Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» O cineasta em sua fauna

» A revolução do Emprego Garantido

» Segurança pública: hora de trazer a pauta para a esquerda

» Segurança pública: hora de trazer a pauta para a esquerda

» Para entender a crise de Itaipu

» “Não esqueçam Julian Assange”

» Índia ocupa a Caxemira muçulmana

» Portugal, o novo alvo da extrema-direita

» Portugal, o novo alvo da extrema-direita

» E quando nos levantaremos contra os rentistas?

Rede Social


Edição francesa


» Comment fut liquidée toute une génération d'opposants

» Eldridge Cleaver : le retour de l'enfant prodigue

» Population, subsistance et révolution

» Une nouvelle classe de petits potentats domine les villages

» Vers une « révolution agricole »

» En dehors de la « Petite Europe » d'autres débouchés s'offriront aux produits tropicaux

» Dans le domaine agraire il serait dangereux de vouloir brûler toutes les étapes

» L'expérience de M. Fidel Castro pourrait être mise en péril par une socialisation trop rapide de l'industrie cubaine

» Au Japon, le ministre de la défense s'inquiète

» Les soucoupes volantes sont-elles un sous-produit de la guerre froide ?


Edição em inglês


» On ‘la pensée unique'

» Manufacturing public debate

» August: the longer view

» Trump returns to the old isolationism

» Yellow vests don't do politics

» Kurdish territories in northern Syria

» The changing shape of the Balkans: 1991 / 2019

» Minorities in Kosovo

» Borders 1500-2008

» Man with a mission or deranged drifter


Edição portuguesa


» Edição de Agosto de 2019

» Plural e vinculado à esquerda

» Os talibãs de São Francisco

» Edição de Julho de 2019

» Inconsistências (ou o sono da razão?)

» Comércio livre ou ecologia!

» Edição de Junho de 2019

» As pertenças colectivas e as suas conquistas

» A arte da provocação

» 20 Anos | 20% desconto


VIVER DE RENDAS

El Salvador respira dólares

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

Cerca de dois milhões de salvadorenhos migraram, especialmente para os EUA. As remessas recebidas de parentes no exterior chegam a representar 30% da renda, em certas regiões. Nelas, faltam braços para a lavoura: os salários não competem com o dinheiro que vem de fora...

Raphaëlle Bail - (21/12/2006)

El Salvador é um caso exemplar, um ponto de observação privilegiado para se ver os efeitos da emigração maciça a partir do país de origem. Não há nada de surpreendente em vista da amplitude do fenômeno. Segundo as estimativas, 25% a 34% dos salvadorenhos vivem no exterior, ou seja, entre 1,7 a 2,5 milhões de pessoas – a grande maioria nos Estados Unidos. A diáspora salvadorenha, muito organizada, beneficia-se do apoio de um “vice-ministério dos salvadorenhos no exterior” dedicado à defesa de seus interesses. Nos jornais diários, seções inteiras lhes são dedicadas, em particular as páginas do “Departamento 15” de La Prensa Gráfica, que se refere aos Estados Unidos como sendo o décimo quinto estado de El Salvador...

A diáspora salvadorenha mostra-se generosa. Segundo o Banco Central, as remessas de dinheiro (remesas) atingiram 2,3 bilhões de dólares em 2003, 2,5 bilhões em 2004 e quase 3,0 bilhões de dólares em 2005. O montante equivale a 15% do PIB, ou seja, muito mais do que o orçamento da educação e da saúde somados... Para as famílias, as remessas são um complemento de renda não desprezível. O Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento (PNUD) calcula que entre 20% e 25% da população se beneficia de uma renda de 400 dólares ao ano por pessoa. Nas regiões onde a emigração é intensa (regiões fronteiriças com Honduras), essas remessas contribuem com 30% da renda.

Um dos reversos desta medalha no país foi o aparecimento e o desenvolvimento de bandos de jovens delinqüentes violentos – as maras.

Marginalidade e gangues: o preço cruel

Nos Estados Unidos, em um contexto social muito difícil, numerosos jovens salvadorenhos uniram-se às gangues que florescem nos guetos. Presos, condenados e encarcerados, eles são em seguida expulsos para seu país de origem onde passam a integrar os bandos locais e trazem consigo sua perícia em matéria de armas e violência. Assim, estabelecem redes, que vão de El Salvador à Honduras e Guatemala, e que terceirizam contratações para as estruturas do crime organizado.

Por outro lado, o peso de 2,5 milhões de compatriotas vivendo nos Estados Unidos, que endurecem sua política migratória, influencia a política exterior de El Salvador. Para preservar a fonte de remessas, pilar da economia nacional, nem se pensa em contrariar o Tio Sam. El Salvador alinha-se com Washington em todas as instâncias internacionais e permanece o único país da América Latina a manter tropas no Iraque.

Por fim e não o menor dos paradoxos... Na província de La Unión, a emigração criou uma verdadeira oportunidade para a mão de obra... estrangeira. Em virtude dos salários nas plantações e na construção civil não competirem com as remesas, os trabalhadores salvadorenhos desprezam estes serviços. Isto faz com que surjam ônibus inteiros vindos das províncias miseráveis dos países vizinhos. Na maioria das vezes sem "carteira assinada”. Carpinteiros, vendedores ambulantes, empregados domésticos e peões (peones), são os trabalhos típicos desses imigrantes hondurenhos e nicaragüenses atraídos também pela dolarização da economia salvadorenha (em 2001). Doravante, El Salvador rivaliza com a Costa Rica ao acolher os migrantes.

Tradução: Patrick Arnault
patrick.arnault@bol.com.br




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Estados Unidos
» Desigualdades Internacionais
» El Salvador
» Imigrantes e Cidadania
» América Latina
» DOSSIÊ MIGRAÇÕES

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos