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CULTURA PERIFÉRICA

O Hip Hop nunca foi tão pop

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Vinte e cinco anos depois de despontar no Brasil, a cultura hip-hop está bombando como nunca. Ligou-se ao showbizz, mas é capaz de manter, mesmo assim, seus princípios e essência. É claramente periférica. Dez eventos a celebram, a partir deste fim de semana, em São Paulo

Eleilson Leite - (26/07/2008)

Ouviram da rua Vinte e Quatro de Maio, no Centro de São Paulo, de um microsistem surrado, uma batida retumbante e ritmada: tum, tistac, tum, tistac tum. Eram os primeiros sinais da cultura hip hop no Brasil, 25 anos atrás. Ali, na esquina com a rua Barão de Itapetininga, tinha um piso liso redondo de uns quatro metros de diâmetro, em meio ao calçadão áspero e quebradiço. A superfície lisa atraiu os b-boys liderados por Nelson Triunfo. O povo se aglomerava para ver a novidade. A dança era chamada de robô. Popularizada por Michael Jackson, ficou logo conhecida como break. Os manos eram da periferia, quase todos pretos. Não deu outra. A polícia colou e desfez a roda. A fama, porém, já tinha se alastrado. Triunfo, que já era figura conhecida dos bailes black dos anos 70, virou um astro. Até em abertura de novela da TV Globo o cara apareceu.s

A roda de b-boys ressurgiu tempos depois no pátio da Estação São Bento do Metrô (pelos idos de 85) e também no Largo São Bento, em frente ao mosteiro dos beneditinos, onde, um dia desses, o Papa se hospedou. Já não eram mais apenas dançarinos. Agora tinha os MC’s. Na falta de DJ’, o som rolava nos toca-fitas e no embalo do Beat Box (batida de DJ produzida pela boca). Em 1988, surge a primeira Coletânea de Rap e o movimento enfim se estabelece como cultura hip hop juntando o b-boy (dançarino), o MC (rapper), o DJ e o grafitti. Em 1990, o Racionais MC’s lança seu primeiro disco. O hip hop cresce de forma avassaladora durante toda a década, tendo seu ápice em 1997, com o lançamento do disco Sobrevivendo no Inferno que posicionou o grupo como a maior e mais importante expressão do rap no Brasil.

A ampliação da presença da cultura hip hop até então vinha muito acompanhada do engajamento. A dimensão do protesto era uma marca indissociável daquele movimento. “Sou apenas uma rapaz latino americano apoiado por mais de 50 mil manos”, diziam os Racionais, que se apresentavam como “terroristas da periferia”, “efeito colateral que seu sistema fez”. Os manos cultivavam uma expressão indignada, cara marruda. O rap era uma metralhadora com pente carregado. O sentido de ser da periferia se expressava, naquele tempo, principalmente pelo ódio às elites e ao Estado, que empurraram os pobres para os fundões da metrópole.

Assistimos o hip hop virar cada vez mais pop e menos engajado. Fazer um rap não tem mais como inspiração apenas a denúncia. Os manos sacaram que podem e devem gozar do seu prestígio

Essa contundência, porém, já não tem o mesmo apelo de outrora. Nesta primeira década do século 21, assistimos o hip hop virar cada vez mais pop e menos engajado. A pegada da denúncia mantém seu ímpeto, mas o show business passou a fazer parte da cultura hip hop e a ditar muitas tendências nesse meio. Fazer um rap não tem mais como inspiração apenas a denúncia. Os MC’s também movem-se por motivações comerciais, para compor. O que não é ruim. Pelo contrário: os manos estão sacando que podem e devem fazer sucesso e gozar do seu prestígio como fazem, há tempos, os rappers nos EUA. Ser da periferia também não significa apenas pobreza e violência para os manos e minas. Há muitos prazeres nos becos e vielas do subúrbio e essas delícias têm aparecido cada vez mais nas composições atuais do rap paulistano.

O que se vê hoje é que a cultura hip hop está bombando como nunca. Cabe é manter uma reflexão permanente sobre seus princípios e sua essência. É importante fortalecer os grupos de base, as posses, que são as típicas organizações de hip hop. Para conferir todos os aspectos dessa cultura, fruir e discutir o que rola atualmente há, nada menos do que dez eventos na região metropolitana de São Paulo. Um já começou e os demais rolam a partir desta sexta, 25/7, até a terceira semana de agosto. É uma overdose. O pessoal do hip hop deve gostar das baixas temperaturas do inverno paulistano. Não por acaso, os Racionais cantavam: “Faz frio em São Paulo / Pra mim tá sempre bom / Eu tou na rua de bombeta e moleton”. Quer conferir e se aprofundar num dos maiores fenômenos culturais de nosso tempo? Respire fundo e acompanhe a agenda:

Teatro Hip Hop – 5x4: Particularidade Coletivas – Tendências da Cultura Popular Urbana - Trata-se de um projeto super-conceitual, concebido e realizado pelo Núcleo Bartolomeu de Teatro, que há quase dez anos vem desenvolvendo uma pesquisa sobre o teatro Hip Hop. Entre os membros da companhia está o DJ Eugênio de Lima, que teve atuação destacada na construção do evento. No espaço 5º Andar da unidade do Sesc na Avenida Paulista, rolam desde 20 de junho, e seguem até 10 de agosto, espetáculos de teatro, oficinas, discotecagens, bate-papos e cinema. Há também a exposição Linha do Tempo, que começa em 1973 até os hoje mostrando a evolução do hip hop. É bacana, a parada. Vale à pena conferir. Dá tempo de ver ainda dois espetáculos, entre eles Cindi Hip Hop – Pequena Ópera Rap (estréia dia 01). Nas discotecagens, que rolam sempre às quartas, teremos ainda dois DJs: Willam Robson (30/07) e Luaa Gabanini (06/08). Talvez a apreciação fragmentada da programação não dê ao público a possibilidade de se apropriar do conceito do evento, mas a leitura do catálogo ajuda a entender a idéia.

Suburbano no Centro – É a quarta edição do evento organizado e apresentado pelo escritor e agitador cultural Alessandro Buzo, que comanda o quadro Buzão Circular Periférico, no programa Manos e Minas. A parada rola nesta sexta, 25/7, no auditório da ONG Ação Educativa. O evento, que começou num sebo do Centrão, transferiu-se desde junho para a Vila Buarque, também na região central, e mudou sua concepção. Buzo, que organiza o tradicional Favela Toma Conta, grande evento de rap realizado quadrimestralmente no Itaim Paulista, pretende, com o Suburbano no Centro, abrir espaço para novos grupos de rap mostrarem seu trabalho. São dez atrações: Sniper, Almas Errantes, ROMS, Mano Rogério, Triste realidade, Teoria da Rua, Banca 121, Walter Limonada, Ebenezer e Toroká. Cada grupo apresenta uma música apenas. Quem quiser ouvir um rap com aquela pegada anos 90, cola nesta sexta, que a diversão é garantida e gratuita.

Harmônicas Batalhas – Finalíssima do campeonato que começou em março e teve várias eliminatórias realizadas nas quatro regiões da capital. Serão cinco batalhas reunindo bboys e bgirls. Não é homem contra mulher. É tudo junto e misturado, dentro das crews que disputam o título. O evento acontece no Tendal da Lapa neste sábado, às 17h, com pocket show e performance do DJ Guinho. À noite, a partir das 22h, rola a festa de encerramento deste grande evento organizado pelo Instituto Voz, com apoio do Programa de Ação Cultural (PAC)de São Paulo. A balada será no Centro Cultural e Popular da Consolação (CCPC) .

Hip Hop em Ação – Especial de aniversário da Casa do Hip Hop de Diadema. Este espaço, pioneiro no Brasil em termos de política pública (a Casa é um equipamento da Prefeitura local), realiza todo último sábado do mês seu já tradicional evento. Na ocasião, será lançada a coletânea Uma só Voz – Mantendo o Hip Hop Vivo, produzido pela Zulu Nation Brasil, ONG formada a partir do movimento hip hop do ABC. Vai rolar muito rap, performances de DJ’s, graffiti e dança. A Casa do Hip Hop é um reduto do hip hop autêntico, fiel aos seus princípios. Lá, é um por todos e todos por um. Nenhum elemento do hip hop é mais importante que outro e onde tem um, tem todos. Vale a pena chegar em Diadema e curtir a programação, que começa às 12h e vai até às 2Oh.

DMC Brasil – Reconhecido como o primeiro e mais importante campeonato mundial de DJ’s do Mundo, o DMC começou nos anos 80, na Inglaterra e EUA, e se espalhou por mais de 25 países, chegando agora ao Brasil. Neste domingo, rola a finalíssima, com mais de dez concorrentes selecionados em eliminatórias anteriores, envolvendo DJ’s de várias partes do Brasil. O evento tem a curadoria do DJ Pogo, que é inglês e foi vencedor mundial em 1997. O cara anda sempre por aqui e se juntou à Panteras Produções para realizar o DMC no Brasil. O evento é uma super produção, cercada de grandes patrocinadores, muito glamour e apelo midiático. A parada rola no Pacha SP, espaço de festas descoladas na Vila Leopoldina. O ingresso é caro para os padrões da cultura hip hop: R$ 50,00, para homens. O DMC não se restringe ao Hip Hop, mas tem nele sua principal inspiração. Quem puder conferir vai ter show do DJ inglês Cash Money, campeão mundial em edições dos anos 80 do DMC e o DJ brazuca KL Jay (Racionais MC’s).

8ª Semana de Cultura Hip Hop – Pelo oitavo ano consecutivo, a Ação Educativa realiza o evento que já se tornou um dos mais importantes de São Paulo. Começa nesta segunda-feira, 28/7, e segue até sexta, 1º/8, sempre das 13h às 22h. A programação tem festival de basquete de rua, oficinas, mostra de filmes, apresentações artísticas, debates e palestras. O tema deste ano é Hip Hop: caminhos para educar. Na quinta-feira, rola o Projeto Hip Hop Mulher, que lançará o CD Realidades, produzido pela rapper Atyeli Queem . Na mesma sessão, a DJ espanhola Delise fará uma aula-espetáculo. No show de encerramento, que acontece no Sesc Consolação, tem 9 atrações, entre elas o espetáculo Dos Tambores aos Toca-Discos com o DJ Erry-G.

Sarau do Rap – Há mais de um ano, toda última quinta-feira do mês, o poeta Sergio Vaz realiza, em parceria com a Ação Educativa, este sarau, voltado exclusivamente a rimadores e rimadoras do rap. É um espaço de exercício da criação poética. Rap é ritmo e poesia. Mas nessa noite, evidencia-se a poética das letras. Sem música, os MC’s declamam suas composições, compartilhando seu talento literário. Vaz, que há sete anos fundou o Sarau da Cooperifa, um dos mais importantes da cidade e o maior da periferia, sabe como poucos criar um clima de intensa magia em torno da palavra. É bonito. E nesta quinta, 31 de julho, vai ter surpresa. Apareçam.

1º Encontro de DJ’s de Hip Hop Um evento inédito reunirá, em 2 e 3 de agosto, 35 DJ’s da região metropolitana, no Centro Cultural São Paulo. Tem a curadoria do DJ Erry-G . Na programação, oficinas, performances, shows, entre outras atrações, ocupando vários espaços do velho e bom CCSP, inclusive a Praça das Bibliotecas. É tudo gratuito. A DJ espanhola Delize vai estar por lá nos dois dias. O DJ CIA também passará, mas só no sábado. Na noite do dia 2, rola uma balada no Sambarylove, agitada casa noturna do Bixiga. No evento será lançado o Mapa Cultural da Periferia – Edição DJ’s de Hip Hop, um produto derivado da Agenda Cultural da Periferia. Realizada pela ONG Ação Educativa a publicação apresenta o perfil de cinqüenta DJ’s de Hip Hop, sendo dez mulheres. O encontro de DJ’s tem a parceria do Centro Cultural da Espanha, além do CCSP.

15º CEDECA Hip Hop em Festa – Certamente, este é o mais antigo evento de hip hop de São Paulo entre os ativos. Um marco. Acontecerá, como sempre, no primeiro domingo de agosto, dia 3. Começou em 1993, tendo como organizador o Cedeca Sapopemba, na Zona Leste. Tem basquete de rua, apresentações de diversas crews, mais de vinte grupos de rap, grafitti, muita animação e discussões sobre questões de interesse da juventude da periferia.

Hip Hop DJ 2008 – A arte dos toca discos. Evento organizado pela 4P, que tem entre os sócios o Rapper X e o DJ KL Jay. Acontece desde 1997 e é o mais importante campeonato de DJ’s do Brasil. As seletivas acontecerão nos dias 20 de agosto e 3 de setembro, no Studio SP, uma casa noturna muito parceira dos artistas do hip hop. As inscrições já estão abertas. Este evento já revelou feras como o DJ CIA. Nas batalhas é que se desenvolve a habilidade no manejo das pick ups. A participação nesses eventos acaba por posicionar o DJ de Hip Hop entre os mais virtuosos nos scratchs. E já tem aqueles quase imbatíveis. Nas últimas cinco edições houve apenas dois ganhadores. DJ Tano conquistou nos anos 2003, 2004 e 2005 e o DJ Erick Jay defende o bicampeonato de 2006 e 2007. Os dois podem ser vistos no Encontro de DJ’s de Hip Hop, no CCSP.

Perdeu o fôlego? É hip hop até umas horas. Não há dúvida do vigor dessa cultura, sua influência e permanência na cena pop contemporânea. Mas a polêmica está colocada. Há quem diga que o hip hop está perdendo espaço nas periferias para o funk pancadão. Outros falam que a mídia, ao incorporar a cultura, acaba por deformar sua essência. Talvez não tenhamos que ficar numa discussão principista sobre os fundamentos da cultura hip hop. O fato é que ela resiste e se reinventa a todo momento. Tampouco cabe uma dicotomia arte/engajamento. Até porque não convém essa separação.

Ganhar dinheiro e ficar famoso não é problema. Que haja mais filmes como Antonia. Que o Programa Manos e Minas alcance picos de audiência. Que o MV Bill continue aparecendo na Globo. E que também os Racionais MC’s continuem vendendo centenas de milhares de discos e arrastando multidões sem aparecer na mídia. Tudo que os artistas do hip hop puderem alcançar será pouco, diante do que merecem esses jovens (alguns, já nem tanto) das quebradas e que viveram segregados desde crianças vendo seus pais comerem o pão amassado no buzão lotado. Hip Hop é, por excelência, uma cultura da periferia. O que não pode é perder a humildade, dignidade e proceder. E essa é uma lição que os manos e as minas sabem de cor. Vida longa ao Hip Hop!

Mais

Eleilson Leite é colunista do Caderno Brasil de Le Monde Diplomatique. Edições anteriores da coluna:

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O biscoito fino das quebradas
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A arte que liberta não pode vir da mão que escraviza
Vem aí Semana de Arte Moderna da Periferia. Iniciativa recupera radicalidade de 1922 e da Tropicália, mas afirma, além disso, Brasil que já não se espelha nas elites, nem aceita ser subalterno a elas. Diplô abre coluna quinzenal sobre cultura periférica



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