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CULTURA

Os Quatrocentos do Sarau da Cooperifa

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Contra a vontade de muitos e pela vontade de muitos, centenas estavam comungando a palavra, resistindo à mediocridade, ao marasmo e a abulia que parece ter tomado conta dos corações da maioria. Quixotes! O melhor é que tudo isso não nos foi dado nem herdado, foi conquistado

Sérgio Vaz - (24/07/2008)

Na quarta-feira, 9 de julho, enquanto o frio castigava a noite paulistana, quase quatrocentas pessoas compareceram ao Sarau da Cooperifa, no bar do Zé Batidão. Por conta das férias e do feriado, gente de todos os lugares e de todas as quebradas veio comungar a poesia junto com os poetas da Cooperifa, que somavam quase cinqüenta. Uma noite magnífica como há muito não se via na periferia, como há muito não acontecia em nossas vidas. (Tem gente lá até agora).

Como o bar estava extremamente lotado, muito se temia pelo silêncio e respeito à poesia. Mas, que nada: numa prova de que as coisas estão tomando novos e bons rumos, o silêncio foi uma das coisas mais belas que já aconteceu no sarau este ano. Os convidados, muitos que vieram pela primeira vez, compreenderam o quanto o sarau é sagrado para nós, para a comunidade, e nos presentearam com o devido respeito que é dado aos guerreiros da literatura das ruas, e com uma chuva de aplausos, que lavou a alma de todos. Uma noite para se lembrar para sempre.

Como emoção pouca, para nós é bobagem, durante o sarau ligamos para a Ricarda, poeta da Cooperifa, que acabou de ser operada. Como a quarta-feira era dia da sua visita, e nós não podíamos visitá-la, ligamos para ela, e pelo viva-voz, ela emocionada nos disse que estava tudo bem e que tinha ficado muito contente pela nossa visita via satélite. Ao final, todos a aplaudiram e gritaram seu nome, para que ela pudesse entender que nenhum câncer pode com uma grande amizade. Força, guerreira!

E se esta poesia feita na periferia, tem menos ou mais crase e se há vírgula no ponto final, é porque estamos apenas começando a dominar o signo das palavras e a entender o seu real poder

O sarau também foi em homenagem às professoras e professores da rede Estadual, essas guerreiras e guerreiros que se entrincheiraram nas escolas e combatem o sistema, de giz em punho, para que nossas crianças não cresçam analfabetas. E que realmente cresçam. Como pode alguém magoar os nossos mestres? Covardes!. “...Porque ensinar é regar a semente sem afogar a flor."

Numa quarta-feira fria de São Paulo, longe do centro, no mesmo horário da novela, do jogo na TV, contra a vontade de muitos e pela vontade de muitos, quase quatrocentas pessoas estavam comungando a palavra, resistindo à mediocridade, ao marasmo e a abulia que parece ter tomado conta dos corações da maioria dos brasileiros. Quixotes! O melhor é que tudo isso não nos foi dado nem herdado, foi conquistado. E se esta poesia feita na periferia, tem menos ou mais crase e se há vírgula no ponto final, é porque estamos apenas começando a dominar o signo das palavras e a entender o seu real poder. Mas não vá para grupo com a gente não, quando a gente fala que "nóis vai" é porque "nóis vai mesmo!"

Nada mal para quem, durante mais de 500 anos, foi erva daninha, ou as “flores do mal" no jardim aristocrático da literatura. Só nos resta uma certeza: nem todos se calaram!

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