Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» A Tecnologia da Adaptação — e como vencê-la

» O Irã e os idiotas úteis… a Washington

» “Atire na cabeça!”

» Um reino de farsas e encenações necessárias

» Jogue no Google, senhor ministro

» Religião, violência e loucura

» O consenso pela Educação acabou

» O dia em que o governo perdeu as ruas

» Galeria: Brasil nas ruas

» Um governo tóxico

Rede Social


Edição francesa


» Une obligation morale

» Mais pourquoi cette haine des marchés ?

» Les militants français confrontés à la logique de l'entreprise

» Une machine infernale

» Pour sauver la société !

» Des réformes qui ne sont pas allées assez loin

» Controverses et débats en Allemagne

» Un nouveau maître à penser : l'entreprise

» Le problème de l'épuisement des matières premières peut, aujourd'hui, être envidagé avec un optimisme relatif

» Incontrôlable avant l'an 2000, l'explosion démographique accroit le risque d'une double catastrophe mondiale


Edição em inglês


» Iran and the US, a tale of two presidents

» Terry Gou, Taiwan's billionaire and political wildcard

» Ecuador's crackdown on abortion is putting women in jail

» Traditions of the future

» Boondoggle, Inc.

» Sisi amends Egypt's constitution to prolong his presidency

» May: the longer view

» The languages of Ukraine

» Chile's day of women

» Notre Dame is my neighbour


Edição portuguesa


» 20 Anos | 20% desconto

» EUROPA: As CaUsas das Esquerdas

» Edição de Maio de 2019

» Os professores no muro europeu

» Chernobil mediático

» Edição de Abril de 2019

» A nossa informação, as vossas escolhas

» O cordão sanitário

» O caso do Novo Banco: nacionalizar ou internacionalizar?

» Edição de Março de 2019


SOCIEDADE

Tope tudo pelo emprego

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

Pressionadas a garantir postos de trabalho, as sociedades estão cada vez mais vulneráveis às pressões do capital. Para evitar deslocalizações, aceitam-se ambientes insalubres, energias sujas e produtos que atentam contra a soberania alimentar

Annie Thebaud-Mony - (27/07/2007)

A globalização financeira se constrói a partir da competição — em escala planetária — entre os trabalhadores. A chantagem da manutenção do emprego é constantemente utilizada para proibir qualquer debate público sobre as escolhas de produção e suas conseqüências para a saúde dos trabalhadores. De tal forma, por trás da controvérsia sobre os organismos geneticamente modificados (OGM), inicia-se a destruição de todas as formas de agricultura livre de um modo de produção agro-industrial que, pelo uso descontrolado dos agrotóxicos [1] expõe os trabalhadores agrícolas a riscos graves de intoxicação, infertilidade e câncer [2]

Por trás dos discursos sobre o futuro energético do planeta, atua o poderoso lobby nuclear, impedindo qualquer contestação de uma organização produtiva que condene os conseqüentes sofrimentos dos efeitos cancerígenos, mutagênicos e teratogênicos [3]. Oculta, também, as contestações de todos os que vivem sob o vento radioativo de Chernobil e seus descendentes [4] e dos trabalhadores que garantem – em condições particularmente precárias – a manutenção das instalações nucleares. O emprego e ‘‘o efeito estufa’’ encerram imediatamente qualquer discussão.

A revolução informática, o impulso da indústria química e as nanotecnologias [5] — símbolos de progresso — ocultam o impossível domínio humano e técnico dos riscos mutagênicos e cancerígenos que se desenvolvem em caso de vazamento em indústrias assustadoramente poluidoras. A história do amianto é o exemplo mais emblemático disso [6]. Os magnatas de um setor florescente impuseram ao mundo, com pleno conhecimento de causa, o amianto, como se não existisse nenhuma solução alternativa. Legaram às gerações atuais e futuras os custos humanos, econômicos e ambientais de uma praga cujas dimensões só agora se começa a perceber. Havia alternativas, mas reconhecê-lo quebraria o monopólio do cartel das indústrias do amianto e fibrocimento sobre um gigantesco mercado mortífero que se estende — depois da proibição na Europa — aos outros continentes.

Os direitos trabalhistas submetidos ao "direito de concorrência"

O setor dos serviços não é exceção. Ilustra todas as formas de escravidão autorizadas pela diretriz aprovada pelo Parlamento Europeu, em 2006 [7]. Tal diretriz submete abertamente a aplicação dos direitos trabalhistas e da saúde no trabalho à aplicação do direito à concorrência. Isto corresponde ao que já se aplica na terceirização — o instrumento preferido da irresponsabilidade dos industriais. Quando os diretores da Airbus Industries prevêem, ao mesmo tempo, milhares de demissões e a redução de 20% dos custos de produção de um novo avião, significa uma intensificação do trabalho para todos os assalariados e terceirizados que terão a ‘‘sorte’’ de conservar seu emprego. Afirma-se que a hora é a da urgência produtiva, barrando qualquer contestação das condições de trabalho. Aliás, a deslocalização para a Turquia, China ou outro lugar permite a esses diretores contornar as regras de proteção francesas ou européias.

Formam-se redes para defender os trabalhadores desses países. Recentemente, uma delas divulgou, na Europa, o caso das operárias chinesas expostas ao cádmio nas fábricas de pilhas e baterias da Gold Peak Industries, multinacional com sede em Hong Kong. Esses produtos são usados em brinquedos, computadores portáteis ou ainda máquinas fotográficas, exportados maciçamente para todas as partes do mundo. Note-se que a União Européia e os Estados Unidos editaram regras estritas de prevenção, prevendo — como no caso do amianto — que os trabalhadores sejam integralmente protegidos de todo contato cutâneo ou respiratório com o cádmio. Apesar da forte mobilização dos antigos operários das fábricas da Gold Peak, mantida por várias organizações de defesa dos direitos dos trabalhadores de Hong Kong, a direção da empresa sempre se recusa a indenizar os operários intoxicados e a empreender negociações sérias com os trabalhadores [8].

Tradução:Elisabete de Almeida
betty_blues_@hotmail.com



[1] Fabrice Nicolino, François Veillerette, Pesticies. Révélations sur un scandale français, Fayard, Paris, 2007

[2] Patric Herman, Révélations d’un rapport officiel sur l’agriculture dans le Midi. Trafics de main-d’œuvre couverts par l’Etat , Le Monde Diplomatique, edição francesa, junho de 2005. La Roue ou la noria des saisonniers agricoles, fotografias de Yohanne Lamoulère, textos de Patrick Herman, Association Khamsa, Coll. “ Limitrophes ”, Vandoeuvre, 2007

[3] As substâncias teratogênicas agem sobre o embrião e podem levar ao nascimento de crianças malformadas.

[4] Ver Le soleil et la mort : Tchernobyl et après documentário de Bernard Debord, produzido por France 5/Mat Films/Lota Production/RTBF/Cinegon Productions, 2005.

[5] Dorothée Benoit-Browaeys, Que tal pensar em segurança?, Le Monde Diplomatique-Brasil, março de 2006.

[6] Ler Nico Krols e Marleen Teugels, Crônica de um crime do "progresso", Le Monde Diplomatique
- Brasil
, dezembro de 2006.

[7] Directive 2006/123/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 12 de dezembro de 2006 relativo aos serviços no mercado interno

[8] Leia mais; consultar também o dossiê produzido pela Confederação Internacional de Sindicatos.


Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Neoliberalismo
» Trabalho
» Deslocalizações
» Saúde do Trabalho

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos