Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Para entender o fascismo dos impotentes

» Previdência, o retrato de um país desigual — e cruel

» Quando os cientistas enfrentam o sistema

» Moro tenta escapulir em latim

» Dinheiro: o novo sonho de controle do Facebook

» Mulheres na política: uma nova onda a caminho

» Sertanejo, brasilidade e Nelson Pereira Santos

» A crise do Brexit e o capitalismo impotente

» Pilger: é hora de salvar o jornalismo

» Missão: extinguir o BNDES

Rede Social


Edição francesa


» Pauvre et femme : la double peine

» M. Sarkozy déjà couronné par les oligarques des médias ?

» La Cisjordanie, nouveau « Far Est » du capitalisme israélien

» Protester avec l'électrochoc de la musique

» Canicule, médias et énergies renouvelables

» Autopsie d'une canicule

» Quand la gauche renonçait au nom de l'Europe

» Un « New Deal » pour l'école

» La Chine bouscule l'ordre mondial

» L'affirmation homosexuelle


Edição em inglês


» US against Iran: war by other means

» How US climate deniers are working with far-right racists to hijack Brexit for Big Oil

» Confessions of a map-maker

» The Spaniards who liberated Paris

» Fighting for communication control

» June: the longer view

» Niger, a migration crossroads

» Niger, a migration crossroads

» Whatever happened to Bob Woodward?

» Europe in space


Edição portuguesa


» Edição de Junho de 2019

» As pertenças colectivas e as suas conquistas

» A arte da provocação

» 20 Anos | 20% desconto

» EUROPA: As CaUsas das Esquerdas

» Edição de Maio de 2019

» Os professores no muro europeu

» Chernobil mediático

» Edição de Abril de 2019

» A nossa informação, as vossas escolhas


CULTURA PERIFÉRICA

O biscoito fino das quebradas

Imprimir
Enviar
Compartilhe

Semana de Arte Moderna da Periferia começa dia 4, em São Paulo. Programa desmente estereótipos que reduzem favela a violência, e revela produção cultural refinada, não-panfletária, capaz questionar a injustiça com a arma aguda da criação

Eleilson Leite - (02/11/2007)

Chegou a hora. A hora e a vez da cultura de periferia. Começa, neste domingo, 4 de novembro, a Semana de Arte Moderna da Periferia, evento realizado pela Cooperifa – Cooperativa dos Artistas da Periferia, junto com mais de 40 grupos culturais. Às 11 horas, tem início uma caminhada que parte da Ponte do Socorro com destino à Casa de Cultura do M’Boi Mirim. Os cerca de três quilômetros serão percorridos por intrépidas trupes, malabares, poetas engajados e outros apaixonados. Atrizes e atores celebrarão a retomada das ruas e praças como palco. Músicos tocarão tambores, violões, atabaques, numa exaltação à Periferia. Será um levante do povo trabalhador em nome do amor, da cor e da paz.

Na segunda-feira, dia 5, as atenções estarão voltadas para as artes plásticas. Oficinas acontecerão no Sacolão das Artes durante o dia. À noite, rola um vernissage de exposição coletiva com diversos artistas. Destaque para o trabalho de grafite em tela. A rapaziada que maneja os sprays está se aperfeiçoando cada vez mais na transposição de suas obras do muro para as telas. Mas também tem instalações, esculturas e pinturas em diferentes suportes.

Terça-feira (6/11) é o dia da dança. Certamente foi difícil para os organizadores fechar essa programação, tamanho o número de artistas que se dedicam à arte do corpo. Nesse dia, teremos uma bem concebida interação de linguagens artísticas. Poetas da Cooperifa farão intervenções e cineastas exibirão vídeos sobre o tema do dia. E, claro, vai ter muita dança. Destaco o Grupo Espírito de Zumbi, que faz dança afro de altíssima qualidade. Vale a pena. Todas as atividades deste dia acontecerão no CEU Campo Limpo.

Quarta-feira (7/11) é dia de Sarau da Cooperifa. É também o dia da literatura. Essa vai ser a noite da glória. “Nesta noite, os anjos e os espíritos têm licença do Senhor para descer com seus decretos”, já dizia o poeta Gaspar do Z’África Brasil. E o grande destaque do dia será mesmo o Sarau. Para lá vão convergir todos os artistas de todas as quebradas. O Bar do Zé Batidão ficará pequeno. Então chegue cedo. Aliás, chegue às 17h na Casa de Cultura do M’Boi Mirim, onde o poeta Sergio Vaz coordenará um debate sobre produção literária da Periferia. Na mesa, a presença de Alessandro Buzo, Sacolinha, Elizandra Souza e deste que escreve essas mal traçadas linhas.

Derrubar o mito piedoso da pobreza em sofrimento permanente

O Cinema na Semana de Arte Moderna terá lugar na quinta-feira (8/11). E a programação é de perder o fôlego. São cerca de 15 produções, todas de cineastas periféricos. Começa as 16h com o belíssimo “Dança das Cabaças: Exu no Brasil”, de Kiko Dinucci (média metragem), e termina com outro documentário, absolutamente fundamental para se entender a cultura suburbana: ”Panorama: Arte da Periferia”, de David Vidad, Anabela Gonçalves e Daniela Embóm. Mas não deixe de ver o filme ”Vaguei nos Livros e me Sujei com a M... Toda”, de Akins Kinte, Mateus Subverso e Allan da Rosa. Esse documentário fala de literatura e negritude, com depoimentos de escritores e escritoras que encontraram nas letras a afirmação de sua identidade de raça, de classe e de gênero. O CEU Casablanca será o endereço do cinema periférico.

Na sexta-feira, o teatro entra em cena. O dia começa com um café da manhã. As 8h30, diversos coletivos teatrais da periferia farão um colóquio regado a pingado e pão com manteiga. Às 11h, começa a jornada cênica que vai até às 20h30. Serão oito apresentações. Destaque para o grupo UMOJA que vai demonstrar o processo do espetáculo “Quem me pariu”. Tudo no Centro Cultural Monte Azul.

Sabadão chegou e a música vai tomar conta no encerramento da Semana de Arte Moderna da Periferia. O palco da Casa de Cultura do M’Boi Mirim vai ferver ao som do Trio Porão, Chapinha, do Samba da Vela que vai tocar com a rapaziada do Pagode da 27. Wesley Nóog apresentará seu samba-rock super swingado. Os mamelucos, B Valente e Banda A entram na seqüência. Às 20h40, quando a chapa já estiver em alta temperatura, sobe ao palco o Periafricania. Depois o grupo Preto Soul apresentará uma black music de primeira. A noite termina com o grupo Versão Popular. Ninguém vai ficar parado.

A Semana de Arte da Periferia mostrará que na favela a vida é bela, apesar da mazela. Os arrabaldes das metrópoles também têm seus encantos. Talvez seja desnecessário eu fazer essa ressalva. O leitor sabe disso. Mas o estereótipo é implacável. Quem não tem contato com o subúrbio acaba incorporando involuntariamente o imaginário segundo o qual os habitantes dos fundões das cidades são gente condenada à desgraça do mundo. Famélicos que não vivem, apenas agüentam, como disse o cantor popular. E é a graça de viver na periferia que será celebrada neste evento histórico. Mas não será algo ingênuo, despolitizado. Ao contrário. Ele expressará a crítica com a contundência que muitas vezes o discurso militante não consegue ter. O poeta toca a alma de quem o escuta. Então, vá lá ver, sentir e escutar. Será um evento único. Não tem outra edição programada. Talvez numa outra efeméride (90 anos, 100 anos... ) se faça um novo levante cultural antropofágico. Por isso, caro leitor, não perca. Confira a programação completa e participe.

Mais

Veja aqui a programação completa da Semana de Arte Moderna da Periferia

Eleilson Leite é colunista do Caderno Brasil de Le Monde Diplomatique. Edição anterior da coluna:

A arte que liberta não pode vir da mão que escraviza
Vem aí Semana de Arte Moderna da Periferia. Iniciativa recupera radicalidade de 1922 e da Tropicália, mas afirma, além disso, Brasil que já não se espelha nas elites, nem aceita ser subalterno a elas. Diplô abre coluna quinzenal sobre cultura periférica



Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Cinema
» Cultura
» Desigualdades Sociais
» Literatura
» Metrópoles e Segregação
» Cultura Periférica


Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos