Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Decifrando Bolsonaro

» Pós-materialismo: por uma política não-cartesiana

» Greta Thunberg e a escola do século XXI

» A Classe de Davos e como vencê-la

» Prepare-se para o ano Bernie Sanders

» Orientalismo: por que não enxergamos o Irã

» 1917: Mergulho no horror e dilemas da técnica

» As ideias perigosas que eles temem

» Polícia Militar, nascida para reprimir greves

» Roteiro para reinventar as cidades brasileiras

Rede Social


Edição francesa


» Ce que la génétique doit à l'eugénisme

» À la recherche de l'enfant parfait

» Au temps du terrorisme anarchiste

» Population kurde dans le monde

» Un grand peuple sans État

» Contestation à consommer pour classes cultivées

» Raymond Soubie, une éminence grise au service de la « réforme »

» Retour de la mal-vie dans le monde du travail

» Dialogue avorté entre Téhéran et Washington

» La tentation de l'apartheid génétique


Edição em inglês


» Ben Bella: ‘It protected us from hatred'

» Hicham Yezza on what went wrong for the UK's Labour Party

» The US and Iran: a long and bitter war

» As Australia's right tacks left on climate, the course is set

» The two souls of veganism

» January: the longer view

» Iranians united

» Luxembourg's multilingual geography

» Controlled by Ritalin

» The hero of Petliura Street


Edição portuguesa


» Edição de Janeiro de 2020

» Embaraços externos

» De Santiago a Paris, os povos na rua

» Que prioridades para uma governação mais à esquerda?

» Edição de Dezembro de 2019

» Uma fractura social exposta

» «Uma chacina»

» Assinatura de 6 meses: só 18 €

» Golpe de Estado contra Evo Morales

» Será que a esquerda boliviana produziu os seus coveiros?


FUNDAMENTALISMO

Takfirismo, ideologia messiânica

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

Cada vez mais influente na Al-Qaeda, doutrina prega Estados islâmicos ultra-ortodoxos, volta-se contra os árabes moderados e o xiismo e chega a relativizar combate ao ocupante estrangeiro

Syed Saleem Shahzad - (08/08/2007)

Crença antiga no mundo muçulmano, o takfirismo passou por um renascimento entre os militantes islâmicos egípcios depois da derrota para Israel, em 1967. Baseia-se na convicção de que o enfraquecimento da Umma (a comunidade dos fiéis) é resultado dos desvios dos próprios muçulmanos, de seu afastamento da religião. Todo muçulmano não-praticante seria um infiel, um kafir. Os que aderem a essa doutrina são chamados a abandonar as sociedades muçulmanas existentes, a formar comunidades autônomas e combater os muçulmanos infiéis.

Alguns pequenos grupos isolados de militantes takfiristas pipocaram no mundo árabe durante os anos 1970. Reagruparam-se no Afeganistão nos anos 1980, ao lado dos mujahidin, durante a guerra contra a ocupação soviética. O egípcio Ayman Al-Zawahiri, o dirigente uzbeque Tahir Yaldeshiv e o xeque Essa, futuros membros do estado-maior da Al-Qaeda, já estavam entre os zelotas mais acirrados do takfirismo. A doutrina avançou no Iraque depois da invasão dos Estados Unidos, sendo Abu Mussab Al-Zarqawi, morto em 7 de junho de 2006, um de seus principais adeptos naquele país.

A partir de 2003, o takfirismo ganhou terreno rapidamente entre os dirigentes intermediários e os militantes de base da Al-Qaeda. Acreditando que a presença de infiéis no seio das sociedades muçulmanas fortalece o inimigo e constitui um perigo a ser eliminado, esses militantes não se definem mais somente em função de seu ódio ao militarismo norte-americano. O takfirista é inimigo de todo muçulmano não-praticante. Para que os indivíduos “desviados” do Islã possam ser reconduzidos à origem, são os dirigentes das sociedades muçulmanas “infiéis” que devem ser eliminados prioritariamente. As montanhas de difícil acesso do Waziristão do Norte e do Sul tornaram-se seu novo santuário.

Todos os militantes takfiristas perseguem um duplo objetivo, quer passem a aderir à Al-Qaeda, quer a um de seus grupos afiliados. Devem continuar a guerra contra os exércitos ocidentais, ao mesmo tempo em que lançam as bases de um Estado “islâmico” ortodoxo, garantindo a rigorosa disciplina dos fiéis. Sempre erguendo a bandeira da rebelião contra os Estados muçulmanos, declaram guerra a todos os reformistas moderados. Os takfiristas têm particular horror ao xiismo, desvio intolerável a seus olhos. A guerra contra os adeptos dessa corrente é muitas vezes considerada mais importante do que a própria jihad. Os takfiristas se atribuem um papel messiânico: a direção exclusiva do combate ao Ocidente infiel e aos muçulmanos “apóstatas”.

Leia mais

Nesta edição:
Muçulmanos contra a Al-Qaeda
Tanto no Iraque quanto no Afeganistão, a rede terrorista de Bin Laden enfrenta oposição crescente de outros grupos armados árabes. Suspeita-se, ao priorizar o combate entre facções muçulmanas, ela esteja fazendo o jogo da Casa Branca




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Afeganistão
» Iraque
» Fundamentalismo
» Islamismo
» Mundo Árabe

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos