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Nos anos 1950, um ator de Hollywood e futuro presidente dos EUA cruzou várias vezes o país para construir uma imagem positiva da GE entre as famílias norte-americanas e os próprios funcionários da empresa

Serge Halimi - (10/11/2006)

Em 1952, a vida do ator Ronald Reagan torna-se mais estável quando ele se casa com Nancy Davis, e mais enriquecedora quando a General Electric concede-lhe um contrato faustoso: 125 mil dólares de luvas, mais 150 mil dólares por ano. Ralph J. Cordiner, o executivo-chefe da GE, procura então alguém para dar um rosto e uma voz à "empresa cidadã" (corporate citizen), que ele acaba de descentralizar. "Cordiner", explicaria Reagan em 1980, "havia concebido a idéia de um programa de televisão apresentado pelo porta-voz da companhia. Ele faria também uma turnê pelas fábricas. Os empregados, espalhados de um lado a outro do país, saberiam que a sede central não ignorava sua existência, já que lhes enviava este sujeito que eles haviam visto na televisão no domingo à noite [1]".

No início, Ronald Reagan sentia alguma resistência em relação à televisão, temendo que ela arruinasse Hollywood. Mas ele precisava de dinheiro... Iria ganhar tanto (incluindo a promoção, feita semanalmente na televisão, de uma geladeira ou de um aparelho de TV produzido pela empresa [2]) que suas opiniões polítcias, democratas e com tendências progressistas até o início dos anos 50, mudariam. O imposto de renda – que podia então chegar a 91% na faixa mais alta – torna-se sua obsessão: "Ele nos transforma numa nação de mentirosos e de trapaceiros", dispara Reagan, num programa de rádio, em 1957.

Durante oito anos que dedica, a partir de setembro de 1954, ao programa de televisão de domingo à noite, GE Theater, e às viagens promocionais da empresa – ele afirmava ter pronunciado até 14 discursos por dia, ter encontrado 250 mil trabalhadores e passado o equivalente a dois anos completos nas estradas – Ronald Reagan refina sua arte oratória, ao mesmo tempo em que aprimora sua resistência de futuro candidato. Ele se tornaria o defensor feroz das grandes empresas privadas e o perseguidor de um Estado que, segundo ele, as estrangula.

Quando Richard Nixon, em favor de quem Reagan se engajou bastante, foi derrotado em 1960 por John Kennedy, a General Electric, sempre ávida das boas graças da Casa Branca, esperou o fim do contrato de seu porta-voz, em 1962, para se separar dele. Quatro anos mais tarde, ele seria eleito governador da Califórnia. Para começar...



[1] Citado por Lou Cannon, Reagan, Perigee Books, Nova York, 1984, p. 93.

[2] Num anúncio, Ronald Reagan abre um móvel. Um aparelho de televisão está no interior. Nancy Reagan exclama: “Na nossa nova casa, se queremos distração…” Ronald Reagan completa: “Temos apenas que apertar um botão: a eletricidade a trás para nós. É uma das maneiras de viver melhor graças à eletricidade”.


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