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A degradação dos serviços de saúde africanos é alimentada pelos “ajustes fiscais” que o FMI determina e pelo descompromisso da “comunidade internacional”, mesmo em relação aos Objetivos do Milênio

Karl Blanchet , Regina Keith - (21/12/2006)

O continente negro possui apenas 3% do pessoal de saúde do mundo [1] quando sua população representa sozinha 25% da taxa mundial de pessoas atingidas por alguma enfermidade [2]. Essa crise maior é resultado de anos de negligência e falta de investimento dos governos africanos e da "comunidade internacional". Há ainda as draconianas imposições orçamentárias e fiscais do FMI. Os setores da saúde e educação são os primeiros a sofrer com essas medidas.

As despesas em saúde e em recursos humanos dos governos e credores dos fundos internacionais não foram suficientes. Somente 13 dos 55 países do continente gastam mais de 30 dólares por ano por cada pessoa, enquanto uma soma mínima de 34 dólares é recomendada pela OMS. Por outro lado, a comunidade internacional nunca investiu os 22 bilhões que, de acordo com a OMS [3], permitiriam o continente negro atingir os objetivos do “milênio para o desenvolvimento” das Nações Unidas.

Tradução: Leonardo Abreu
leonardoaabreu@yahoo.com.br



[1] Lugina Helen Igobeko, “Que mudanças de políticas na África e no Ocidente podem ir ao encontro dos atuais desafios da África”, apresentado na conferência “Mobilizando os profissionais de saúde africanos na diáspora e recursos para a construção de um sistema na África”, Londres, 22 de março de 2006.

[2] A taxa de morbidade indica o número de pessoas atingidas por uma doença por unidade de população. É expressa em geral no número de pessoas acometidas por 10 mil ou 100 mil habitantes.

[3] Save the Children, “Um mal desnecessário? Taxas de uso do serviço de saúde pública em países de baixa renda”, Londres 2005.


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