Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Amazônia do Conhecimento ou da Ignorância?

» Protestos multiplicam-se: como participar

» Cinedebate: a crise ambiental brasileira em três filmes

» O cineasta em sua fauna

» A revolução do Emprego Garantido

» Segurança pública: hora de trazer a pauta para a esquerda

» Segurança pública: hora de trazer a pauta para a esquerda

» Para entender a crise de Itaipu

» “Não esqueçam Julian Assange”

» Índia ocupa a Caxemira muçulmana

Rede Social


Edição francesa


» Graves menaces sur la sécurité alimentaire mondiale

» Menaces sur l'Asie

» Le rap, complainte des maudits

» L'Afrique noire est-elle perdue ?

» Comment fut liquidée toute une génération d'opposants

» Eldridge Cleaver : le retour de l'enfant prodigue

» Population, subsistance et révolution

» Une nouvelle classe de petits potentats domine les villages

» Vers une « révolution agricole »

» En dehors de la « Petite Europe » d'autres débouchés s'offriront aux produits tropicaux


Edição em inglês


» On ‘la pensée unique'

» Manufacturing public debate

» August: the longer view

» Trump returns to the old isolationism

» Yellow vests don't do politics

» Kurdish territories in northern Syria

» The changing shape of the Balkans: 1991 / 2019

» Minorities in Kosovo

» Borders 1500-2008

» Man with a mission or deranged drifter


Edição portuguesa


» Edição de Agosto de 2019

» Plural e vinculado à esquerda

» Os talibãs de São Francisco

» Edição de Julho de 2019

» Inconsistências (ou o sono da razão?)

» Comércio livre ou ecologia!

» Edição de Junho de 2019

» As pertenças colectivas e as suas conquistas

» A arte da provocação

» 20 Anos | 20% desconto


Um eixo de desenvolvimento econômico

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

Johanna Levy - (28/05/2008)

“O governo de Evo Morales sabe que, para reabilitar a folha de coca junto à opinião pública mundial, é preciso primeiro demonstrar que pode lutar eficazmente contra o narcotráfico”, analisa Jorge Alvarado, responsável pela missão diplomática boliviana na Venezuela. Encarregado de rever a campanha internacional de sensibilização à coca, ele conta com a ajuda do país vizinho para convencer o Comitê de especialistas em tóxico-dependência da Organização Mundial da Saúde (OMS) a solicitar uma revisão do estatuto do arbusto em sua próxima reunião.

“Nosso objetivo é simples: queremos produzir o que consumimos tradicionalmente e também o que precisarmos para a indústria, para a fabricação de alimentos e de medicamentos à base de coca”, explica. Contrariamente à política dos governos precedentes, cuja meta final fora reduzir a superfície de coca cultivada no país em até 12 mil hectares, o governo de Morales lançou-se em um desafio maior: fazer dessa cultura um meio de desenvolvimento econômico, visando os mercados local e internacional. Mesmo considerando excessivos os 27500 hectares cultivados hoje, o governo boliviano prevê manter a superfície legal de produção em 20 mil hectares.

Outra mudança radical foi na estratégia da luta contra o narcotráfico: não se trata mais de restringir os espaços cultivados, mas de buscar neutralizar a produção de cloridrato de cocaína. Assim, além dos 12 mil hectares reservados ao consumo tradicional, deve-se destinar 8 mil hectares para a transformação produtiva das folhas em infusões, farinhas, produtos cosméticos (dentifrícios, xampus), biomedicamentos (xaropes, pomadas, mates), fertilizantes ou ainda em nutrimentos para a criação de animais. Mercadorias suscetíveis a abrir novas oportunidades econômicas aos produtores, desviando-os do narcotráfico.

Solidária à política boliviana, a Venezuela anunciou que seu país comprará todos os produtos industrializados a partir da coca caso eles não sejam absorvidos pelo mercado nacional, garantindo assim seu escoamento [1]. O governo boliviano conta também com a colaboração das organizações cocaleras para garantir a “redução voluntária” das superfícies agrícolas excedentes. A concertação da qual Evo Morales foi dos principais artífices revelou-se um sucesso incontestável. “Em um ano chegou-se à diminuição inédita de 8 mil hectares da superfície cultivada. As organizações sindicais sabem perfeitamente que esta é a única via para garantir a produção da coca”, lembra Jorge Alvarado.

Para o governo, é no controle social exercido pelas organizações sindicais que reside a chave-mestra da luta contra o narcotráfico. Combinando os embargos da cocaína [2] a uma intensificação do combate a entrada dos precursores químicos em território nacional, essa eliminação pacífica das culturas excedentes deveria, segundo ele, contribuir para interromper e estancar as atividades ilícitas. Uma lógica matemática.



[1] “Em diciembre comienza industrialización de la coca y Venezuela comprará toda la producción”, ABI, La Paz, 8 outubro 2006.

[2] Entre 1º de janeiro e 3 de agosto de 2006, a Bolívia apreendeu 8343 quilos de cocaína, contra 6312 no mesmo período em 2005. Além disso, 4070 laboratórios de pasta de coca e de cocaína foram destruídos em 2006, mais de 50%, se comparado a 2005.


Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Bolívia
» Estados Unidos
» América do Sul
» Drogas Não-Legalizadas

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos