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BRASIL

Carta aos conterrâneos, após a queda de Marina

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Cadê a capacidade de indignação, diante de certos erros cometidos pelo governo? Se o próprio presidente reconhece a importância da sociedade civil, por que nos calarmos, diante de fatos que revelam a predominância, no Planalto, de um desenvolvimentismo que despreza a natureza?

Marilza de Melo Foucher - (19/05/2008)

Ao abrir minha caixa eletrônica para verificar minhas mensagens, deparei com várias que tratavam da noticia de demissão de minha companheira e conterrânea Marina Silva. Esta noticia não me surpreendeu, o que me surpreende é a predominância de uma corrente desenvolvimentista que não consegue tirar lição do passado. O que me surpreende é uma certa passividade dos movimentos sociais, ONGs, intelectuais, cientistas e outros atores sociais, engajados há anos em prol de um outro desenvolvimento para o Brasil. Estes estão conscientes que o controle social se integra ao exercício da cidadania ativa. Por que então o élan que mobilizou esses atores de norte ao sul do país baixou a bandeira de reivindicações, quando nosso companheiro Lula e os partidos de esquerda e de centro chegam ao poder?

Cadê a capacidade de se indignar diante de certos erros cometidos pelo governo Lula? A critica construtiva é fundamental para avançar o processo democrático e cobrar a coerência da política governamental. Isto não quer dizer fazer oposição frontal ao governo! Isto não quer dizer fazer o jogo da direita, ao contrário do que dizem alguns membros do PT. Devemos entender a complexidade do exercício do poder e não é tarefa fácil, para o governo, enfrentar os setores conservadores que controlam o setor do agronegócio e o poder econômico brasileiro.

Mais uma razão para a sociedade civil organizada de ser agente de transformação com lucidez e coragem. Quanto mais a sociedade civil se organiza e cobra resultados dos projetos governamentais, mais o poder político progressista representado no congresso nacional será obrigado a votar as verdadeiras reformas. As reformas não reformam, quando os atores do desenvolvimento não estão preparados para o exercício da cidadania. O próprio presidente, antiga liderança sindical, certamente reconhece a importância da vitalidade de uma sociedade civil organizada para o sucesso de seu governo.

Foi o fracasso das velhas políticas que levou Lula a criar vários programas de luta contra a fome e pela inclusão social. Torna-se, portanto, difícil entender por que o governo insiste no economicismo

Por que se calar, então, diante da visão desenvolvimentista que predomina no governo? Ao longo de sucessivos mandatos, essa concepção contribuiu para um desenvolvimento desigual entre as regiões brasileiras. Favoreceu a monocultura, extraiu do solo muitas riquezas a partir de uma visão de curto prazo, sem se preocupar com o equilíbrio dos ecossistemas e de sua biodiversidade. Favoreceu,sem duvida, o crescimento econômico, que não quer dizer desenvolvimento de um país. Milhares de brasileiros não foram beneficiados com o crescimento econômico. Foi o fracasso dessa política que levou o Presidente Lula a criar vários programas de luta contra a fome e pela inclusão social. Torna-se, portanto, difícil entender por que o governo insiste no economicismo.

O verdadeiro desenvolvimento leva em conta o patrimônio ecológico e cultural existente em cada região brasileira que compõe o patrimônio nacional. O crescimento econômico não pode ser dissociado da questão social, das questões de ordem política, jurídica, administrativa, nem tampouco da questão do meio-ambiente. Tudo interage e forma um todo. É essa inter-relação que dá a sustentabilidade à concepção sistêmica do desenvolvimento. O desenvolvimento integra e não desintegra! O centro de interesse de uma ação de desenvolvimento gira em função da dimensão humana. Quando se atua com uma visão sistêmica, não se separa o ecológico do político, do cultural, do social e do econômico. A economia está a serviço do ser humano que protege a biodiversidade e a sociodiversidade. Os ecossistemas fazem parte integrante da nossa existência. Por essa razão, não devemos sacrificar as gerações futuras. Deve haver coerência entre a retórica do discurso político do PT e do governo Lula e a pratica da ação política.

Chegou a hora de sair da passividade. O governo Lula, altamente legitimado pelo voto dos atores sociais comprometidos com o desenvolvimento integrado e solidário, deve dar todas as condições necessárias para a sustentabilidade ecológica, cultural, social, econômica e política, garantindo um desenvolvimento territorial integrado e solidário para o Brasil. Ainda é tempo de sair da visão fragmentada do desenvolvimento.



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