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LITERATURA

No Pequod – em busca de Moby Dick

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“Moby Dick” conquistou admiradores nos mais diferentes quadrantes do planeta. Albert Camus, um deles, chamou seu autor de o “Homero do Pacífico”

David Oscar Vaz - (05/07/2008)

A nova edição integral de Moby Dick que a CosacNaify nos oferece, com tradução de Irene Hirsch e Alexandre Barbosa de Souza, é de longe a mais caprichada que o livro do romancista norte-americano Herman Melville já teve em terras brasileiras. Além do próprio texto ficcional, o livro traz apêndices que são bastante úteis na orientação do leitor que se inicia nessa viagem, para que ela possa ser a mais proveitosa possível. Temos ali um glossário náutico; algumas plantas de baleeiros e botes, desenhos de peças e equipamentos e um mapa com o trajeto de toda a jornada do Pequod e sua tripulação até o encontro com a grande baleia. Ao final da leitura, pode-se ainda desfrutar de três ensaios com enfoques bastante distintos, cuja tradução e notas ficaram a cargo de Bruno Gambarotto e compõem a seção que é chamada de Fortuna Crítica.

Em 1851 surgiu pela primeira vez o grande cachalote criado pelo escritor marinheiro Herman Melville; seus poucos leitores e a maior parte dos críticos de então não tiveram por ele muito apreço e, um tanto horrorizados ou indiferentes, viraram-lhe as costas, fazendo soçobrar, junto com o romance, a carreira do escritor. Moby Dick só veio emergir do esquecimento em que mergulhou muitos anos depois da morte de seu autor, que veio a falecer, pobre e desconhecido, no ano de 1891. Somente na segunda década do século seguinte foi que essa magnífica criação de linhas e proporções tão majestosas voltou à luz novamente, como que para corrigir uma grave injustiça. Só a partir de daí foi que alcançou o status de ser uma das maiores obras escritas em língua inglesa, dentro e fora das fronteiras norte-americanas.

Moby Dick conquistou admiradores nos mais diferentes quadrantes do planeta. Albert Camus, um deles, chamou seu autor de o Homero do Pacífico. Tal honraria expressa não apenas a grande admiração do filósofo pelo escritor, mas vincula sua obra a uma tradição de épicas viagens marítimas que remontam à própria origem da literatura ocidental e que tem na A Odisséia o seu modelo inaugural.

A epopéia de Camões é a glória máxima em língua portuguesa dessa tradição. Uma das dificuldades que o poeta teve que driblar na elaboração de Os Lusíadas, e com muito engenho e arte, diga-se a propósito, foi conseguir dar um tratamento grandioso a uma empreitada comercial representada na épica camoniana pela descoberta do caminho das Índias. Poucas coisas são tão avessas ao heroísmo épico como o mundo dos negócios. Nesse aspecto, Melville enfrentou dificuldade semelhante na elaboração de seu romance, pois também aqui temos uma empreitada comercial, que é a da caça de baleias, vista já naquela época como uma atividade não muito digna – que se dirá dela, então, nos dias de hoje!

Muito além da aventura

A maneira como o autor conseguiu seu intento foi fazer com que, sob o amplo relato sobre a atividade comercial de caça a baleias, com todos os pormenores que envolvem o conhecimento destas, se desenrolasse a terrível história de uma vingança pessoal. Isso explica muito, por exemplo, os diferentes modos de discurso adotado, conforme veremos adiante, e também porque este romance pode ser visto como um romance de aventura, mas não só. Uma palavra sobre esse aspecto antes de seguirmos adiante.

Moby Dick pode ser lido como um romance de aventura, embora paradoxalmente não seja destinado a esse tipo de leitor, o que se interessa quase que exclusivamente pela sucessão das ações de uma narrativa – e qualquer coisa que o afaste da emoção criada pelas surpresas dessa sucessão o desagrada profundamente. O que significa que a fruição aqui é outra, sem pressa; o que importa não é o que vai acontecer em seguida, mas o que se passa momento: a descrição de um processo de trabalho a bordo, a história de um personagem secundário ou a apresentação pormenorizada de um aspecto da anatomia de um cetáceo. Não podemos, assim, nos entregar a uma obra que tenha essa natureza com o mesmo espírito com que abrimos as páginas de, por exemplo, O conde de Monte Cristo.

Antes da narração em si, nos deparamos com dois pequenos blocos de escrita intitulados “etimologia” e “excertos”. São apontamentos que um modesto funcionário de ginásio, fascinado por baleias, recolheu ao longo de sua vida; no primeiro, “etimologias”, encontramos a escrita da palavra baleia em várias línguas; no segundo, “excertos”, temos uma numerosa quantidade de trechos que este sub-sub-bibliotecário, como é dito do funcionário, recolheu do quanto pode encontrar de livros que falassem de baleia. A diversidade das fontes aqui é enorme: a Bíblia, escritos de viajantes, obras de literatura, livros de estudos naturalistas e, até mesmo, um trecho de Darwin, que irá apresentar a sua teoria sobre a evolução das espécies em 1858; ou seja, antes de entrarmos na narração, já nos vemos etimológica e referencialmente cercados de “baleias” por todos os lados.

“Trate-me por Ishmael.” Esta é a frase de abertura com a qual o narrador se apresenta. Logo a seguir ficamos sabendo que sua busca de emprego como marinheiro não é propriamente motivada pela falta de dinheiro, ainda que isto também seja uma realidade, mas devido à sua inadequação para permanecer por muito tempo em terra firme. Como possuído por um certo horror pelas coisas da terra associado à grande atração que a água exerce nele, Ishmael vê como única possibilidade de salvação embarcar num navio. Não quer de fato chegar a porto algum, antes quer fugir de onde se encontra e por isso se atira ao mar:

“Sempre que começo a ficar rabugento; sempre que há um novembro úmido e chuvoso em minha alma; sempre que, sem querer, me vejo parado diante de agências funerárias, ou acompanhando todos os funerais que encontro e, em especial, quando minha tristeza é tão profunda que se faz necessário um princípio moral muito forte que me impeça de sair à rua e rigorosamente arrancar os chapéus das pessoas – então percebo que é hora de ir o mais rápido possível para o mar. Este é meu substituto para armas e para balas.” (p.26)

Dessa maneira, ele não quer apenas nos contar uma história com reviravoltas e peripécias, ele quer antes nos fazer companheiros de uma longa viagem num navio baleeiro, de uma viagem que durará três anos, sem parar em porto algum. Aproveitando ainda como exemplo o texto acima, é notável que, no estilo adotado de períodos longos, a pontuação cumpra o papel de impor o ritmo da narrativa, evocando o movimento das ondas ou da própria baleia – estilo que a tradução, felizmente, mantém.

Dos 136 capítulos do livro, incluindo o epílogo, que ocupam cerca de 600 generosas páginas, somente nos três últimos, excetuando o epílogo, teremos a presença concreta de Moby Dick. Todos os capítulos precedentes podem ser vistos como uma longa preparação desse enfrentamento. Ou, visto de outra forma, toda essa preparação pode ser compreendida como a verdadeira experiência que será coroada com o terrível desfecho que lhe cabe.

Os treze capítulos inicias do romance se passam em New Bedford e em Nantucket, cidades de onde partem as embarcações para a caça de baleias. O clima geral é tenebroso, e tudo nessas duas localidades lembra navios baleeiros e morte. É nesse ambiente sinistro e sombrio que vai acontecer um dos momentos mais engraçados do romance, que é o encontro entre Ishmael e o homem que irá ser seu grande amigo, o canibal Queequeg, com quem aquele terá que dividir a cama. A pieguice humanitária do discurso do narrador sobre amor e amizade entre pessoas tão diferentes não chega a comprometer, felizmente, toda a graça da cena. Ishmael participa do ritual em honra ao deus pagão de Queequeg, justificado pela lógica de argumentação cristã de amor ao próximo, e depois trocam confidências antes de dormir.

O vínculo que se estabelece entre os dois é tamanho – e apesar do que foi dito da fala do narrador, não haveria por que descrer de sua sinceridade –, que uma das frustrações da leitura é que esta amizade, que rende tão bons momentos na parte inicial do romance, acabe não tendo no seu desenrolar um desdobramento à altura do que prometia. Depois de embarcarem, nunca mais assistiremos a uma troca de confissões entre eles, nem mesmo no momento em que Queequeg adoece haverá uma conversa longa entre amigos, nada. D. H. Lawrence credita isso, não sem alguma lúcida crueldade, a um certo caráter volúvel e superficial tipicamente americano nas suas relações pessoais:

“Você poderia pensar que essa relação significa alguma coisa para Ishmael. Mas não. Queequeg é esquecido como um jornal velho. As coisas humanas são emoções ou diversões momentâneas para americano Ishmael. Ishmael, o caçado. Mas muito mais Ishmael, o caçador. O que é Queequeg? O que é uma esposa? A baleia branca precisa ser caçada até o fim. Queequeg precisa ser apenas “CONHECIDO”, e então lançado ao esquecimento”. [1]

O navio que Ishmael escolhe para embarcar, o Pequod, é de propriedade de dois quacres, rigorosos protestantes, obcecados pela conduta moral rígida e por dinheiro. O capitão é também um estranho quacre, que só irá surgir na história, saindo de sua cabine, dias depois de a embarcação já ter iniciado sua viagem. Na sua última jornada, o capitão Ahab teve a sua perna amputada por Moby Dick e usa agora, como prolongamento do seu coto, uma perna feita de osso de cachalote. A tripulação do Pequod é das mais heterogêneas, os três imediatos são norte-americanos: o precavido Starbuck, o destemido Stub e o obstinado Flask. Cada qual destes descerá aos botes com seus respectivos arpoadores: Queequeg, originário de uma das ilhas dos mares do sul; Tashtego, um pele-vermelha americano; e Daggoo, um negro africano. O resto da tripulação é formada por marinheiros das mais diferentes nações.

Aliás, quem abrisse ao acaso, sem conhecer, o livro, e lesse os capítulos 39 e 40, que retratam o episódio em que os marujos cantam à meia-noite, acharia tratar-se do roteiro de algum musical de Hollywood patrocinado pela ONU para celebrar o sucesso da globalização.

Ahab vem então contar para essa variada fauna o objetivo principal da viagem que estavam fazendo: caçar Moby Dick. Além do terror que exerce, o velho capitão sabe muito bem como mobilizar esses rudes marinheiros para ajudá-lo no seu propósito particular. Primeiro, não interfere no objetivo geral da empreitada, que é a caça de baleias, e vão apanhar muitas delas, afinal cada homem receberá uma porcentagem dos lucros advindos dessa excursão; segundo, porque oferece um prêmio extra para o primeiro que avistar sua baleia branca, uma moeda de ouro que Ahab prega no mastro do navio como se a pregasse na consciência de cada um de seus comandados.

Um símbolo e sua pluralidade

Mas, afinal, o que é Moby Dick, além de um grande cachalote? Um símbolo, por certo, mas de quê? Ou de que natureza? E aqui recorro mais uma vez ao texto de Lawrence:

“É claro que é um símbolo. De quê?
Duvido que mesmo Melville soubesse com precisão. Isso é o melhor de tudo”
. [2]

Essa última observação é que é o melhor de tudo: o símbolo sem significado definido permite, nesse caso, percebê-lo na sua pluralidade. O que Moby Dick significa para Ishmael é diferente do que significa para os outros marinheiros e é diferente do que significa para Ahab. Para a maioria, apenas mais uma aventura, muito perigosa de fato, mas que trará bons lucros. Para Ishmael, é o exemplar sublime da mais sublime das criaturas – que é para ele a baleia. Detemo-nos por aqui um instante.

A baleia exerce no marinheiro narrador um fascínio semelhante ao daquele funcionário de ginásio aludido anteriormente. Ishmael quer compreendê-la sob diferentes enfoques, ainda que saiba que jamais poderá apreendê-la totalmente, e é o próprio narrador que confessa:

“Por mais que a disseque, não consigo ir além da superfície de sua pele; não a conheço, e jamais a conhecerei. Mas se dessa baleia não sei nem sobre a cauda, como compreender sua cabeça? Ainda mais, como compreender o seu rosto, se rosto ela não tem? Tu me verás pelas costas, a minha cauda, ela parece dizer, porém minha face não se verá.” (p.399)

Apesar disso, Ishmael não se furta à pesquisa e à reflexão sob todos os enfoques possíveis, numa caçada intelectual das mais obcecadas já vistas na história da literatura. Então, ao longo de toda a viagem, entre uma caçada e outra, entre o encontro de um navio e outro, nos deparamos com textos apresentados pelo narrador das mais variadas naturezas, ora uma exposição de caráter científico, com tantos detalhes e rigor que imaginamos estar diante da obra de uma grande naturalista especializado em cetáceos. Percebe-se um naturalista apaixonado pelo seu objeto de estudo, como o trecho acima deixa transparecer. Em outro momento ele está mostrando os erros de várias representações iconográficas de baleias; em outro, a discussão da histórica da aventura bíblica de Jonas; em outro ainda, uma discussão ecológica sobre a possibilidade da extinção das baleias. Ishmael chega a tatuar no braço todas as dimensões do cachalote, parte por parte. E o resultado de tudo isso é a admiração enorme por parte do narrador e a elevação desse ser aquático a uma condição supra-real – e Moby Dick chega à categoria, enquanto símbolo, da benéfica Divindade.

Para Ahab, Moby Dick está longe de representar algo assim. A baleia branca o magoou física e espiritualmente. Ela é uma afronta à sua tentativa de dominação da natureza, não lhe arrancou apenas uma perna, mas perturbou-lhe a fé e, por isso, ela é a própria encarnação do Mal que precisa ser destruído. Para isso ele violará os maiores princípios que deveriam dirigir as ações de um quacre. Numa rápida consulta ao dicionário, descobrimos que os praticantes dessa seita, fundada no século 17 por Jorge Fox, crêem na direção do Espírito Santo, não admitem sacramentos, não prestam juramentos, nem mesmo perante a Justiça, não pegam em armas e não admitem hierarquia eclesiástica. Ahab conseguiu desrespeitar quase todos esses princípios. Banha com sangue dos pagãos de bordo as navalhas que serão transformadas no arpão que ele empunhará contra Moby Dick, numa espécie de ritual demoníaco de caráter sacramental; aponta o mosquete para Starbuck num dado momento em que este representa algum risco para a realização de seu objetivo, e que ninguém duvide que ele não atiraria; suas juras estão em cada frase contra seu inimigo. Se o Mal existe, certamente está em Ahab e não no seu inimigo.

Starbuck é o único que percebe que aquela monomania de seu capitão em destruir a baleia levará todos à morte. Mas o primeiro imediato é temeroso demais para fazer alguma coisa. Há um momento em que ele tem a chance de mudar esse destino do navio, é quando aponta o mosquete para Ahab enquanto este dormia, mas é covarde demais para puxar o gatilho. Não o faz – e o que fará a partir daqui é tentar com palavras afetuosas fazê-lo mudar de opinião, o que sabemos não ser possível. Se alguma lição se pode extrair dessa situação é que a falta de coragem para enfrentar o Mal quando o percebemos é de alguma maneira compactuar com ele.

A embarcação segue seu caminho e, dos muitos episódios, um dos mais comoventes é o que ocorre com Pit, um garoto negro e alegre que enlouquece ao se ver abandonado no mar. A partir dessa experiência, o menino perde toda sua a alegria, não mais cantará, nunca mais tocará seu pandeiro. Ahab identifica-se então com ele, ambos são solitários, ficaram tão isolados em si mesmos, que se acharam perdidos nas suas loucuras. Na parte final do romance, o capitão irá colocá-lo na sua cabine de comando, quando passa a ficar quase o tempo todo no seu cesto erguido na gávea.

Luz e sombra

À medida que o Pequod vai se encaminhando Pacífico adentro, mais e mais se vai tendo notícias de Moby Dick, até o definitivo encontro naquele desértico oceano. O enfrentamento durará três dias e a descrição da luta é das mais magníficas e terríveis, com a derrota final de Ahab. A gigantesca baleia branca decide a batalha final quando se atira contra o navio baleeiro e o coloca a pique. A última cena é uma mistura de realismo e simbolismo. Nos três mastros enquanto o navio afunda estão cada um dos arpoadores, os “selvagens”, o homem das ilhas do sul, o africano e o pele-vermelha; um falcão marítimo aproxima-se de Tashtego e começa a molestá-lo enquanto ele está numa absurda atividade de pregar a bandeira ao mastro enquanto o navio naufraga. Tashtego prega a ave junto com a bandeira e tudo afunda e desaparece no mar.

É o sonho de uma América branca e puritana que não conseguiu impor sua dominação sobre a natureza selvagem e foi engolido por ela? Se foi isso, o que é então isso que veio depois? Ou seria esse romance o registro vingativo de uma derrota elaborado por Melville, um “pessimista por frustração”, como o chamou Otto Maria Carpeaux? [3] Muitas vezes, quando os símbolos são luminosos demais eles carregam em si as mais profundas sombras.

Por tudo o que foi dito aqui – e por muito mais que gostaria de dizer e que não cabe no espaço exíguo de uma resenha – esta é uma obra altamente recomendada, inclusive para aqueles que, sob o espírito ecológico dos nossos tempos, abominam a caça da baleia. Gostaria de dizer que, apesar de o narrador não se colocar de maneira alguma contra sua caça e não acreditar na sua extinção, claro que ele não poderia imaginar o que viria a ser a sofisticação tecnológica de um baleeiro japonês moderno.

Não há em toda a literatura páginas de maior respeito e admiração pela baleia como nesse romance – e ninguém a tratou de maneira mais poética.



[1] Lawrence, David Herbert. “Moby Dick” In.: Melville, Herman. Moby Dick, ou, A Baleia. São Paulo. Cosac Naify, 2008 (p. 605).

[2] Lawrence, David Herbert. “Moby Dick” In.: Melville, Herman. Moby Dick, ou, A Baleia.São Paulo. Cosac Naify, 2008 (p. 602).

[3] Carpeaux, Otto Maria. História da Literatura Ocidental. Rio de Janeiro. Ed. Alhambra. 1987 (vol. 6 – p.1544).

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