Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Uber: assim começam as greves do futuro

» O conto de fadas de Paulo Guedes

» Direita europeia: tudo, menos antissistema

» Como a “mão invisível” — e Paulo Guedes — nos afundam

» Julian Assange desaparecerá para sempre?

» “Austeridade”, Paulo Guedes e o verdadeiro fundo do poço

» O que aprender com Cristina Kirchner

» Previdência: três verdades que o governo esconde

» A Tecnologia da Adaptação — e como vencê-la

» O Irã e os idiotas úteis… a Washington

Rede Social


Edição francesa


» Interventions militaires françaises en Afrique

» Fonds européen de développement

» Image de la France en Afrique

» Ressortissants français en Afrique

» Commerce françafricain

» Ainsi Hitler acheta les Allemands

» Armées oubliées de l'Asie britannique

» Leçons d'histoire

» Contre l'ordre impérial, un ordre public démocratique et universel

» DSK : flamme bourgeoise, cendre prolétarienne


Edição em inglês


» Election-meddling follies, 1945-2019

» Volt, the party that undermines EU democracy

» Iran and the US, a tale of two presidents

» Terry Gou, Taiwan's billionaire and political wildcard

» Ecuador's crackdown on abortion is putting women in jail

» Traditions of the future

» Boondoggle, Inc.

» Sisi amends Egypt's constitution to prolong his presidency

» May: the longer view

» The languages of Ukraine


Edição portuguesa


» 20 Anos | 20% desconto

» EUROPA: As CaUsas das Esquerdas

» Edição de Maio de 2019

» Os professores no muro europeu

» Chernobil mediático

» Edição de Abril de 2019

» A nossa informação, as vossas escolhas

» O cordão sanitário

» O caso do Novo Banco: nacionalizar ou internacionalizar?

» Edição de Março de 2019


ECOLOGIA URBANA

Tupi or not Tupi?

Imprimir
Enviar
Compartilhe

A descoberta, pela Petrobrás, da mega-reserva brasileira pode ser encarada de duas formas: ou fonte para um “crescimento” econômico imediatista, que contribui para o aquecimento global; ou ponto de partida para um uso mais adequdo e sustentável do petróleo

Flávio Shirahige, Manoel Neto - (20/12/2007)

A “descoberta”, pela Petrobrás, da mega-jazida de petróleo Tubi, com mais de 5 bilhões de barris na Bacia de Santos, foi muito festejada pelo governo. Teríamos consolidado enfim a auto-suficiência, sonhada desde a campanha getulista do “Petróleo é Nosso”, e garantido o suprimento desse produto, importante para a economia atual, por mais alguns anos. Porém, diante do aquecimento global resultante da matriz energética baseada no petróleo, não é demais refletir sobre qual a melhor forma de utilizar esse escasso recurso natural.

Do ponto de vista econômico tradicional, a descoberta significa que deveríamos explorar a jazida — ainda mais com o preço do barril de petróleo na casa de US$ 90,00. Porém, vale lembrar que utilizar o petróleo no presente como fonte de energia significa sustentar o crescimento econômico de um país cuja matriz energética baseia-se, em 39%, nesse combustível.

A questão é complicada: se considerarmos que o Brasil é um país de renda média (PIB per capita de US$ 3,6 mil) comparativamente ao nível de riqueza mundial (renda por habitante de US$ 5,6 mil), não utilizar agora esses recursos significaria deixar de produzir riqueza quando o petróleo é cada vez menos abundante.

Por outro lado, se o Brasil aprofundar a dependência do petróleo apenas vamos retardar uma substituição inevitável, dado que o estoque mundial de hidrocarboneto deve durar somente 40 anos, com os atuais níveis de consumo. Além disso, o aumento da preocupação ambiental, principalmente por causa do efeito estufa, a crescente resistência da sociedade ao uso de produtos poluentes e a constante instabilidade social e política dos principais países produtores de petróleo são fatores que reforçam o processo de diversificação da matriz energética e a redução da dependência do petróleo.

Usar petróleo para alimentar a civilização do automóvel pode comprometer indústrias essenciais

Ademais, a utilização do petróleo como fonte energética significa, no fim das contas, que se reduz a utilização desse recurso natural para geração de outros derivados tão importantes para o dia-a-dia, como o plástico. Atualmente, quase 85% do processamento de óleo, no Brasil, são usados para o consumo final de energia, seja em algum meio de transporte (veículos automotores, navios ou aviões) ou nas termelétricas ou indústrias. O restante pode ser processado nos mais variados processos produtivos: desde a indústria petroquímica, cujos principais produtos são os diversos tipos de plásticos, até a indústria têxtil. A importância desses produtos para a vida cotidiana é tão grande quanto a gasolina que usamos diariamente para nos deslocar: é só observar ao nosso redor para perceber que tanto o computador no qual escrevemos como o tecido sintético que usamos são resultados disso.

Assim, sem levarmos em conta todas as complicações desencadeadas por uma mudança de paradigma tecnológico, podemos fazer um rápido raciocínio, ilustrativo, sobre os desafios estratégicos na utilização das reservas de petróleo. Levando-se em consideração a projeção de crescimento do mercado de derivados no Brasil de 2,93% ao ano, proposta no Plano Estratégico da Petrobras 2020, e o consumo médio diário de 1,8 milhões de barris por dia, a reserva de petróleo de Tupi se “extinguiria” em 7 anos. Agora, pensemos num cenário kafkiano: imagine que alterássemos drasticamente o padrão da nossa matriz energética e reduzíssemos em sua totalidade a utilização de combustível fóssil em veículos. O “tempo de vida” daquela jazida saltaria de 7 para um pouco mais de 31 anos. Ou seja, apenas para o campo de Tupi, uma mudança radical no nosso padrão de consumo energético e na matriz de transportes representaria 24 anos a mais de petróleo! E se fizéssemos um cálculo semelhante para toda a reserva petrolífera brasileira? Quanto tempo mais duraria o nosso estoque?

Assim, a descoberta de Tupi pode ser encarada de duas formas: uma é enxergá-la como fonte para um “crescimento” econômico imediatista que contribui para o aquecimento global — ou seja, é insustentável. Outra, de mais longo prazo, concilia objetivos estratégicos com uma contribuição ambiental mais adequada ao cenário de crise climática. Ser dependente do petróleo ou não ser, Tupi para um objetivo ou para outro, eis a questão.

Mais

Manoel Neto e Flávio Shirahige são colunistas do Caderno Brasil de Le Monde Diplomatique.

Edições anteriores:

Apocalipse (Consumista) Now
Só no ano de 2007, a população mundial aumentará em 66 milhões de pessoas; 23.282 espécies serão extintas; 11 milhões de hectares, desmatados; 31 milhões de carros e 72 milhões de computadores produzidos e 26 trilhões de barris de petróleo extraídos

Para que as cidades ressuscitem
Proposta: lançar, na cidade mais individualista e caótica do país, um movimento de ecologia urbana, capaz de questionar a civilização do automóvel e abrir debate sobre políticas que permitam uma existência digna



Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Petróleo
» Energias Alternativas
» Ambiente
» Ecologia Urbana


Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos