Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Para compreender a “Améfrica” e o “pretuguês”

» O sofisticado descolonialismo de Roberto Retamar

» A era dos eleitores cínicos

» Pós-capitalismo na era do algoritmo (final)

» Contingenciamentos: a barbárie nos números

» O horror como mera constatação

» João Gilberto pra acabar com a apatia

» Boaventura: Descolonizar o saber e o poder

» Morte e gozo sobre rodas

» Morte e gozo sobre rodas

Rede Social


Edição francesa


» Quand l'Espagne révolutionnaire vivait en anarchie

» Il y a soixante ans, l'aube de la guerre d'Espagne

» Mourir pour des images

» L'évêque aux côtés des tueurs

» Quand les intellectuels s'enflammaient pour une cause…

» La France favorable à un système international de gérance

» Les savants, le public et la sonde Rosetta

» Les mondes perdus de l'anticipation française

» L'ordre mondial selon John Maynard Keynes

» L'offensive des intellectuels en Iran


Edição em inglês


» Voting advice applications in Ukraine

» July: the longer view

» An interview with Franco ‘Bifo' Berardi

» Learning the lessons of the Arab Spring

» May 2019 parliamentary election

» A religious map of India

» Universal access to care

» Benin's fight against tuberculosis

» Towards an equal and healthy Africa

» Ivorians mobilise against AIDS


Edição portuguesa


» Edição de Julho de 2019

» Inconsistências (ou o sono da razão?)

» Comércio livre ou ecologia!

» Edição de Junho de 2019

» As pertenças colectivas e as suas conquistas

» A arte da provocação

» 20 Anos | 20% desconto

» EUROPA: As CaUsas das Esquerdas

» Edição de Maio de 2019

» Os professores no muro europeu


CIÊNCIA, CAPITAL E PODER

Os herdeiros do DDT

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

A pretexto da luta contra a malária, um pequeno grupo de cientistas, apoiado por transnacionais e à frente de ONGs de mercado, procura reabilitar um inseticida para o qual existem, há muito, alternativas ambientalmente corretas

Philippe Rivière - (01/07/2006)

É a certidão de nascimento do movimento ecológico: já em 1962, o livro Silent Spring [1], da zoóloga Rachel Carson dava o alarme contra os efeitos devastadores do dicloro-difenil-tricloroetano (DDT) sobre a fauna. Levou à proibição do uso do DDT na agricultura, nos Estados Unidos, e à tomada de consciência internacional dos perigos dos poluentes orgânicos persistentes (POP), que se acumulam ao longo da cadeia alimentar.

Com o ressurgimento da malária, alguns acalentam a esperança de uma desforra. Pois embora existam inseticidas biodegradáveis (piretros), o DDT continua a ser o produto mais eficaz e mais barato contra os mosquitos. Pelo menos, na opinião de seus defensores. A discussão ferve nas maiores revistas médicas, onde os debatedores se sucedem para condenar ou apoiar o tratado internacional sobre o uso dos POP [2]. Em seu último thriller, resolutamente anti-ecologista, Etat d’urgence [3], o romancista de sucesso Michael Crichton não hesita em afirmar – por intermédio de um personagem – que a proibição do DDT «matou mais gente que Hitler».

Estranhamente, os libelos publicados na imprensa e os relatórios citados a favor do DDT levam sempre a um pequeno punhado de signatários. Principalmente os senhores Amir Attaran e Roger Bate. O primeiro, um professor universitário com passagem por Harvard, ex-consultor dos Médicos sem Fronteiras tornou-se ... porta-voz das companhias farmacêuticas.O segundo co-dirige a Africa Fighting Malaria (AFM), uma «ONG com sede na África do Sul», militante pró-DDT. «Pela natureza do [seu] trabalho», a AFM é proibida de receber financiamentos «de governos, da indústria química [ou] farmacêutica». Seus patrocinadores incluem a companhia petrolifera ExxonMobil e o grupo de mineração AngloAmerican. Os mesmos pesquisadores-militantes pró-mercado são consultores de ONGs do mesmo quilate, como o Competitive Enterprise Institute, que recebe, com toda a independência, doações da Fprd, Philip Morris, Pfizer...

Tradução: Betty Almeida betty_blues_@hotmail.com



[1] Rachel Carson, Primavera Silenciosa. São Paulo: Melhoramentos, 1965.

[2] Convenção de Estocolmo sobre os poluentes orgânicos persistentes, em vigor a partir de maio de 2004.

[3] Michael Crichton, Etat d’urgence, Robert Laffont, 2006.


Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos