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Quatro poemas

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Pedro Marques - (03/11/2007)

Viver um samba absurdamente
simples e triste
de Adoniran Barbosa
e o coração aumentar o tique
e os olhos derrubarem
uma lágrima que de tão simples
só molha

***

Um tarado está à solta.

Então o bom genro
que mora com a sogra,
faz questão de trocar
a fechadura da porta.

A senhora, trabalhadeira,
chega da lida lá
pelas dez da noite,
hora em que o meliante,
segundo testemunhas,
costuma fazer levante.

***

Se Édipo aparecesse
lá nos Estados Unidos,
pegava uma cana

***

Ela detesta a série Máquina Mortífera,
adora novela das oito,
contesta a revista Carícia
e acha o Latino muito louco.

Moça de família,
inteligente e bem educada,
sem nenhuma patente anomalia.

Pergunta-se à patrícia:

Você é a favor da pena de morte?
Pelo fim da violência, of course!

E a legalização do aborto?
Que absurdo! Que culpa tem a criança?

(do livro Em cena com o absurdo) [1]



[1] Lançado em 1998, o livro foi revisado e se encontra em fase de republicação.

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