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LITERATURA

Uma revista com rumo firme e novos horizontes

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Em 2008, com a publicação de sua 8ª edição, a ser lançada no próximo dia 17 de abril, a Cadernos de Literatura em Tradução introduz duas mudanças editoriais. Uma delas é a periodicidade, que passa de anual a semestral. A segunda é a introdução de edições temáticas, que serão alternadas com volumes de tema livre

John Milton, Marina Della Valle, Telma Franco - (11/04/2008)

Há 11 anos a revista Cadernos de Literatura em Tradução, ligada ao Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), nascia como uma nova opção em uma área extremamente carente no Brasil, a saber, publicações acadêmicas voltadas para a tradução literária.

O primeiro número – que destaca na capa uma entrevista com Berthold Zilly, tradutor de Os Sertões, de Euclides da Cunha, para o alemão – já apresentava a linha editorial que marcaria a próxima década da revista: periodicidade anual e ênfase na publicação de traduções comentadas de textos curtos e, principalmente, de poesia. Artigos e entrevistas também estão sempre presentes, mas são publicados em menor escala, pois contam com outros espaços acadêmicos para divulgação.

Ao longo dos anos, a revista se consolidou como um meio de propagação e incentivo da produção de literatura em tradução, atraindo um número maior e mais variado de colaboradores. A presença de comentários sobre as dificuldades encontradas em cada tradução e de explicações para as soluções encontradas fez com que a publicação começasse, inclusive, a ser utilizada em salas de aula.

Dentro do universo do mercado editorial, a publicação de traduções de poesia é restrita, embora não possa ser desprezada – por exemplo, a Revista da Biblioteca Nacional regularmente publica uma seção de poesia traduzida. Nesse cenário, a Cadernos de Literatura em Tradução também buscou atenuar lacunas importantes, como a falta de um volume dedicado à obra do poeta Phillip Larkin, que teve poemas traduzidos por Alípio Correia de Franca Neto, publicados nos números 2 e 4.

Franca Neto, ganhador de dois prêmios Jabuti na categoria tradução – por Pomas, um tostão cada, de James Joyce (Editora Iluminuras, 2002) e A Balada do Velho Marinheiro, de S. T. Coleridge (Ateliê Editorial, 2006) – também participou do primeiro número da revista com comentários sobre a tradução de Música de Câmara, de Joyce (Editora Iluminuras, 1998).

Outras colaborações que fizeram parte da Cadernos foram posteriormente publicadas em livros, como “Priapéia Grega: imitação e emulação em 5 poemas marítimos traduzidos da Priapéia Grega”, de João Angelo Oliva Neto, que antecipou a publicação do livro Falo no jardim: Priapéia Grega, Priapéia Latina (Editora Hedra, 2006), e traduções de poemas de John Keats por John Milton e Alberto Marsicano, que integram o volume Nas invisíveis asas da poesia (Editora Iluminuras, 1998).

Mudanças e planos para 2008

Neste ano, com a publicação de sua oitava edição, a ser lançada no próximo dia 17 de abril [1], a Cadernos introduz duas mudanças editoriais. Uma delas é a periodicidade, que passa de anual a semestral. A segunda é a introdução de edições temáticas, que serão alternadas com volumes de tema livre.

A edição número 8 é dedicada a traduções de textos escritos por mulheres, e traz autoras como Gwendolyn Brooks, Sylvia Plath, Jamaica Kincaid, Masha Kaléko, Joyce Mansour, Emily Brontë e Delmira Augustini, entre outras. O número 9, de tema livre, está sendo editado e deve ser lançado em julho.

O número 10 da Cadernos, a ser lançado no fim deste ano, será a próxima edição temática – Especial Erótica – com textos erótico-pornográficos. A chamada de textos já está sendo veiculada, e a data-limite para enviar colaborações é 29 de junho. Interessados podem escrever para o email cadernosdetraducao@yahoo.com.br.

Apesar de mudanças substanciais, essas alterações não afastam a Cadernos de Literatura em Tradução do objetivo que motivou seu lançamento há uma década: publicar e incentivar a produção de traduções literárias.



[1] A partir das 19h, no Finnegan’s (Rua Cristiano Viana, 358, Pinheiros, São Paulo).

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