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No Natal, presente de grego

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Multiplicam-se os casos de brinquedos nocivos às crianças, num sinal de como pode ser perverso o foco exclusivo das empresas no lucro. Também na coluna: aumento na devastação da Amazônia, produção impune do amianto, surf ecológico e Zé do Pedal

Luiz André Ferreira - (20/12/2007)

Por mais que a gente questione o consumismo em torno da data, fica difícil passar um Natal em branco, sem presentes. A facilidade do 13º salário, os apelos da mídia, o amigo oculto do trabalho e a força da tradição dão um empurrãozinho. O velho “garoto propaganda” do comércio, o Papai Noel, continua bombando, com todo o vigor, o aquecimento do comércio global. Diante de tanto apelo, como deixar uma criança sem receber o símbolo comercial da festa religiosa? E nem adianda tentar conscientizar os “baixinhos” sobre o apelo mercantil, com tantas Xuxas e outros programas de TV abarrotados de comerciais com lançamentos voltados para eles.

Também, é praticamente inegociável tentar barganhar tais lançamentos por outro bem, como roupa, sapato, material escolar. No alto de seus oito anos, meu sobrinho Caio defende: “Quem gosta de ganhar esses presentes são os pais das crianças”. E encerrou a conversa: “Criança quer mesmo brinquedo”.

Mas que tal transformarmos esse ato em algo mais responsável? Num aspecto evoluímos muito. Há bem pouco tempo, a sociedade de consumo incentivava o lado bélico infantil desde os primeiros anos. Além de jogos de tabuleiros como War, Guerra nas Estrelas e outros, existiam as réplicas de armas. Nos anos 70 e 80, a indústria produzia brinquedos tão similares às armas reais que, muitas vezes, eram usados em assaltos de verdade. Quem, com mais de 30 anos, nunca ganhou um revólver, uma espingarda, uma metralhadora de brinquedo no Natal ou aniversário? Hoje, praticamente estão guardados no baú das lembranças de nossas infâncias. Felizmente, parece que a sociedade resolveu promover o “desarmamento infantil”. Porém, por incrível que pareça, algumas lojas ainda vendem o produto. Não como antes, em destaques nas vitrines, mas escondidos, bem no fundinho, na expectativa de que um adulto menos responsável compre. É hora de avaliarmos se esse estabelecimento merece ou não a nossa clientela.

Mas não é este o único cuidado na escolha de um presente infantil. Muitas vezes não damos atenção aos avisos, nas embalagens, sobre a faixa etária à qual o produto é adequado. O erro pode resultar em brinquedos perigosos ou monótonos. Hoje, alguns teêm até data de validade. Vale tentar saber também se a empresa fabricante é responsável do ponto de vista sócio-ambiental e de que matéria-prima é produzido o brinquedo.

O cuidado é importante porque estas noções, em muitos casos, não chegaram aos fabricantes e autoridades fiscalizadoras. São inaceitáveis os recalls na indústria de produtos infantis — tanto pela freqüência com vêm ocorrendo como devido à fragilidade de seu público. Fico na dúvida: será que meus presentes podem causar algum dano físico, material ou até dependência? Quem me garante que, daqui alguns meses, o perigo não virá à tona? A lista recente de chamadas para trocas inclui produtos que causam contaminação por mercúrio, imãs e pecinhas que soltam e podem ser engolidas e até causadores de dependência química. Basta lembrarmos das notícias divulgadas esse ano pelos jornais.

E a pergunta entalada na nossa garganta que ninguém responde. Se estão ocorrendo tantos recalls, algo anda errado com o controle de qualidade, ou não foram feitas pesquisas suficientes antes colocar os produtos no mercado. Além disso, também fica a impressão de discriminação de alguns fabricantes internacionais no processo de substituição do “brinquedo bomba”. Repararem que sempre procuram postergar, em países com o Brasil, trocas imedidatas realizadas na Europa ou Estados Unidos. Alega-se necessidade de novas pesquisas. Mesmo quando a troca ou devolução de dinheiro são decididas, o processo é sempre mais penoso e burocrático do que nas nações centrais.

Como agradar a criança e ter a tranqüilidade de não estar fazendo um mal? Alguém conhece alguma fábrica do inocente carrinho de rolimã? Ou algum borracheiro que ainda transforme a câmara de ar de pneus em bóias para praia e piscina? Se souberem, me avise antes do Natal!

SALADA

ALERTA NA AMAZÔNIA:

O ritmo de desmatamento na Amazônia Legal Brasileira voltou a crescer, depois de cair constantemente durante três anos. A denúncia é do Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF), com base em dados oficiais que mostram o aumento de 8% no índice de desmatamento, entre julho e setembro. O relatório cita ainda que, em 2007, não foi criada nenhuma nova unidade de conservação. Entre os motivos, está a valorização da soja no mercado internacional. A produção nociva dessa cultura no cerrado, além de provocar danos ao eco-sistema, reflete diretamente na Amazônia. É que, com o uso dos antigos pastos para agricultura de soja, a criação de gado está migrando para as regiões amazônicas.

LIDERANÇA FLUMINENSE:

Depois de campeão em gás veicular, o Rio de Janeiro, também, é líder no uso de biodiesel. Chamado de B5, o novo diesel empregado no estado contém 5% de combustível natural e já é responsável pela alimentação de 3,5 mil veículos. Agora, as empresas de ônibus preparam-se para adaptar 16 mil coletivos.

PÁSSAROS LIVRES:

O Projeto Ave Livre abaca de formar a primeira turma de guias turísticos especializados em observação de aves na Bahia. O projeto vai usar as crianças como multiplicadores do combate à prática da captura de pássaros e sua criação em cativeiro. O município de Arembepe foi escolhido como piloto para o projeto.

CARANGUEJO NOS LABORATÓRIOS

O caranguejo-uçá, um dos mais importantes recursos naturais dos manguezais, começa a ser estudado. O programa conta com apoio da University of Dalhousie, no Canadá. Devido ao alto valor comercial, a espécie — fonte de sobrevivência para milhares de famílias, nas áreas costeiras do Norte e Nordeste — o começa a ter sua existência ameaçada.

ISCAS PARA QUEM?:

Estima-se que o consumo de iscas irregulares, para o combate a formigas em áreas agrícolas, chegue a 1,5 mil toneladas por ano, no Brasil. O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola (Sindag) está lançando a campanha Isca Legal. A existência dos produtos não-controlados expõe a população e o meio ambiente a riscos imprevisíveis, com danos a saúde humana e ao meio- ambiente.

RESPONSA

AMIANTO:

Amparada pela lentidão da justiça brasileira, a transnacional belga Eternit mantém, no Brasil, a fabricação das telhas e caixas d’água populares. Apesar dos inúmeros indícios de que a extração e industrialização do minério provocam câncer, não há decisão, no país, judicial definivia contra ele. No ano passado, aliás, as vendas dos produtos da Eternit cresceram 14%. A corporação é dona da única mineradora deste produto no Brasil, a Sama.

SURF SOCIAL:

Os principais surfistas do país aderiram à campanha “Lixo na Praia não pode virar Moda”. Durante campeonatos da modalidade, serão realizadas gincanas, distribuições de sacolinhas oxi-biodegradáveis para coleta de lixo e conscientização sobre os grandes danos ambientais provocados pelos chamados “micro-lixos”, como bitucas de cigarro, canudinhos e outros itens que são largados nas areias.

TINTA DA TERRA:

As escolas de Santo André (SP) estão sendo repintadas com uma tinta natural feita de terra. A mistura inclui ainda cola e água. Além de muros e paredes, a tinta especial está sendo usada nos trabalhos de arte dos alunos.

PEDALANDO CONTRA SUJEIRA:

Ambientalista vai pedalar pelos rios mais poluídos do Brasil. Depois de ter cruzado a baia de Guanabara em um barco feito de garrafas pets, o fotógrafo Zé do Pedal lança-se nessa nova aventura. Para isso, conta com um novo barco pedalável de 70 quilos, feito com 240 garrafas. Pretende chegar até Buenos Aires, na Argentina. Navegará por 3.200 quilômetros através dos Rios Piracicaba, Tietê, Paraná e, já em território Argentino, pelos Lujan e Prata. A velocidade de cruzeiro é de 3,2 quilômetros por hora.

No currículo do fotógrafo-ambientalista constam vários marcos: primeiro brasileiro a dar a volta ao mundo de bicicleta e o primeiro homem a atravessar o Japão usando um velocípede infantil. As aventuras podem ser acompanhadas pelo site.

Mais

Luiz André Ferreira é colunista do Caderno Brasil de Le Monde Diplomatique.

Edições anteriores da coluna:

Desenvolvido, porém muito desigual
Números revelam: mais importante que celebrar a entrada do Brasil no grupo de países de alto IDH é ampliar lutas que podem reduzir as injustiças sociais no país. Também na coluna: vantagens da ferrovia, lâmpadas certificadas, chuveiro de névoa e muito mais

Valei-me Santa Bárbara!
As chuvas de verão chegaram antes da época, num possível reflexo do aquecimento global. Um efeito pouco conhecido é o aumento do número de raios, que matam cem pessoas por ano no país. Também na coluna: bancos de leite humano, obesidade animal, moda de verão, Oswaldo Cruz e muito mais

O gás que falta nos postos
Uma das causas da forte elevação dos preços, das filas e da falta do combustível para o consumidor final, é a decisão de priorizar a entrega às grandes corporações. Também na coluna: cipó-titica, onças sem-teto, jogos indígenas e muito mais

Morrer e virar verde
O sucesso de iniciativas ambientalistas adotadas por funerárias no Paraná revela como a opinião pública está aberta ao tema do aquecimento global. Também na coluna: ações do Greenpeace contra Angra III, monitoramento de peixes, cinema itinerante, panetone do bem e muito mais

A Copa (verde) do Mundo é Nossa!
Diplô Brasil estréia coluna sobre Responsabilidade Social. Primeiro número avalia: emergência da questão ambiental foi decisiva para o retorno do mundial de futebol ao país. Mas haverá mobilização real em favor da natureza, ou tudo se resumirá a marketing vazio?



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