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O gás que falta nos postos

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Uma das causas da forte elevação dos preços, das filas e da falta do combustível para o consumidor final, é a decisão de priorizar a entrega às grandes corporações. Também na coluna: cipó-titica, onças sem-teto, jogos indígenas e muito mais.

Luiz André Ferreira - (17/11/2007)

Sem querer puxar a sardinha para o meu prato verde, com toda essa explosão de notícias envolvendo gás, mais uma vez o meio-ambiente é deixado de lado. Incrível como nas políticas governamentais e econômicas, esse assunto é sempre varrido para debaixo do tapete. Só vem à tona para a população quando cabe a esta pagar a conta das conseqüências: efeito estufa, camada de ozônio, poluição. E as últimas medidas adotadas pelo governo brasileiro voltam a acelerar a contagem regressiva da bomba relógio ambiental que tanto lutamos para pausar.

A palavra crise do gás é calada pelo governo como forma de minimizar o quadro. Mas como chamar essa situação tão complexa? A sugestão vem do próprio presidente da República, que prefere usar indevidamente o diminutivo “probleminha”. E nessa discussão vocabular, o silêncio esconde mais um problemão para o meio-ambiente.

Os acontecimentos deixam bem claro que, diante da demanda insuficiente, a prioridade da Petrobrás será canalizar o gás existente para as usinas térmicas, para fazer frente à seca que atinge as hidrelétricas. Com isso, a estatal não vê nenhum problema em reduzir a emissão do produto para as distribuidoras estaduais. Estas já demonstraram que preferem destinar o seu reduzido quinhão para as grandes empresas. Tudo isso mesmo que essa manobra leve ao desabastecimento dos postos veiculares — o já desencadeou um aumento espontâneo do preço (que deve subir ainda mais diante das inclinações oficiais da Petrobrás em reajustar entre 15% a 25%, nos próximos meses).

Com o gás escasso, tendência de filas maiores nos postos e o preço próximo ao da gasolina, é claro que muitos motoristas vão preferir abastecer com o derivado do petróleo, independente de seu grau de poluição efetivamente superior. É que na lista de vantagens soma-se o rendimento do veículo. É inevitável o aumento considerável das descargas de CO2, diretamente do cano de escapamento dos veículos para os pulmões da Terra.

Mas a responsabilidade não fica somente na questão ambiental. E a moral? Como fica a credibilidade do governo? O brasileiro já foi deixado à própria sorte nos anos 80, após os governantes terem sido os primeiros a abandonar o “barco do álcool” ao menor indício de deriva. O álcool só voltou a ser vantajoso para o consumidor individual em meados dos anos 90. Agora, diante da escassez de chuva e do crescimento econômico, o governa altera as regras do jogo, independente da palavra dada. Tanto que, além do aumento do preço, o ministro de Minas e Energia começa a desaconselhar a conversão, batendo de frente com a campanha de incentivo ao gás mantida até há pouquíssimos dias.

E os consumidores isolados ( motoristas profissionais, taxistas, usuário comum, como eu e você) que acreditaram e investiram recursos na conversão? Vão ficar órfãos? Depois, com que legitimidade o governo vai pedir confiança a essa mesma população-cobaia, para que venha a aderir e apoiar as suas novas investidas em biodisel e etanol? E com que coragem repetir esse discurso no exterior?

Alguns estados estão tentando, através de liminares e alterações nas leis, resguardar o consumidor individual. Um deles é o Rio, um dos campeões em conversão, assim como também um dos maiores produtores de gás. Uma liminar já garantiu o retorno do gás aos postos.

R E S P O N S A

JOGOS DE ÍNDIOS:
Enquanto as autoridades pensam na Copa de 2014 e em trazer também para o Brasil a sede das Olimpíadas de 2016, acontece, com empenho oficial infinitamente menor, a IX edição dos Jogos dos Povos Indígenas. O evento ocorre entre 24 de novembro e 1º de dezembro, tendo como sede as cidades vizinhas de Recife e Olinda. O objetivo é usar o esporte como meio de interação entre as diferentes etnias indígenas. Garantiram presença, pelo menos 40 delas, vindas de diversos estados. O tema desta edição é "Água é vida, direito sagrado que não se vende”. As competições vão ocorrer em uma arena montada na praia do Bairro Novo, em Olinda, e no Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães, em Recife — que servirá também de alojamento.

BAIANIDADE NAGÔ:
A recente pesquisa Escolaridade e Trabalho, do Dieese comprova que o ganho mensal dos negros continua inferior aos dos brancos, nas regiões metropolitanas. O que mais chama a atenção é que a de Salvador é a que apresenta maior disparidade. Justamente ela, que possui um dos maiores percentuais de afro-descendentes e que apresenta para o mundo a sua identidade cultural calcada diretamente na influência negra. O rendimento médio mensal dos negros soteropolitanos é de R$ 715, o que representa apenas 52,9% dos brancos (R$ 1.350).

PERIFERIA:
Nos próximos dois anos, o Brasil deverá ter cerca de 300 pontos de cultura nas chamadas "áreas de risco social", como periferias e favelas. A previsão é do ministro da Cultura. Gilberto Gil conta com recursos do próprio Ministério, assim como apoio da pasta da Justiça e da sociedade civil.

S A L A D A

YAHOO: POLUIÇÃO REAL:
Ne tão virtual assim. As operações do site Yahoo geram conseqüências bem reais ao meio ambiente. Somente em 2006 descarregaram 250 mil toneladas de CO2 na atmosfera, o equivalente à emissão de 35 mil carros ao longo de um ano. Para compensar a natureza de sua pegada ecológica, a Yahoo escolheu, entre os projetos para neutralizar créditos de carbono, Primavera, no interior de Rondônia. Vai financiar a construção de uma hidrelétrica, em substituição à geração de energia por diesel. A Yahoo também vai conectar a Vila 14 de Abril com o mundo. A escola rural dessa comunidade receberá a doação de computadores e câmeras digitais, além de acesso à internet.

TITICA DA BOA:
O nome até que é engraçado. Mas a premiação prova a importância deste recurso natural para o desenvolvimento econômico da região Amazônica, a partir da filosofia de exploração aliada à manutenção da floresta em pé. O pesquisador da Embrapa do Amapá, Cláudio Almeida de Carvalho, recebeu o Prêmio Benchimol 2007 pelo trabalho desenvolvido com o “Cipó-titica” abundante na região. Ele já vem sendo usado por cerca de 15 fábricas artesanais de Belém na produção de móveis e utensílios.

ONÇA SEM-TETO:
Pintando cada vez menos no pedaço, as onças pintadas poderão estar reduzidas à metade em 18 anos, na Região do Alto Paraná. O alerta é de especialistas que se reuniram para traçar diretrizes para reverter este quadro. Entre as principais problemas estão a diminuição e a degradação de seu habitat natural.

RÁDIO VERDE:
Às vésperas de se tornar digital e adquirir qualidade de som semelhante ao do CD, as ondas radiofônicas também se adequam ao ecologicamente correto. O histórico radinho já pode aposentar as poluentes pilhas. Chega ao mercado brasileiro o Sun Rádio, movido a sol. Para recarregar as energias é só deixar o aparelho se “bronzeando” por um tempinho. E se estiver nublado, basta girar uma manivela na parte de trás. Pronto, está carregado! E como todo ecologista que se preze, chega na cor verde, por R$ 99,99.



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