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— É o Hugo, mexicano?
— Não. É o Daniel, brasileiro.
— Mas você fala espanhol? (...) Que estúpida eu sou. Você fala brasileiro, né?
— Também não.
- (25/03/2008)
— Alô?
— Alô.
— Quem fala?
— Mais fácil você dizer pra quem ligou.
— É o Hugo, mexicano?
— Não. É o Daniel, brasileiro.
— Brasileiro?
— Sim, do Brasil.
— Não é o mexicano?
— Não, esse vem do México, por acaso.
— Mas você fala espanhol?
— Não.
— Claro, claro. Que estúpida eu sou. Você fala brasileiro, né?
— Também não.
— E você fala o quê, afinal?
— Português.
— Como em Portugal?
— Vejo que a senhora pega as coisas rápido.
— Tem certeza de que não é brasileiro?
— Até onde eu sei é português mesmo.
— Português?
— Sim.
— Ah, Hugo, você quase me enganou dessa vez. Quase mesmo.
— Acho que a senhora está realmente se confundindo.
— Deixa de bobagem. Reconheço esse seu sotaque mexicano em qualquer lugar. Jacques, Jacques, escuta aqui a nova do Hugo...
— Alô?
— Alô.
— Hugo?
— Daniel.
— Daniel? Essa é boa. Há quanto tempo, Hugo!
— É. Parece que nunca nos falamos.
— Hugo, a sua capacidade de imitar sotaques me impressiona.
— Tem coisa nessa conversa que me impressiona bem mais.
— Incrível. Quase chego a acreditar que você consegue falar brasileiro.
— Português.
— Espera aí que eu vou te passar pra alguém que quer muito ouvir sua voz. Marie, corre, é o Hugo no telefone.
— Alô?
— Alô.
— Hugo?
— Eu mesmo.
— Tudo bem?
— Indo.
— E essa história de Brasil, hein?
— A gente tem que inovar.
— Então fala um pouco de brasileiro pra eu ouvir.
— "Caipirinha?"
— Nem está tão bom assim.
— Não?
— Eu vi o Julio Iglesias na TV. Ele puxa mais o "r".
— Mas o Julio Iglesias não é brasileiro.
— Hugo, você precisa se informar melhor. Tenho certeza que você vai falar brasileiro perfeitamente se escutar os discos do Julio Iglesias.
— Deixa os discos pra lá.
— Bom, Hugo, a família toda te abraça e deseja um feliz ano novo.
— Em espanhol a gente diz "feliz año nuevo".
— E em brasileiro?
— Não faço idéia.
— Viu? Precisa estudar mais.
— Eu vou, juro.
— Beijos.
— Beijos. E muchas gracias.
— Esse Hugo...
Daniel Cariello assina a coluna Chéri à Paris. Também mantém o blog Chéri à Paris e edita a Revista Brazuca. Edições anteriores:
A Terceira Guerra Mundial
O argelino suava. Sua hegemonia estava em jogo. Se tivesse razão, teria o ego tão inflado que voltaria voando pra casa. Se estivesse errado, perderia o posto de professor de Deus, que ele mesmo se concedera. A russa só ria, mostrando sua milionária arcada dentária para a turma
Procura-se pão francês
— É o pão do dia-a-dia no Brasil.
— E vocês o chamam de pão francês? Olha, acho que ele não existe na França.
— Quer dizer que temos sido enganados esse tempo todo?
— Lamento te revelar isso assim, de sopetão.