Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Tecnologia, Ignorância e Violência

» Universidades: a “nova” estratégia do governo

» Pós-capitalismo na era do algoritmo (2)

» Por uma Reforma Tributária Solidária

» Mudar o mundo sem desprezar o poder

» Seria a Medicina moderna uma ilusão?

» Pós-capitalismo na era do algoritmo (1)

» Uma “potência acorrentada”

» Sobre jeans, trabalho insano e folia

» Sobre jeans, trabalho insano e folia

Rede Social


Edição francesa


» Les mondes perdus de l'anticipation française

» L'ordre mondial selon John Maynard Keynes

» L'offensive des intellectuels en Iran

» Les charniers de Franco

» Sabra et Chatila, retour sur un massacre

» La résistance de George Orwell

» Mémoires et malmémoires

» Keynes, ou l'esprit de responsabilité

» Un milliardaire à l'assaut de la Maison Blanche

» Comment les sociétés multinationales du textile renforcent leur emprise sur le marché mondial


Edição em inglês


» July: the longer view

» An interview with Franco ‘Bifo' Berardi

» Learning the lessons of the Arab Spring

» May 2019 parliamentary election

» A religious map of India

» Universal access to care

» Benin's fight against tuberculosis

» Towards an equal and healthy Africa

» Ivorians mobilise against AIDS

» Health for all, a global challenge


Edição portuguesa


» Edição de Julho de 2019

» Inconsistências (ou o sono da razão?)

» Comércio livre ou ecologia!

» Edição de Junho de 2019

» As pertenças colectivas e as suas conquistas

» A arte da provocação

» 20 Anos | 20% desconto

» EUROPA: As CaUsas das Esquerdas

» Edição de Maio de 2019

» Os professores no muro europeu


LITERATURA

Uma simples pergunta ou um profundo questionamento?

Imprimir
Enviar
Compartilhe

A literatura me atraiu porque nela encontrei histórias distintas, personagens mais humanos do que os reais, mundos que talvez eu nunca alcance

Renata Miloni - (28/06/2008)

Muito se reclama sobre a freqüência com que a seguinte questão é levantada: por que se escreve? Num primeiro instante, tal pergunta pode ser apenas um clichê ecoado. Mas e se analisarmos? Talvez existam nela intenções muitas vezes nobres que, infelizmente, são encobertas por apontamentos contrários, quase sempre em maioria.

Quando algo assim é perguntado à exaustão, com as devidas exceções, tudo se resume a uma efêmera curiosidade? Será toda curiosidade efêmera ou é possível não se satisfazer com uma simples resposta?

A literatura me atraiu porque nela encontrei histórias distintas, personagens mais humanos do que os reais, mundos que talvez eu nunca alcance. E com ela aprendi o que é autenticidade, mesmo que pela contramão. Mas nela me mantive porque sempre desperta questionamentos e neles a fonte de alimento é infindável.

Os escritores escrevem porque querem, porque precisam, porque gostam. Mas há aqueles que o fazem principalmente para ler. Eles provavelmente partem de um princípio um pouco complicado de lidar, tamanha a urgência que têm das palavras. Seria um outro tipo de alimento, talvez para o ego, talvez o mesmo?

Creio que quando um escritor chega ao ponto de ter em seu próprio livro aquele que gostaria de ler, o ego não é um dos primeiros sintomas a se manifestarem — apesar de, em outros casos, o ego ultrapassar tudo isso e resultar em uma literatura estagnada.

Faço referência aos que escrevem para ler não por quantidade, mas porque vêem neles mesmos mundos ainda inéditos. Sim, as pessoas que insistem em dizer que tudo já foi escrito (eu também digo às vezes, mas tenho lá minhas dúvidas) talvez sejam as mesmas a afirmarem que todos somos diferentes (caso contrário, o exercício da individualidade [1], por exemplo, não teria razão de existir).

O intuito não é se satisfazer, agradar leitores ou se expressar. Trata-se da leitura em forma plena, a possibilidade de ser alheio a si mesmo enquanto escreve, para se encontrar com surpresa nas palavras que, de certa forma, não partiram de sua consciência — talvez de uma outra freqüência dela.

Talvez alguém que decide perguntar a um escritor qual o motivo de escrever não entenda exatamente a importância do assunto, inclusive quem resolve escrever sobre isso (como agora). Não sei se é certo um escritor se perguntar todos os dias por que fez essa escolha. Mas também não é errado que assim se questione de vez em quando. E que desse questionamento nasçam diversos outros mais detalhados.

É uma pergunta que não traz nem impede a "inspiração" e jamais vai mudar qualquer aspecto ou rumo da literatura. Só que, ainda assim, tem algo de saudável se entregar a essa pequena indagação e até se revoltar contra ela. E a palavra, mesmo que freqüentemente maltratada, estará disponível e disposta, logo ali.



[1] Leia mais

Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Cultura
» Literatura
» Seção {Palavra}


Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos