Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Rebelião em Londres: é o clima ou o sistema?

» A “inteligência caolha” da família Bolsonaro

» O crime de Guarapuava e as elites sem freios

» Boaventura: os EUA flertam com o direito názi

» Argentina: ainda bem que há eleições…

» O bispo que não vai para o céu

» Prisões brasileiras: relato de dentro do inferno

» Bernardet: “Tirei o corpo fora”

» Bernardet: “Tirei o corpo fora”

» Em Los Silencios, fuga para o não-lugar

Rede Social


Edição francesa


» La justice, pilier ou béquille de la démocratie ?

» La canicule, révélateur d'une santé malade

» La caution des scientifiques

» Dans l'enfer blanc de l'amiante

» Fiasco à La Haye

» L'immigration au miroir des échecs de la gauche

» « Faxer » ou périr, une culture de l'urgence

» Comment Sciences-Po et l'ENA deviennent des « business schools »

» Assimilation forcée dans le Xinjiang chinois

» Les riches entre philanthropie et repentance


Edição em inglês


» Mica mining, why watchdogs count

» LMD's New York debates

» Decriminalizing the drug war?

» April: the longer view

» Housing, rubbish, walls and failing infrastructure in East Jerusalem

» Mining profits go to foreign investors

» Combatting climate change: veganism or a Green New Deal?

» Berlin's fight for expropriation

» Afghanistan: the fighting continues

» The private world of swiping on screens


Edição portuguesa


» Edição de Abril de 2019

» A nossa informação, as vossas escolhas

» O cordão sanitário

» O caso do Novo Banco: nacionalizar ou internacionalizar?

» Edição de Março de 2019

» Sabe bem informar tão pouco

» O presidente e os pirómanos

» Edição de Fevereiro e 2019

» As propinas reproduzem as desigualdades

» Luta de classes em França


ÁFRICA

Um dos sonhos de Thomas Sankara

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

Os progressos importantes de Burkina Faso contra a mutilação sexual feminina devem-se em grande parte à obra de um presidente que imaginou um futuro digno e livre para o país

Hubert Prolongeau - (01/08/2006)

Os primeiros protestos contra a excisão em Burkina Fasso, prática que existia antes da chegada do islamismo, datam do começo do século 20. Elas vinham dos pais brancos. Certos habitantes seguiam seus conselhos. As mulheres não mutiladas tinham dificuldades de encontrar um esposo e quando finalmente se casavam, eram obrigadas a fazer a excisão depois do casamento.

Nos anos 60, após a independência, o novo presidente de Alta Volta (antigo nome de Burkina Faso), Maurice Yaméogo, tentou uma campanha de sensibilização. Mas foi criticado por ter uma atitude de “branco em pele de negro”. Em 1975, Ano Internacional da Mulher, algumas delas denunciaram a prática no rádio. A hostilidade em resposta à iniciativa foi violenta.

Foi necessário esperar mais dez anos para que a mensagem fosse compreendida. Em 1985, o presidente Thomas Sankara [1] criou a Semana Internacional da Mulher e adotou uma ação inovadora: nomeou várias mulheres para o governo, motivou-as a lutar por sua emancipação, pronunciou-se contra a poligamia masculina (que regulamentou) e a excisão (que proibiu). Em maio de 1988, um seminário internacional reuniu 300 representantes do setor e originou a criação de um Comitê Provisório de Luta contra a Excisão. No dia 18 de maio de 1990, um Comitê Nacional de Luta contra a Prática da Excisão, desta fez definitivo, foi criado e a presidente de honra até hoje é Chantal Compaoré, esposa do atual chefe de Estado, Blaise Compaoré – acusado de ter mandado assassinar seu companheiro de luta, Thomas Sankara, em outubro de 1987. Em novembro de 1996, uma lei que proibia a excisão foi adotada, prevendo sanções penais. A luta ganhou força em maio de 1997, com a criação de um secretariado permanente do CNLPE e, em maio de 2000, pela instauração de um Dia Nacional de Luta contra a Excisão, celebrado dia 18 de maio todos os anos.

Tradução: Sílvia Pedrosa silvia@zeapinc.com



[1] Líder da chamada “Revolução Burkinesa”, Sankara governou entre 1983 e 87. Definia-se como anti-imperialista. Seu governo esforçou-se em especial por ampliar o acesso a Educação e Saúde, e por livrar as mulheres da submissão secular. Há um verbete interessante sobre ele na seção em francês da Wikipedia


Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Burkina Faso

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos