-americano, tudo menos medíocre, dizia em 1969: “A idéia de jogar tudo pro alto e de recomeçar é estúpida. A melhor maneira de agir, o que justamente eu gostaria de ver acontecer, e pelo que me empenho, é utilizar o sistema contra ele mesmo, fazendo com que ele se purgue, para que funcione corretamente. Penso que a política é um conceito válido, mas o que nós vivemos hoje não é verdadeiramente política...”.

Tradução: Leonardo Teixeira da Rocha leorocha2003@yahoo.com.br



[1] Fato relatado na página 225 do livro Protest Song, la chanson contestataire dans l’Amérique des sixties (Textuel, Paris, 2005).

[2] Bob Geolf é também conselheiro do Partido Conservador Britânico quanto à questão da pobreza mundial. Foi co-fundador da “Planet 24”, empresa produtora do reality-show “Survivor”, e de uma companhia aérea, ambas hoje revendidas.

[3] O sueco Joe Hill foi um dos carros-chefe do “International Workers of The World” (sindicato que se apoiava sobre os trabalhadores sub-proletários), interpretando as “Chansons pour attiser les flammes de la colère”, uma coletânea de textos que incitavam a ação direta... Acusado de duplo homicídio no fim de um processo polêmico, ele foi executado em 1915.

[4] Trecos de “Problèmes de mémoire”, sobre “Identité en crescendo”, publicado em maio de 2006 em No Format.

[5] Nato se inspira não no nome da Otan, mas num membro da tribo de Geronimo. Um cofre-objeto, o “Chronatoscaph” (Nato/ Noturne), acaba de sair, por ocasião do vigésimo quinto aniversário desse selo referência que se engajou em inúmeras lutas, publicando coletâneas a favor dos indígenas, uma compilação sobre de Sarajevo ou um duplo álbum em homenagem a Colonne Durutti.

[6] O site anuncia receber 500 mil visitas por mês, nas quais “as pessoas votam”. Desde as eleições, o site continua a comentar a atualidade “guerreira” e “racista” de Bush, com slogans do tipo “voto para veto”.

[7] No dia primeiro de junho de 2005, no instrutivo “What Are Words For?“, disponível no site http://www.altweeklies.com.

[8] Pode-se consultá-lo no site http://www.magicandaccident.com.

[9] Outros festivais de música seguem pelo mesmo caminho: “Sons d’hiver” deu origem aos “tambours conférence” cuja primeira realização, no dia 12 de janeiro de 2006, tinha por tema “Arte, música e engajamento”; “Banlieues Bleues programou no dia 28 de março, na mesma noite das grandes manifestações contra o CPE, o projeto do músico Eugène Chadbourne intitulado “Go Out Irak Now”...


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