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LITERATURA

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Marco Catalão - (17/11/2007)

Entra maio e sai abril:
as águas tremem de frio.

A noite chega mais cedo,
o rio corre mais depressa.
Que súbito e antigo medo
de repente recomeça?

A lua brilha mais clara,
as águas tremem de frio.
O rio não volta nem pára:
veio maio, foi-se abril.

As folhas caem dos ramos,
o vento sopra mais forte.
Em tudo o que contemplamos
vemos a sombra da morte.

Entra maio e sai abril:
as águas tremem de frio.

***

Vem como a noite
fiel e calma,
toma em teus braços
a minha alma.

Vem como a noite
secreta e vasta:
apaga o mundo,
me apaga... e basta.

Vem como a noite
cheia de estrelas:
que haja um sentido
sereno em vê-las.

Doce e materna,
vem como a noite.
Vem em silêncio.
Vem como a morte.

***

Amor, não palavras

Abraços e beijos
Não promessas falsas
Presença completa
Sem ecos, sem franjas

Silêncio, não vácuo
Vida partilhada
Pequena, mas plena
Nada, ou quase nada

Presente sem sombras
Sem juras, sem juros
Sem gozos futuros
Amor, não palavras



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