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Morrer e virar verde

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O sucesso de iniciativas ambientalistas adotadas por funerárias no Paraná revela como a opinião pública está aberta ao tema do aquecimento global. Também na coluna: ações do Greenpeace contra Angra III, monitoramento de peixes, cinema itinerante, panetone do bem e muito mais

Luiz André Ferreira - (07/11/2007)

Não é preciso mais estar vivo para ser responsável. Calma, não vou entrar na polêmica de vida pós- morte! Trata-se de sair dessa vida deixando, como herança na T(t)erra, uma árvore. Duas iniciativas bem-sucedidas de empresas paranaenses, ambas ligadas ao setor de ofícios funerários, estão mostrando como a sociedade está receptiva ao debate sobre o aquecimento global.

A primeira é da Funerária Vaticano. Com o slogan “Uma Vida. Uma árvore”, a empresa lançou a sua campanha de neutralização de CO2. A cada enterro, uma muda é plantada – pelos próprios familiares do ente que se foi. Como muitos não dispõem de espaço, num mundo cada vez mais verticalizado, a árvore pode ser assentada no terreno da própria funerária, que está sendo transformado em um bosque. É contribuição para o aumento de zonas verdes nos espaços urbanos. São várias as espécies, a maior parte dela nativas: aroeira, araçá vermelho, ipê amarelo e cedro rosa, além do eucalipto. Foram adquiridas na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e na Emater.

O benefício verde é retroativo. Parentes dos que se foram antes da novidade também podem retirar sua muda e dedicá-la ao familiar. Um benefício colateral é o estímulo ao ecumenismo. Com o aumento das diversidades, são cada vez mais comuns os casamentos inter-religiosos. Uma cerimônia fúnebre em que o ato central seja o plantio de uma árvore só pode ser aplaudida pelas religiões, pois está na essência de todas: as afrodescendentes trabalham diretamente com plantas, os kardecistas defendem uma sintonia com o meio ambiente, os budistas se energizam através dele e os católicos e evangélicos, que têm a bíblia como base, atribuem ao Jardim do Éden o conceito de paraíso. (Atenção: apesar do nome, a Funerária Vaticano não tem nenhuma relação com o Papa ou a Santa Sé...). A experiência vem sendo tão exitosa que a funerária está ampliando a demanda por mudas, inicialmente estimada em 1500 árvores ao ano.

A segunda ação paranaense vem da cidade de Goioerê. A Funerária Prestar é a primeira do ramo a desenvolver um programa responsável de coleta de detritos e de eliminação da praga das sacolas plásticas como depositário de lixo. Seus descartes são feitos através de embalagens ecologicamente corretas. A iniciativa recebeu menção da ONG Funverde, fornecedora de um prêmio que vem funcionando como um selo informal de responsabilidade na adoção das sacolas oxiodegradáveis (que deterioram em pouco tempo).

Para fecharmos essa nossa reflexão: se até quem morreu pode desencadear uma ação de responsabilidade socioambiental, por que tem tanta gente viva insiste em não fazer a sua parte?

S A L A D A

O Greenpeace alerta

Como é de seu costume, o Greenpeace promete não restringir à Justiça Federal sua luta contra a construção de Angra 3. Depois de entrar com mandado de segurança, prepara uma série de manifestações e protestos. Podem aguardar! O órgão internacional, que tem como característica campanhas agressivas para marcar seus posicionamentos, é radicalmente contra a energia nuclear. Sustenta ser uma fonte poluente, perigosa, cara e ultrapassada. Para a organização, Angra 3 não vai garantir segurança energética, reduzir o aquecimento global ou eliminar o risco de racionamento de energia no Brasil. Alerta que, caso o governo mantenha a construção de Angra 3, a obra não estará concluída antes de 2014 — e gerará apenas 1.350 MW de energia. Segundo a ONG, com os R$ 7,4 bilhões previstos para a usina nuclear, é possível gerar o dobro de eletricidade a partir dos ventos.

Carros de banana

Carros “ecológicos” são premiados na Maratona de Eficiência Energética. O dos alunos da Escola de Engenharia de Santa Maria, no RS, teve o chassi feito de bambu, movido à bateria de motocicleta. Já o dos estudantes da Unicamp, tinha a carroceria de fibra de bananeira.

Trem Verde

Além do belo litoral, o Espírito Santo aposta em suas montanhas e belezas naturais para avançar rumo ao turismo sustentável. Já neste verão começa a viagem do Trem das Montanhas, ligando os município de Viana e Marechal Floriano. A primeira viagem está programada para 16 de dezembro, dia em que se comemora o centenário da Estrada de Ferro Leopoldina, hoje Ferrovia Centro-Atlântica. O trajeto, de 29 quilômetros, será desenvolvido pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF). Dois vagões de passageiros, especialmente preparados, serão puxados por uma locomotiva a vapor. Os turistas terão várias opções de lazer ao longo do dia, nas montanhas capixabas.

Bichos silvestes em casa?

Algumas entidades que trabalham com a fauna brasileira temem que aumente o tráfico de animais com a publicação da lista de espécies que poderão ser criadas e comercializadas como de estimação. O material está sendo levantado pelo Ibama que nega esta hipótese, garantindo que ficará mais fácil a fiscalização. Serão usados como critérios para o catálogo, o risco à saúde humana no contato com o bicho e adaptação da espécie à situação de cativeiro. A reprodução desses animais em residências deverá ser evitada e, se ocorrer, comunicada ao órgão ambiental no prazo de 30 dias.

Big Brother aquático

Com técnica inédita aqui no Brasil, a Companhia Energética de São Paulo vai implantar chips magnéticos, do tamanho de um grão de arroz, nos peixes do Rio Paraná. A pesquisa visa mapear a migração e reprodução das espécies. A experiência será desenvolvida na região da Usina Hidrelétrica Porto Primavera, entre os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. A nova técnica deve também fornecer dados que possibilitem conhecer a eficiência da escada para peixes instalada naquela usina. A concessionária só não explicou o que acontece se o peixe for fisgado e parar na barriga de alguém.

Vamos ficar de olho!

Todos concordam que é “politicamente correta” a preocupação com o meio ambiente. Saber se nossos políticos são corretos, quando se trata de questões ambientais é outra história. Muitas vezes adotam em suas campanhas o discurso vazio de responsabilidade socioambiental visando atrair votos através do marketing-verde-político. Vamos acompanhar agora na prática como vão se comportar os parlamentares diante do projeto de lei que cria o Imposto de Renda Ecológico. Visa a concessão de estímulos fiscais, entre eles, reduções da alíquota de impostos, através de aplicações em projetos ambientais.

R E S P O N S A

Cinema na roça

Levar a magia da sétima arte onde não há cinema. Essa é a meta do projeto Cinema na Roça. Visa enfrentar a exclusão cinéfila, provocada pelo fechamento das salas de exibição em cidades do interior, ou mesmo em regiões onde elas nunca chegaram. Mas isso não impede que as histórias cheguem. Com essa proposta a ONG Brasil Social foi contemplada com o Prêmio Cultura Nota 10 de 2007. A trupe, que tem à frente Marcelo Antunes, já percorreu, desde 2005, mais de 7 mil quilômetros pelo estado do Rio projetando histórias em espaços improvisados. A meta é ultrapassar as fronteiras rumo a outros estados.

Da tela para o circo

Rir em muitos casos é o melhor remédio. Não é a toa que as estatísticas comprovam o rendimento no tratamento nas instituições hospitalares do Rio e Recife que contam com os “atendimentos” feitos pelos Doutores da Alegria. Outro grupo que vem se destacando com a terapia do riso é o Esparatrapo que leva a arte cômica dos circos para os leitos médicos. As ações acontecem no Hospital Infantil Cândido Fontoura, na Mooca (São Paulo).

Além de arte, também comida

Vocês já repararam que nem esperaram novembro chegar para encherem as prateleiras do comércio com panetones? Alguns já substituíram imediatamente as gôndolas ocupadas pelo dia das crianças por esses bolos de Natal. Então, já que está todo mundo correndo contra o tempo, ainda dá para encomendar os produzidos pela Obra Social da Irmã Dulce. São 350 mil bolos batizados de “Panetone Dulce Natura”, que traz a marca indissolúvel da responsabilidade social: Toda a receita obtida vai para o programa educacional que atende a 800 crianças e jovens vindas de famílias carentes. As empresas, supermercados e pessoas físicas interessadas em adquirir o “Panetone da Irmã Dulce devem contatar cesa@irmadulce.org.br

Também na Fornalha Social

Derivado da campanha da Unicef e da Rede Globo, O “Pão da Esperança”, visa atender a 2.500 crianças em situação de risco. A Associação Brasileira da Indústria de Panificação está doando R$ 1 milhão para o projeto.

Bicho Papão

Tramita no Senado projeto de lei que obriga estabelecimentos como hotéis, bares, postos de combustíveis e academias esportivas a manterem mensagens expostas alertando para o crime de exploração sexual infantil. Deverá constar em três idiomas: português, inglês e espanhol. Quem descumprir, poderá ser multado entre dez a 50 salários mínimos, além do fechamento, em caso de reincidência. A iniciativa é válida, mas de nada adianta esses dizeres pendurados em paredes se não houver fiscalização contínua. Beneficiados por falhas no policiamento, conivência de alguns setores turísticos e pelos falhos programas sociais do governo, o pedófilo (tanto nacional como o estrangeiro) continua agindo livremente. Basta dar volta por algumas ruas paulistanas, praias de Recife e portas de luxuosos hotéis cariocas.

Lugar de Criança não é na Estrada

Como não é só em área urbana que ocorre essa aberração, a C&A está desenvolvendo programa de conscientização contra a exploração sexual infantil entre os 350 caminhoneiros que prestam serviço à rede. Aderiu a campanha internacional “Na mão Certa”, que já conta com 17 mil motoristas do país. Ela é capitaneada pela Fundação Childhood da brasileira rainha Sílvia, da Suécia.

Todo dia é de Índio

Diante do avanço predatório de caçadores, mineradores, agricultores e outros segmentos nas terras indígenas, o governo federal promete investir mais de R$ 505 milhões até 2010, em projetos que contemplem a população indígena. O principal deles visa demarcar 127 reservas. Para isso, será preciso realizar desapropriações e indenizar famílias rurais que vivem nestas áreas, além de recuperar mais de 10 mil hectares degradados. Agora, de que adianta demarcar só no papel se falta fiscalização, pessoal e vontade política para o cumprimento dessas ações?

Presos bons de bola

O Presídio de Segurança Máxima de Catanduvas, no Paraná, será o primeiro federal a receber uma unidade de produção de bolas de futebol, que serão doadas a escolas públicas. A expectativa é da confecção de 200 por mês. Os detentos terão redução de pena, capacitação e salário por produção. O projeto será estendido às penitenciárias federais de Campo Grande (MS) e de Mossoró (RN). Em todo o país, já são beneficiados 12 mil detentos em unidades estaduais. Eles produzem um total de 1,8 milhão de itens esportivos por ano.

Luiz André Ferreira
luizandre.responsabilidade@yahoo.com.br

Mais

Luiz André Ferreira é colunista do Caderno Brasil de Le Monde Diplomatique.

Edição anterior da coluna:

A Copa (verde) do Mundo é Nossa!
Diplô Brasil estréia coluna sobre Responsabilidade Social. Primeiro número avalia: emergência da questão ambiental foi decisiva para o retorno do mundial de futebol ao país. Mas haverá mobilização real em favor da natureza, ou tudo se resumirá a marketing vazio?



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