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CULTURA PERIFÉRICA

A revolução cultural dos motoboys

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Um evento em São Paulo, um site inusitado e dois filmes ajudam a revelar a vida e cultura destes personagens de nossas metrópoles. Sempre oprimidos, por vezes violentos, eles vivem quase todos na periferia, são a própria metáfora do caos urbano e estão construindo uma cultura peculiar

Eleilson Leite - (17/05/2008)

Termina neste sábado, 17 de maio, a 1ª Semana de Cultura Motoboy. O evento começou na última segunda-feira, no CCPC — Centro Cultural Popular da Consolação — e conta com uma programação com muita música, intervenções, mostra de filmes e oficinas, entre outras atrações. Durante a semana, as atividades rolaram sempre à noite. No sábado, tudo começará de tarde, com workshops e show de encerramento a partir 20h, varando a noite.

A realização desse evento é tão surpreendente quanto oportuna. Fomos habituados a ver os motoboys apenas como um bando de malucos que desafiam as leis da física e os limites do próprio corpo nos estreitos corredores das avenidas da metrópole. E a maioria da população, sobretudo os motoristas, nutrem uma antipatia em relação a esses mensageiros de motocicleta. Para muitos, é difícil ver o ser humano que está por trás do capacete. Por outro lado, é um fenômeno tão recente, que os esteriótipos são compreensíveis, em função da falta de informação e reflexão sobre o perfil desse tipo de profissional. É chegada a hora de darmos atenção ao que eles pensam e desejam. Eles, que arriscam a vida diariamente para atender à pressa que temos para entregar documentos, comer pizzas, tomar remédios, entregar flores, receber o jornal — ou seja, socorrer-nos na maluquice que virou a vida nos centros urbanos, em especial São Paulo.

O aumento exponencial dos motoboys, causa perplexidade. Nos últimos dez anos, saltaram de cerca de 50 mil para um número estimado de 300 mil, só em Sampa. Embora não haja estatísticas seguras, estimativas apontam um número que pode chegar a 500 mil, em toda a região metropolitana. Quanto mais inviável o trânsito, maior a demanda pelo tipo de serviço que esse profissional realiza. É uma categoria que surge em função do caos provocado pelos congestionamentos. No ritmo em que a indústria automobilística vem produzindo, a perspectiva é de que teremos mais e mais motoboys pela cidade. Sem que percebamos, estamos cada vez mais reféns desses mensageiros. Há quem diga que uma greve de motoboys causaria mais prejuízo a São Paulo do que uma greve de ônibus.

Vivendo nos corredores das grandes cidades, os motoboys são a tradução explícita da alegoria de Brecht: um rio cuja violência das águas é produto da opressão das margens que o comprimem

Mas existe uma cultura motoboy? Pensando a cultura como a construção simbólica de uma coletividade, cuja expressão revela sua identidade, comecei a refletir sobre essa questão. E é intrigante analisar o que é afirmação de identidade para este grupo. Conversando com alguns deles, sobretudo os mais antigos, percebi que há uma rejeição ao próprio nome. A definição motoboy popularizou-se em virtude do caso do Maníaco do Parque, um bandido que, em meados da década de 1990, passando-se por fotógrafo de agência de modelos, atraía jovens garotas para a densa mata do Parque do Estado e ali estuprava e matava suas vítimas. Esse caso causou uma indignação maior do que essa que assistimos hoje no caso Izabella Nardone. O nome motoboy, portanto, surgiu estigmatizado. E para piorar a situação, estatísticas policiais revelaram um grande aumento do número de assaltos praticados por ladrões com uso de motos, nos últimos anos .

Não é fácil a vida de motoboy e motogirl. Ralam em condições de trabalho para lá de precárias, insalubres e periculosas, para obter uma remuneração que vai de R$ 250 até, no máximo, R$ 1200 (casos raros) . Ainda têm que agüentar o preconceito .Os caras e minas têm uma jornada de trabalho que pode chegar a 16 horas, em três serviços diferentes. Alguns deles começam às 4 da madrugada, entregando jornal até as 7h. Depois, vem o expediente básico na agência de motoboys ou numa firma qualquer, até 18h. Cruzam a cidade e na periferia, onde a grande maioria mora, ainda complementam a renda entregando pizza, ali mesmo pelo pedaço.

Esse trampo noturno é dos mais ingratos. Normalmente, ganham uma diária de R$ 15,00 e mais R$ 1,00 por pizza entregue. Ou seja, se fizer 15 entregas numa noite, receberá R$ 30,00. Essa realidade e muitos outros dramas (e delícias, também) da vida desses profissionais estão no brilhante documentário Motoboys Vida Loca, de Caito Ortiz, uma produção de 2003, que foi premiada na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo naquele ano. O belo filme 12 Trabalhos, do cineasta Ricardo Elias (De Passagem), ajuda também a entender o coração que bate em baixo da jaqueta do motoboy. O filme conta a história do jovem Heracles que, saído da antiga Febem, tenta recomeçar sua vida trabalhando com moto-frete. Embora ficcional, a produção, de 2006, revela o perfil de um motoboy com enorme sensibilidade.

A cultura motoboy é um produto do contexto social em que vive esse profissional. Sendo esse contexto caótico, urgente e tenso por natureza, não há como essa cultura não expressar a paisagem urbana que lhe serve de cenário. O motoboy e a motogirl são a própria metáfora do caos urbano. São, ao mesmo tempo, heróis e bandidos numa cena onde o protagonista não é o ser humano, mas o veículo motorizado — seja o carro, moto, ônibus ou caminhão. São a expressão de um dos lados da luta fratricida pelo espaço público. Cada metro quadrado de asfalto é defendido por motoqueiros e motoristas como se dele dependessem suas vidas, seus destinos. Vivendo nessas artérias que são os corredores das grandes avenidas, os motoboys acabam sendo a tradução explícita da alegoria de Brecht: um rio cuja violência das águas é produto da opressão das margens que o comprimem.

Roupa, moto adesivada, solidariedade entre si e procedência periférica são elementos da cultura motoboy. Mas há algo menos evidente: a semântica. Eles e elas construíram uma linguagem própria

Contracenado nesse caos, o motoboy é parte dessa confusão, e sua afirmação enquanto grupo é carregada de contradições. Quem ele é fora do front? Ele leva para sua casa e comunidade toda essa adrenalina do dia-a-dia do trampo? O filme do Caito Ortiz é muito feliz ao desconstruir esteriótipos. Há uma motogirl de 44 anos, que pede para que o destino lhe reserve um acidente fatal. Assim, ela se livraria da dor que foi a perda do filho morto aos 18, a separação do marido e o afastamento da filha que resolveu casar e sumir. Ronaldo, outro personagem real do filme, contradiz a percepção que temos do motoboy. Empregado com carteira assinada e salário de R$ 1.200, ele tem 34 anos e não tem pressa. Faz o trampo na boa e no final dia chega na sua quebrada e é recebido em casa pela mulher e o casal de filhos. Já o Gavião, garoto de vinte e poucos anos é “cachorro loco” - denominação usada na periferia para aquele motoqueiro arrojado, ousado e que atrai a atenção das minas com suas loucuras ensaiadas. Ele adora ser motoboy porque gosta da adrenalina do trânsito. Parece um “sem destino”, um sujeito que não responde a ninguém que não seja ele próprio, ostentando a máxima segundo a qual, se morrer em cima da moto, “morre feliz”. Que nada. Mora com a mãe , que lhe prepara o café da manhã com carinho, reclama da roupa suja e das unhas mal cuidadas do filhinho e todos os dias reza para que ele possa “arrumar um emprego decente“.

A diversidade revelada pelo documentário Vida Loca, nos coloca a indagação. Teriam os motoboys, enquanto categoria, um sentimento de pertencimento que desse um conteúdo cultural a sua afirmação? Fiz essa pergunta ao Eliezer Munis, o Neka, um dos fundadores do canal*Motoboy, coletivo que organiza a Semana de Cultura Motoboy. Segundo ele, há vários elementos comuns que criam uma identidade. A roupa, a moto adesivada, a solidariedade entre eles, a procedência periférica e a classe social são alguns desses elementos. Mas Neka destaca outro aspecto muito interessante e talvez menos evidente: a semântica. O motoboy e a motogirl construíram uma linguagem própria.

Expressado quase totalmente pela oralidade, esse vocabulário agora pode ser lido pelas narrativas dos motoqueiros que integram o canal*Motoboy , na página (www.zexe.net/saopaulo) que mantém na Internet . São 10 motoqueiros que se juntaram por iniciativa do artista plástico catalão Antoni Abad no projeto artístico Motoboys Transmitem de Celulares, realizado durante três meses, no primeiro semestre de 2007, no Centro Cultural São Paulo (CCSP). Cada um deles recebeu um celular de alto padrão tecnológico com conexão à internet. Enviaram fotos e textos para o site, revelando sua percepção sobre a vida na cidade. Antoni desenvolveu experiências semelhantes com prostitutas em Madri, imigrantes nicaragüenses na Costa Rica e taxistas na Cidade do México. Está tudo lá, no mesmo site.

Lendo as narrativas, no site, nos surpreendemos com relatos do drama vivido pelos motoboys, mas também nos divertimos com a comunicação entre eles. São repórteres privilegiados

A realização desse trabalho teve o apoio do centro Cultural da Espanha. Durante e após o término da exposição no CCSP, o grupo atraiu diversos parceiros, entre eles a Cidade do Conhecimento, da USP, o Instituto Socioambiental (ISA) e a Ação Educativa. Vale a pena navegar pelo site. Lendo as narrativas, nos surpreendemos com relatos do drama vivido pelos motoboys, mas também nos divertimos com a comunicação entre eles. Percebemos uma preocupação com a cidade e nos chocamos com os acidentes que às vezes são noticiados. O motoboy é um repórter privilegiado. E essa produção rápida de notícia, feita por quem sabe bem o que é urgência, tendo um veículo midiático ao alcance, certamente está produzindo um indicador muito interessante e revelador do que pode ser a cultura motoboy.

A Semana de Cultura Motoboy e o canal*Motoboy estão dando uma contribuição enorme para entendermos a vida dessa gente tão batalhadora quanto estigmatizada. A capacidade de articulação do grupo tem produzido parcerias muito interessantes. A aproximação com o ISA vem possibilitando o engajamento do motoboy em questões ambientais urbanas das mais relevantes. Você sabia que um motoboy utiliza, em média, três litros de óleo por mês e que esse resíduo vai, na maioria dos casos, para o esgoto? Segundo o ISA, cada litro de óleo contamina 1 milhão de litros de água. Você pode imaginar 900 mil litros de óleo contaminando a água? Por outro lado, o contato com a Ação Educativa está pautando a questão do letramento entre os motoboys e suas dificuldades de leitura e escrita. A Cidade do Conhecimento está proporcionando capacitações em mídia digital. Ou seja, há um movimento em torno de um pequeno grupo de motoboys que pode produzir uma grande revolução na categoria.

Muitas outras iniciativas estão rolando e ainda dá tempo de tomar contato com o canal*Motoboy e participar de seu evento. Apareça nesse sábado no CCPC e você mudará seu conceito em relação ao motoboy.

Serviço:

Agenda Cultural da periferia
1ª Semana de Cultura Motoboy – De 12 a 17 de maio – Sábado 17, 15h
Oficinas: Teatro ( com Fernanda Azevedo – Cia Kiwi de Teatro; Grafite – IZU 100% Favela; Meio Ambiente – César Pesaros. As 19h Jam Session ( traga sua banda )
CCPC – Rua da Consolação 1901, grátis.

Mais:

Eleilson Leite é colunista do Caderno Brasil de Le Monde Diplomatique. Edições anteriores da coluna:

Manos e Minas no horário nobre
Estréia na TV Cultura programa que aborda cena cultural da periferia com criatividade, sem espetacularização e a partir do olhar dos artistas do subúrbio. Iniciativa lembra o histórico Fábrica do Som, mas revela que universo social da juventunde já não é dominado pelos brancos, nem pela classe média

Pequenas revoluções
Em São Paulo, mais de cem projetos culturais passam a ter financiamento público, por meio do VAI. Quase sempre propostos por jovens, e a partir das quebradas, eles revelam as raízes e o amadurecimento rápido da arte nas periferias. Também indicam uma interessante preferência pela literatura

A periferia na Virada e a virada da periferia
Em São Paulo, a arte vibrante das quebradas dribla o preconceito e aparece com força num dos maiores eventos culturais do país. Roteiro para o hip-hop, rap, DJs, bambas, rodas de samba, rock, punk e festivais independentes. Idéias para que uma iniciativa inovadora perdure e supere limites

Retratos da São Paulo indígena
Em torno de 1.500 guaranis, reunidos em quatro aldeias, habitam a maior cidade do país. A grande maioria dos que defendem os povos indígenas, na metrópole, jamais teve contato com eles. Estão na perferia, que vêem como lugar sagrado

Cultura, consciência e transformação
A cada dia fica mais claro que a produção simbólica articula comunidades, produz movimento, desperta rebeldias e inventa futuros. Mas a relação entre cultura e transformação social é muito mais profunda que a vã filosofia dos que se apressam a "politizar as rodas de samba"...

É tudo nosso!
Quase ausente em É tudo Verdade, audiovisual produzido nas periferias brasileiras reúne obras densas, criativas e inovadoras. Festival alternativo exibe, em São Paulo, parte destes filmes e vídeos, que já começam a ser recolhidos num acervo específico

Arte de rua, democracia e protesto
São Paulo saúda, a partir de 27/3, o grafite. Surgido nos anos 70, e adotado pela periferia no rastro do movimento hip-hop, ele tornou-se parte da paisagem e da vida cultural da cidade. As celebrações terão colorido, humor e barulho: contra a prefeitura, que resolveu reprimir os grafiteiros

As festas deles e as nossas
Num texto preconceituoso, jornal de São Paulo "denuncia" agito na periferia e revela: para parte da elite, papel dos pobres é trabalhar pesado. Duas festas são, no feriado, opção para quem quer celebrar direito de todos ao ócio, à cultura, à criação e aos prazeres da mente e do corpo

Arte independente também se produz
Às margens da represa de Guarapiranga, Varal Cultural é grande mostra de arte da metrópole. Organizado todos os meses, revela rapaziada que é crítica, autogestionária, cooperativista e solidária — mas acredita em seu trabalho e não aceita receber migalhas por ele

Nas quebradas, toca Raul
Um bairro da Zona Sul de São Paulo vive a 1ª Mostra Cultural Arte dos Hippies. Na periferia, a pregação do amor e liberdade faz sentido. É lá que Raul Seixas continua bombando em shows imaginários, animando coros regados a vinho barato nas portas do metrô, evocando memórias e tramando futuros

No mundo da cultura, o centro está em toda parte
Estamos dispostos a discutir a cultura dos subúrbios; indagar se ela, além de afirmação política, está produzindo inovações estéticas. Mas não aceitamos fazê-lo a partir de uma visão hierarquizada de cultura: popular-erudita, alta-baixa. Alguns espetáculos em cartaz ajudam a abrir o bom debate

Do tambor ao toca-discos
No momento de maior prestígio dos DJs, evento hip-hop comandado por Erry-G resgata o elo entre as pick-ups, a batida Dub da Jamaica e a percussão africana. Apresentação ressalta importância dos discos de vinil e a luta para manter única fábrica brasileira que os produz

Pirapora, onde pulsa o samba paulista
Aqui, romeiros e sambistas, devotos e profanos lançaram sementes para o carnaval de rua, num fenômeno que entusiasmou Mário de Andrade. Aqui, o samba dos mestres (como Osvaldinho da Cuíca) vibra, e animará quatro dias de folia. Aqui, a 45 minutos do centro da metrópole

São Paulo, 454: a periferia toma conta
Em vez de voltar ao Mercadão, conheça este ano, na festa da cidade, Espaço Maloca, Biblioteca Suburbano Convicto, Buteco do Timaia. Delicie-se no Panelafro, Saboeiro, Bar do Binho. Ignorada pela mídia, a parte de Sampa onde estão 63% dos habitantes é um mundo cultural rico, diverso e vibrante

2007: a profecia se fez como previsto
Há uma década, os Racionais lançavam Sobrevivendo no Inferno, seu CD-Manifesto. O rap vale mais que uma metralhadora. Os quatro pretos periféricos demarcaram um território, mostrando que as quebradas são capazes de inverter o jogo, e o ácido da poesia pode corroer o sistema

No meio de uma gente tão modesta
Milhares de pessoas reúnem-se todas as semanas nas quebradas, em torno das rodas de samba. Filho da dor, mas pai do prazer, o ritmo é o manto simbólico que anima as comunidades a valorizar o que são, multiplica pertencimentos e sugere ser livre como uma pipa nos céus da perifa

A dor e a delícia de ser negro
Dia da Consciência Negra desencadeia, em São Paulo, semana completa de manifestações artísticas. Nosso roteiro destaca parte da programação, que se repete em muitas outras cidades e volta a realçar emergência, diversidade e brilho da cultura periférica

Onde mora a poesia
Invariavelmente realizados em botecos, os saraus da periferia são despojados de requintes. Mas são muito rigorosos quanto aos rituais de pertencimento e ao acolhimento. Enganam-se aqueles que vêem esses encontros como algo furtivo e desprovido de rigores

O biscoito fino das quebradas
Semana de Arte Moderna da Periferia começa dia 4/11, em São Paulo. Programa desmente estereótipos que reduzem favela a violência, e revela produção cultural refinada, não-panfletária, capaz questionar a injustiça com a arma aguda da criação

A arte que liberta não pode vir da mão que escraviza
Vem aí Semana de Arte Moderna da Periferia. Iniciativa recupera radicalidade de 1922 e da Tropicália, mas afirma, além disso, Brasil que já não se espelha nas elites, nem aceita ser subalterno a elas. Diplô abre coluna quinzenal sobre cultura periférica



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