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O perfeito bibliotecário

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Maria Valéria Rezende - (10/11/2007)

Eu, Samuel Barriga, aposentado, ex-contínuo da Biblioteca Fundamental, encarregado de recolocar criteriosamente cada livro ou ficha em seu lugar único, sem jamais enganar-me, enceto este manuscrito, não porque pretenda meter-me a escritor — de jeito nenhum! —, mas pelo imenso respeito que tenho pelos livros, objetos para mim sagrados, com os quais convivi intimamente por trinta e cinco anos e cujos criadores reputo verdadeiros semideuses.

Tenho a simples intenção de fazer um balanço de minha vida, para agradecer devidamente a Deus o que me deu, pedir-lhe perdão pelo que eu tenha feito de mal e — por que não? — fazer o rol das coisas que Ele deu a outros em abundância e a mim com demasiada parcimônia, ou seja, dos descuidos de Deus na criação e manutenção deste seu servo, e deduzir daí minhas próprias faltas, com o que desconfio que Deus talvez ainda me fique a dever algum trocado. Não que eu pretenda cobrar-lhe nada — longe de mim tal idéia! — trata-se apenas da minha necessidade, que meus ex-colegas consideravam mania fastidiosa, de tudo registrar adequadamente, ordenar objetos e fatos, sejam eles quais forem, não apenas livros e fichas, colocando cada coisa precisamente em seu lugar, para que se conserve o mundo pulcro e reto, livre de qualquer sujeira que não é mais do que matéria fora do lugar, como dizia um brilhante escritor norte-americano de cuja amizade, através de suas letras, é claro, tenho privado há longos anos.

Se finalmente isto aqui viesse a se tornar um verdadeiro livro, confesso que teria muita satisfação em ver como ficaria a cara de meu ex-colega Bicalho, que a mim se referia sempre com um "Eta, sujeitinho pernóstico!". Um mentecapto invejoso, o Bicalho. Na verdade, orgulho-me dessa minha peculiaridade e de quão bem a aperfeiçoei. Foi adquirida através de longas décadas de humilde dedicação, de curiosidade e de disciplina no desempenho do meu cargo que, diga-se de passagem, exerci com brilho e lealdade notáveis! Do brilho apenas eu mesmo me dei conta; a lealdade foi reconhecida e devidamente gravada em placa de aço escovado, de dez por quinze centímetros, acondicionada em estojo de veludo, que me foi solenemente entregue no dia de minha despedida da repartição.

Digo que não pretendo ser escritor, mas, relendo estes meus primeiros parágrafos, parece-me que não estão nada maus e quem sabe... na verdade, ando ultimamente atormentado por um dilema, dividido entre a vaidade e a culpa, sem saber qual das duas me caberia com mais razão, e creio que o melhor é que eu exponha logo minha dúvida, cabendo ao leitor decidir se, afinal, foi um pecado ou um grande feito o que cometi. Sim, deixemos de rodeios, porque, no fundo, a necessidade dessa confissão foi a verdadeira razão que me levou a escrever.

Vamos aos fatos. Se o caro leitor me fizer o favor de observar a quinta estante da sétima galeria do terceiro nível da Biblioteca, precisamente no setor das edições mais valiosas das obras dos grandes clássicos da língua portuguesa e brasileira, notará que se trata de um belíssimo setor, onde se encontra apenas um exemplar de cada livro, o mais bem conservado da mais antiga edição, reunindo assim a obra completa do escritor na sua forma mais próxima ao que ele mesmo publicou e releu. As pequenas estantes, observará o leitor, não têm todas o mesmo tamanho. Finíssimas, envidraçadas, jóias de marcenaria artística, foram feitas sob medida, uma para cada autor, no tamanho exatamente adequado à sua obra completa, para idealmente ressaltar a idéia de completude além de, pragmaticamente, permitir que o bibliotecário pudesse ser imediatamente alertado da eventual falta de um dos preciosos volumes.

Era o setor que eu mais freqüentava no meu tempo livre, não para ler, que tudo aquilo eu já havia lido e relido à exaustão na minha primeira década de funcionário da instituição... mas para comprazer-me na beleza do conjunto que eu contemplava atentamente. E foi assim que percebi um provável engano na construção da estante de ninguém menos que o grande, o incomparável, o insuperável Machado. Para um olhar atento, os livros na estante de Machado de Assis encontravam-se mais espaçados que nas outras. Num primeiro momento pensei que alguém os tivesse recolocado mais frouxamente, de maneira a disfarçar o sumiço de um dos volumes. Mas não. Depois de conferir criteriosamente uma e outra vez, constatei que ali estava, de fato, a obra completa. Só podia ter sido um engano nas medidas da estante. Fui ao diretor-geral da Biblioteca, explicando-lhe o problema e sugerindo que se fizesse novo móvel, mas ele riu de mim e, já me virando as costas, respondeu: “Não seja ridículo! Se já nem temos verba para comprar inseticidas...”. Tive de calar-me, pois a um contínuo não cabe discutir com um diretor, mas não me pude conformar.

Tomei e retomei as medidas da estante e dos livros, tentando encontrar a fórmula correta, pensando mesmo em custear um novo escaparate com minhas parcas economias, até que me dei conta de que não se tratava de um engano, mas sim de uma impossibilidade matemática: fossem quais fossem as medidas adotadas, a obra do gênio não poderia jamais enquadrar-se num conjunto de prateleiras todas iguais. Em qualquer hipótese — e examinei centenas delas — numa das prateleiras sobraria espaço, necessariamente. Primeiro fiz um enorme esforço mental para tentar encontrar uma solução para o desafio matemático; em seguida, convencido da impossibilidade de fazê-lo, mergulhei em profunda e inconformada melancolia, até que uma pequena idéia insinuou-se em meu pensamento, fez aí seu ninho e cresceu, pouco a pouco, até que me tomou todo o espírito e não pude mais resistir a ela.

Se for verificar a tal estante agora, depois que me aposentei, o leitor já não encontrará frouxidão nenhuma entre os volumes, nem tampouco um livro repetido. Lá está, segundo as determinações superiores, apenas um exemplar de cada livro de Machado de Assis. Se tiver a paciência, porém, de conferir os títulos de todos eles, o leitor encontrará, em algum momento, dois títulos que não conhecia, dois livros inteiramente inéditos, um deles com trezentas e sessenta e quatro páginas, outro com apenas duzentas e oitenta, ambos, porém, fiéis ao estilo único do nosso gênio das letras. Confesso que aí está minha atroz dúvida: será meritória esta minha contribuição, feita sob rigorosa medida, ao longo de anos de dedicação e de sacrifício de meus olhos em vigílias noturnas, para a perfeita completude da obra do Bruxo do Cosme Velho ou terá sido este meu grande pecado de lesa-literatura?



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