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Cronologia de um ditador

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Augusto Pinochet: do golpe, e da adoção pioneira do programa neoliberal, à condenação por fraude fiscal e à morte solitária e inglória

(16/01/2007)

1970
4 de novembro: Eleito presidente da república, Salvador Allende assume o cargo.

1973
23 de agosto: Allende nomeia o general Augusto Pinochet comandante em chefe do exército.

11 de setembro: Golpe de Estado contra o governo socialista. Uma junta militar de que Pinochet faz parte toma o controle do país.

Outubro: Uma delegação militar – a "Caravana da Morte" – percorre o país e assassina dezenas de opositores do regime.

1974
20 de junho: Pinochet é nomeado por seus partidários “chefe supremo da nação” por tempo indeterminado.

1975
Março: Os “Chicago boys” anunciam um tratamento de choque para a economia chilena e convidam Milton Friedman a Santiago.

19 a 26 de Março: Em Montevidéu, uma reunião com os responsáveis pelas polícias secretas do Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai oficializa a “Operação Condor”, campanha de “contra-terrorismo” e assassinatos levada a cabo concomitantemente em todos esses países.

1978
19 de abril: O decreto-lei 2191 determina anistia para todos os delitos cometidos entre 1973 e 1978.

1980
11 de setembro: Pinochet consegue aprovar por referendo uma nova constituição, que dá a ele um mandato de 8 anos como presidente da república.

1988
5 de outubro: Os chilenos recusam, por referendo, prolongar o mandato presidencial de Pinochet até 1997.

1990
11 de março: O democrata-cristão Patrício Aylwin assume como presidente da República. Pinochet permanece como chefe das Forças Armadas.

1991
8 de fevereiro: a comissão Retting – Comissão nacional de verdade e reconciliação – entrega seu relatório de acusação ao presidente Aylwin.

1998
16 de outubro: Por iniciativa do juiz Baltazar Garzón, o general chileno é detido em Londres e exige-se sua extradição para a Espanha (no dia 6 de novembro), por genocídio, torturas e desaparecimentos.

2000
2 de março: Pinochet é liberado: o ministro britânico do interior, Jack Straw, recusou a extradição para a Espanha por “razões médicas”.

25 de março: O congresso chileno aprova uma emenda constitucional concedendo imunidade aos antigos presidentes da República, portanto Pinochet.

8 de agosto: A Suprema Corte de Santiago pronuncia-se a favor da imunidade parlamentar de Pinochet.

2001
29 de janeiro: O juiz chileno Juan Guzmán ordena que Pinochet se apresente à justiça e estabeleça domicílio fixo.

Fevereiro: Pinochet é considerado culpado por participação na “Caravana da Morte”.

9 de julho: A Corte de Apelação de Santiago suspende as ações contra Pinochet, por motivo de saúde.

2002
1 de Julho: A Corte Suprema declara um indulto e o abandono das ações judiciárias, alegando que o ditador, “tomado por problemas mentais moderados”, não está em condições de assegurar sua defesa.

4 de julho: Pinochet deixa seu posto de senador vitalício.

2004
28 de maio: A Corte de Apelação de Santiago do Chile retira a imunidade de Pinochet.

Julho: Um relatório do Senado norte-americano fala em uma soma de 4 a 8 milhões de dólares depositadas por Pinochet, entre 1994 e 2002, em nove contas do Banco Riggs.

28 de novembro: O governo do presidente Ricardo Lagos torna público o relatório da Comissão de Prisão Política e Tortura. Um documento que denuncia 35 mil casos de tortura (3 mil assassinatos e desaparecimentos). Foram mais de 800 centros de detenção e tortura e mais de 3600 torturadores.

13 de dezembro: O juiz Guzmán declara Pinochet culpado e ele fica em prisão domiciliar vigiada, por crimes cometidos durante a "Operação Condor".

2005
4 de janeiro: A Suprema Corte chilena valida a culpa de Pinochet e o obriga a manter-se em domicílio.

15 de março: Apresentação de uma “rede financeira secreta” com nada menos que 125 contas bancárias (27 milhões de dólares) em diversas instituições nos Estados Unidos e outros países, em nome do ex-presidente e seus familiares.

7 de junho: A Suprema Corte declara um indulto definitivo em favor de Pinochet no processo da "Operação Condor"; no mesmo dia, a corte retira sua imunidade e abre o caminho para seu julgamento por fraude fiscal.

14 de setembro: A Suprema Corte chilena abre caminho para um processo contra o antigo ditador pela “Operação Colombo” (execução de 1189 militantes do Movimento da Esquerda Revolucionária (MIR), em 1975).

23 de novembro: Pinochet é culpado por fraude fiscal.

2006
26 de outubro: Nova descoberta: Pinochet teria, desde 1980, depositado nove toneladas de ouro numa filial do banco britânico Hong Kong & Shangai Banking Corporation (HSBC), em Hong Kong.

25 de novembro: Numa declaração lida por sua esposa, Pinochet assume, pela primeira vez, a “responsabilidade política” por tudo que aconteceu durante seu mandato.

10 de dezembro: Morte de Pinochet aos 91 anos.




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