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Num lastimável jogo de omissões, até as belezas naturais e o clima invejável do Rio de Janeiro viram bodes expiatórios para a epidemia. Coluna também aborda atitude da sociedade diante do aquecimento, frente parlamentar "ambientalista", reciclador de cimento, energia do arroz e outros temas

Luiz André Ferreira - (08/05/2008)

Rio de Janeiro, cidade encravada entre o mar e a montanha, de clima invejado e uma das mais arborizadas, a ponto de abrigar a maior floresta urbana do mundo! É inacreditável que as características que encantam desde os primeiros navegadores até os mais recentes turistas (que enfrentam a enxurrada de notícias negativas publicadas lá fora), sejam usadas pelo poder público como desculpa para uma total falta de cuidado com o que a natureza tão generosamente nos deu. Até Pedro foi deposto do cargo de santo para o de vilão, nos discursos dissonantes que tentam explicar a epidemia. Alguns a associam ao excesso de chuva. Isso apesar dos índices pluviométricos não apontem nenhuma anormalidade.

O privilégio natural do Rio virou fardo, numa total inversão, criada para encobrir incompetência administrativa. Aí ficam as perguntas: há quantos milhões de anos esse ponto do mapa possui essa mesma geografia? E o clima tropical impera desde quando por aqui?

Não é possível que uma doença que estava dizimada há décadas tenha voltado no final dos anos 80 e que as autoridades, com todos os recursos tecnológicos e de comunicação, não consigam controlá-la. Será que o que falta são homens públicos engajados como Oswaldo Cruz e Carlos Chagas, que colocavam a mão na massa e iam à frente de seu pelotão no campo de batalha?

Mais lento que a fábula da tartaruga, o poder público ficou anos luz em atraso, em comparação com o vôo do mosquito. Com residência no Rio, o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão demorou um “temporão” para ouvir os zumbidos da epidemia que ecoava desde o início do segundo semestre do ano passado, apesar de suas estadas quase semanais na cidade. Será que o governador Sérgio Cabral viajou tanto que não viu os mosquitos que voavam em seu quintal? E o prefeito César Maia, que se isolou criando um blog e praticamente só se comunicando com a imprensa e a população pela internet? Será que é uma forma de se proteger, já que os hackers do mal só inventaram os vírus de computador e ainda não criaram o mosquito virtual?

A miopia administrativa fez com que o poder público só enxergasse a epidemia quando a população já sentia na pele a dor da picada e suas conseqüências. E olha que tem autoridade pública que ainda nem admite plenamente a gravidade do caso. As três esferas trocavam acusações e tentavam tapar o sol com a peneira, enquanto os hospitais, que já jaziam com a eterna crise da saúde, tinham que se virar, com as equipes já desfalcadas, na multiplicação diária de atendimentos. As filas cresciam, torturando pacientes por média de cinco horas de espera por uma consulta e dias pelo resultado dos exames.

As primeiras medidas surgiram atrasadas e desencontradas. Convocadas, as Forças Armadas demoraram a oferecer seus leitos e a levantar os hospitais de campanha, só entrando na guerra quanto já estava praticamente perdida para a epidemia.

Fora isso, ainda temos que ouvir os discursos de setores que possuem toda a legitimidade, mas que levantam suas bandeiras em hora errada. Com tanta gente morrendo e agonizando com os efeitos da doença, fica difícil de engolir os médicos locais reclamando de salários e de que os profissionais vindos de outros estados vão receber R$ 100 a mais por plantão.

Em paralelo, as empresas ligadas ao turismo reclamam, os administradores públicos choram os gastos com remédios e diárias de profissionais de saúde e segmentos empresariais já contabilizam os prejuízos com os funcionários ausentes, enquanto se recuperam da doença. Isso sem contar que estamos em ano eleitoral, com candidatos fazendo de tudo para colocar o mosquito em seus palanques como cabo eleitoral.

Como diz o ditado, “paternidade de filho feio, ninguém quer assumir”. Candidatos e partidos fazem promessas de campanha em torno de medidas para conter a doença, assim como administradores jogam, uns para outros, a responsabilidade pela epidemia. Como ainda não inventaram DNA para mosquito, é bom ficarmos atentos a esses oportunismos eleitorais.

RESPONSA

Sociedade disposta a agir

Quando será que o mercado vai finalmente se render às pesquisas que mostram, cada vez mais, o engajamento da população brasileira na questão da responsabilidade socioambiental? Estudo dos institutos Akatu e Ethos mostra que 77% das pessoas têm interesse em saber que medidas as empresas tomam para se tornar mais responsáveis. Já outra, realizada em 17 países, aponta que 96% dos brasileiros estão preocupados com as alterações climáticas, índice maior do que a média mundial, que é de 85%. Entre os 502 brasileiros entrevistados, 73% estão dispostos a reduzir o uso dos recursos naturais para mitigar as emissões de carbono.

Frente ambientalista ou de marketing?

Um ano depois criada, aguardamos na prática a atuação efetiva da Frente Parlamentar Ambientalista no Congresso Nacional, que conta com 323 parlamentares, entre senadores e deputados. Aderir no papel, e se beneficiar do marketing verde em ano de eleições municipais é uma coisa; atitude, é outra, bem diferente.

Manual do Autor discute saúde pública A Fundação Oswaldo Cruz está lançando versão atualizada e ampliada do “Manual do Autor”. O objetivo é oferecer a escritores, produtores e realizadores de espetáculos teatrais, de cinema, TV e Vídeo, dicas sobre como tratar temas como a saúde pública. Na versão atual, entram também abordagens como violência, cidadania e efeitos já sentidos das mudanças climáticas. O manual foi elaborado com contribuição das Universidades Federal e Estadual do Rio de Janeiro, além do Instituto de Hematologia fluminense, o HemoRio. Saudades dos trilhos

Com apoio do Sesc foi produzido o filme “Reminiscências – Estrada de Ferro Therezopolis” que põe nos trilhos a história da linha que ligava o Rio de Janeiro a Minas Gerais e que passava pelo município de Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro.

Diálogos Capitais Diante da repercussão do encontro “Diálogos Capitais”, os organizadores já preparam o próximo que deverá terá como tema “Mudanças Climáticas”. Durante o evento realizado no Rio de Janeiro, entre vários fatos, atitudes e notícias foram anunciados vários projetos e medidas na área de sustentabilidade. Entre eles, o retorno do projeto do governo federal para substituição de geladeiras e a retomada das licitações para construção de Angra 3. Tendo como curador e apresentador das mesas este colunista, a jornada durou mais de 10 horas, dividida em quatro mesas temáticas.

SALADA

Reciclador em canteiro de obras

Pioneirismo de uma construtora carioca. A utilização de um reciclador instalado no próprio canteiro de obras. O equipamento, de fabricação austríaca, tem capacidade para processar 200 toneladas de concreto armado por hora. O produto é transformado imediatamente em brita, usada na própria construção.

Atitude: Qual é a sua?

Esse é título do livro que registra ações em prol do meio-ambiente realizadas individualmente, por pessoas que, através de atitudes, colaboram com o planeta. Entre os 48 personagens estão: a ex-ministra Marina Silva, o cantor e compositor Chico Buarque e a bike-repórter Renata Falzoni. Para o nostálgico Chico, que ilustra uma das fotos da publicação, o sonho é de que as futuras gerações tenham a qualidade ambiental que ele desfrutou. “Eu gostaria que as nossas crianças respirassem um ar melhor, que tivessem água de beber e comida de comer. E que tivessem as praias que eu tive quando criança."

Calcinha Ecológica

Pela ousadia, sensualidade e design arrojado, as roupas íntimas femininas brasileiras vêm há muito tempo abrindo caminho no mercado internacional. Agora, chama a atenção nos Estados Unidos a calcinha ecologicamente correta fabricada no Brasil. Apresentadas em sete cores e dois modelos (tanga e fio-dental), as peças são elaboradas com algodão de plantio sustentável e em tecnologia que resulta num produto de secagem rápida e alta respirabilidade natural.

Energia do Arroz

A Pilecco, que trabalha com a comercialização de arroz, começa, nos próximos meses, a produzir energia através da casca deste cereal.

Mais:

Luiz André Ferreira é colunista do Caderno Brasil de Le Monde Diplomatique.

Edições anteriores da coluna:

Padrões de uma beleza vulgar
Programas de TV e desfiles de moda convertem-se em vitrines de um padrão estético em que as próprias diferenças parecem previsíveis. Também na coluna: subsídios à agricultura orgânica, poluição desigual nas transnacionais do automóvel, uso das fibras de bambu, rádios comunitárias e muito mais

Carnaval com batida ecológica
Consciência ecológica leva escolas de samba a rever uso irresponsável de adereços com origem animal — e já se pratica neutralização das emissões de carbono. Também na coluna: comércio justo, mercado de peixes ornamentais, reserva de Tanguá e muito mais

Aquecimento, corais e desbeleza
Entidade propõe declarar 2008 o Ano Internacional dos Recifes de Coral. Ameaçadas pela devastação dos mares e alta das temperaturas, formações podem desaparecer. Coluna debate ainda: energia limpa, reflorestamento, Forte de Copacabana, papais-noéis e muito mais

No Natal, presente de grego
Multiplicam-se os casos de brinquedos nocivos às crianças, num sinal de como pode ser perverso o foco exclusivo das empresas no lucro. Também na coluna: aumento na devastação da Amazônia, produção impune do amianto, surf ecológico e Zé do Pedal

Desenvolvido, porém muito desigual
Números revelam: mais importante que celebrar a entrada do Brasil no grupo de países de alto IDH é ampliar lutas que podem reduzir as injustiças sociais no país. Também na coluna: vantagens da ferrovia, lâmpadas certificadas, chuveiro de névoa e muito mais

Valei-me Santa Bárbara!
As chuvas de verão chegaram antes da época, num possível reflexo do aquecimento global. Um efeito pouco conhecido é o aumento do número de raios, que matam cem pessoas por ano no país. Também na coluna: bancos de leite humano, obesidade animal, moda de verão, Oswaldo Cruz e muito mais

O gás que falta nos postos
Uma das causas da forte elevação dos preços, das filas e da falta do combustível para o consumidor final, é a decisão de priorizar a entrega às grandes corporações. Também na coluna: cipó-titica, onças sem-teto, jogos indígenas e muito mais

Morrer e virar verde
O sucesso de iniciativas ambientalistas adotadas por funerárias no Paraná revela como a opinião pública está aberta ao tema do aquecimento global. Também na coluna: ações do Greenpeace contra Angra III, monitoramento de peixes, cinema itinerante, panetone do bem e muito mais

A Copa (verde) do Mundo é Nossa!
Diplô Brasil estréia coluna sobre Responsabilidade Social. Primeiro número avalia: emergência da questão ambiental foi decisiva para o retorno do mundial de futebol ao país. Mas haverá mobilização real em favor da natureza, ou tudo se resumirá a marketing vazio?



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