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CHÉRI À PARIS / CRÔNICAS FRANCESAS

Pequenos espaços, grandes problemas

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— E aí escolheram a resposta mais criativa.
— Que pergunta?
— "Qual a diferença entre a mulher e a televisão?"
— E o que você respondeu?
— O controle remoto!

Daniel Cariello - (27/06/2008)

Julien Drouot não acreditou quando o cara da tevê anunciou o seu nome, e sacudiu Annie, que dormia ao lado.

— Eu ganhei. Ganhei, Annie. É minha!

— Ganhou o quê, Julien?

— A televisão de 150 polegadas, tela plana, totalmente digital, som estéreo futurista e disco rígido interno. Tem até despertador automático, com uma imagem holográfica do Charles Aznavour cantando La Bohème na nossa própria sala. Uma maravilha tecnológica.

— Que história é essa?

— Eles fizeram uma pergunta, e aí escolheram a resposta mais criativa.

— Que pergunta?

— "Qual a diferença entre a mulher e a televisão?"

— E o que você respondeu?

— O controle remoto!

— Você continua de uma finesse sem par, Julien. Mas me diga então onde vamos colocar essa outra tevê. Não vai caber nos nossos quinze metros quadrados.

— São dezesseis e meio, Annie. E eu já pensei em tudo. A gente pode botá-la no lugar daquele objeto marrom ali na parede, que eu nem sei bem pra que serve.

— Aquele objeto marrom ali na parede é o armário de louça. E você não sabe pra que serve porque nunca lavou um só copo na vida.

— Não é verdade. Semana passada eu lavei dois. Tá certo que um deles escorregou e quebrou, mas o outro ficou inteirinho.

— Foi por essas e outras que ontem comprei um lava-louças.

— Um lava-louças? E em que lugar vamos pôr esse monstro?

— Não se preocupe, Julien. Minha mãe vai ajudar a organizar tudo.

— Sua mãe?

— Ela chega na quinta.

— Agora são dois monstros...

— Dessa vez não fica muito tempo não, só um mês.

— Um mês?

— Chato, né? Eu também queria que fosse mais, mas ela disse que não gosta de incomodar.

— Por mim, tudo bem. Só que a velha vai ter que dividir o sofá com o Clement Diderot, que vem passar uma semana em Paris e pediu pra dormir aqui em casa.

— Clement Diderot, o gordo roncador?

— O próprio. Ele vem defender o título do Campeonato Francês de Arroto.

— Ele é asqueroso! Minha mãe não vai agüentar ficar aqui.

— Olha que sorte: eu conheço um hotel baratinho e super limpo a quatorze estações de metrô daqui. Quinze, talvez. Ela vai adorar.

— Você nunca fica feliz quando minha mãe vem.

— Não é verdade. Ela diz coisas que eu adoro.

— Jura?

— Claro.

— O quê?

— "Estou indo embora", por exemplo.

— Julien, você é um grande cretino.

— Annie, você é uma chata de galochas.

— Amanhã me mudo pra casa da minha amiga Marie.

— Não precisa se incomodar. Vou agora mesmo pro apartamento do Pierre. Sábado passo pra pegar minhas coisas.

— Aproveita e leva as suas cuecas furadas, que só entopem as gavetas.

— Pode deixar. Assim você vai ter mais espaço pra todos aqueles tubos e potes de pastas e pomadas.

— Saiba que são cremes de beleza caríssimos.

— E por que não funcionam?

— Suma!

— Fui.

Julien sai e bate a porta. Mas volta minutos depois, com a voz doce e um sorriso no rosto, e entrega um bilhete à Annie. Ela sorri também.

— Annie, pensei bem e tenho uma coisa super importante pra te dizer.

— Diga, mon amour.

— Você pode mandar a televisão nova pra esse endereço aqui?

Mais

Daniel Cariello assina a coluna Chéri à Paris. Também mantém o blog de mesmo nome e edita a revista bilíngüe Brazuca, publicada e distribuída na França e Bélgica. Edições anteriores:

Arigatô, monsieur
. No bairro chinês tem um McDonalds com cardápio em chinês. Ou em japonês, sei lá.
. Apesar de ter sido criado por um japonês, o Miojo e seus derivados são chamados aqui de "macarrão chinês".
. O bairro chinês, na verdade, fica na Praça da Itália.

Um quadro, três histórias
Verdadeiros samurais modernos, munidos de máquinas fotográficas ao invés de espadas, os japoneses não se importaram com as dimensões da obra e nem com o aviso, e saíram clicando em uma velocidade digna de Guiness. Do livro dos recordes, claro, não da cerveja

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— Bra bra bra minha mulher bra bra bra bra. — Eu sei, eu sei. Também acharia estranho o fato de a moto sumir. — Bra bra bra bra bra loja... Gentil bra bra. — Que isso... Precisando é só chamar.

Roteiro de viagem — Essa, não.
— Não quer visitar a Torre Eiffel?
— Quero não.
— Mas todo mundo que vai a Paris visita.
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Calendário de inverno
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Eu x Zidane
"Senti o peso e a responsabilidade. 160 milhões de brasileiros e 60 milhões de italianos esperavam ansiosos por alguma ação minha. Respirei fundo e, imitando o meio-campista francês, meti a testa no peito do cara, com mais força do que o previsto"

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Protesto!
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Eram eles de novo, acompanhados por três policiais. Entraram e pegaram nossos dados. Enquanto um escrevia, os oito restantes ollhavam pra parede. Tinha tanta gente admirando os pingos que tombavam, como se fosse uma instalação, que se eu abrisse umas cervejas pareceria um vernissage

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— É o pão do dia-a-dia no Brasil.
— E vocês o chamam de pão francês? Olha, acho que ele não existe na França.
— Quer dizer que temos sido enganados esse tempo todo?
— Lamento te revelar isso assim, de sopetão.



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