Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» 26 de maio de 2022

» Colômbia: como esquerda reavivou esperanças

» Getninjas: o perverso leilão digital de trabalho humano

» Cinema: Em Tantas almas, a contracorrente da guerra suja

» 25 de maio de 2022

» Chacinas: O pacto de sangue na origem das PMs

» A Big Pharma e o relógio do apartheid pandêmico

» Rentismo: o parasita que alimentamos sem saber

» A fome e o colapso da “Revolução Verde”

» 24 de maio de 2022

Rede Social


Edição francesa


» Comment ça marche ? Les structures de fonctionnement de l'OTAN

» L'avancée vers l'est

» Ventes d'armes des États-Unis à leurs partenaires

» Opérations militaires de l'OTAN

» Mario Vargas Llosa, Victor Hugo et « Les Misérables »

» Des médias en tenue camouflée

» Jénine, enquête sur un crime de guerre

» Le monde arabe en ébullition

» Au Proche-Orient, les partis pris de la Maison Blanche

» L'abolition du territoire


Edição em inglês


» France's new vocation

» Lawfare in the Mediterranean

» Lebanon: ‘Preserving the past in hope of building the future'

» May: the longer view

» Fragmented territories

» A clash of memories

» Alsace's toxic time bomb

» The poisonous problem of France's nuclear waste

» Can Medellín change its image?

» Venezuela: a ‘country without a state'


Edição portuguesa


» Morrer em Jenin

» Recortes de Imprensa

» Será a caneta mais poderosa do que a espada?

» A Hipótese Cinema

» Um projecto ecofeminista em Aveiro

» David Bowie em leilão

» Como Pequim absorveu Hong Kong

» Na Colômbia, o garrote Medellín

» Face ao colapso, o Líbano quer preservar a sua memória

» Continua a Inglaterra a ser britânica?


CORPORAÇÕES

Quando a imprensa silencia

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

Há uma interessante coincidência entre a postura da mídia diante das demissões na Airbus e a composição acionária de certos jornais, rádios e TVs...

François Ruffin - (21/05/2007)

“Trata-se de um plano clássico de reestruturação, mas a confusão reina porque os candidatos se apossaram dele”, diz Jean-Marie Colombani num programa da rádio France Culture chamado “La rumeur du monde” (Os rumores do mundo). Professor de economia e editorialista associado ao Le Monde, Jean-Claude Casanova continua exaltado: “É um problema de competitividade que precisamos compreender e esta é uma dificuldade especificamente francesa, porque se você está nos Estados Unidos ou na Inglaterra, ou se você está no mundo financeiro e alguém lhe diz ‘Preciso me reestruturar, porque o mercado não corresponde ao meu posicionamento, às escolhas que fizemos ou a este ou aquele erro, então é necessário reestruturar e para isso se cortam empregos’. Nos Estados Unidos, os sindicatos até aplaudem, os mercados financeiros aprovam, todo mundo acha isto normal, é a prova do dinamismo da empresa.” O jornalista Eric Le Boucher completa a análise: “Um dos temas desta reestruturação é partir para a subcontratação em zonas de dólar, para fazer baixar os custos de fabricação no longo prazo…”. O último convidado do programa, Philippe Camus, ex-diretor da EADS, apenas conclui: “É isto que visa o plano Power 8. Ele deveria ter sido colocado em prática há muito tempo”. Por que ter demorado tanto para suprimir 10% da mão de obra? Esta seria a “verdadeira questão”.

No banco dos réus, os “candidatos”, os “Estados”, a “opinião pública”, as “feudalidades nacionais [1]”. Lagardère e Daimler-Chrysler não são citadas nem como responsáveis, nem como culpadas. Camus, ator do desastre, é convidado como testemunha, jamais questionado sobre a “desonestidade” ou a “incompetência” dos dirigentes. Durante o “caso Airbus”, os principais veículos da mídia foram porta-vozes do Grupo Lagardère, e às colocações dos críticos não foi dada atenção. Nem foi, em compensação, necessário bloquear as posições de Lionel Jospin e Dominique Strauss-Kahn. Em “Verdade sobre a EADS”, eles conseguiram o feito de não mencionar nem o pai, Jean-Luc Lagardère, nem seu filho, Arnaud, e ainda menos os meios que usaram para multiplicar suas próprias fortunas [2].

Por sua vez, Nicolas Sarkozy, evocou, sem maior precisão, “um problema acionário”. Mesmo o L’Humanité evitou atacá-lo na capa. Apesar de seus lucros cem vezes inferiores, Noël Forgeard e seu pára-quedas dourado de 8 milhões tiveram direito a menos clemência: voaram penas sobre o símbolo detestável do “dinheiro insano”, uma “provocação”, um “prêmio à incompetência”. De norte a sul, e até nos poleiros do patronato, todos se declararam “estupefatos”.

Silêncio para um, vergonha para outro. Que grande analista evocaria aqui a “auto-censura”? O Grupo Lagardère garantiu participações no Le Parisien, i-télé, Le Monde, L’Humanité, Paris-Match, Canal Sat, e em dezenas de jornais regionais, tudo isso sem ferir, claro, a liberdade dos jornalistas. Jean-Pierre Elkabach, diretor da Europe 1, rádio do Grupo Lagardère, assegurou: “A eficácia e a honestidade são as melhores garantias do profissionalismo e da independência. (...) Felizmente alguns grandes grupos ajudam a imprensa a se desenvolver, a se manter e a sobreviver com toda a independência num momento em que ela está em crise profunda [3].” Sim, felizmente.

Tradução: Sílvia Pedrosa silvia@zeapinc.com

Leia mais:

Nesta edição, sobre o mesmo tema:

Airbus, privatização e desastre
Em dificuldades, o maior fabricante de aviões do mundo prepara-se para demitir 10 mil trabalhadores. Na raiz de seus problemas estão a transferência, pelos Estados francês e alemão, do controle sobre a empresa e a emergência de uma lógica de negócios que desprezou o investimento, para se concentrar nos ganhos financeiros

A Europa sem indústrias
A crise da Airbus desfaz o mito segundo o qual o continente vive uma "especialização industrial" virtuosa. Por trás deste eufemismo, está em curso a perda de capacidade produtiva



[1] L’Expansion, abril de 2007.

[2] Le Monde, 8 de março de 2007.

[3] Comunicado da AFP, 5 de setembro de 2006.


Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» França
» Transnacionais
» Deslocalizações
» União Européia

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos