Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» A desigualdade brasileira posta à mesa

» Fagulhas de esperança na longa noite bolsonarista

» 1 de setembro de 2020

» O fim do mundo e o indiscreto racismo das elites

» O milagre da multiplicação de bilhões — para os bancos

» Movimento sindical em tempos de tormenta

» 31 de agosto de 2020

» A crucificação de Julian Assange

» Nuestra America: os cinco séculos de solidão

» Ir além do velho mundo: lições da pandemia

Rede Social


Edição francesa


» Injustice française

» Accaparement des méninges

» An 01 de la gauche, on arrête tout, on réfléchit

» « Il Manifesto », le prix de l'engagement

» Des treillis sous les blouses blanches

» Hanoï s'étend vers l'ouest

» Contourner et désenclaver Anvers

» « La France gesticule… mais ne dit rien »

» Russie, un territoire à géographie variable

» Démographie et richesse en Russie, les grands déséquilibres


Edição em inglês


» January: the longer view

» Mutual suspicion in Greece's borderlands

» Border tensions

» Disunited States of America

» The British monarchy's smoke and mirrors

» UK Brexiteers' libertarian goal

» Time to reform the Peruvian system

» Russia's attempted return to Africa

» ASEAN's diplomatic triumph

» When Algerians took to the streets


Edição portuguesa


» Edição de Janeiro de 2021

» O presidente, a saúde e o emprego

» Quem será o próximo inimigo?

» Edição de Dezembro de 2020

» A democracia desigual e os neoliberais autoritários

» A amarga vitória democrata

» A segunda morte da Europa

» Ofereça uma assinatura de 6 meses, apenas €18

» Edição de Novembro de 2020

» A máquina infernal


LITERATURA

Jean Grosjean, dois poemas

Imprimir
enviar por email
Compartilhe

Enquanto a paisagem se reduz ao essencial, estes poemas nos falam dos movimentos interiores do “eu”, de suas hesitações

Pablo Simpson - (08/08/2008)

La Lueur des jours e Les Vasistas, publicados em 1991 e 2000, são duas coletâneas de poemas de Jean Grosjean. Tardias, se comparadas com uma produção poética que se inicia em 1946 com a publicação de Terre du temps. Não estão nelas os longos versículos claudelianos, tão belos de Élégies ou Apocalypse, elogiados pelo poeta Philippe Jaccottet, que viu neles um “eu” que avança ferido, diferentemente da caminhada triunfal de Paul Claudel. Também não se vêem as numerosas referências bíblicas de Fils de l’homme, para esse poeta católico conhecido pelas traduções que fez de textos religiosos: O Evangelho de João, Gênesis, Apocalipse, O Alcorão, ou do teatro grego de Ésquilo e Sófocles. São livros em que a poesia é aparentemente menor: em poemas breves, em linguagem simples. A paisagem se reduz ao essencial, embora se constitua como elemento central do poema. Diz-nos dos movimentos interiores do “eu”, de suas hesitações. Assim, um heléboro, planta venenosa, insinua-se no segundo poema aqui reunido, intitulado “Arpejos”. No primeiro, apenas os bois negros em contraluz com um céu de fim de tarde, para o poeta à espera do julgamento final.

***

Regarde passer
les heures, les heures.

L’une porte un sabre
l’autre un verre d’eau
aucune le verdict.

Noirs contre le ciel
du soir reviennent
des champs les bœufs.

Un soleil de rebut
roule entre leurs sabots.

***

Observe passar
as horas, as horas.

Uma traz um sabre
outra um copo d’água
nenhuma o veredicto.

Negros contra o céu
da tarde ressurgem
dos campos os bois.

Um sol de refugo
rola em seus cascos.

* * *

“Arpèges”

L’hirondelle étrenne
l’avril d’un ciel neuf
sans y laisser de sillage.

Ainsi vont nos jours de vie.
Je m’arrête à ton auberge,
à ton ombre.

Je reste à ton ombre
comme un ellébore
avec ses fleurs vertes.

“Arpejos”

A andorinha estréia
o abril de um céu novo
sem deixar esteira.

Assim vão nossos dias de vida.
Eu paro em teu albergue,
à tua sombra.

Fico à tua sombra,
como um heléboro
de flores verdes.



Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos